Escola catedral

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Escola catedral de Lund, na Suécia, fundada em 1085.

Uma escola catedral ou escola catedralícia é um modelo de escola superior urbana que surgiu durante a Alta Idade Média, distinto das escolas monásticas.

Uma das principais funções das escolas catedrais era formar grupos corais para os coros de Igreja.

História[editar | editar código-fonte]

No fim do Império Romano, à medida que a educação municipal entrou em declínio, alguns bispos dão início à fundação de escolas associadas às suas catedrais, de modo a permitir o acesso do clero à educação. A mais antiga escola deste género de que há registo é fundada durante o II Concílio de Toledo, em 527, na Espanha visigótica.[1] Estas primeiras escolas, focadas na aprendizagem religiosa sob a tutela de um bispo, v\ao sendo fundadas ao longo dos séculos VI e VII em diversas regiões da atual Espanha e em cerca de vinte cidades da Gália.[2] Durante e após a missão gregoriana de Agostinho de Cantuária ao sul de Inglaterra, no fim do século VI, a fundação das próprias dioceses é muitas vezes acompanhada pela fundação de escolas catedrais, algumas delas em funcionamento ininterrupto até aos dias de hoje.

Carlos Magno, rei dos Francos e mais tarde imperador, reconheceu a importância da educação para o clero e, ainda que de forma relativamente menor, para a nobreza. Propôs-se a renovar esta tradição já em declínio, através da promulgação de vários decretos. O decreto Admonitio generalis exigia que fossem fundadas escolas em cada mosteiro e cada diocese, nas quais as "crianças possam aprender a ler e que sejam ensinados salmos, notação, canto, cálculo e gramática".[3] Documentos posteriores, como a epístola De litteris colendis, exigia que os bispos selecionassem para professores homens que tivessem a vontade e capacidade de instruir[4] Um decreto do Concílio de Frankfurt (794) recomendou que os bispos fossem responsáveis pela instrução do clero a seu cargo.[5]

Posteriormente, são fundadas escolas catedrais em algumas das principais cidades europeias, entre as quais Chartres, Orleães, Paris, Laon, Liége, Reims, Ruão e Utreque. No seguimento da tradição anterior, estas escolas catedrais ensinam fundamentalmente o futuro clero e administradores letrados para as cortes cada vez mais complexas durante o Renascimento do século XII. Por exemplo, a corte de Henrique I de Inglaterra tinha laços estreitos com a escola catedral de Laon.[6]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hollister, Charles Warren. Henry I. [S.l.]: Yale University Press, 2003. ISBN 9780300098297.
  • Riché, Pierre. Education and Culture in the Barbarian West: From the Sixth through the Eighth Century. Columbia: University of South Carolina Press, 1978. ISBN 0-87249-376-8.
  • Riché, Pierre. Daily Life in the World of Charlemagne. [S.l.]: Univ. of Pennsylvania Press, 1988. ISBN 0-8122-1096-4.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]