Era da Estagnação

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A Era da Estagnação (em russo: Период Застоя, Period Zastóia), também conhecida como Era da Estabilidade na esfera social e Era Détente na esfera diplomática, foi um período da história da União Soviética, sob a liderança de Leonid Brejnev, que se iniciou em 1964, logo após a resignação de Nikita Khrushchov, e terminou com a inserção das políticas da Perestroika e Glasnost, em 1987.

Pela vista econômica, o governo foi marcado por um período de larga produção e bem-estar social, que com o tempo acabou por atravancar a economia. No aspecto político, o período viu o retorno do conservadorismo e da estabilidade. A celebração de vários acordos diplomáticos foi outra marca do período.

Na época, a União Soviética alcançou seu período de maior influência geopolítica, esportiva e tecnológica de sua história.

Política[editar | editar código-fonte]

Em meio a crises em diversos campos, o Politburo pressiona o então líder Nikita Khrushchov à renúncia, sucedido por Leonid Brejnev.

Brejnev assume uma União Soviética sem controle dos mais próximos, em meio a uma crise profunda com a China, uma relação volátil com os Estados Unidos e uma situação interna controversa com relação ao nome de Stálin.

A princípio, Brejnev tenta sanar as crises externas por meio de sua Doutrina da Soberania Limitada, que definia o alinhamento a Moscou por parte das demais nações socialistas, para que se pudesse evitar as cisões diplomáticas, como aquela que destruiu as relações da URSS com a China.

Em 1968, a Tchecoslováquia se rebelou contra a influência soviética, no evento conhecido como a Primavera de Praga. As manifestações, entretanto, foram esmagadas por uma invasão soviética.

Acoplamento das naves Apollo-Soyuz, representando o fim da corrida espacial.

A Iugoslávia de Tito, com tendência nacionalista, manteve a aliança com a URSS, mas criticou a subordinação dos países à União Soviética, recusando alinhar-se a Moscou.

Na década de 1970, Brejnev se aproxima de Mao Tse-Tung. Ainda que não tenha alcançado os resultados planejados, o líder soviético chega à neutralidade e fecha acordos comerciais com o país.

Para concluir os compromissos diplomáticos, Brejnev se aproveita da boa fase com os Estados Unidos da América e dá início a vários acordos, como a facilitação da aliá dos judeus, acordos antinucleares, como o SALT, e acordos comerciais, como o intercâmbio entre a bebida americana Pepsi-Cola e a vodka soviética Stolitchnaya. Junto do presidente norte-americano, Brejnev deu fim à célebre corrida espacial, representado pelo acoplamento da nave russa Soyuz e da americana Apollo.

Tendo resolvido a situação externa do país e se acertado com os Estados Unidos, a diplomacia do governo de Brejnev tornaria-se um exemplo de détente, tendo ele recebido o Prêmio Lênin da Paz.

Na política interna, Brejnev tentou a reabilitação do nome de Stálin, e mesmo não tendo sucesso, pôs em prática o chamado neostalinismo, o que ficou explícito na extradição de críticos ao sistema, como Alexander Soljenítsin e Andrei Sakharov.

Ainda sob Brejnev, entrava em vigor a Constituição Soviética de 1977, que, entre outras coisas, confirmava o socialismo como regime vigente, reforçando o intuito da construção do comunismo no país.

Soviéticos em fila para o cinema. Carcóvia, 1981.

Economia[editar | editar código-fonte]

Brejnev toma a União Soviética em um período de reestruturação, passados já vinte anos desde o final da guerra. A indústria crescia, mas os gastos militares aumentavam em dobro, sem que o povo soviético pudesse desfrutar de uma boa qualidade de vida.

Graças aos acordos diplomáticos, o país consegue reduzir os gastos em armamentos e ter mais investimentos em bens de consumo, melhorando as condições de vida da população, ao passo que a economia se estabilizava. O período, portanto, está ligado à estabilidade da economia soviética, e ao mesmo tempo com o dito boom do petróleo, na década de 1970.[1]

Brejnev morreria em 1982, mas deixaria seu legado na economia. Com a queda dos preços do petróleo em meados dos anos 1980 e a retomada dos gastos, a estagnação econômica eclodia e junto dela surgiu a consciência acerca da necessidade de reformas econômicas, já no mandato de Mikhail Gorbachev.

Segundo números da ONU de 1990, a União Soviética se mantinha em 26º lugar no índice de desenvolvimento humano.[2] [2] [3]

Além disso, entre os países da Europa, os satélites e aliados à URSS, como a Bulgária, Polônia, Hungria e Roménia, também apresentavam bons números.[2] [2] Nos anos 1970, a economia soviética se desenvolveu muito rapidamente. Já em 1980, a produção de electricidade e consumo na União Soviética cresceu para 26,8% em comparação com 1940, enquanto que os Estados Unidos, em relação ao mesmo período, observou um aumento de apenas 13,67%.[4]

Em 1980, a União Soviética ficou em primeiro lugar na Europa e em segundo lugar no mundo em termos de indústria e agricultura. Em 1960, o volume da produção industrial na URSS, em comparação com os EUA, foi de 55%. Vinte anos depois, em 1980, esse número passou dos 80%.[2] [2]

Na década de 1960, a URSS manteve-se como a principal produtora de cimento no mundo, o que deu origem à expressão "cimento russo" para se referir à qualidade rígida do produto. .[5] [6]

Com relação à produção, as indústrias cresciam de 10% a 40%, mas ainda assim, produziam apenas 5% do volume total fabricado pelos EUA, muito por conta da produção desenfreada e excedente da indústria norte-americano.

Em termos sociais, durante os quase 20 anos de governo de Leonid Brejnev, os rendimentos sociais cresceram mais de 1,5%.

Leonid Brejnev discute com Richard Nixon: a distensão entre os dois países marca o esforço pelo fim da Guerra Fria.

Por outro lado, houve uma evolução negativa, representada no constante declínio na taxa de crescimento. Nos últimos 12-15 anos de desenvolvimento da economia nacional, foi revelada uma tendência à redução acentuada na taxa de crescimento da renda nacional. Enquanto as médias de crescimento anual atingiam 5,8%-7,5% nos 15 últimos anos, ela caiu para 3,8%. Nos 12 últimos anos, a taxa foi para cerca de 2,5%.[7]

Estabilidade ou estagnação?[editar | editar código-fonte]

Mikhail Gorbachev, último presidente da União Soviética, de 1985 a 1991, foi o autor do termo "estagnação", referindo-se ao período de estabilidade econômica, quando o país alcançou um nível de prosperidade, que ironicamente acabou por desregular a economia soviética, levando a profundas crises econômicas.

A palavra "estagnação" tem suas origens no relatório político do XXVII Congresso do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, lido por Gorbachev, que declarou:

Na sociedade, emergiu-se uma estagnação nas esferas económica e social. [8]

Pelo fato de o termo ter sido cunhado somente após a morte de Brejnev, ele é controverso, já que define, ao mesmo tempo, o período de estabilidade social sem grandes perturbações, e a época em que a crise econômica da URSS seria aprofundada.

Comparações[editar | editar código-fonte]

A população da Rússia nos anos de Brejnev aumentou em 12 milhões de pessoas. Em contraste, na atual Rússia, a população diminuiu em 9 milhões de pessoas. Até 2009, a taxa de crescimento do país era negativo.

Deve-se considerar também a densidade demográfica durante a época de Brejnev, já que o país dispunha 1,6 bilhões m² de espaço, de modo a comportar 162 milhões de pessoas.

O valor de aluguel em moradia não era superior a 3% da renda familiar, este baixíssimo valor deve-se graças a ausência de um mercado imobiliário concorrencial, atualmente, sem as garantias socialistas na Rússia, falta moradia para a população e o mercado imobiliário cobra enormes taxas.

O verdadeiro orgulho da liderança soviética do período foi um aumento constante na oferta de tratores agrícolas e colheitadeiras. [9] e o rendimento de grãos, ainda que tenha sido significativamente menor do que nos países capitalistas industrializados, sendo o dobro nos EUA e quase o triplo no Japão, mas ultrapassando a Austrália. [10] [11]

Em geral, para avaliar a eficácia da produção agrícola, deve-se, naturalmente, ter em conta as condições climáticas. No entanto, na Rússia soviética, o rendimento de grãos bruto, em peso, foi 1,5% maior do que na Rússia atual, e o rendimento pelo gado foi 22% maior do que os atuais números.[12]

Mikhail Gorbachev denunciou o período Brejnev e o classificou como estagnado.

Destaques[editar | editar código-fonte]

[13] [14] [15]

Referências

  1. См. исторический график цен на нефть
  2. a b c d e f Human Development Report 1990.
  3. При этом среди стран Европы более низкие показатели имели лишь союзники СССР — Болгария, Польша, Венгрия и Румыния, Югославия и Албания, а также Португалия.
  4. Стерман Л. С. Тепловые и атомные электростанции М. 1982
  5. [1].
  6. [2].
  7. Т. И. Заславская. О совершенствовании производственных отношений социализма и задачах экономической социологии (1983).
  8. М. С. Горбачев. Политический доклад Центрального Комитета КПСС XXVII съезду Коммунистической Партии Советского Союза. // lib.ru.
  9. Предметом гордости советского руководства был постоянный рост обеспеченности сельского хозяйства тракторами и комбайнами.
  10. Enquanto a URSS logrou 15 toneladas de rendimento, o Japão conseguiu 51 toneladas, os EUA, 30 toneladas, e a Austrália, 11 toneladas.
  11. С...озяйство Зерновое хозяйство // БСЭ.
  12. http://www.gks.ru/scripts/db_inet/dbinet.cgi?pl=1416006 Поголовье основных видов скота в хозяйствах всех категорий, тысяча голов, значение показателя за год
  13. Л. А. Кацва. История России. Советский период. (1917—1991) http://som.fio.ru/Resources/Drachlerab/2005/08/70.htm#_ftnref2
  14. Россия и СССР в войнах XX века, Потери вооружённых сил, Статистическое исследование, Под общей редакцией Г. Ф. Кривошеева, Москва «Олма-Пресс», 2001 http://www.soldat.ru/doc/casualties/book/
  15. Советско (российско)-американские соглашения в области контроля над вооружениями Виктор Стефанович КОЛТУНОВ генерал-майор в запасе, к.т. н., профессор Академии военных наук Стенограмма лекции В. С. Колтунова, состоявшейся 25 октября 2002г