Erich von Manstein

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Erich von Manstein
Bundesarchiv Bild 183-H01757, Erich von Manstein.jpg
Nascimento 24 de Novembro de 1887
Berlim
Morte 10 de Junho de 1973 (85 anos)
Irschenhausen
País  Alemanha
Hierarquia Marechal-de-Campo
Comandos Comandante do 56º Corpo Panzer
Frente russa:
Comandante do Grupo Sul
Comandante do Grupo Don
Batalhas/Guerras Primeira Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial

Erich von Manstein[nota 1] (Berlim, 24 de Novembro de 1887 – Irschenhausen, 9 de Junho de 1973) foi um dos comandantes mais destacados da Wehrmacht, a força armada da Alemanha Nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Von Manstein ascendeu ao posto de Generalfeldmarschall (marechal-de-campo), e era visto como um dos melhores estrategas militares, e um dos melhores comandantes no terreno, da Alemanha.

Nascido numa família aristocrata da Prússia, com uma vasta tradição militar, Manstein entrou na vida militar ainda jovem, e prestou serviço em várias frentes na Primeira Guerra Mundial. No final da guerra, estava no posto de capitão e, no período entre guerras, participou na reconstrução das forças armadas alemãs. Durante a invasão da Polónia, o início da Segunda Guerra, era o chefe do Estado-maior do Grupo do Exército do Sul de Gerd von Rundstedt. Foi um dos planeadores da Fall Gelb, uma ofensiva através das Ardenas durante a invasão da França em 1940. No posto de general, no final da campanha, participou na invasão da União Soviética e no Cerco de Sebastopol, sendo promovido a marechal-de-campo em Agosto de 1942. O sentido auspicioso da guerra para a Alemanha começou a mudar depois da desastrosa Batalha de Estalingrado, onde Manstein comandou uma operação de substituição fracassada. Foi um dos principais comandantes na Batalha de Kursk, uma das últimas grandes batalhas da guerra, e uma das maiores batalhas da história. A sua discórdia face a Adolf Hitler em relação ao rumo da guerra, valeu-lhe a sua dispensa em Março de 1944. Nunca mais lhe foi atribuído um novo comando, e foi detido pelos britânicos em Agosto de 1945, vários meses após a derrota alemã.

Manstein testemunhou nos Julgamentos de Nuremberg em Agosto de 1946, e preparou um documento que, juntamente com as suas memórias, ajudou na contribuição para o mito de uma "Wehrmacht limpa"—o mito de que as forças armadas alemãs não foram culpadas pelas atrocidades do Holocausto. Em 1949, foi julgado em Hamburgo por crimes de guerra, e condenado a nove de 17 acusações, incluindo maus-tratos a prisioneiros de guerra e a não ter garantido a protecção de vidas civis na sua área de operações. A sua condenação a 18 anos de prisão foi, mais tarde, reduzida para 12, e, na prática, passou apenas quatro anos detido, sendo libertado em 1953. Como conselheiro militar do governo da Alemanha Ocidental em meados da década de 1950, ajudou ao restabelecimento das forças armadas. As suas memórias,Verlorene Siege (1955), traduzidas para inglês como Lost Victories (Vitórias Perdidas), foram muito críticas ao estilo de liderança de Hitler, e focavam-se, estritamente, nos aspectos militares da guerra, ignorando o contexto ético e político. Manstein morreu em Munique em 1973.

Origem[editar | editar código-fonte]

Era filho do General Eduard von Lewinski (que morreu em combate), sendo adotado por seu tio Georg von Manstein, de quem herdou o sobrenome pelo qual ficaria conhecido. Ingressou na Guarda e estudou na Academia Militar de Ploen, participando da Primeira Guerra Mundial, na qual foi ferido, e desempenhou vários papéis, terminando o conflito como chefe do Estado Maior da 213.ª Divisão de Infantaria de Assalto. Depois da guerra, alistou-se voluntariamente como oficial do Estado Maior da força de defesa da Breslávia. Nos anos seguintes participou de vários cargos, dedicados a formação do Reichswehr, sem aderir ao Partido Nazista, embora simpatizasse com Hitler.[1]

História Militar[editar | editar código-fonte]

Em 1939, tornou-se Chefe do Estado Maior do General Gerd von Rundstedt, com o qual tomou parte na Campanha da Polônia. Em 1940, assumiu o comando do 38º Corpo de Exércitos e, enquanto se preparava para a Invasão da França, sugeriu contornar a Linha Maginot, através do Maciço das Ardenas. A ideia foi considerada muito audaz e portanto rejeitada pelo Estado Maior, no entanto acabaria sendo aprovada pelo próprio Hitler.

O plano foi executado com êxito pelo exército alemão em 1940, onde foram aplicados de forma maciça os conceitos da guerra-relâmpago (Blitzkrieg), recém-desenvolvidos pelos estrategistas alemães, dentre os quais se destacava o próprio von Manstein. Após esta campanha foi promovido a General, sendo condecorado com a Cruz de Ferro.

Em 1941, participou da Invasão da Rússia como comandante do 56.º Corpo Panzer, em apenas cinco dias chegou aos limites de Leningrado. Em seguida conquistou a Crimeia à frente do 9.º Exército. Estes feitos renderam-lhe a promoção a Marechal de Campo e, em 1942 recebeu o comando do Grupo de Exércitos do Don. Sua principal missão seria libertar o 6º Exército do General Friedrich von Paulus, cercado em Stalingrado, missão esta que se tornaria impossível, devido aos contra-ataques soviéticos. Após a retirada, recuperou Karkov, em seguida, tomou parte na Batalha de Kursk, durante a qual ignorou uma ordem direta de Hitler e determinou que suas tropas se retirassem, salvando-as de um sacrifício inútil.[2]

O Führer destitui-o após uma violenta discussão, mas não deixou de conceder-lhe as Folhas de Carvalho para sua Cruz de Cavaleiro. Pouco depois seria internado em um Hospital com graves problemas de visão.

Pós Guerra[editar | editar código-fonte]

No pós-guerra, em 1949, é condenado pelo Tribunal Militar Britânico em Nuremberg a 18 anos de prisão, mas em 1952 é libertado por motivos médicos, vivendo até 1973 na Baviera.

Exerceu um papel fundamental na reestruturação do exército alemão Bundeswehr no pós-guerra.

Notas

  1. Nome de nascimento: Fritz Erich Georg Eduard von Lewinski.

Referências

  1. Coleção 70º Aniversário da Segunda Guerra Mundial - Fascículo 21, Abril Coleções 2009
  2. Coleção 70.º Aniversário da Segunda Guerra Mundial - Fascículo 21, Abril Coleções 2009 - Pag. 20

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Registos oficiais

Livros e artigos

  • Citino, Robert M.. The Wehrmacht Retreats: Fighting a Lost War, 1943. Lawrence, KS: University Press of Kansas, 2012. ISBN 978-0-7006-1826-2
  • Förster, Jürgen. The Holocaust and History The Known, the Unknown, the Disputed and the Reexamined. Bloomington: Indian University Press, 1998. 266–283 pp. ISBN 978-0-253-33374-2
  • Liddell Hart, B. H.. The Other Side of the Hill. London: Pan Books, 1999. ISBN 0-330-37324-2
  • Manstein, Erich. Verlorene Siege (em German). München: Bernard & Graefe, 1983. ISBN 3-7637-5253-6
  • Manstein, Erich. Soldat im 20. Jahrhundert (em German). München: Bernard & Graefe, 2002. ISBN 3-7637-5214-5
  • Paget, Baron Reginald Thomas. Manstein: His Campaigns and His Trial. London: Collins, 1951. OCLC 5582465
  • Stahlberg, Alexander. Bounden Duty: The Memoirs of a German Officer, 1932–1945. London: Brassey's, 1990. ISBN 3-548-33129-7
  • Stein, Marcel. The Janushead: Field Marshal Von Manstein, A Reappraisal. Solihill, West Midlands: Helion and Company, 2007. ISBN 1-906033-02-1
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