Erupção do Vesúvio de 79

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Erupção do Vesúvio, quadro de Johan Christian Dahl pintado em 1826
A erupção do Vesúvio

A erupção do Vesúvio em 79 foi uma das mais conhecidas e catastróficas erupções vulcânicas de todos os tempos.[1] As cercanias romanas de Pompeia, Herculano e Estábia foram afetadas, com Pompeia e Herculano sendo completamente destruídas. O Vesúvio espalhou uma nuvem mortal de rochas, cinzas e fumaça a uma altura de mais de 30 quilômetros, cuspindo lava e púmice a uma proporção de 1.5 milhão de toneladas por segundo e liberando no total uma energia térmica centenas de milhares de vezes maior do que a do bombardeamento de Hiroshima.[2]

Estima-se que 16,000 cidadãos de Pompeia e Herculano morreram devido ao fluxo piroclástico hidrotermal de temperaturas superiores a 700 °C.[3] Desde 1860, quando escavações sistemáticas passaram a ser realizadas em Pompeia, os arqueólogos descobriram nos limites da cidade as cascas petrificadas dos corpos decompostos de 1,044 vítimas.[4]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Vesúvio sofreu diversas erupções. A mais conhecida, ocorrida em 79, foi precedida por diversas outras na pré-história, incluindo pelo menos três de significante impacto, a mais célebre delas sendo a erupção de Avelino por volta de 1800 a.C., que engolfou diversos povoados da Idade do Bronze e depositou no monte Vesúvio aproximadamente 0.32 km³ de púmice branca, enquanto uma segunda e mais intensa explosão levantara uma coluna de 31 km e depositara 1.25 km³ de púmice cinza.[5]

A erupção de 79 foi antecedida por um poderoso sismo ocorrido dezessete anos antes, em 5 de fevereiro de 62, que provocou destruição generalizada em torno do golfo de Nápoles e, particularmente, em Pompeia. Alguns dos danos ainda estavam sendo reparados quando o vulcão irrompeu.[6] A morte repentina de 600 ovelhas nas cercanias de Pompeia, relatada por Séneca, levou o vulcanologista moderno Haraldur Sigurdsson a comparar o fato a mortes similares de animais ocorridas na Islândia devido a poças de dióxido de carbono vulcânico, e a especular que o terremoto de 62 estava relacionado à nova atividade do Vesúvio.[7]

A erupção[editar | editar código-fonte]

As reconstituições da erupção e seus efeitos variam consideravelmente em detalhes, mas apresentam todas as mesmas características. A erupção teria durado dois dias. A manhã do primeiro dia foi considerada normal pela única testemunha a deixar registros escritos, Plínio, o Jovem. Ao entardecer, uma explosão lançou uma coluna de alta altitude da qual cinzas começaram a cair, cobrindo a região. Resgates e fugas ocorreram durante este período. Em determinada hora da noite ou no começo do dia seguinte, os fluxos piroclásticos começaram a atingir as cercanias mais próximas ao vulcão. As luzes vistas no monte foram interpretadas como sendo um incêndio, e populações de locais distantes como Miseno fugiram para salvar suas vidas. Os fluxos moviam-se rapidamente, eram densos e de temperatura intensa, destruindo parcial ou inteiramente todas as estruturas em seu caminho, incenarando ou sufocando os habitantes remanescentes e alterando a paisagem, incluindo a linha costeira. Ocorriam paralelamente tremores leves, enquanto um maremoto de médio porte atingia o golfo de Nápoles.

Estudos estratigráficos[editar | editar código-fonte]

De acordo com um estudo estratigráfico por Sigurdsson, Cashdollar e Sparks, publicado em 1982 e atualmente considerado uma referência padrão, a erupção de 79 ocorreu em duas fases: uma erupção pliniana que durou de dezoito a vinte horas, seguida por um fluxo piroclástico na segunda e peleana fase, que alcançou Miseno mas concentrou-se a oeste e noroeste.[8] Dois fluxos piroclásticos engolfaram Pompeia, queimando e asfixiando os habitantes que não foram capazes de fugir. Oplontis e Herculano receberam a maior parte dos fluxos, sendo soterradas por uma cinza fina e pelos depósitos piroclásticos.

Os estudos da erupção de 79 foram comparados à erupção da Idade do Bronze, adiantando suposições de um possível futuro desastre. Desde uma última erupção em 1944, o Vesúvio permanece relativamente quieto; supõe-se, no entanto, que quanto mais tempo ele permanecer adormecido pior será a erupção, especialmente em relação à região densamente habitada em torno do vulcão.[9]

Referências

  1. "Aug. 24, A.D. 79: Vesuvius Buries Pompeii". Wired, 4 de abril de 2011
  2. "The Age of Aquarii". The New York Times, 21 de dezembro de 2003
  3. "Top 10 worst eruptions of all time". Cosmos, 27 de dezembro de 2010
  4. Giacomelli, Lisetta; Perrotta, Annamaria; Scandone, Roberto; Scarpati, Claudio (setembro de 2003). "The eruption of Vesuvius of 79 AD and its impact on human environment in Pompei" (PDF). Episodes 26
  5. Raffaello Cioni; Sara Levi; Roberto Sulpizio (2000). "Apulian Bronze Age pottery as a long-distance indicator of the Avellino pumice eruption (Vesuvius, Italy) — Abstract". Special Publications. v. 171. Londres: Geological Society. págs. 159–177. doi:10.1144/GSL.SP.2000.171.01.13
  6. Jones, Rick (2004-2010). "Visiting Pompeii - AD 79 - Vesuvius explodes". Current Archeology.co.uk. Londres: Current Publishing
  7. Sigurdsson, Haraldur (2002). "Mount Vesuvius before the Disaster". E, Jashemski, Wilhelmina Mary Feemster; Meyer, Frederick Gustav. The natural history of Pompeii. Cambridge, Reino Unido: The Press Syndicate of the University of Cambridge
  8. Haraldur Sigurdsson; Stanford Cashdollar; Stephen R. J. Sparks (janeiro de 1982). "The Eruption of Vesuvius in A. D. 79: Reconstruction from Historical and Volcanological Evidence". American Journal of Archaeology (American Journal of Archaeology, vol. 86, n°. 1) 86 (1): 39–51. doi:10.2307/504292
  9. "Eight dangerous volcanoes around the world". MSNBC, 6 de fevereiro de 2011