Eric Voegelin

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Erich Hermann Vögelin
Nascimento 3 de janeiro de 1901
Colônia, Alemanha
Morte 19 de janeiro de 1985
Nacionalidade alemã Alemanha
Ocupação filósofo, historiador e cientista político
Influências
Influenciados

Eric Voegelin (nascido Erich Hermann Wilhelm Vögelin; Colônia, 3 de janeiro de 1901Palo Alto, 19 de janeiro de 1985) foi um filósofo, historiador e cientista político alemão radicado nos Estados Unidos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Otto Stefan (engenheiro civil) e Elisabeth Ruehl Voegelin, na sua juventude, foi aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Viena entre 1919 e 1922. Seus orientadores sobre a sua dissertação foram Hans Kelsen e Othmar Spann. Ele se tornou professor associado de ciência política daquela instituição.[1]

Depois da anexação da Áustra à Alemanha, em 1938, Voegelin foi imediatamente demitido pelos nazistas. Sua oposição a Hitler estava clara em quatro obras publicadas entre 1933 e 1938. Ele e sua esposa fugiram da Áustria em razão da expansão do nazismo e emigraram para os Estados Unidos, obtendo cidadania daquela nação em 1944. Voegelin lecionou por um ano no Departamento de Ciência Política da Universidade Harvard, dois anos na Universidade do Alabama, porém passou a maior parte da sua carreira acadêmica na Universidade Estadual de Louisiana, Universidade de Munique e no Instituto Hoover da Universidade de Stanford.[1]

Crítica ao marxismo[editar | editar código-fonte]

Eric Voegelin talvez seja um dos críticos mais severos de Karl Marx. No seu livro "Reflexões Autobiográficas" relata que, induzido pela onda de interesse sobre a Revolução Russa de 1917, estudou "O Capital" de Marx e foi marxista entre agosto e dezembro de 1919. Porém, durante seu curso universitário, ao estudar disciplinas de teoria econômica e história da teoria econômica aprendera o que estava errado em Marx.

Voegelin afirma que Marx comete uma grave distorção ao escrever sobre Hegel. Como prova de sua afirmação cita os editores dos Frühschiften [Escritos de Juventude] de Karl Marx (Kröner, 1955), especialmente Siegfried Landshut, que dizem o seguinte sobre o estudo feito por Marx da "Filosofia do Direito" de Hegel:

"Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar desta maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como predicados da idéia em anunciados sobre fatos".

Para Voegelin, ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, Marx pretendia sustentar uma ideologia que lhe permitisse apoiar a violência contra seres humanos afetando indignação moral e, por isso, Voegelin considera Karl Marx um mistificador deliberado. Afirma que o charlatanismo de Marx reside também na terminante recusa de dialogar com o argumento etiológico de Aristóteles. Argumenta que, embora tenha recebido uma excelente formação filosófica, Marx sabia que o problema da etiologia na existência humana era central para uma filosofia do homem e que, se quisesse destruir a humanidade do homem fazendo dele um "homem socialista", Marx precisava repelir a todo custo o argumento etiológico.

Segundo Voegelin, Marx e Engels enunciam um disparate ao iniciarem o Manifesto Comunista com a afirmação categórica de que toda a história social até o presente foi a história da luta de classes. Eles sabiam, desde o colégio, que outras lutas existiram na história, como as Guerras Médicas, as conquistas de Alexandre, o Grande, a Guerra do Peloponeso, as Guerras Púnicas e a expansão do Império Romano, as quais, decididamente nada tiveram de luta de classes.

Voegelin diz que Marx levanta questões que são impossíveis de serem resolvidas pelo "homem socialista". Também alega que Marx conduz a uma realidade alternativa, a qual não tem necessariamente nenhum vínculo com a realidade objetiva do sujeito. Segundo Voegelin, quando a realidade entra em conflito com Marx, ele descarta a realidade.

Obras publicadas no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • 1979 A nova ciência da política. Brasília: UnB.
  • 2008 Reflexões Autobiográficas. São Paulo: É Realizações.
  • 2008 Hitler e os Alemães. São Paulo: É Realizações.
  • 2009 Anamnese – Da teoria da história e da política. São Paulo: É Realizações.
  • 2009 Ordem e História, vol. I: Israel e a Revelação. São Paulo: Edições Loyola.
  • 2009 Ordem e História, vol. II: O Mundo da Pólis. São Paulo: Edições Loyola.
  • 2009 Ordem e História, vol. III: Platão e Aristóteles. São Paulo: Edições Loyola.
  • 2010 Ordem e História, vol. IV: A Era Ecumênica. São Paulo: Edições Loyola.
  • 2010 Ordem e História, vol. V: Em Busca da Ordem. São Paulo: Edições Loyola.
  • 2012 História das Ideias Políticas - Vol. I: Helenismo, Roma e Cristianismo Primitivo. São Paulo: É Realizações.
  • 2012 História das Ideias Políticas - Vol. II: Idade Média até Tomás de Aquino. São Paulo: É Realizações.
  • 2013 História das Ideias Políticas - Vol III: Idade Média Tardia. São Paulo: É Realizações.

Sobre Voegelin[editar | editar código-fonte]

  • Henriques, Mendo Castro. Filosofia Política em Eric Voegelin - dos megalitos à era espacial (Livro + 3 DVDs). São Paulo: É Realizações, 2009. ISBN 9788588062689
  • Henriques, Mendo Castro. A Filosofia Civil de Eric Voegelin. São Paulo: É Realizações, 2010. ISBN 978-85-88062-82-5
  • Sandoz, Ellis. A Revolução Voegeliniana. São Paulo: É Realizações, 2010. ISBN 978-88062-81-8
  • Federici, Michael P. Eric Voegelin – A Restauração da Ordem. São Paulo: É Realizações, 2011. ISBN 978-85-8033-020-5

Obras publicadas em outros países[editar | editar código-fonte]

  • 1928 Ueber die Form des amerikanischen Geistes. Tuebingen: J. C. B. Mohr (Paul Siebeck).
  • 1933 Rasse und Staat. Tuebingen: J. C. B. Mohr (Paul Siebeck). Die Rassenidee in der Geistesgeschichte von Ray bis Carus. Berlin: Junker & Duennhaupt.
  • 1936 Der Autoritaere Staat. Vienna: Springer.
  • 1938 Die politischen Religionen. Vienna: Bermann-Fischer. Reprint ed., 1939 with new Foreword, Stockholm: Bermann-Fischer.
  • 1952 The New Science of Politics: An Introduction (Nova Ciência Política: uma introdução). Chicago. University of Chicago Press.
  • 1956 Israel and Revelation. Baton Rouge: Louisiana State University Press. Vol. I of Order and History.
  • 1957 The World of the Polis. Baton Rouge: Louisiana State University Press. Vol. II of Order and History.
  • 1957 Plato and Aristotle. Baton Rouge: Louisiana State University Press. Vol. III of Order and History.
  • 1959 Die Neue Wissenschaft der Politik/Eine/Einfuehrung. Munich: Pustet. (Translation of The New Science of Politics.)
  • 1959 Wissenschaft, Politik, und Gnosis. Munich: Koesel.
  • 1966 Anamnesis: Zur Theorie der Geschichte and Politik. Munich: R. Piper & Co., Verlag.
  • 1968 Science, Politics, and Gnosticism. Chicago: Henry Regnery. (Translation of Wissenschaft, Politik, und Gnosis by William J. Fitzpatrick, with a Foreword to the American edition.)
  • 1968 La Nuova Scienza Política. Turin: Borla. (Tradução de The New Science of Politics, with an introduction by A. Del Noce.)
  • 1970 11 Mito del Mondo Nuovo. Milan: Rusconi. (Tradução de Wissenschaft, Politik, und Gnosis by Arrigo Munari, com uma introdução de Mario Marcolla.)
  • 1972 Anamnesis: Teoria della Storia e della Política. Milan: Guiffre. (Translation of Anamnesis.)
  • 1974 The Ecumenic Age. Baton Rouge: Louisiana State University Press. Vol. IV of Order and History.
  • 1975 From Enlightenment to Revolution. Edited by John H. Hallowell. Durham, N.C.: Duke University Press.
  • 1978 Anamnesis. Notre Dame, Ind. and London: University of Notre Dame Press. (Translated and edited by Gerhart Niemeyer, with a new Chapter I, "Remembrance of Things Past," para a Edição Americana).
  • 1980 Conversations with Eric Voegelin. Edited by Eric O'Connor. S. J. Montreal: Thomas More Institute. (Transcript of four lectures and discussions held in Montreal in 1965, 1967, 1970, and 1976.)

Notas e referências

  1. a b VOEGELIN, Eric; Reflexões Autobiográficas., Rio de Janeiro: É Realizações, 2008.
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