Erupção do Vesúvio de 79
A erupção do Vesúvio em 79 foi uma das mais conhecidas e catastróficas erupções vulcânicas de todos os tempos.1 As cercanias romanas de Pompeia, Herculano e Estabia foram afetadas, com Pompeia e Herculano sendo completamente destruídas. O Vesúvio espalhou uma nuvem mortal de rochas, cinzas e fumaça a uma altura de mais de 30 quilômetros, cuspindo lava e púmice a uma proporção de 1.5 milhão de toneladas por segundo e liberando no total uma energia térmica centenas de milhares de vezes maior do que a do bombardeamento de Hiroshima.2
Estima-se que 16,000 cidadãos de Pompeia e Herculano morreram devido ao fluxo piroclástico hidrotermal de temperaturas superiores a 700 °C.3 Desde 1860, quando escavações sistemáticas passaram a ser realizadas em Pompeia, os arqueólogos descobriram nos limites da cidade as cascas petrificadas dos corpos decompostos de 1,044 vítimas.4
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Antecedentes [editar]
O Vesúvio sofreu diversas erupções. A mais conhecida, ocorrida em 79, foi precedida por diversas outras na pré-história, incluindo pelo menos três de significante impacto, a mais célebre delas sendo a erupção de Avelino por volta de 1800 a.C., que engolfou diversos povoados da Idade do Bronze e depositou no monte Vesúvio aproximadamente 0.32 km³ de púmice branca, enquanto uma segunda e mais intensa explosão levantara uma coluna de 31 km e depositara 1.25 km³ de púmice cinza.5
A erupção de 79 foi antecedida por um poderoso sismo ocorrido dezessete anos antes, em 5 de fevereiro de 62, que provocou destruição generalizada em torno do golfo de Nápoles e, particularmente, em Pompeia. Alguns dos danos ainda estavam sendo reparados quando o vulcão irrompeu.6 A morte repentina de 600 ovelhas nas cercanias de Pompeia, relatada por Séneca, levou o vulcanologista moderno Haraldur Sigurdsson a comparar o fato a mortes similares de animais ocorridas na Islândia devido a poças de dióxido de carbono vulcânico, e a especular que o terremoto de 62 estava relacionado à nova atividade do Vesúvio.7
A erupção [editar]
As reconstituições da erupção e seus efeitos variam consideravelmente em detalhes, mas apresentam todas as mesmas características. A erupção teria durado dois dias. A manhã do primeiro dia foi considerada normal pela única testemunha a deixar registros escritos, Plínio, o Jovem. Ao entardecer, uma explosão lançou uma coluna de alta altitude da qual cinzas começaram a cair, cobrindo a região. Resgates e fugas ocorreram durante este período. Em determinada hora da noite ou no começo do dia seguinte, os fluxos piroclásticos começaram a atingir as cercanias mais próximas ao vulcão. As luzes vistas no monte foram interpretadas como sendo um incêndio, e populações de locais distantes como Miseno fugiram para salvar suas vidas. Os fluxos moviam-se rapidamente, eram densos e de temperatura intensa, destruindo parcial ou inteiramente todas as estruturas em seu caminho, incenarando ou sufocando os habitantes remanescentes e alterando a paisagem, incluindo a linha costeira. Ocorriam paralelamente tremores leves, enquanto um maremoto de médio porte atingia o golfo de Nápoles.
Estudos estratigráficos [editar]
De acordo com um estudo estratigráfico por Sigurdsson, Cashdollar e Sparks, publicado em 1982 e atualmente considerado uma referência padrão, a erupção de 79 ocorreu em duas fases: uma erupção pliniana que durou de dezoito a vinte horas, seguida por um fluxo piroclástico na segunda e peleana fase, que alcançou Miseno mas concentrou-se a oeste e noroeste.8 Dois fluxos piroclásticos engolfaram Pompeia, queimando e asfixiando os habitantes que não foram capazes de fugir. Oplontis e Herculano receberam a maior parte dos fluxos, sendo soterradas por uma cinza fina e pelos depósitos piroclásticos.
Os estudos da erupção de 79 foram comparados à erupção da Idade do Bronze, adiantando suposições de um possível futuro desastre. Desde uma última erupção em 1944, o Vesúvio permanece relativamente quieto; supõe-se, no entanto, que quanto mais tempo ele permanecer adormecido pior será a erupção, especialmente em relação à região densamente habitada em torno do vulcão.9
Referências
- ↑ "Aug. 24, A.D. 79: Vesuvius Buries Pompeii". Wired, 4 de abril de 2011
- ↑ "The Age of Aquarii". The New York Times, 21 de dezembro de 2003
- ↑ "Top 10 worst eruptions of all time". Cosmos, 27 de dezembro de 2010
- ↑ Giacomelli, Lisetta; Perrotta, Annamaria; Scandone, Roberto; Scarpati, Claudio (setembro de 2003). "The eruption of Vesuvius of 79 AD and its impact on human environment in Pompei" (PDF). Episodes 26
- ↑ Raffaello Cioni; Sara Levi; Roberto Sulpizio (2000). "Apulian Bronze Age pottery as a long-distance indicator of the Avellino pumice eruption (Vesuvius, Italy) — Abstract". Special Publications. v. 171. Londres: Geological Society. págs. 159–177. doi:10.1144/GSL.SP.2000.171.01.13
- ↑ Jones, Rick (2004-2010). "Visiting Pompeii - AD 79 - Vesuvius explodes". Current Archeology.co.uk. Londres: Current Publishing
- ↑ Sigurdsson, Haraldur (2002). "Mount Vesuvius before the Disaster". E, Jashemski, Wilhelmina Mary Feemster; Meyer, Frederick Gustav. The natural history of Pompeii. Cambridge, Reino Unido: The Press Syndicate of the University of Cambridge
- ↑ Haraldur Sigurdsson; Stanford Cashdollar; Stephen R. J. Sparks (janeiro de 1982). "The Eruption of Vesuvius in A. D. 79: Reconstruction from Historical and Volcanological Evidence". American Journal of Archaeology (American Journal of Archaeology, vol. 86, n°. 1) 86 (1): 39–51. doi:10.2307/504292
- ↑ "Eight dangerous volcanoes around the world". MSNBC, 6 de fevereiro de 2011