Eric Gill

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Entalhe em baixo relevo de Eric Gill, 1928 na igreja paroquial de Lapworth, Warwickshire.

Arthur Eric Rowton Gill (Brighton, 2 de Fevereiro de 1882Uxbridge, 17 de Novembro de 1940) foi um dos mais importantes tipógrafos do século XX, além de ter se dedicado a escultura, ilustração e a gravura. Uma das suas principais contribuições ao design gráfico foi a criação da tipografia Gill Sans, que teve grande influência na história da tipografia britânica.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gill nasceu em Brighton, Sussex. Em 1902 ele estudou lettering com o renomado tipografo Edward Johnson no Central School of Arts and Crafts em Londres. Johnson foi responsável pelo retorno do uso do lettering formal na Inglaterra. Enquanto Johnson valorizava a caligrafia, Gill usou o que tinha aprendido para desenvolver o desenho de letras em pedra.

Gill não se considerava um artista, mas um artesão, conceito compatível com a tradição do medievalismo britânico do Movimento das Artes e Ofícios, que teve um papel crucial no desenvolvimento do design moderno.

Em 1913 abandonou a Igreja Anglicana e se converteu ao catolicismo, ao longo da vida, escreveu vários ensaios sobre a relação entre religião e arte. Em 1925, Gill foi convidado pelo célebre tipógrafo Stanley Morison a ser consultor da Monotype, onde criou a tipografia Perpetua, com um belo desenho clássico, seguindo a tradição da Caslon e Baskerville (duas importantes famílias tipográficas britânicas). Em 1927 Gill criou a Gill sans, também para a Monotype, uma adaptação da fonte sem serifa do metrô de Johnson. Gill Sans se tornou a fonte sem serifa mais popular na Inglaterra, na primeira metade do século XX.

Gill se associou ao movimento das private presses inglesas, em especial o Golden Cockerel Press onde trabalhou no notável The Four Gostels (1931). Nesse livro podemos perceber a união perfeita de tipografia e imagem. Através da técnica da xilogravura, Gill cria célebres ilustrações em que figuras alongadas interagem com letras desenhadas à mão, fazendo referência às iluminuras medievais. Gill também é conhecido como um mestre do desenho erótico.

O excêntrico Eric Gill, que costumava usar uma bata de padre, mas ficando nu por baixo. Na biografia escrita por Fiona MacCarthy, ela relata as contradições de Gill, pois em sua vida privada ele teria realizado adultério, incesto e abuso sexual de menores e, em seu diário, há famosas passagens em que descreve suas relações com seu cachorro. Ele era um católico fervoroso com uma sexualidade complicada.

Eric Gill foi uma das figuras mais importantes da moderna tipografia britânica. Destaques desse movimento são Stanley Morison, Edward Johnson, Beatrice Warde, entre outros.

Famílias tipográficas[editar | editar código-fonte]

  • 1927–1930 Gill Sans
  • 1929–30 Perpetua
  • 1929 Golden Cockerel Roman
  • 1929 Solus
  • 1930–1931 Joanna (baseada no trabalho de Granjon)
  • 1932 Aries
  • 1932 Floriated Capitals
  • 1934 Bunyan
  • 1934 Pilgrim (uma versão de Bunyan 1953)
  • 1934 Jubilee
  • 1935 Fat paddle (uma versão de shitass)

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Attwater, Donal: A Cell of Good Living, 1969
  • Collins, Judith: Eric Gill — The Sculpture 1998
  • Steven Corey and Julia MacKenzie (editors) — Eric Gill: A Bibliography (St Paul's Bibliographies, 1991)
  • Gill, Cecil, Warde & Kindersley; The Life and Works of Eric Gill, 1968
  • Evan Gill and David Peace (editors) — Eric Gill: The Inscriptions (Herbert Press, 1994)
  • Holliday, Peter: Eric Gill in Ditchling, Oak Knoll Press
  • MacCarthy, Fiona: Eric Gill, Faber & Faber, 1989
  • Skelton, Christopher, Editor: Eric Gill — The Engravings, 1983
  • Speaight, Robert: Life of Eric Gill, 1966
  • Thorpe, Joseph: Eric Gill, 1929
  • Yorke, Malcolm: Eric Gill — Man of Flesh and Spirit, 1981

Ver também[editar | editar código-fonte]

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