Epístola a Tito

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Epístola a Tito Epísto­las Pastorais

Não obstante o fato de que foi somente no século XVIII que as cartas a Timóteo e Tito se tornaram conhecidas como Epísto­las Pastorais, foi na verdade já em 1274 que Tomás de Aquino, referindo-se a I Timóteo, escreveu: “Esta carta é, por assim dizer, uma lei pastoral que o apóstolo enviou a Timó­teo”. O termo, embora não exato tecnicamen­te, é suficiente para indicar que nessas cartas a atenção é dirigida ao cuidado do rebanho de Deus, à administração da igreja e ao com­ portamento nela. Embora as cartas tenham sido endereçadas a Timóteo e Tito e conte­nham orientações pessoais, elas foram clara­ mente escritas para o benefício das igrejas associadas a eles. Autoria Dúvidas acerca da autoria paulina desse conjunto de cartas foram expressas pela pri­meira vez, provavelmente, durante os primei­ros anos do século XIX. Particularmente desde a publicação da obra de P. N. Harrison, inti­ tulada The Problem of the Pastoral Letters [O problema das Epístolas Pastorais] (1921), o debate acerca da autoria tem se intensificado bastante. Em geral, os argumentos contra a autoria paulina se fundamentam na situação histó­rica, no tipo de ensino falso censurado, no estágio de organização eclesiástica que é des­ crito e no vocabulário e estilo. Concorda-se prontamente que as alusões a eventos históricos (e.g., lTm 1.3; 2Tm 1.16,17; 4.13,20; Tt 1.5; 3.12) não podem ser harmonizadas com a estrutura geral de Atos. Mesmo fazendo a concessão para com a na­tureza seletiva do registro que Lucas faz das atividades de Paulo, qualquer tentativa de encontrar lugar ali para os acontecimentos descritos nos trechos listados é fútil. A co­ nhecida teoria de que um período de liber­ dade seguiu o tempo na prisão com que Atos termina ajustaria esses eventos e, à luz das evidências disponíveis, não parece irracio­ nal. Certamente Paulo estava esperando a liberdade (Fp 1.25; 2.23,24; Fm 22), e a at­ mosfera do último parágrafo de Atos aponta nessa direção, e não para a execução. A tradi­ ção dá sustentação à idéia de um período tem­ porário de liberdade durante o qual Paulo se empenhou em mais esforços missionários, e que foi abreviado somente por seu encar­ceramento final em Roma (lClemente 5.7; Eusébio, História Eclesiástica ii.22.1,2). Al­ guns estudiosos modernos também apóiam essa reconstrução dos acontecimentos (W. M. Ramsay, St. Paul the Traveller and Roman Citizen, 1920, p. 360ss; R. St. J. Parry, The Pas­ toral Epistles, p. xvss; D. Guthrie, NT Intro- duction: The Pauline Epistles, p. 212). Como teoria, é tão plausível quanto a que afirma que a atividade de Paulo, se não sua vida, termina com o último capítulo de Atos. Esforços consideráveis têm sido feitos na tentativa de provar que os falsos ensinos re­ futados nas Epístolas Pastorais refletem o gnosticismo do século II. Por outro lado, muitos negam isso, ressaltando que o gnos­ ticismo deve ter tido a sua origem já no sé­ culo I, e que o que se condena aqui está muito mais próximo do gnosticismo incipiente do que a forma mais desenvolvida dessa he­ resia. Aliás, não é fácil discernir qualquer di­ ferença essencial entre os erros condenados, nessas cartas e uma mistura do gnosticismo refutado em Colossenses e do judaísmo com­ batido em Gálatas. A forma adotada é decla­ radamente diferente, a refutação é substituída pela denúncia, à qual são acrescentadas as orientações acerca do tratamento prático da situação. Isso pode ser explicado pelo fato de que as cartas não são endereçadas a igre­ jas, mas a representantes apostólicos fami­ liarizados com as respostas de Paulo a essas heresias, embora ainda assim necessitem do conselho dele sobre a maneira em que de­ vem lidar com elas. Mais objeções são citadas com base na idéia de que a organização na igreja primi­ tiva dificilmente poderia ter se desenvolvido ao nível descrito aqui durante a época apos­ tólica. A posição atribuída a Timóteo e Tito e também o uso que Paulo faz do termo “bis­ po” são considerados reflexo do episcopado monárquico, que sabemos não surgiu antes do início do século II. E evidente que Timó­ teo e Tito exerciam autoridade mais ampla do que a de um ancião comum do Novo Tes­ tamento, mas faziam isso claramente como representantes do apóstolo, e não como bis­ pos monárquicos. Sempre que ocorre o sin­ gular da palavra “bispo”, sem dúvida é usada no sentido genérico. Longe de sugerir que um bispo deveria ser indicado em cada igre­ ja, Paulo destaca a pluralidade de presbíte­ ros “em cada cidade”. O argumento de que o governo da igreja descrito nas Epístolas Pas­ torais seja pós-apostólico perde muito do seu peso quando o ensino dessas cartas com rela­ ção a bispos e presbíteros é comparado com passagens como At 14.23; 20.17,28; Fp 1.1; lTs 5.12,13. E particularmente importante a fala de Paulo aos anciãos (episkopoi) de Efeso, visto que eles eram ativamente responsáveis naquela igreja antes do ministério de Timó­ teo lá. Finalmente, em conexão com a orga­ nização eclesiástica, seria bom comparar o conselho dado em lTm 5 com relação às viú­ vas com At 6.1; 9.39,41. E provável, no entanto, que a objeção mais significativa contra a autoria paulina ve­ nha das diferenças claramente discerníveis

entre a linguagem e estilo das Pastorais e das outras cartas aceitas como paulinas. Esse ar­ gumento é desenvolvido de forma bastante convincente na obra de P. N. Harrison. Ele ressalta que um grande número de palavras que ocorrem nesse conjunto de cartas não apareceu anteriormente nos escritos de Pau­ lo, e que algumas, de fato, não são encon­ tradas em outros livros do NT. Além disso, algumas palavras que foram usadas anterior­ mente agora trazem um sentido diferente. Por exemplo, enquanto a palavra “fé” antes tinha tido o sentido de “confiança”, aqui é usada para descrever o “corpo de doutrinas”. Mas o desvio estilístico mais marcante das cartas paulinas anteriores está no uso dos par- ticípios, essas palavras em que o estilo indi­ vidual está envolvido em escala tão grande, e que não parecem sujeitas ao mesmo grau de mudança como o vocabulário e o estilo geral de um autor. A diferença entre as outras cartas de Paulo com relação a isso é menor que a diferença entre todas elas e as Pasto­ rais. Além disso, há uma ausência marcante de certas preposições e pronomes que carac­ terizam os escritos reconhecidamente pauli- nos. A primeira vista, o argumento que surge da análise estatística das palavras usadas é impressionante, mas sua força é diminuída quando outros fatores são levados em consi­ deração. Precisamos dar o devido valor às importantes diferenças de variação de voca­ bulário e estilo que ocorrem nas suas outras cartas. Mudanças tanto de vocabulário quan­ to de estilo também podem ser atribuídas em alguma medida ao propósito que o autor tem em mente. Ele está tratando de situações essencialmente diferentes das tratadas nas cartas anteriores. Tampouco se pode ignorar a idade do autor, ou o fato de que ele está se dirigindo a indivíduos, e não a igrejas. Precisa-se levar em consideração também o método de composição que foi usado pelo autor. Parece provável que o autor empre­ gava os préstimos de um amanuense que tinha permissão para uma certa liberdade na real formulação do material que lhe era ditado, sendo a carta depois escrutinada pelo autor

comentário novo testamento NVI Organizado por F.F Bruce/ autor ALAN G. NUTE

Ver também[editar | editar código-fonte]

Em 55 D.C na Cidade de Creta, um Jovem Chamado TITO foi escolhido por paulo

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Tito era um Jovem bispo de Creta