Erupção minoica

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Mapa topográfico de Santorini

A erupção minoica de Santorini, também referida como a erupção do Tera ou erupção de Santorini, foi uma catastrófica erupção vulcânica pliniana com um Índice de Explosividade Vulcânica (IEV) de 6 ou 7[1] [2] e uma Densidade Lítica Equivalente (DLE) de 60 km³,[3] que se estima ter ocorrido em meados do segundo milênio a.C., entre o período de 1 650–1 450 a.C.[4] [5] [6] [7] [8] A erupção foi um dos maiores eventos vulcânicos na Terra registrados na história.[9] [10] [11] A erupção devastou a ilha de Santorini, incluindo o assentamento minoico de Acrotíri, bem como as comunidades agrícolas e áreas em ilhas próximas e na costa da ilha de Creta.[12] A erupção parece ter inspirado certos mitos gregos (entre eles a titanomaquia),[13] da mesma forma que a destruição da cidade de Acrotíri possivelmente forneceu a base ou inspirou a história platônica de Atlântida.[14] [15] Além disso, são creditadas à erupção as mudanças climáticas que afetaram culturas na China. A erupção causou um tumulto no Egito e um tsunami que enfraqueceu a Civilização Minoica, que foi poucos séculos depois, ca. 1 430 a.C., dominada pelos micênicos.[16] [17] [18]

A ilha de Santorini é formada por um grupo circular de ilhas que pertencem ao arquipélago das Cíclades. Esse arquipélago faz parte do arco insular do mar Egeu, formado pela subducção da placa africana com o sistema de trincheiras marinhas helênicas localizadas ao sul de Creta. Estudos geológicos indicam que, ao menos, doze fases eruptivas ocorreram ao longo dos últimos milhões de anos. Devido à erupção minoica, Santorini, que era uma grande ilha circular, teve sua topografia alterada: o planalto central da ilha entrou em colapso e gerou a caldeira moderna.[nt 1] Atualmente Santorini é formado por um arquipélago de três ilhas: Tera, Terásia e Aspronisi.[12] [nt 2]

Erupção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Crateras vulcânicas em Nova Cameni
Crateras vulcânicas em Nova Cameni

Evidências geológicas apontam que a erupção minoica é apenas uma erupção dentre muitas outras que ocorrem ciclicamente no vulcão de Santorini devido à subducção da placa africana. O registro geológico demonstra que no último um milhão de anos ocorreram em Santorini algumas erupções estrombolianas e vulcanianas, aproximadamente uma vez a cada 5 000 anos, e ocorreram erupções plinianas aproximadamente a cada 20 000 anos.[12] Há milhões de anos que o vulcão de Santorini passa por um contínuo processo de colapso e recarregamento: o vulcão entrou em erupção violentamente muitas vezes e finalmente colapsou dentro de uma caldeira aproximadamente circular de água do mar, com diminutas ilhas formando o círculo. A caldeira recarrega-se depois lentamente com magma, construindo um novo vulcão, que entra em erupção e, em seguida, colapsa. Imediatamente antes da erupção minoica, as paredes da caldeira formaram um anel quase contínuo de ilhas, com a única entrada situada entre Tera e a pequena ilha de Aspronisi.[20]

Geomorfologia[editar | editar código-fonte]

Embora o processo de fratura ainda não seja conhecido, a análise estatística indica que a caldeira tenha se formado pouco antes da erupção. Durante o período de erupção, a paisagem foi coberta por sedimentos de pedras-pomes. Em alguns lugares, a costa desapareceu sob deposições de tufo e em outros as costas recentes foram estendidas para o mar. Depois da erupção, a geomorfologia da ilha foi caracterizada por uma fase de intensa erosão, durante a qual as pedras-pomes foram progressivamente retiradas de altitudes superiores para as inferiores.[21] O núcleo da ilha de Santorini é formado por rochas metamórficas com idade entre 200 e 400 milhões de anos, enquanto as demais porções da mesma são formadas por rochas vulcânicas expelidas por erupções vulcânicas de pequeno e médio porte ao longo do último 1,8 milhão de anos.[22]

Magnitude[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, durante pesquisas realizadas em 1991, estimou-se que a magnitude da erupção minoica fosse de 39 km³ de densidade lítica equivalente (DLE), no entanto, após nova pesquisa realizada em 2006 por uma equipe de cientistas internacionais, a estimativa elevou-se para 60 km³, enquanto o volume de ejeção foi projetado como 100 km³, colocando o índice de explosividade vulcânica da erupção minoica em 6 ou 7.[3] [11] Isto foi quatro vezes mais do que foi lançado para a estratosfera pelo Krakatoa em 1883.[nt 3] Apenas a erupção do monte Tambora em 1815,[23] a erupção Hatepe no lago Taupo em 180 d.C. e, talvez, a erupção da montanha Baekdu em cerca de 970 lançaram mais material para a atmosfera durante a história.[9] [10]

Sequência[editar | editar código-fonte]

Fragmento de pedra-pomes de Santorini
Oliveira descoberta entre os depósitos piroclásticos da erupção

Em Santorini há uma espessa camada branca de piroclasto de 50 m² que cobre o solo, claramente delineando o nível do solo antes da erupção.[24] Estudos realizados por Reck em 1936 indicaram que houve quatro fases da erupção que foram nomeadas como BO1, BO2, BO3 e BO4; em 1989 Druitt estabeleceu uma nomenclatura nova: Minoano A (BO1), Minoano B (BO2), Minoano C (BO3) e Minoano D (BO4).[25] Heiken e McCoy identificaram em 1984 fases basais que representam atividades vulcânicas precursoras da erupção e que foram nomeadas como BO0 Ao todos são quatro finas camadas que variam em cor (amarelo, laranja-acastanhado e/ou cinza claro) e espessura (de 1 a 4 cm). Estão presentes no sul de Tera e possivelmente foram expelidas por um respiradouro que antigamente localizava-se próximo da atual Nova Cameni, meses antes de a erupção se iniciar; devido à ausência de restos humanos em Acrotíri, supõe-se que esta atividade preliminar provavelmente tenha afugentado a população da ilha.[26] [27] Meses antes da erupção também foi constatado um ou mais terremotos que danificaram os assentamentos locais.[28] [29] [30]

Primeira fase (BO1/Minoano A)[editar | editar código-fonte]

Calcula-se que o tempo transcorrido entre as primeiras explosões e o colapso total da caldeira tenha sido de dois ou três dias.[31] A primeira fase se caracterizou por uma erupção do tipo pliniano que, com uma coluna de 36 km, expeliu pedras-pomes e cinzas por toda a ilha a uma taxa de 2.5X108 kg/s,[32] embora tenha sido mais intensa a precipitação na zona leste da ilha, devido aos fortes ventos atmosféricos.[33] A espessura do material vulcânico foi de 0,5-5 m (Pichler e Friedrich) ou 0,1-6 m (Heiken e McCoy) e o magma liberado teve um volume de cerca de 2 m³. Depósitos piroclásticos desta fase foram encontrados em muitas localidades do Mediterrâneo Oriental, especialmente no mar, nas ilhas adjacentes e em regiões da Anatólia;[34] [35] [nt 4] Estudos dos depósitos piroclásticos indicam que a erupção aumentou com o passar do tempo.[39]

Mais de 90% do depósito é formado por riodacito com 70,5-71,4% de SiO2, cristais raros ricos em pedra-pomes com 52,5-63,6% de SiO2 e alguns fragmentos de escória de andesito cinza com 58% de SiO2; menos de 10% do depósito é formado por cinzas e fragmentos líticos.[25] Nesta primeira fase não houve interação magma-água, de modo que este evento foi impulsionado apenas por gases magmáticos.[39] A última camada desta fase, que varia entre 2-40 cm, é composta integralmente por cinzas e foi chamada de ruptura freatomagmática.[27] É a primeira camada que alude a uma interação significativa entre o magma do vulcão e a água que adentrou no respiradouro; marca o fim da primeira fase.[26]

Segunda fase (BO2/Minoano B)[editar | editar código-fonte]

A segunda fase, caracterizada pelo início do colapso da caldeira, foi provocada pelo aparecimento de rachaduras e fissuras e pela ação da erosão eólica. Como consequência desse processo, enormes quantidades de água se infiltraram no respiradouro do vulcão,[nt 5] o que ocasionou explosões violentas que pulverizaram o magma, ejetaram grandes blocos líticos [40] e produziram nuvens de vapor com alta concentração de sódio, que se espalharam pela ilha e por localidades marinhas adjacentes.[32] Estas nuvens geraram fluxos piroclásticos com velocidade entre 15 e 50 m/s que, através da ação da topografia, formaram depósitos piroclásticos em variadas altitudes. A espessura dos depósitos foi de 0,5-7 m (Pichler e Friedrich) ou 0,1-12 m (Heiken e McCoy).[nt 6] A posição dos ventos, com base na disposição dos depósitos, aparenta ser similar àquela da primeira fase, embora apresente um padrão mais ou menos radial em direção ao centro-sul da ilha Kameni.[27]

Os depósitos desta fase são formados por numerosos bancos individuais, compostos principalmente por camadas brancas de bagacinas, com abundantes blocos líticos e fragmentos de tamanho entre 1-2 m. Quase 90% do volume total é de cinzas e pedras-pomes; cerca de 20% do volume total é de blocos e fragmentos líticos. Diversos processos geológicos, entre eles a erosão, provocaram nesta fase o transporte balístico de blocos líticos maiores do que na primeira fase;[26] bancos de precipitação similares àqueles da primeira fase foram encontrados, o que sugere que os processos ocorridos durante a primeira fase continuaram durante certo tempo na segunda fase ou então houve um período de flutuação entre os estilos de erupção.[27]

Terceira (BO3/Minoano C) e Quarta (BO4/Minoano D) fases[editar | editar código-fonte]

Oliveira descoberta entre os depósitos piroclásticos da erupção
Mapa mostrando as ondas produzidas pela erupção que possivelmente alcançaram o Egito

Na terceira fase, os fluxos piroclásticos espalharam-se por toda a ilha e ao longo da superfície marinha próxima. Os depósitos desta fase são desordenados e mais proeminentes ao longo das falésias da cratera. Consistem de cinzas vulcânicas finas, pedras-pomes e 25-30% de blocos e fragmentos líticos de até 10 m de diâmetro. A espessura dos depósitos próximos à caldeira é de 40 m, enquanto que os encontrados no sul de Santorini chegam a 55 m; em distâncias maiores a espessura é menor.[27] [32] Além disso, aparentemente alguns dos depósitos formaram-se a baixas temperaturas, enquanto outros em picos térmicos de até 400 °C. Na quarta fase ocorreu o completo colapso da caldeira, o que gerou um tsunami, assim como lahars e o aparecimento de depósitos líticos ricos (34-50%), especialmente de ignimbrito.[26] [41] [42]

Vulcanologia[editar | editar código-fonte]

O colapso da caldeira de Santorini decorrente da erupção minoica está associado com intensa atividade sísmica, perturbações climáticas maciças,[43] [44] [nt 7] volumosa precipitação piroclástica, fluxo piroclástico e tsunamis.[12] Esta erupção pliniana resultou numa enorme pluma vulcânica e erupções violentas de vapor. A erupção também gerou enormes ondas que afetaram as regiões litorâneas vizinhas, especialmente Creta, ao sul.[nt 8] Estipulou-se que as ondas que afetaram o litoral cretense tinham 12 m e, com este tamanho, foram capazes de destruir embarcações e vilas costeiras.[46]

Em outras partes do Mediterrâneo existem depósitos de pedras-pomes que podem ter sido originados pela erupção de Santorini. Camadas de cinzas em núcleos perfurados no mar e em lagos da Turquia, no entanto, mostram que a queda de cinzas mais pesada ocorreu a leste e nordeste de Santorini. Sabe-se agora que as cinzas encontradas na ilha de Creta são provenientes de uma fase precursora da erupção, algumas semanas ou meses antes das principais fases eruptivas, tendo tido pouco impacto sobre a ilha.[47] Possíveis depósitos de cinzas de Santorini foram encontrados no delta do Nilo,[48] no entanto, atualmente isto é considerado um erro de identificação.[49] [50]

Datação[editar | editar código-fonte]

As datações por radiocarbono têm implicações significativas para a cronologia aceita de culturas do Mediterrâneo Oriental.[51] A erupção minoica é fundamental para a arqueologia da Idade do Bronze daquela região. Ela fornece um ponto fixo para alinhar toda a cronologia do segundo milênio a.C. no Egeu, porque as provas da erupção são encontradas em toda a região. Apesar desta evidência, a data exata da erupção tem sido difícil de determinar.[52] [53] [54] Em boa parte do século XX, arqueólogos colocaram-na aproximadamente em 1 500 a.C.,[30] mas esta data parece ser muito recente com base na análise com datação por radiocarbono de uma oliveira enterrada sob um fluxo de lava do vulcão, que indica que a erupção ocorreu entre 1 627 a.C. e 1 600 a.C., com um grau de probabilidade de 95%.[55] [56] [57] [58] [nt 9] Em 2007 foram descobertos outro pedaço da oliveira e vários ramos, no entanto estes ainda não foram datados.[61] [62]

Cronologia relativa[editar | editar código-fonte]

Mapa da distribuição do piroclasto da erupção minoica

Arqueólogos desenvolveram cronologias das culturas do Mediterrâneo Oriental da Idade do Bronze Tardia, analisando a origem de artefatos (p. ex., itens de Creta, Grécia continental, Chipre ou Canaã) encontrados em cada camada arqueológica.[nt 10] Se a origem do artefato pode ser datada com precisão, então obtém-se uma data de referência para a camada em que se encontra. Se a erupção de Santorini pode ser associada a uma determinada camada da cultura de Creta, ou outra, cronologistas podem usar a data desta camada até a data da erupção em si. Como a cultura de Santorini na época da destruição foi semelhante à do Minoano Recente IA (MRIA) na ilha de Creta, MRIA é a base para estabelecer a cronologia em outros lugares. A erupção também se alinha com as culturas dos períodos Cicládico Recente I (CRI) e Heládico Recente I (HRI), no entanto, é anterior ao HRI do Peloponeso.[63] Em escavações arqueológicas em Acrotíri também foram encontrados fragmentos de nove vasos de gesso sírio-palestinos da Idade do Bronze Médio II.[64] Os pré-historiadores do Egeu sentiram-se tão confiantes sobre seus cálculos que eles rejeitaram datas radiocarbônicas do início da década de 1970 para o MRI/CRI de Santorini, porque o radiocarbono sugeriu uma data cerca de um século anterior às datações tradicionais.[65]

Em Tell el Dab'a, no Egito, pedras-pomes encontradas foram datadas de 1 540 a.C., a mais próxima da data tradicionalmente aceita da erupção de Santorini, e cuja composição corresponde à da erupção de Santorini.[66] Estas pedras-pomes foram controversas desde os anos 1990, uma vez que sustentam a data mais importante diferente daquela estabelecida pela cronologia tradicional. No 6º Simpósio Internacional de Radiocarbono e Arqueologia em 2011, no entanto, Felix Hoeflmayer argumentou que, com base no novo modelo matemático para o Império Novo intitulado bayesiano, é possível reduzir o lapso temporal entre as datas radiocarbônicas e arqueológicas, pois, por meio deste modelo, foi possível alterar o reinado de alguns faraós do Novo Império, entre eles Amósis (1 570-1 544 a.C.), Ramsés II (1 297-1 273 a.C.) e Tutancâmon (1 253-1 231 a.C.).[67] [68]

Núcleos de gelo[editar | editar código-fonte]

Caldeira do monte Aniakchak

Dados de núcleos de gelo da Groenlândia parecem apoiar as datas de radiocarbono. Uma grande erupção identificada em amostras de gelo é datada de 1644 ± 20 a.C. e suspeitava-se ser a de Santorini.[69] No entanto, demonstrou-se que as cinzas vulcânicas recuperadas de um núcleo de gelo não eram de Santorini,[70] levando à conclusão de que a erupção pode ter ocorrido em outra data.[47] A erupção do holoceno final do monte Aniakchak, um vulcão do Alasca, é proposta como a fonte mais provável dos cacos de vidro vulcânico no núcleo de gelo da Groenlândia.[71]

Dendrocronologia[editar | editar código-fonte]

Outro método utilizado para estabelecer a data da erupção é a data de anéis de árvores. Tal datação mostra que um grande evento interferiu no crescimento das árvores normais da América do Norte durante 1 629–1 628 a.C.[72] Foram encontradas evidências de um evento climático em torno de 1 628 a.C. em estudos acerca da redução no crescimento de carvalhos europeus na Irlanda e de pinheiros na Suécia, assim como na Anatólia.[73] [74] [75] Anéis congelados de pinheiros também indicam a data de 1 627 a.C., apoiando a data de 1 600 a.C.[76] [77] [78] Por outro lado, novas investigações apontam que a erupção minoica não seria capaz de provocar mudanças climáticas de tal magnitude, pelo que pesquisas recentes apontam como possível causa de tais anomalias a chamada erupção Avellino do Vesúvio (ca. 1 660 a.C.) ou uma ocorrida no monte Santa Helena durante o século XVII a.C.[79] [80]

Impacto histórico[editar | editar código-fonte]

Civilização Minoica[editar | editar código-fonte]

Ruínas de Acrotíri, Santorini

A erupção devastou o assentamento minoico de Acrotíri em Santorini, que foi enterrado em uma camada de pedras-pomes.[15] Acredita-se que a erupção também afetou severamente a população minoica em Creta, embora a extensão do impacto seja debatida.[81] [82] [83] [44] As primeiras teorias propuseram que as cinzas de Santorini sufocaram a vida das plantas na metade oriental da ilha de Creta, causando fome à população local.[84] No entanto, depois de exames de campo mais rigorosos, essa teoria tem perdido credibilidade, por se ter determinado que não mais de 5 mm de cinzas caíram em qualquer lugar da ilha de Creta.[85] [nt 11] Têm sido propostas outras teorias com base em evidências arqueológicas encontradas na ilha de Creta, indicando que um tsunami, provavelmente associado com a erupção, impactou as áreas costeiras da ilha de Creta e pode ter devastado severamente os assentamentos minoicos da orla.[14] [16] [87] [nt 12] [nt 13] A mais recente teoria é que grande parte dos danos causados aos assentamentos minoicos resultou de um grande terremoto que precedeu a erupção de Santorini.[90]

Foram encontrados restos minoicos significativos acima das camadas de cinza do Minoano Recente I de Santorini, o que implica que a erupção de Santorini não causou a queda imediata dos minoicos.[32] [91] Como os minoicos foram uma potência marítima e dependiam de seus navios mercantes e de sua marinha para sobreviver, a erupção de Santorini provavelmente causou dificuldades econômicas significativas para os minoicos e, a longo prazo, a perda de seu império. Além disso a destruição de Acrotíri afetou significativamente o comércio marítimo minoico com o norte.[92] [93] Há um intenso debate sobre esses efeitos terem sido suficientes para provocar a queda da Civilização Minoica. A conquista micênica dos minoicos ocorreu no final do período Minoano Recente II, não muito anos após a erupção, e muitos arqueólogos especulam que a erupção induziu uma crise na Civilização Minoica, que permitiu que os micênicos a conquistassem facilmente.[16]

Registros chineses[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns pesquisadores, um inverno vulcânico de uma erupção no final do século XVII a.C. estaria correlacionado com entradas em registros chineses que documentam o colapso da dinastia Xia na China. De acordo com os Anais do Bambu, o colapso da dinastia e a ascensão da dinastia Shang, aproximadamente datado de 1 618 a.C., foram acompanhados por "névoa amarela, um sol ofuscante, em seguida três sóis, geada em julho, fome e o secar de todos os cinco cereais."[17]

Impacto na história egípcia[editar | editar código-fonte]

Cabeça da estátua de Amósis

Não se conhecem registros egípcios da erupção. A ausência de tais registros é por vezes atribuída à desordem geral no Egito em torno do Segundo Período Intermediário. No entanto, existem conexões entre a erupção de Santorini e as calamidades do papiro Ipuur, um texto do Baixo Egito escrito durante o Império Médio ou Segundo Período Intermediário.[94] Chuvas torrenciais que devastaram grande parte do Egito e foram descritas na Estela da tempestade de Amósis têm sido atribuídas a mudanças climáticas de curto prazo causadas pela erupção de Santorini.[17] [18] [95] [96] Embora os danos causados por esta tempestade possam ter origem em um terremoto posterior à erupção de Santorini, também foi sugerido que ela foi causada durante uma guerra com os hicsos, e a referência da tempestade é apenas uma metáfora para o caos, sobre o qual o faraó estava tentando impor a ordem.[97] Há um consenso de que o Egito, estando distante da área de atividade sísmica significativa, não teria sido muito afetado por um terremoto no mar Egeu. Além disso, outros documentos, tais como o Speos Artemidos de Hatshepsut, retratam tempestades similares, mas estão claramente falando figurativamente, não literalmente. Pesquisas indicam que esta estela em particular é apenas outra referência para a superação do faraó aos poderes do caos e da escuridão.[98]

Tradições gregas[editar | editar código-fonte]

A erupção de Santorini e a precipitação vulcânica podem ter inspirado o mito da titanomaquia na Teogonia de Hesíodo.[13] As linhas de Hesíodo foram comparadas com a atividade vulcânica, citando raios de Zeus como um relâmpago vulcânico, a ebulição da terra e do mar como uma violação da câmara de magma, chamas imensas e calor como prova de explosões freáticas, entre muitas outras descrições.[99] Outras passagens mitológicas que possivelmente baseiam-se na erupção são o dilúvio de Deucalião, descrito na Crônica de Paros (datada de 1 582 a.C.), e o gigante de bronze de Creta, Talos, que atirava pedras sobre navios que se aproximassem da ilha.[100] [101] [102] Há algumas evidências arqueológicas, sismológicas e vulcanológicas de que o mito da Atlântida, descrito por Platão (427–347 a.C.), baseia-se na erupção de Santorini.[14] [15] O relato platônico originalmente deriva dos relatos do legislador ateniense Sólon (638–558 a.C.) que, durante sua viagem em Saís, no delta do Nilo, tomou conhecimento, por intermédio de sacerdotes egípcios, do desaparecimento de um grande império insular.[12]

Notas

  1. Fontes hidrotermais e grandes jazidas minerais (cobre, cobalto, manganês, ferro, zinco, níquel, chumbo) também são consequências da erupção.[19]
  2. As ilhas de Nova Cameni e Velha Cameni, localizadas sobre a caldeira de Santorini, formaram-se graças a eventos vulcânicos ocorridos nos últimos 2000 anos nas ilhas.[12]
  3. Segundo estimativas, a erupção do vulcão Santorini foi dez vezes mais potente do que a ocorrida no Krakatoa, de modo que sua explosão foi possivelmente ouvida a cerca de 3 000 km de distância.[14]
  4. Também foram encontrados depósitos piroclásticos no delta do Nilo, no mar Negro e no sítio arqueológico de Nicória, na Messênia.[36] [37] [38]
  5. Estudos realizados acerca da vesiculação de pedra-pomes constataram que todo o magma desta fase tinha vesículas antes do nível da fragmentação o que sugere que a interação magma-água possa ter se iniciado a algumas centenas de metros de profundidade.[26]
  6. Tal diferença expressiva possivelmente deriva da gradual transição do BO2 para o BO3 presente em muitos depósitos.[26]
  7. Especula-se que, ao menos 1,8X109 kg de enxofre foram liberados na atmosfera durante a erupção. Este, combinado com OH-, forma gotículas de ácido sulfúrico que inibem a passagem de radiação solar e, consequentemente, provoca o rebaixamento da temperatura. Acredita-se que a temperatural global tenha diminuído cerca de 0,35 ºC devido à erupção.[45]
  8. Em 1997, o dr. Dale Dominey-Howes da Universidade de Kingston descobriu uma concha fossilizada entre camadas estratigráficas de um pântano próximo de Mália. Tal concha é encontrada em mares profundos e, segundo ele, é prova irrefutável de que houve um tsunami em Creta.[46]
  9. Durante suas escavações no palácio de Tel Kabri na Palestina, Wolf-Dietrich Niemeier ressaltou que os edifícios locais destruídos em torno de 1 600 a.C. correspondem ao que foi escavado em Acrotíri. Além disso, resultados similares foram detectados durante as escavações em Tell al-Ajjul em Gaza.[59] [60]
  10. Em camadas relativamente datáveis de Santorini, Chipre e da cidade egípcia de Aváris foram encontrados exemplares de cerâmica com o mesmo estilo de decoração.[57]
  11. Estudos do pólen de camadas sedimentares anteriores e posteriores à erupção indicaram alterações mínimas na vegetação de Creta.[86]
  12. Em Israel foram encontrados enormes núcleos sedimentares datados do período da erupção que, devido às suas dimensões, possivelmente foram transportados por um tsunami. Se tal conclusão for verídica, cidades e artefatos da Palestina foram destruídos nesse momento.[88]
  13. Palecastro foi destruída e inundada tendo, posteriormente, sido parcialmente reconstruída.[89]

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