Epodo

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Epodo, na poesia, é a terceira parte de uma ode, que é seguida da estrofe e da antístrofe, e completa o movimento.

Em um determinado momento o coro, que previamente cantavam à direita do altar ou palco, e depois para a esquerda deles, combinou e cantou em uníssono, ou permitiu ao corifeu de cantar para todos, enquanto permanecia em pé no centro. Com o aparecimento de Estesícoro e a evolução da lírica coral, uma espécie aprendida e artificial de poesia começou a ser cultivada na Grécia, e uma nova forma, o epodo-canção, veio à existência. Ele consistia de um verso de trímetro iâmbico, seguido de um verso de dímetro iâmbico, e relata-se que, embora o epodo foi levado à sua máxima perfeição por Estesícoro, um poeta anterior, Arquíloco, foi realmente o inventor desta forma.

O epodo logo tomou um lugar cativo na poesia coral, que foi perdido quando esse ramo da literatura diminuiu. Mas expandiu-se além da ode, e nos dramaturgos primitivos, encontramos numerosos exemplos de monólogos e diálogos enquadrados no sistema epódico. Na poesia latina do epodo foi cultivado, no arcaísmo consciente, tanto como uma parte do hino e como um ramo independente da poesia. Da classe anterior, os epitalâmios de Catulo, fundados sob uma imitação de Píndaro, apresentam exemplos de estrofe, antístrofe e epodo, e foi observado que o celebrado poema de Horácio, começando "Quem aut virum heroa lyra vel acri", possui este caráter triplo.

Epodos de Horácio[editar | editar código-fonte]

A palavra agora é principalmente familiar a partir de um experimento de Horácio, a saber, o título que conferiu ao seu quinto livro de odes Epodon liber ou o Livro de Epodos. Ele diz que no curso desses poemas, na composição deles, foi introduzindo uma nova forma, pelo menos na literatura latina, e que ele estava imitando o efeito dos dísticos iâmbicos inventados por Arquíloco. Assim, encontra-se os primeiros dez destes epodos compostos em versos suplentes do trímetro iâmbico e dimetro iâmbico, assim:

At o Deorum quicquid in caelo regit Terras et humanum genus

Nos sete restantes epodos de Horácio há diversificadas medidas, mantendo o caráter geral do dístico. Este grupo de poemas pertence principalmente à juventude do poeta, e apresenta uma truculência e um calor controversos que estão ausentes em seus escritos mais maduros. Como ele estava imitando Arquíloco em forma, ele acreditava que isso se justificava, pois pretndia repetir a violência sarcástica de seu modelo feroz. O curioso é que estes poemas particulares de Horácio, que são realmente curtas sátiras líricas, apropriaram-se quase exclusivamente do nome "epodo", apesar de ter pouca semelhança o suficiente para com o epodo da literatura grega antiga.

Portanto, em Horácio, o epodo empregado é um tipo de composição destinada ao insulto e ao impropério. Alguns dos epodos de Horacio conservam este caráter, mas outros são de caráter eminentemente lírico. Destaca aquele cujo começo, "Beatus ille", deu nome a um tema literário, o louvor da vida no campo.