Escola de Comando e Estado-Maior do Exército

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Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
Escola de comando e estado maior do exercito.jpg
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
País  Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Diretoria de Educação Superior Militar
Missão Ensino militar
Sigla ECEME
Criação 1905
Comando
Comandante General-de-brigada Elias Rodrigues Martins Filho[1]
Comandantes
notáveis
Sede
Sede Rio de Janeiro
Bairro Urca
Internet Página oficial da ECEME na internet

A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) localiza-se no bairro da Urca, na cidade e estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

Constitui-se num estabelecimento de ensino do Exército Brasileiro, com a missão a de preparar oficiais superiores para o exercício de funções de Estado-Maior, comando, chefia, direção e de assessoramento. Além disso, coopera com os órgãos de direção geral e setorial no desenvolvimento da doutrina para o preparo e o emprego da Força Terrestre.

Está diretamente subordinada à Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento (DFA), do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx), do Exército Brasileiro.

História[editar | editar código-fonte]

Quando da transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), estabeleceu-se no Rio de Janeiro o Quartel-general da Corte, que orientava e coordenava as atividades do Exército Português.

Posteriormente, no início do século XX, o Decreto de [[2 de Outubro de 1905 criou a Escola de Estado-Maior. Com a sua implantação passaram a ser ministrados regularmente, aos oficiais superiores do Exército Brasileiro, ensinamentos estratégicos, táticos e logísticos, indispensáveis ao preparo e ao emprego da Força Terrestre que se modernizava.

Com o término da Primeira Guerra Mundial (1918), o governo brasileiro foi buscar, na França, instrutores especializados em assuntos ligados à arte da guerra. Os elementos da chamada Missão Militar Francesa, que se estendeu até 1940, proporcionaram atualização aos oficiais da Escola de Estado-Maior, quer em termos de novos processos de combate, quer publicações sobre táticas das armas, serviços em campanha e chefia militar.

A participação do país na Segunda Guerra Mundial, em particular com a constituição da Força Expedicionária Brasileira, trouxe modificações profundas na doutrina, currículos e métodos de ensino e de trabalho, além de no próprio ambiente da Escola de Estado-Maior. O retorno dos últimos três membros da missão militar francesa, e os acordos militares com os estadunidenses, concorreram decisivamente para que essas modificações acontecessem. Abriu-se assim, a partir de 1940, uma nova etapa na trajetória da Escola, marcada pela sua instalação definitiva no atual prédio, na Praia Vermelha.

Em consonância com as diretrizes do Estado-Maior do Exército, a Escola implantou projetos de modernização e de melhoria da gestão, obtendo, entre outros, a criação de salas específicas para instrutores, a redução de seis almoxarifados para um, e a redução de consumos (água, luz e telefone). Do mesmo modo, por meio de projetos específicos, buscou-se preservar os objetos e o acervo histórico, bem como a memória de antigos comandantes que lhe confiaram bibliotecas e objetos pessoais.

A Escola adota diversos currículos e Planos de Disciplinas correspondentes aos cursos oferecidos. Busca uma permanente atualização dos currículos que são revistos periodicamente com a utilização de uma metodologia própria de base científica, especialmente desenvolvida para o sistema de ensino do Exército Brasileiro.

A sistemática de avaliação escolar vem sendo constantemente aperfeiçoada, envolvendo o desempenho do aluno nas atividades escolares, especialmente nos trabalhos em grupo e nos resultados das provas formais a que é submetido.

A Escola busca enfatizar o método de trabalho em grupo nas diversas atividades escolares, adota um programa de leitura para estimular a leitura e ampliar a cultura dos oficiais e desenvolve um amplo relacionamento externo com entidades de ensino, civis e militares, buscando a cooperação em diversas áreas do ensino.

A Escola conta com um moderno Espaço Cultural, reunindo em um mesmo ambiente a biblioteca, um salão de recepção e um salão de exposições. A biblioteca dispõe de vasto acervo de obras para consulta, além de estar ligada a outras bibliotecas no país e no exterior, sendo especializada em ciência militar.

Além da leitura de obras selecionadas e do estímulo ao auto-aperfeiçoamento, a Escola propicia a seus alunos visitas a Sítios Históricos como a Fortaleza de Santa Cruz, os Fortes Imbuhy e Rio Branco, o Museu Histórico do Exército, o Museu Histórico Nacional e exposições de interesse cultural.

A manutenção do condicionamento físico é fundamental para o bom rendimento escolar. O Treinamento Físico Militar está inserido no Plano de Disciplinas e prevê, também, exames de taxas de colesterol, taxas de gordura e teste de esforço, que são aplicados anualmente aos alunos e estagiários, com o apoio da Diretoria de Pesquisa e Estudos do Pessoal (DPEP).

O Concurso de Admissão[editar | editar código-fonte]

Conforme previsto nas Instruções Reguladoras do Concurso de Admissão e da Matricula na ECEME (IRCAM), o processo seletivo para os CAEM é executado em três subprocessos: a inscrição, a seleção institucional e a seleção intelectual.

A solicitação de inscrição é realizada via Portal de Educação do Exército, na internet, e fica sujeita ao deferimento do Comandante da ECEME. Todas as solicitações de inscrição que estiverem de acordo com as IRCAM serão deferidas e remetidas à Diretoria de Avaliação e Promoção do Exército (DAProm) e servirão de subsídio para o segundo subprocesso, a seleção institucional, realizada pela Comissão Permanente de Sindicância daquela Diretoria.

O terceiro subprocesso, a seleção intelectual, é realizado por meio de provas discursivas aplicadas aos candidatos aptos na seleção institucional, a cargo da ECEME. São provas realizadas nos mesmos moldes daquelas do Curso de Preparação à ECEME (com informações abaixo). Nesse contexto, o CP/ECEME tem íntima ligação com o concurso, uma vez que as orientações do Curso balizam a abrangência das provas. Assim, a preparação para o concurso à Escola começa com a realização do Curso de Preparação.

Mas, afinal, para que é necessário um concurso de admissão para o ingresso na ECEME? Pelo fato de o Concurso selecionar os futuros dirigentes da Força Terrestre. Nas funções que virão a desempenhar, serão exigidos em capacidades cognitivas e afetivas, que podem ser assim sintetizadas: 1. Embasamentos intelectual e cultural, necessários ao futuro oficial do Estado-Maior e assessor de alto nível da força; 2. Conhecimento interdisciplinar de História e Geografia, necessário à continuidade da instituição de caráter permanente “Exército Brasileiro”, em uma nação com as dimensões e projeção do Brasil; e 3. Capacidade de resolução de problemas de forma sintética, clara, objetiva, coerente, com reduzida disponibilidade de tempo.

O que é o Concurso de Admissão à ECEME? O CA, para os oficiais das Armas, dos Quadros de Material Bélico e de Engenheiros Militares e do Serviço de Intendência, é constituído de 02 (duas) provas, as quais abrangem as disciplinas de Geografia e História. Os oficiais de Saúde realizam somente a prova de Geografia. Todos os candidatos já deverão estar habilitados em idioma estrangeiro.

Cursos[editar | editar código-fonte]

Todos os cursos da Escola são de pós-graduação e ministrados em consonância com a legislação que regula o ensino de grau superior no País e conforme o prescrito no Regulamento da Lei de Ensino do Exército. São eles:

  • Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx);
  • Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército - Ensino a Distância (CPEAEx-EAD);
  • Curso de Preparação à ECEME (CP/ECEME);
  • Cursos de Altos Estudos Militares (CAEM):
    • Curso de Comando e Estado-Maior (CCEM);
    • Curso de Comando e Estado-Maior para Oficiais Intendentes (CCEM/Int);
    • Curso de Direção para Engenheiros Militares (CDEM);
    • Curso de Chefia e Estado-Maior para Oficiais Médicos (CCEM/Med); e
    • Curso de Comando e Estado-Maior para Oficiais de Nações Amigas (CCEM/ONA); e
  • Curso de Gestão e Assessoramento de Estado-Maior (CGAEM).

Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército - CPEAEx[editar | editar código-fonte]

Destinado a coronéis selecionados por mérito, com a duração de um ano e com vagas para oficiais da Marinha e Aeronáutica. O objetivo geral desse curso é o de habilitar e capacitar oficiais ao assessoramento aos mais altos escalões das Forças Singulares.

Cursos de Altos Estudos Militares - CAEM[editar | editar código-fonte]

Os 05 cursos de Altos Estudos Militares estão assim divididos:

Curso de Comando e Estado-Maior - CCEM[editar | editar código-fonte]

Tem por objetivos habilitar e capacitar oficiais das Armas (Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia, Comunicações) e do quadro de Material Bélico (QMB) ao exercício de cargos e funções de estado-maior de grandes unidades (Brigadas) e grandes comandos, bem como para o exercícios de cargo e funções de comandantes desses mesmos níveis de comando e de outros privativos de oficial-general combatente. A duração do curso é de dois anos e destina-se a oficiais nos postos de capitão e major.

Curso de Comando e Estado-Maior para Oficial Intendente - CCEM/Int[editar | editar código-fonte]

Os objetivos são de habilitar e capacitar oficiais de Intendência ao exercício de cargos e funções de estado-maior, peculiares ao respectivo serviço, em grandes unidades e em grandes comandos da Força Terrestre e em outros órgãos de nível equivalente e também nos cargos e funções de comando e chefia, quando privativa de oficial-general oriundo de Intendência. Freqüentado por capitães, majores e tenente-coronéis, o curso tem a duração de dois anos.

Curso de Chefia e Estado-Maior para Médicos - CCEM/Med[editar | editar código-fonte]

Os objetivos são habilitar e capacitar esses oficiais ao exercício de cargos e funções de estado-maior peculiares ao Serviço de Saúde nos escalões de comando pertinentes, e aos cargos e funções de chefia privativos de oficial-general do respectivo serviço. Para um universo de capitães, majores e tenentes-coronéis, o curso tem a duração de dois anos.

Curso de Direção para Engenheiros Militares - CDEM[editar | editar código-fonte]

Objetivando proporcionar aos oficiais desse quadro (QEM) conhecimentos essenciais à condução em assessoramento de atividades relacionados à Mobilização Industrial e habilitá-los ao exercício de cargos e funções previstos no quadro de oficiais-generais engenheiros militares. O curso é freqüentado por majores, tenentes-coronéis e coronéis e tem duração de um ano.

Curso de Comando e Estado-Maior para Oficiais de Nações Amigas - CCEM/ONA[editar | editar código-fonte]

Tem por objetivos capacitar esses oficiais ao exercício de cargo e funções de estado-maior e estreitar os laços de amizade com os países representados. A duração do curso é de um ano.

Curso de Gestão e Assessoramento de Estado-Maior - CGAEM[editar | editar código-fonte]

O CGAEM foi criado pela Port Cmt Ex nº 395, de 9 de junho de 20O5, com o objetivo de atualizar e ampliar a capacitação profissional dos oficiais superiores do Exército para o exercício de funções de chefia e assessoramento de estado-maior. O curso destina-se aos oficiais superiores das Armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e de Comunicações, do Quadro de Material Bélico, do Serviço de Intendência, do Quadro de Engenheiros Militares e do Serviço de Saúde do Exército, não possuidores do CAEM. O Curso compreende duas fases. A primeira, com duração de um ano, em convênio com instituições de ensino superior do Sistema Federal de Ensino, é desenvolvida na modalidade de ensino a distância. A segunda, sob a forma de ensino presencial é realizada na ECEME, na qual são abordados aspectos relativos à gestão das diversas atividades que constituem a Administração Militar. Esta fase presencial é realizada em turnos, com até trinta oficiais por turno. Após aprovado nas duas fases do Curso, o oficial faz jus aos Certificados de Conclusão de Curso de pós-graduação, lato sensu, especialização em Gestão da Administração Pública, e ao Certificado de Conclusão da ECEME em Gestão e Assessoramento de Estado-Maior.

Curso de Preparação à ECEME (CP/ECEME)[editar | editar código-fonte]

O Curso de Preparação à ECEME tem a duração aproximada de doze meses. É realizado na modalidade de ensino não presencial (ensino a distância - EAD) e ministrado na fase anterior à vinda do oficial para a ECEME, após a aprovação no concurso de admissão para os Cursos de Altos Estudos Militares (CAEM) ou após a seleção para o Curso de Gestão e Assessoramento de Estado-Maior (CGAEM). O CP/ECEME utiliza, como ferramenta de ensino, de uma moderna platarforma virtual de aprendizagem (denominada EB Aula), em função de seus alunos estarem espalhados nas diversas guarnições militares em território nacional e no exterior.

O Curso de Preparação à Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (CP/ECEME) tem por objetivos: 1. Capacitar oficiais para participarem dos processos seletivos aos cursos da ECEME, em condições de igualdade, independente da Gu onde estejam servindo; 2. Fornecer embasamento cultural para o bom desempenho dos oficiais nos cursos da ECEME; e 3. Ampliar os conhecimentos gerais dos oficiais do EB, privilegiando a História e a Geografia e tendo como disciplinas instrumentais a História Militar, Introdução à Geopolítica e à Estratégia, Expressão Escrita e Método para a Solução de Questões, consideradas essenciais no amadurecimento cultural e profissional do oficial superior e futuro chefe.

O universo dos alunos matriculados no CP/ECEME é constituído de oficiais voluntários das Armas, do Serviço de Intendência, do Quadro de Material Bélico, do Quadro de Engenheiros Militares e do Quadro de Saúde (Médicos, Farmacêuticos e Dentistas).

Programa de Atualização para os Diplomados da ECEME - PADECEME[editar | editar código-fonte]

Tem a finalidade de manter os concludentes dos CAEM atualizados, cultural e profissionalmente, oferecendo-lhes uma educação permanente de modo a contribuir para o auto-aperfeiçoamento profissional e manter o vínculo afetivo com o diplomado. O programa é de caráter voluntário e de duração perene.

Assim, pode-se concluir que a ECEME estabelece um contato inicial com a maioria dos discentes, após a conclusão do curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), já no posto de capitão, mantendo esse vínculo com oficial após o serviço ativo, quando da passagem para a reserva remunerada.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1905 - Criação da Escola de Estado-Maior (EEM), subordinada ao Estado-Maior do Exército (EME).
  • 1906 - Início do funcionamento no antigo prédio do Ministério da Guerra, na ala voltada para a Central do Brasil.
  • 1907 - Instalação provisória na extinta Escola Militar do Brasil, na Praia Vermelha.
  • 1909 - Diplomação da primeira turma; aumento do curso para três anos e inclusão do ensino de Estratégia e da História Militar.
  • 1916 - Início da participação de autoridades civis e militares como conferencistas na Escola.
  • 1918 - Suspensão temporária das atividades escolares em decorrência da Primeira Guerra Mundial.
  • 1920 - Reinício das atividades na ala norte do antigo Ministério da Guerra; início da orientação da Missão Militar Francesa.
  • 1921 - Instalação no edifício ocupado pelo Primeiro Batalhão de Polícia do Exército, situado na Rua Barão de Mesquita.
  • 1940 - Instalação definitiva no atual prédio da Praia Vermelha, coincidentemente com o término da Missão Militar Francesa.
  • 1947 - Criação do Curso de Estado-Maior de Serviços.
  • 1955 - Mudança de denominação para Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).
  • 1964 - Introdução das "áreas de ensino" no currículo da ECEME.
  • 1965 - Reorganização da ECEME para atender à nova sistemática de ensino e criação do Curso de Preparação à ECEME.
  • 1968 - Substituição das áreas de ensino por seções de ensino.
  • 1969 - Mudança de subordinação do EME para a Diretoria de Formação e Aperfeiçoamento (DFA), órgão do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP) do Ministério do Exército.
  • 1977 - Início do curso de Estado-Maior com duração de dois anos; diplomação da primeira turma do Curso de Direção para Engenheiros Militares.
  • 1986 - Criação do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx).
  • 1988 - Diplomação da primeira turma do CPEAEx
  • 1996 - Início da reestruturação da Escola para adequação à modernização do Sistema de Ensino do Exército.
  • 2001 - Implementação do Programa de Pós-Graduação da ECEME.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Informex n.º 44 de 29 de outubro de 2014