Escrita artificial

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Uma Escrita artificial (ou escrita construída, neografia) é novo sistema de escrita criado especificamente por um indivíduo ou por um grupo, não sendo fruto de uma evolução conjunta com uma língua, como ocorreu com as escrita natural.. Algumas são desenvolvidas para uso com línguas artificiais e também há as que têm uso em experiências linguísticas ou outros objetivos mais práticos nas línguas já existentes.

Dentre as mais importantes escritas artificiais estão o Alfabeto fonético internacional (IPA) e a escrita Hangul dos Coreano. Outras, como os alfabetos “Shavian”, “26” e “Deseret”, foram criados para reformas ortográficas da Língua inglesa. Houve também escritas como a Visible Speech desenvolvida por Alexander Melville Bell, a “Unifon” de John Malone foram desenvolvida com objetivos pedagógicos. A escrita “Blissymbols” desenvolvida como escrita para uma Língua auxiliar e as diversas Taquigrafias podem também ser consideradas como escritas construídas. Porém, Braille, código Morse e LIBRAS são códigos, não escritas artificiais.

Escritas construídas e naturais[editar | editar código-fonte]

Todas escritas, sejam “tradicionais” (“naturais”) ou as ditas “construídas”, sejam a Chinesa ou a Árabe, são sempre criações humanas. Porém, as ditas tradicionais evoluíram de outras escritas mais antigas e junto com a lingual falada, não foram criadas por uma pessoa num momento específico. Na maioria dos casos, os alfabetos foram adotados, ou seja, uma língua passa a ser escrita com um alfabeto já usado por outra lingual, alfabeto que vai sofrer adaptações durante séculos em função do ambiente de atuação (ex,: as letras w e j foram adicionadas ao alfabeto latino ao longo do tempo).

A construção de uma escrita implica o fato de o autor já conhecer um sistema de escrita existente. Caso contrário, a “invenção” implicaria não somente criar uma escrita, mas também criar um conceito para a história da uma escrita. Assim, uma escrita construída é sempre feita com base em pelo menos um sistema mais antigo de escrita, fazendo com que seja difícil distinguir se é uma simples adoção de uma escrita existente ou a criação de uma nova. Como exemplo, temos o Alfabeto cirílico e o Alfabeto gótico, que são bem similares ao Alfabeto grego e que foram criados por autores individuais.

Em casos bem raros uma escrita não evoluiu de uma escrita existente, mas de uma “proto-escrita” (casos conhecidos são Escrita cuneiforme, hieróglifos Maias, egípcios e Escrita chinesa). Esses processos se caracterizaram por variação gradual de um sistema de símbolos, não num projeto de criação primária.

Sistemas construídos[editar | editar código-fonte]

Línguas sem escrita prévia[editar | editar código-fonte]

Algumas, como as escritas Hangul, Cherokee, N'Ko, Fraser e Pollard foram criadas para permitir que algumas línguas faladas naturais que não tinham escritas adequadas. Os alfabetos Armênio, Georgiano, and Glagolitico pode ser enquadrado nessa categoria, embora não se conheçam suas exatas origens. As escritas Elder Futhark e Ogham também são assumidos como alfabetos criados por alguma pessoa, cada um deles.

A Prof. S. Prasanna Sree1 da Andhra University, Visakhapatnam, Andhra Pradesh, India,.desenvolveu 8 escritas novas para 8 línguas tribais já existentes, Gadaba, Jatapu, Kolam, Konda-dora, Porja, Koya, Kupia, Bagatha, tendo vivido junto a essas tribos durante um período de 19 anos.

Diferentes variantes de alguns alfabetos importantes com modificações para aplicação em línguas sem escrita própria foram desenvolvidas por linguístas e missionários diversos. Foi o caso do Alfabeto latino usado em línguas nativas das Américas, da África e Ásia, o Alfabeto cirílico em línguas da Sibéria e Ásia Central, o Alfabeto árabe em línguas africanas.

Línguas fictícias[editar | editar código-fonte]

KLI pIqaD é uma escrita fictícia para a Língua klingon da série televisiva Star Trek

As mais conhecidas escritas construídas pra línguas ficcionais são as elaboradas por J. R. R. Tolkien, Tengwar e Cirth, mas há outras como a escrita da Língua klingon, Aurebesh de Star Wars e a língua “D'ni” da série “Myst” de vídeo games.

Aplicações técnicas[editar | editar código-fonte]

Alguns sistemas de escrita foram desenvolvidos com objetivos técnicos por especialistas de várias especialidades. Um dos principais exemplos é o IPA (Alfabeto fonético internacional), usada pelos lingüistas para descrever os sons daslinguagens humanas nos mínimos detalhes. Mesmo usando o Alfabeto latino o IPA contém letras criadas, letras Gregas e muitos diacríticos.

Unicode[editar | editar código-fonte]

Algumas Neografias foram codificadas em Unicode, como, por exemplo, os alfabetos “Shavian” e “Deseret”. Uma proposta para uso do sistema de escrita da Língua klingon, mas isso foi descartado pelo fato dos usuários de Klingon já usarem somente o alfabeto Latino; Ainda há intenção de codificar em Unicode as línguas Tengwar e Cirth, bem como um projeto não oficial de coordenar as codificações de muitas “línguas artificiais” em Áreas de Uso Privado Unicode (U+|E000 - U+F8FF e U+000F0000 - U+0010FFFF), chanado “Conscript Unicode Registry”.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Nota[editar | editar código-fonte]

  1. [1] Dr Prasanna Sree

Ligações externas[editar | editar código-fonte]