Espata (arma)

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Réplica moderna de antiga espata do Império Romano.

Espata era um tipo de arma romana com lâmina de gumes rectos, geralmente de secção lenticular ou em diamante, e caracterizada por ser mais comprida do que o gládio.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A espada do Império Romano,media entre 75 cm. a 1 metro de comprimento, e teve largo uso na Europa durante o primeiro milênio, no Império Romano. Etimologicamente a palavra originou o francês actual épée, e ainda o português e espanhol espada, o italiano spada e o albanês shpata, todos com o mesmo significado genérico de espada.

A sua origem é completamente desconhecida, mas os registos remontam ao Império Romano, ainda no século I, foi ali presumivelmente introduzida por guerreiros germanos (se na infantaria ou na cavalaria isso não é certo), tornando-se uma arma padrão da infantaria pesada, e diminuindo o uso mas nao banindo o gládio como arma típica da infântaria ligeira. Não há provas de que a espada era usada exclusivamente para golpear. Substituiu o gládio aparentemente nas linhas dianteiras, permitindo o avanço da infantaria.

A Arqueologia localizou muitos exemplares da espada na Inglaterra e na Alemanha. Era largamente usada pelos teutônicos, mas derivou-se ali dos gládios de Pompeu ou das espadas célticas, bem como se foi o modelo para as várias espadas de folhas largas dos vikings, isso é altamente especulativo.

A espada permaneceu popular ao longo do período de Migrações. Pode ter evoluído para a espada cavaleiresca da Alta Idade Média (aproximadamente 1100) mas com o grande número de espadas que surgiram nesse período não permite uma afirmativa certa. Detalhes específicos da sua fabricação, bem como os moldes usados pelos seus fabricantes permanecem desconhecidos.

Império Romano[editar | editar código-fonte]

Espata alemã, cabo em ouro (século V).

Originalmente a espada era usada pelos oficiais da cavalaria e auxiliares do exército romano em sua fase final. Normalmente era uma versão mais longa do gládio, espada em folhas usada pelos legionários. Apesar do tamanho variar até 1 metro, raramente atingiam este comprimento. Ao contrário do gládio, era carregada ao lado esquerdo, devido seu maior comprimento.

Empregada pelos cavalarianos de Roma e por seus inimigos alemães, e depois pelos Lombardos, que usavam uma técnica mais avançada que o ferro forjado dos gládios, sendo construída usando uma técnica padrão de soldagem que empregava sucessivas camadas (folhas) de ferro e aço - sendo, portanto, de material composto. Eventualmente, durante os últimos anos do Império Romano, foi adotada pela maioria dos legionários.

A palavra latina spatha, e todos os seus derivados, é uma adaptação do grego σπάθη (spathe), e designava todo objeto considerado longo e achatado, como a lâmina de um remo, uma costela, a lançadeira do tear, uma espátula, etc. O termo era usado desde a cultura grega antiga, no chamado período clássico (não antes, porém, do século V a.C.), designando vários tipos de espadas da Idade do Ferro, sendo usada já na obra de Ésquilo. Até onde se pôde apurar, modernamente, não alcança a Idade do Bronze, e não aparece nos trabalhos de Homero.

Possivelmente o termo spathe foi adotado pelos antigos romanos no sentido geral de espata. A primeira referência dá-se em Plínio e também em Sêneca, com significados diferentes: era uma espátula, uma ferramenta de metal, uma folha em lâmina, e assim por diante. Não há qualquer menção a uma espada romana típica, chamada espata.

O significado como uma espada surge inicialmente nas páginas de Tácito, numa referência a um incidente do início do Império (nos Annales). O rei britânico, Caractatus, tendo se rebelado, refugiou-se numa colina rochosa. Não poderia livrar-se, cercado por um lado pelos gládios dos legionários e, do outro, pelas espatas dos auxiliares. Vendo o fracasso de sua tentativa, foi até os Brigantes (tribo celta), deixando seus irmãos no comando, cuja rainha intercedeu junto aos romanos, sendo então perdoado pelo Senado, por meio de comovente pedido de clemência. Reinou novamente com prosperidade, como tributário de Roma.

Tácito não revela quem eram os auxiliares. Os romanos mantinham tropas estrangeiras auxiliares ao longo de suas fronteiras, confiando-lhes também as coletas de tributos. A maioria das citações de espatas vêm da Alemanha e do Leste Europeu, entretanto. Há, portanto, grande chance que os criadores das espatas tenham sido os germânicos. Também não indica Tácito se eram homens da cavalaria; geralmente, os romanos tinham-nos na cavalaria e na infantaria.

A próxima citação da espada, após uma misteriosa lacuna de cerca de dois séculos, são já uma arma de uso da infantaria pesada. Evidentemente os romanos tomaram esta arma aos auxiliares, como foi dito, certamente dos germanos, mas nenhuma indicação aponta esta origem. Espata certamente não é uma palavra germânica, e não existe qualquer fonte que indique qual a palavra germânica para designá-la, tal como existe no inglês antigo o termo "sweord" que evoluiu para sword.

Idade do Ferro em Roma[editar | editar código-fonte]

Na Idade do Ferro, na época do Império Romano, embora este não tivesse exercido jurisdição sobre o norte europeu, tem-se como certa a forte influência dessa civilização sobre os povos nórdicos. Diversos artefatos deste período foram localizados nos pântanos de Schleswig, Holstein e da Dinamarca. Estes objetos estavam deliberadamente quebrados e ali jogados, de forma que pudessem acompanhar os chefes mortos na outra vida.

  • Um sítio arqueológico com 90 espadas foi encontrado em Nydam Mose, em 1858. Elas tinham o formato de espatas, e foram na época classificadas como "espadas romanas" - mas a datação do achado remonta aos anos 200-400 da Era Cristã, ou seja, as espatas romanas é que deveriam ser classificadas como "espadas de Nydam".

Era das Migrações[editar | editar código-fonte]

Exemplares encontrados das espadas da Idade do Ferro na Germânia tinham lâminas medindo entre 71 a 81 cm. de comprimento, por 45 a 60 mm. de largura. O cabo dessas armas tinham um comprimento de 10 a 13 cm., eram pouco pontiagudas na extremidade final e normalmente as pontas eram arredondadas - tal como nas espatas.

Era Viking[editar | editar código-fonte]

Durante a Era Viking, as espadas tiveram ligeiro aumento no seu comprimento, até 93 cm. e tiveram um final mais afinado e pontiagudo. Essas lâminas tinham o relevo central fundo, percorrendo toda a lâmina, e cabos que se amoldavam na copa - ou seja, a extremidade livre do cabo, com formato de castanha-do-Pará. Enquanto o padrão do cabo e design da lâmina podem prontamente ser chamados de "espada viking", isso seria negligenciar a popularidade que este alcançou por toda a Europa Continental, durante os anos 700-1000, com pequenas variações.

Durante o período normando as lâminas aumentaram uns 10 cm. no comprimento geral, e o cabo alterou-se significativamente. Em vez da copa final em formato de castanha, este passou a ser um disco chato grosso, preso no final do cabo de ferro. Além disso, a guarda superior cresceu bastante, em relação às espadas existentes antes deste período. Também as lâminas tenderam a se afilar menos ligeiramente, do que durante a Era Viking.

Espadas normandas[editar | editar código-fonte]

A transição da espata da Era Viking para o armamento da Alta Idade Média ocorre entre os séculos X e XI. O desenvolvimento principal foi o aumento da guarda do punho inferior, e a redução da copa típica da Era Viking, em formato de avelã, para formatos mais simples ou em disco. A espada de Oto I, preservada em Essen é um bom exemplo dessa arma, embora tenha sido ornada por decorações durante os séculos em que foi preservada como relíquia (seu comprimento total é de 95,5 cm.).

Na ficção[editar | editar código-fonte]

A espada do fictício Rei Théoden era uma espata, na versão cinematográfica do diretor Peter Jackson para a obra O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Um detalhe incomum no design era o fato de que esta espata tinha o relevo central duplicado.

Notas, fontes e referências[editar | editar código-fonte]

  • A versão de 22:21, 1 Maio 2007 (UTC) refere-se à tradução, nesta data, do verbete da wikipédia anglófona.
  • Ewart Oakeshott, The Archaeology of Weapons, Barnes & Noble, 1994, ISBN 1-56619-596-9. 1960.

Veja também[editar | editar código-fonte]