Epístola de Judas

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Epístola de Judas é o nome dado à epístola do discípulo Judas (Judas, irmão de Tiago e Jesus Cristo) e não do apóstolo Judas, o penúltimo livro do Novo Testamento da Bíblia, escrita provavelmente no ano 65 da era comum. Outras suposições, porém, induzem que a obra teria sido escrita por volta dos anos 66 e 67, logo após à morte de Pedro, em razão das fortes semelhanças com a segunda carta deste outro apóstolo. No entanto, uma terceira possibilidade seria que Judas e Pedro tivessem se utilizado de uma fonte comum, talvez de um panfleto muito utilizado na época para alertar à Igreja contra os falsos mestres.

Quanto ao local onde a epístola teria sido escrita não existe até hoje uma correta identificação, ainda que existam suposições de que Judas teria enviado sua carta da Palestina ou do Egito.

Os destinatários da epístola poderiam ser judeus convertidos ao cristianismo espalhados pela Ásia Menor, embora a epístola não dê informações cabais para que público específico Judas teria se dirigido. O seu conteúdo apenas indica que os destinatários seriam pessoas conhecedoras do Antigo Testamento e das tradições judaicas, não havendo referências expressas aos gentios.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

O propósito principal dessa epístola é a advertência contra os mestres imorais e as heresias da época, que colocavam em risco a dos cristãos. Há quem diga que Judas estaria escrevendo contra os mestres ateus que afirmavam que aos cristãos seria permitido fazer tudo o quanto desejassem, sem temer o castigo divino. Assim, sua carta enfoca a apostasia, que seria a troca dos ensinamentos cristãos pelas falsas doutrinas.

A epístola é bem pequena e tem apenas 25 versículos em um único capítulo. Inicia-se com uma curta introdução de dois versos, fala sobre o perigo da atuação de homens perversos que estavam tentando alterar o propósito da fé cristã, dá exemplos históricos sobre os falsos mestres descrevendo o caráter destes, destaca o viver em santidade como o objetivo dos convertidos e conclui com sua benção apostólica.

Curiosamente, encontra-se nos seus versos 14 e 15 uma breve citação do livro apócrifo de 1 Enoque 60:8, 1:9, sobre uma profecia do julgamento dos homens maus.

  • "Enoque, o sétimo depois de Adão" é uma citação de 1En.60:8
  • "Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos.." é uma citação de 1En.1:9 (de Deut.33:2)

Outra interpretação é de que o Senhor Jesus Cristo contou aos seus servos sobre as profecias de Enoque, e Judas escreveu sua epístola baseada nas palavras do próprio Jesus a respeito do profeta Enoque. E, o mais provável é que o Livro de Enoque tenha sido escrito após a Epístola de Judas, baseando-se nos relatos da carta.

Um ponto da epístola que desperta a atenção é o seu verso 9 que fala sobre uma disputa entre o Arcanjo Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés, incidente este que não está registrado em nenhuma outra parte das Escrituras, cuja narrativa é atribuída por alguns à citação de uma parte perdida de um livro antigo chamado de Assunção de Moisés, uma vez que o capítulo 34 de Deuteronômio nada diz a respeito do fato comentado pelo apóstolo. Outros consideram que Judas fala sobre a disputa entre o Arcanjo e o diabo pelo corpo do sumo sacerdote Josué (Zacarias 3:1-7), que foi talvez uma alegoria sobre a corrupção do sacerdócio, nos dias de Neemias:[1]

  • Judas 23 E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne.
  • Zacarias 3:2 não é este um tição tirado do fogo? 3 Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Smith, Ralph L. Micah-Malachi. Word Biblical Commentary. Word, 1984
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