Enxaqueca

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Enxaqueca
É considerada pela OMS como uma das doenças mais frequentemente debilitantes do mundo.
Classificação e recursos externos
CID-10 G43
CID-9 346
OMIM 157300
DiseasesDB 8207
MeSH D008881
Star of life caution.svg Aviso médico

Enxaqueca ou migrânea é uma desordem neurovascular caracterizada por dor intensa, pulsante e debilitante na cabeça. Geralmente atinge apenas uma metade da cabeça e está acompanhada de náusea, vômito e sensibilidade a luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). É uma doença muito comum, afetando cerca de 20% das mulheres e entre 5 e 10% dos homens do mundo.[1]

Classificação[editar | editar código-fonte]

As cefaleias (assim como várias outras doenças) podem ser primárias ou secundárias:

  • Primárias: quando tem características próprias e a recorrência da dor é a principal manifestação da doença.
  • Secundárias: quando são sintomas de outras doenças como infecções (sinusites, meningites), traumas, tumores, aneurismas, alterações metabólicas ou hormonais.

Outra classificação importante é a presença ou ausência de aura. A aura é um fenômeno neurológico que inclui a ocorrência de escotomas (alterações visuais), que em geral começam poucos minutos antes do aparecimento da dor. Nem sempre esse tipo de alteração ocorre - daí a ocorrência da chamada enxaqueca sem aura, por sinal mais comum. Tais alterações ocorreriam por distúrbios elétricos negativos ao nível do córtex cerebral, em especial na região occipital, responsável pela visão.

Causas[editar | editar código-fonte]

Geralmente a enxaqueca primária é causada pela vasodilatação de artérias e veias cranianas que resulta na compressão de nervos sensitivos [2] , mas pode também estar associado a regulação de serotonina pelo nervo trigêmeo (5o par cranial).[3]

Fatores que favorecem o desenvolvimento de enxaqueca incluem[2] :

  • Vulnerabilidade genética;
  • Estresse prolongado frequente;
  • Poluição e cigarro;
  • Barulho, odores e luzes fortes;
  • Alimentos contendo glutamato monossódico (muitos temperos), nitratos (carnes processadas como salsicha, salame e hambúrguer), tiramina (queijos e carnes processadas), aspartame ou álcool (especialmente vinho);[4]
  • Mudanças hormonais (ovulação, menstruação, pílula anticoncepcional);
  • Irregularidade dos padrões de sono;
  • Falta de cafeína em consumidores frequentes de café;
  • Exercícios pesados em dias quentes ou com baixa umidade;
  • Vasodilatadores;
  • Obesidade [5] .

São mais comuns em mulheres antes do período menstrual, quando o nível de estrógeno é mais baixo. É aconselhável procurar um médico neurologista para obter um diagnóstico correto.

A enxaqueca é uma doença multifatorial, várias são as causas conhecidas pela medicina. A soma de fatores genéticos, ambientais (cigarro, poluição, variação climática, odores de perfumes e produtos químicos), hormonais, comportamentais (alto grau de exigência, oscilação do humor, irritabilidade, ansiedade, depressão), sono (dormir muito, dormir pouco) compõem os aspectos mais importantes. Existem mitos como a enxaqueca ser causada por problemas do fígado, que não são cientificamente comprovados.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem da palavra enxaqueca é árabe (الشقيقة, jaqueca) e significa migrânea. Seu sinônimo, migrânea, vem do grego antigo ηeμικρανίον (hêmikraníon), "metade do crânio".[6]

O termo cefaleia é utilizado para designar qualquer dor de cabeça, podendo ser ou não uma enxaqueca.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A migrânea é caracterizada por:

  • Dor intensa e pulsante usualmente em apenas um dos lados da cabeça;
  • Náusea e vômitos;
  • Sensibilidade à luz e ao som;
  • Irritabilidade e mau humor;
  • Incapacidade para realização de atividades cotidianas.

Os ataques/crises de enxaqueca variam de pessoa para pessoa, com duração de 4 a 72 horas. Algumas vítimas apresentam manifestações que precedem a crise propriamente dita em várias horas ou até por período superior a 24 horas e podem funcionar como uma espécie de "aviso". Estas manifestações incluem: distúrbios do humor (ansiedade, euforia, depressão), distúrbios do sono (sonolência, insônia), distúrbio intelectivos (embotamento mental, diminuição da concentração) e distúrbios gastrointestinais.

Aura visual[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos pacientes apresentam crises de enxaqueca sem "aura", que são distúrbios visuais como flashes de luz, pontos escuros na visão ou linhas em ziguezague.

Exemplos de como a visão pode ser afetada em alguns casos:

Também são relatadas alterações como perda de parte da visão em vários pontos e ver vários pontos amarelados, além da perda de foco constante.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Afeta cerca de 15% da população mundial, sendo mais frequente no ocidente, entre os 25 e 55 anos e em mulheres.[7] É menos comum na África e Ásia. Sua intensidade e frequência costumam diminuir após a menopausa. É mais comum também entre obesos, fumantes, alcoólicos e em cidades grandes. A modalidade sem aura é mais comum em mulheres e tão comum quanto com aura entre homens. Normalmente os primeiros episódios começam entre os 15 e 25 anos. É uma das doenças que mais causam custos e debilitam trabalhadores do mundo. [8]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Os medicamentos mais usados são triptanos, ergotaminas e analgésicos.

No momento das crises, podem ser usados analgésicos, mas a forma mais precisa de tratar envolve o uso de substâncias vasoconstrictoras que agem diretamente no receptor de serotonina, em geral pertencentes à categoria dos triptanos.[3]

O tratamento basicamente destina-se a recompor tais alterações de neurotransmissão: dessa forma, podem ser usados medicamentos preventivamente, ou seja, todo o dia, haja ou não crise de dor, como[9] :

Os principais medicamentos usados são[10] :

Ergotaminas[editar | editar código-fonte]

Outros medicamentos incluem ergotaminas e di-hidro-ergotaminas, que podem ser administrados como spray nasal ou de injeção. Existem evidências que magnésio também ajuda.[11]

Analgésicos[editar | editar código-fonte]

Dentre os analgésicos mais usados e eficientes estão o ibuprofeno, ácido acetilsalicílico, paracetamol, diclofenaco e cafeína. Em emergências são administradas injeções de dexamethasona ou metaclopramida ou lidocaína. Por outro lado, o uso de opioides e barbitúricos NÃO são recomendados.[12]

Outros[editar | editar código-fonte]

Geralmente anti-inflamatórios não esteroides e antieméticos também são usados durante as crises para diminuir o inchaço, náusea e vômito. Sedativos podem ser usados para ajudar o paciente a dormir em um quarto escuro e silencioso até a crise passar. Botox também pode ser usado para impedir a compressão local dos nervos afetados.

Acupuntura resulta em alguma melhora, mesmo quando as agulhas são inseridas aleatoriamente por um não especialista. Outro tratamento alternativo inclui o biofeedback, um treinamento para controlar melhor o corpo e terapia para lidar com o estresse. Mudar a dieta para evitar os alimentos desencadeantes e longos jejuns e incluir omega 3 e melatonina também podem ajudar.[13]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.sbce.med.br/index.php?option=com_content&view=article&id=210:enxaqueca-ou-migranea&catid=12:mitos-verdades&Itemid=719
  2. a b http://www.medicalnewstoday.com/articles/148373.php
  3. a b http://www.mayoclinic.com/health/migraine-headache/DS00120/DSECTION=causes
  4. http://www.enxaqueca.com.br
  5. http://www.medicalnewstoday.com/articles/265902.php
  6. Anderson, Kenneth; Anderson, Lois E.; Glanze, Walter D. (1994). Mosby's Medical, Nursing, and Allied Health Dictionary (4 ed.). Mosby. p. 998. ISBN 978-0-8151-6111-0.
  7. Stovner LJ, Zwart JA, Hagen K, Terwindt GM, Pascual J (April 2006). "Epidemiology of headache in Europe". European Journal of Neurology 13 (4): 333–45. doi:10.1111/j.1468-1331.2006.01184.x. PMID 16643310.
  8. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14984680
  9. Kaniecki R, Lucas S. (2004). "Treatment of primary headache: preventive treatment of migraine". Standards of care for headache diagnosis and treatment. Chicago: National Headache Foundation. pp. 40–52.
  10. Loder, E; Burch, R; Rizzoli, P (2012 Jun). "The 2012 AHS/AAN guidelines for prevention of episodic migraine: a summary and comparison with other recent clinical practice guidelines". Headache 52 (6): 930–45. doi:10.1111/j.1526-4610.2012.02185.x. PMID 22671714.
  11. Kelley, NE; Tepper, DE (2012 Jan). "Rescue therapy for acute migraine, part 1: triptans, dihydroergotamine, and magnesium". Headache 52 (1): 114–28. doi:10.1111/j.1526-4610.2011.02062.x. PMID 22211870.
  12. Gilmore, B; Michael, M (2011-02-01). "Treatment of acute migraine headache". American family physician 83 (3): 271–80. PMID 21302868.
  13. http://www.webmd.com/balance/nontraditional-headache-treatments