Espectro bipolar

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Espectro bipolar é um termo usado para identificar humor que varia entre episódios de extrema alegria ou tristeza, sem necessariamente atingir o estado maníaco ("eufórico") ou depressivo.

O chamado Transtorno do Espectro Bipolar não é uma novidade, mas um grupo de pessoas que não respondem exatamente ao modelo convencional bipolar rígido (TBH), apesar de incluírem os mesmos “altos e baixos” e períodos de depressão intercalados com “euforia” (mania), típicos da bipolaridade como é conhecida (veja o filme Mr. Jones (filme)).

O temperamento bipolar (característica ou "marca" de alguém que tem o transtorno do espectro bipolar)não inclui somente aquelas pessoas que variam o seu estado de ânimo (humor) entre depressão/tristeza e bem-estar/alegria/euforia. Define antes de mais nada aquelas pessoas de temperamento “forte” – pessoas com vidas intensas, dramáticas, surpreendentes (para o bem e para o mal), instáveis, etc; assim como pessoas ousadas, com energia abundante, “elétricas”, inventivas, de espírito inquieto, ousado, rebelde, aventureiro.

é importante frisar que as características descritas até agora e aquelas a seguir, podem estar presentes nas mais diversas combinações e intensidades. Somente se forem características duradouras (não circunstanciais, nem passageiras) e se estiverem presentes em determinadas combinações e intensidades, causando prejuízo funcional ou sofrimento subjetivo é que diremos se tratar de um temperamento bipolar.

Cabe lembrar que temperamento é algo psíquico que tem fortes raízes biogenéticas. Portanto, influenciada em grande medida pela herança genética (“filho de peixe, peixinho é”), o temperamento é algo presente e definido já muito precocemente (muitos futuros bipolares já se mostram crianças inquietas, hiperativas, rebeldes, ou então retraídas, isoladas e passivas, portanto, observe bem as crianças), apesar de poderem causar problemas mais sérios só na adolescência ou na vida adulta. É um transtorno determinado pelo arranjo neuronal (células cerebrais) de cada um, por sua “química cerebral” e não é facilmente modificável pelo esforço deliberado, pela "pura vontade", nem pelo simplório "pensamento positivo". Eis aqui um ponto importante para reflexão de pais, professores e até profissionais que ignoram o assunto.

Muitas vezes algumas características disfuncionais de personalidade (irritabilidade, instabilidade, impulsividade, alterações inexplicáveis do estado de ânimo, etc) são de fato quase impossíveis de serem modificadas sem a ajuda de medicamentos específicos (ainda que muitos, por ignorância, continuem a torcer o nariz para os remédios recomendados por neurologistas e psiquiatras).

Para esses pacientes do “espectro bipolar” - e também os bipolares "clássicos" - utilizam-se via de regra, os chamados “estabilizadores do humor” (são diversos medicamentos, incluindo alguns mais conhecidos, como lítio [talvez, o mais "famoso"], carbamazepina, depakote, topiramato e ácido valpróico, para citar alguns exemplos). O objetivo é conseguir a harmonia dos “ritmos” neuronais e por conseqüência evitar as oscilações que estão na gênese de muitos dos problemas descritos. Essas pessoas ficam mais “donas de si” e menos sujeitas a estados afetivos excessivamente intensos e instáveis; menos sujeitas a emoções poderosas que as fazem agir sempre de forma passional, impulsiva, pouco ponderada e às vezes desastrosa para si e para aqueles que estão ao seu redor.

O Dr. Gustavo Salles Puglia Martins, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), nos diz que:

<<Esses novos conhecimentos apontam também para outro fato gravíssimo. Essas pessoas, com características bipolares, quando tomam antidepressivos inadvertidamente, podem apresentar uma infinidade de respostas inesperadas, com sintomas incomuns. O antidepressivo, isoladamente, poderá induzir nessas pessoas o agravamento dos sintomas apresentados ou o surgimento de outros problemas novos. A possibilidade de resultados desastrosos não é pequena. E o que é mais grave: via de regra não são identificados como sendo causados pelo uso do antidepressivo. Pensa-se que é apenas um agravamento do quadro inicial. Troca-se o antidepressivo ou se aumenta a dose. O resultado é cada vez pior. Dentro das diversas combinações possíveis, pode ocorrer uma mistura insuportável de sintomas como angústia, desespero, insônia incontrolável, irritabilidade intensa e pensamentos suicidas, por exemplo. Menos desagradável, mas não com conseqüências menos graves, essas pessoas também podem desenvolver a clássica mania/”euforia”: progressivo aumento de energia, diminuição da necessidade de sono e descanso, aumento da auto-estima, da coragem, da desenvoltura social, desinibição, aumento do apetite sexual, etc, que podem levar a pessoa a agir de forma inusual e de forma muito irresponsável e arriscada. Quando passa a crise, a pessoa via de regra diz não ser capaz de explicar “como foi capaz de fazer aquelas coisas”. Denominador comum é que essas pessoas ficam “aceleradas” psíquica e comportamentalmente>>.

Em resumo, o conceito de ESPECTRO BIPOLAR, chama à atenção para a existência de um grupo muito particular de pessoas, um pouco diferentes dos bipolares "clássicos". São aquelas com um "temperamento bipolar" e, portanto predispostas a vários problemas. Elas podem adoecer psiquicamente de todas as formas conhecidas, apesar de o fazerem preferencialmente de algumas formas.


Para maiores informações, pesquisar transtorno bipolar do humor, ciclotimia, mania ou TAB (Transtorno Afetivo Bipolar).