Epistaxe

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Epistaxe
Classificação e recursos externos
CID-10 R04.0
CID-9 784.7
DiseasesDB 18327
eMedicine emerg/806 ent/701, ped/1618
MeSH C08.460.261
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Epistaxis (em grego: ἐπιστάζω (epistazo) sangrar pelo nariz: ἐπί (epi) - "acima", "sobre" + στάζω (stazo) - "gotejar [pelas narinas]")[1] ou sangramento nasal é uma ocorrência comum, não grave, decorrente da ruptura de pequenos capilares da membrana mucosa nasal. As rupturas acontecem comumente no septo nasal anterior, chamado de área de Kiesselback.[2] . O sangramento nasal é o sangramento que se origina da mucosa das fossas nasais enquanto que a Hemorragia nasal é o sangramento que se exterioriza pelas fossas nasais independente da origem (rinofaringe, tuba auditiva etc).[3]

Patofisiologia[editar | editar código-fonte]

Os sangramentos nasais são devido à ruptura de um vaso sanguíneo dentro da mucosa nasal. A ruptura pode ser espontânea ou iniciadas por trauma. As hemorragias nasais são encontradas em até 60% da população com incidências de pico em crianças menores de dez anos de idade e pessoas com mais de 50 anos de idade; e parecem ocorrer mais em homens mais do que em mulheres.[4] Um aumento na pressão sanguínea (por exemplo, devido à hipertensão geral) tende a aumentar a duração de epistaxe espontâneas.[5]

A grande maioria das hemorragias nasais são anteriores, isto é, na parte da frente do nariz, a partir do septo nasal. Esta área é rica em vasos sanguíneos (Área de Kiesselbach). Esta região é também conhecida como Área de Little. O sangramento anterior ao nariz é geralmente devido ao sangramentos na Área de Woodruff, um plexo venoso situado na parte posterior do meato inferior.[6] Os sangramentos posteriores são muitas vezes prolongados e difíceis de controlar. Eles podem estar associados a hemorragias de ambas as narinas, e ter um maior fluxo de sangue para dentro da boca.[7]

Etiologia[editar | editar código-fonte]

A causa dos sangramentos no nariz podem ser geralmente divididas em duas categorias, fatores locais e sistêmicos.

Fatores locais
  • Deformidades anatômicas
  • Inalação de produtos químicos
  • Reação inflamatória (por exemplo, em infecções agudas do trato respiratório, sinusite crônica, rinite alérgica e irritantes ambientais)
  • Corpos estranhos
  • Tumores intranasais (Carcinoma nasofaríngeo em adultos, e angiofibroma juvenil em homens adolescentes)
  • Forcado nasal O2 (terapia de pressão positiva contínua)
  • Utilização spray nasal
  • Cirurgia
  • Trauma
Fatores sistêmicos

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O fluxo de sangue normalmente pára quando o sangue coagular, o que pode ser incentivado por pressão direta, pressionando a parte carnuda e macia do nariz. Isto aplica pressão sobre a Área de Little (Área de Kiesselbach), a fonte da maioria das hemorragias nasais e assim promove a coagulação. A pressão deve ser firme ser aplicada durante pelo menos de 5 até 20 minutos, inclinar a cabeça levemente para a frente vai ajudar a diminuir a chance de náuseas e obstrução das vias aéreas.[7]

A aplicação local de um agente vasoconstritor tem mostrado reduzir o tempo de sangramento em casos benignos de epistaxe. As drogas oximetazolina ou fenilefrina estão amplamente disponíveis em sprays nasais para o tratamento de rinite alérgica e podem ser utilizados para esta finalidade.[8]

Se essas medidas simples não funcionam, então a intervenção médica pode ser necessária para parar o sangramento. As medidas mais comuns são:[9] [3]

  • Cauterização química, utilizando uma aplicação local de nitrato de prata ou ácido tricloroacético (ATA) para cauterizar vasos superficiais.
  • Cauterização elétrica, utilizando um eletrocautério na região do sangramento após anestesia local.
  • Cauterização endoscópica, utilizando um endoscópio flexível ou rígido localiza-se a região da artéria realizando a cauterização.
  • Tampão nasal anterior, indicado na presença de sangramento difuso ou não localizado e quando os métodos acimas não forem efetivos. Faz-se anestesia local com algodão embebido em anestésico.
  • Tampão nasal posterior, realizado quando o anterior não resolve o sangramento, comumente usado em casos de traumas.[10]
  • Boqueio do Forame palatino maior
  • Drogas, o uso de drogas para controle de sangramentos nasais tem uso limitado.

Outros[editar | editar código-fonte]

A utilidade de resfriamento local da cabeça e pescoço é controversa.[11] Alguns afirmam que a aplicação de gelo no nariz ou na testa não é útil.[12] [13] Outros acham que ele pode promover a vasoconstrição dos vasos sanguíneos nasais e, portanto, é útil.[14]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A aplicação tópica de pomada contendo antibiótico para a mucosa nasal tem se mostrado um tratamento eficaz para epistaxe recorrente.[15] Um estudo descobriu que isto é tão eficaz quanto a cauterização nasal na prevenção de epistaxe recorrente em pacientes sem sangramento ativo no momento do tratamento - ambos tiveram uma taxa de aproximadamente 50 por cento de sucesso.[16]

Referências

  1. Merriam-Webster, Epistaxis
  2. Enfermagem Medico-Cirurgica. [S.l.]: MANOLE, 2005. p. 336. ISBN 978-85-204-1710-2
  3. a b Aquiles Figueiredo Leal. Epistaxe (pdf) 1 pp. Otorrino USP. Visitado em 02/08/2013.
  4. Corry J. Kucik & Timothy Clenney (January 15, 2005). Management of Epistaxis American Academy of Family Physicians. Visitado em January 31, 2010.
  5. J. F. Lubianca Neto, F. D. Fuchs, S. R. Facco, M. Gus, L. Fasolo, R. Mafessoni & A. L. Gleissner. (1999). "Is epistaxis evidence of end-organ damage in patients with hypertension?". Laryngoscope 109 (7): 1111–1115. DOI:10.1097/00005537-199907000-00019. PMID 10401851.
  6. The Journal of Laryngology & Otology (2008), 122: 1074-1077
  7. a b Corry J. Kucik & Timothy Clenney (January 15, 2005). Management of Epistaxis American Academy of Family Physicians. Visitado em January 31, 2010.
  8. Guarisco JL, Graham HD. (1989). "Epistaxis in children: causes, diagnosis, and treatment". Ear Nose Throat J 68 (7): 522, 528–30, 532 passim. PMID 2676467.
  9. Roberto Campos Meirelles, Leonardo C. B de Sá e Guilherme Almeida. Abordagem atual das hemorragias nasais Revista HUPE. Visitado em 02/08/2013.
  10. Pinto,, José Antônio; Cintra, Pedro Paulo Vivacqua da Cunha; Sônego, Thiago Branco; Leal, Carolina de Farias Aires; Artico, Marina Spadari; Soares, Josemar dos Santos. . "Grave complicação de tamponamento posterior com sonda de Foley: relato de caso". DOI:S1809-97772012000400016. ISSN 1809-9777 (Instituição: Núcleo de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de São Paulo. São Paulo / SP – Brasil.).
  11. Folz, BJ; Kanne, M, Werner, JA. (2008 Nov). "[Current aspects in epistaxis].". HNO 56 (11): 1157–65; quiz 1166. DOI:10.1007/s00106-008-1838-3. PMID 18936903.
  12. al.], edited by Roger Jones ... [et. Oxford textbook of primary medical care.. repr. ed. Oxford: Oxford University Press, 2004. 711 pp. ISBN 9780198567820
  13. Bissonnette, Bruno. Pediatric Anesthesia. New York: McGraw-Hill Medical, 2010. 1182 pp. ISBN 9781607950936
  14. al.], A.Y. Elzouki ... [et. Textbook of clinical pediatrics. 2nd ed. ed. Berlin: Springer. 3968 pp. ISBN 9783642022012
  15. Kubba H, MacAndie C, Botma M, Robison J, O'Donnell M, Robertson G, Geddes N. (2001). "A prospective, single-blind, randomized controlled trial of antiseptic cream for recurrent epistaxis in childhood". Clin Otolaryngol Allied Sci 26 (6): 465–8. DOI:10.1046/j.1365-2273.2001.00502.x. PMID 11843924.
  16. Murthy P, Nilssen EL, Rao S, McClymont LG. (1999). "A randomised clinical trial of antiseptic nasal carrier cream and silver nitrate cautery in the treatment of recurrent anterior epistaxis". Clin Otolaryngol Allied Sci 24 (3): 228–31. DOI:10.1046/j.1365-2273.1999.00236.x. PMID 10384851.