Escrita futhorc

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Escrita futhorc anglo-saxão
Falado em: Inglaterra anglo-saxã
Total de falantes: extinta
Família: alfabeto fenício
 alfabeto grego (antigo – variante cumae)
  alfabeto etrusco
   Futhark antigo (Escandinávia)
    Escrita futhorc anglo-saxão
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
Metade esquerda de um painel frontal de Cofre Franco do século VII apresentando a lenda da mitologia nórdica, do mestre ferreiro Völundr, com uma inscrição em Runas anglo saxônicas

Runas Anglo-Saxônicas (ou Anglo-Frísio), também chamado futhorc (or fuþorc), é uma escrita rúnica, uma forma estendida para 26 a 33 letras do alfabeto Futhark antigo (24 letras). Foram usadas provavelmente a partir do século V para escrever o Inglês antigo e o Frísio antigo.

Permaneceu essa escrita em uso na Inglaterra anglo-saxã durante os séculos VI a X. A escrita rúnica foi ficando cada vez mais confinada à tradição da expressão manuscrita como algo de interesse antiquário depois do século IX e desapareceu mesmo como uma curiosidade a ser estudada logo após a conquista normanda da Inglaterra

História[editar | editar código-fonte]

Há teorias conflitantes quanto às origens do Futhork Anglo-Saxão. Uma teoria supõe que tenha se desenvolvido na Frísia e daí se expandido para a Inglaterra. Outros defendem que o Futhork seja originário da Escandinávia, tenha ido para a Inglaterra e daí, já modificado, para a Frísia; Ambas teorias têm pontos fracos e uma resposta definitiva depende de maiores evidências arqueológicas..

O Futhorc inicial seria idêntico ao chamado antigo futhorc exceto pela divisão da Runa Anzus ᚨ a em três variantes, ᚪ āc, ᚫ æsc e ᚩ ōs), sendo assim 26 runas no total. Isso se fez necessário para atender ao novo fonema das línguas Ingvaeônicas , divisão em alofones para a longo e curto. A antigo runa ᚩ ōs foi encontrada numa moeda em Undley, século V. A runa ᚪ āc foi incorporada depois, no século VI. A runa com dupla barra ᚻ Haglaz|hægl, característica de inscrições continentais foi percebida no esquife de St Cuthbert (de 698); antes era usada a runa escandinava de barra simples.

Na Inglaterra, o futhorc foi mais tarde estendido para 28 letras e depois 33, ficando a escrita rúnica da Inglaterra associada à “Latin scriptoria” da cristianização Anglo-Saxônica do século VII. O Futhorc passou a ser o alfabeto do inglês antigo e foi substitído pelo alfabeto latino por volta do século VII, embora ainda se escrevesse em futhorc até os séculos X e XI. Em alguns casos, os textos seriam escritos no alfabeto latino mas runas seriam escritas de forma logográfica no lugar da palavra que representavam e as runas ‘þorn’ e ‘wynn’ passaram a ser incorporadas ao alfabeto latino. Quando da conquista Normanda em 1066, essa escrita já era rara e desapareceu pouco depois. Depois de cinco séculos de uso do futhorc menos de 200 artefatos com inscrições da mesma sobreviveram.

Vários são os exemplos ingleses de escritas rúnicas que misturam o Inglês Antigo e o Latim, incluindo o “Casket Franco”, o esquife de St Cuthbert. Neste último, três dos nomes dos quatro evangelistas estão em latim e em run, o nome de São Lucas está em somente em latim. O esquife é também um exemplo de objeto criado dentro da Igreja Católica Anglo Saxã que apresenta escrita rúnica. Um dos maiores especialistas no assunto, Ian Raymond, rejeita a frequente suposição encontrada na literatura não-acadêmico que as runas sejam especialmente associadas à pós conversão da Inglaterra ao cristianismo, ao paganismo anglo saxão ou à magia.[1]

Letras[editar | editar código-fonte]

Futhorc.

O poema Rúnico Anglo-Saxônico (“Cotton Otho” - B.x.165) apresenta as seguintes runas, listadas com seus glifos Unicode, seus nomes, transliterações e seu valor fonético conforme IPA que pode diferir da transliteração:

Runa UCS Nome – Inglês antigo Significado Transliteração IPA
Rune-Feoh.png feoh "riquesa" f [f], [v]
Rune-Ur.png ur "auroques" u [u], [uː]
Rune-Thorn.png nascido "espinho" þ, ð, th [θ], [ð]
Runic letter os.svg ós "[um] deus" ó
Rune-Rad.png rad "passeio" r
Rune-Cen.png cen "tocha" c [k], [kʲ]
Rune-Gyfu.png gyfu "presente" ȝ [ɡ], [j]
Rune-Wynn.png wynn "alegria" w, ƿ [w]
Rune-Hægl.png hægl "granizo" h [h], [x]
Rune-Nyd.png nyd "aflição" n [n]
Rune-Is.png is "gelo" i
Runic letter ger.svg ger "ano, colheita" j
Rune-Eoh.png eoh "yew" eo
Rune-Peorð.png peorð (“desconhecido”) p [p]
Rune-Eolh.png eolh "ataque de alce" x
Rune-Sigel.png sigel "Sol" s [s], [z]
Rune-Tir.png Tiw "Tiw?" t [t]
Rune-Beorc.png beorc "bétula" b [b]
Rune-Eh.png eh "cavalo" e
Rune-Mann.png mann "homem" m [m]
Rune-Lagu.png lagu "lago" l [l]
Rune-Ing.png ing "Ing (um heroi)" ŋ
Rune-Eðel.png éðel "fazenda, granja" œ
Rune-Dæg.png dæg "dia" d [d]
Runic letter ac.svg ac "carvalho" a
Runic letter ansuz.svg æ /sc "fraxinus" æ [æ]
Rune-Yr.png yr "arco" y
Rune-Ior.png ior "enguia" ia, io
Rune-Ear.png ear "túmulo" ea

As 24 primeiras letras continuam as do Antigo Futhark letters e se estendem com cinco Runas adicionais, que representam vogais longass e ditongos (á, æ, ý, ia, ea), comparáveis às 5letras adicionais “forfeda” do alfabeto Ogham.

As letras Thorn e Wynn foram incorporadas ao alfabeto inglês latino para representar os sons [θ] e [w], mas foram substituídas por th and w no inglês médio (séculços XI a XV).

O total de letras e sua sequência não é fixo. Comparando àss letras do poema rtúnico acima temos:

f u þ o r c ȝ w h n i j eo p x s t b e m l ŋ œ d a æ y io ea

“Thames scramasax” tem 28 letras, sem edhel e sequência um pouco diversa.

f u þ o r c ȝ w h n i io eo p x s t b e ŋ d l m j a æ y ea

“Vienna Codex” (Anglo-Saxônico) também tem 28 letras; A inscrição na “Ruthwell Cross” apresenta 31 letras A “Cotton library” Domitiana A.ix (século XI) apresenta outras 4 ruinas adicionais.

30. Rune-Cweorð.png Runa cweorð kw, uma modificação de peorð
31. Rune-calc.png Runa calc "cálice" k (duplicada aparece como Rune-DoubleCalc.png Runa kk)
32. Rune-Stan.png Rune-Stan2.png Runa stan "pedra, stone" st
33. Runic letter gar.svg Runa gar "lança" g (como oposta à palatal Rune-Gyfu.png Runa ȝ)

Dentre essas quatro letras adicionais, somente a runa cweorð não aparece de forma epigráfica. A forma stan se encontra no bastão de teixo Westeremden, mas como uma Spiegelrune (runa “espelhada”) A runa calc se encontra no “Bramham Moor Ring”, no “Kingmoor Ring” e nas cruzes de “Ruthwell Cross” e de “Bewcastle” em incrições. A runa gar está também na cruz “Bewcastle Cros” junto como a runa dupla em algumas locações [1].

Assim a “Cotton Domitiana” A.ix reaches tem um total de 33 letras conforme transliteração acima, porém, na sequência:

f u þ o r c ȝ w h n i j eo p x s t b e m l ŋ d œ a æ y ea io cw k st g

No manuscrito, as rinas estão dispostas em três linhas, dispostas como um poema do tipo Glosa com os equivalentes do alfabeto latino na terceira linha abaixo e como os nome acima (terceira linha acima). O manuscrito apresenta traços de correções feitas no século XVI, invertendo as posições de m e d. Eolh está indentificada de forma equivocada como sigel e no lugar de Ssigel, há um Kaun] como a Runa ᚴ corrigida para o próprio Sigel ᛋsobre a mesma. Eoh também está mal identificada como Eþel. Exceto ing e ear, todos nomes das runas foram criados elo escriba Robert Talbot, morto em 1558.

feoh ur þorn os rað cen gifu wen hegel neað inc geu{a}r sigel peorð ᛋ sig
f u ð o r c g uu h n i ge eo p x s
tir berc eþel deg lagu mann ᛙ pro ac ælc yr
t b e m{d} l ing ð{m} œ a æ y ear
{orent.}
io
{cur.}
q
{iolx}
k
{z}
sc{st}
{&}
g
ior cweorð calc stan ear

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Raymond, Ian - Roman and Runic on St Cuthbert's Coffin – editores: Bonner, Gerald; David; Stancliffe, Clare - St. Cuthbert, his Cult and his Community to AD 1200; Woodbridge - Boydell & Brewer (1989) ISBN 978‐0‐85115‐610‐1

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A. Bammesberger - Old English Runes and their Continental Background - Anglistische Forschungen ( Heidelberg 1991).
  • A. Bammesberger - Das Futhark und seine Weiterentwicklung in der anglo-friesischen Überlieferung - Bammesberger - editor Waxenberger - Das fuþark und seine einzelsprachlichen Weiterentwicklungen - Walter de Gruyter (2006) ISBN = 3-11-019008-7
  • J. Hines - The Runic Inscriptions of Early Anglo-Saxon England A. Bammesberger - Britain 400–600: Language and History ( Heidelberg – 1990).
  • J. H. Looijenga, Runes around the North Sea and on the Continent AD 150–700, dissertation, Groningen University (1997).
  • Odenstedt, Bengt, On the Origin and Early History of the Runic Script, Uppsala (1990), ISBN 91-85352-20-9; chapter 20: 'The position of continental and Anglo-Frisian runic forms in the history of the older futhark '
  • Raymond Ian Page - Introduction to English Runes (Boydell Press – Woodbridge- 1999) isbn= 0-85115-768-8
  • Orrin W Robinson - Old English and its Closest Relatives: A Survey of the Earliest Germanic Languages - Stanford University Press (1992) - isbn= 0-8047-1454-1}}
  • Frisian runes and neighbouring traditions, Amsterdamer Beiträge zur älteren Germanistik 45 (1996).
  • H. Marquardt, Die Runeninschriften der Britischen Inseln (Bibliographie der Runeninschriften nach Fundorten, Bd. I), Abhandlungen der Akademie der Wissenschaften in Göttingen, Phil.-hist. Klasse, dritte Folge, Nr. 48, Göttingen 1961, pp. 10–16.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]