Escravidão na América Latina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-scales.svg
A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.
Contrato escravagista Lima/Peru 13.10.1794.

A partir da descoberta do continente americano pelos europeus em 1492, o continente foi submetido a uma exploração brutal de seus bens. Para extrair os recursos naturais da natureza, os ameríndios foram sacrificados em massa, a exemplo nas Antilhas, onde o extermínio foi completo. Assim, foi iniciada a escravidão na América latina, primeiros com os habitantes nativos, mais tarde, com os africanos trazidos para o Novo Mundo.

Com a introdução das Leis Novas de Carlos V, foi proibido o tratamento de índios como bichos (burros de carga), pelo menos na teoria. Como já não sobraram tantos indígenas depois das várias epidemias, começaram a importar escravos da África, já que a demanda por oferta de trabalho ainda continuava a crescer. Inclusive o frei Bartolomé de las Casas recomendava a escravidão dos africanos para aliviar a dura sorte dos índios.[1]

Em 1518, a Coroa espanhola deu a primeira licença para introduzir quatro mil homens às Índias durante oito anos. Este foi o primeiro daqueles asientos de negros, que por muito tempo foram uma sangrenta e lucrativa fonte de ingresso para os gerentes da Europa. Além do negócio oficial, o contrabando de escravos também era feito, na maioria das vezes por piratas e comerciantes não católicos.

A princípio, o comércio foi controlado pelos portugueses, os quais já haviam exportado escravos do Congo desde 1441. Os portugueses seguiram sendo os mercadores de escravos de maior destaque até o começo do século XVII, quando são superados pelos neerlandeses, franceses e ingleses.

No ano de 1713, a British South Sea Company obteve o asiento indefinido como compensação pela Guerra da Sucessão Espanhola. Em 1789, foi permitido o livre comércio de escravos para todas as nações. Em Cuba, então parte do Império Espanhol, a escravidão foi legal até 1886 e, no Brasil, foi até 1888.[2]

Métodos e efeitos da escravização dos africanos[editar | editar código-fonte]

Navio negreiro, de Johann Moritz Rugendas. Escravos em um porão de embarcação.

O negreiros realizaram o chamado "comérico triangular". Pegavam rum, tabaco e armas da Europa para trocar por escravos e marfim na África e depois vender os escravos com lucros na América, donde partiam com matéria-prima e minérios para Europa. Durante o tráfico negreiro, cerca de metade dos escravizados morriam.

Não há cifras exatas sobre a quantidade de vítimas das atrocidades cometidas. Estudiosos afirmam que entre os séculos XVI e XIX, um total de cem milhões de pessoas foram deportadas ou morreram durante o tráfico. Esta cifra refere-se ao tráfico total (ocidental e oriental), contando também os mortos das guerras de escravização.[3] Estimativas do número de escravos que foram transportados para as Américas alcançam os quatorze milhões (13.750.000).

Resistência[editar | editar código-fonte]

É quase inimaginável o que aqueles homens e mulheres sofreram nas mãos dos capturadores, mercadores, compradores, donos e feitores. Ainda que fossem vistos, comparados e usados como objetos, sem direitos humanos ou qualquer outro, sempre resistiram a essa forma de existência indigna de se tratar um ser humano. Os amos brancos empregaram todo tipo de castigo físico, além de toda a crueldade da Inquisição. O único "amparo" daquelas pessoas maltratadas foi o foto que com marcas de castigo, o valor era diminuído.

Assim, com pouco a perder e liberdade a ganhar, muitos escravos rebelaram-se contra seus "donos". Começando com métodos civis como o grito ou o canto noturno, inclusive realizaram greves ou sabotaram as máquinas dos seus atormentadores. Muitas vezes fugiam sozinhos ou até levavam junto os outros da senzala da fazenda onde viviam e até mesmo de outras. E também não era sempre que os senhores sobreviviam ao escravos que se rebelavam. Os que escapavam trataram de formar aldeias e fortificações para sobreviver. Esses lugares de resistência à escravidão são chamados de quilombos. As primeiras rebeliões já começaram no século XVI.

Toussaint Louverture, liderou a mais gigantesca revolta de escravos da história da América comandando um exército em busca da independência do Haiti.

Os africanos constituíram a maioria da população em muitas partes da colônia. Um exemplo é Porto Rico em 1530: 327 europeus e 2292 africanos. Geralmente, a população africana foi a mais "forte" no Caribe por causa a eliminação completa dos povos pré-colombianos e o duro trabalho nas plantações de cana-de-açúcar. Assim, era possível se formar verdadeiros "reinos": o Quilombo dos Palmares, nove grandes quilombos organizados no Nordeste do Brasil, tem suas raízes no ano de 1602 e foi derrotado por traição pelos portugueses em 1694.

As rebeliões às vezes se convertiam em revoluções: em 1791, os escravos do Haiti se amotinaram e declararam sua independência em 1804, como primeiro país de toda a América Latina.

Notas e referências

Ver também[editar | editar código-fonte]