Esquerda e Direita (política)

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O espectro político esquerda-direita é um sistema de classificação de cargos políticos, ideologias e partidos. Esquerda política e Direita política são muitas vezes apresentados como opostos, embora um indivíduo ou grupo em particular possa assumir uma postura de Esquerda numa matéria e uma postura de extrema-direita noutra. Na França, onde os termos se originaram, a Esquerda tem sido chamada de "o partido do movimento" e a Direita de "o partido da ordem."[1] [2] [3] [4]

Há um consenso geral de que a esquerda inclui progressistas, sociais-liberais, ambientalistas, social-democratas socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, secularistas, comunistas e anarquistas ,[5] [6] [7] [8] enquanto a direita inclui fascistas,[9] conservadores, reacionários, neoconservadores, capitalistas, alguns grupos anarquistas,[10] neoliberais, económico-libertários, monarquistas, teocratas (incluindo parte dos governos islâmicos), nacionalistas e nazis.[11]

Existem porém críticas consideráveis e consistentes ​​sobre a "simples - redução" da política num simples "Eixo - esquerda-direita". Friedrich Hayek sugere que é errado ver o espectro político como uma linha (Eixo), com os chamados "revolucionários" à esquerda do Rei e/ou Imperador, os conservadores à direita e os liberais no meio. Ele posiciona cada grupo, no canto de um triângulo.[12]

História[editar | editar código-fonte]

Os termos "esquerda" e "direita" apareceram durante a Revolução Francesa de 1789, e o Império de Napoleão Bonaparte, quando os membros da Assembleia Nacional se dividiam em partidários do rei à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda. Um deputado, o Barão de Gauville explicou: "Nós começamos a reconhecer uns aos outros: aqueles que eram leais à religião e ao rei (imperador) ficaram sentados à direita, de modo a evitar os gritos, os juramentos e indecências que tinham rédea livre no lado oposto." No entanto, a direita pôs-se contra a disposição dos assentos porque acreditavam que os deputados deviam apoiar interesses particulares ou gerais, mas não formar facções ou partidos políticos. A imprensa contemporânea, ocasionalmente, usa os termos "esquerda" e "direita" para se referir a lados opostos ou que se opõem.[13] Ao longo do século XIX na França, a principal linha divisória de Esquerda e Direita foi entre partidários da República e partidários da Monarquia.[14]

Quando a Assembleia Nacional foi substituída em 1791 por uma Assembleia Legislativa, composta inteiramente por novos membros, as divisões continuaram. Os "Inovadores" sentavam-se do lado esquerdo, os "moderados" reuniram-se no centro, enquanto que os "defensores da consciência da Constituição" encontraram-se sentado à direita (onde os defensores do Ancien Régime se sentavam anteriormente). Quando a Convenção Nacional seguinte se reuniu em 1792, a disposição dos assentos continuou, mas após o golpe de Estado de 2 de Junho de 1793 e a prisão dos Girondinos, o lado direito do conjunto ficou deserto e os membros restantes que se haviam lá sentado mudaram-se para o centro. Todavia, após o 9 Termidor de 1794 os membros da extrema esquerda foram excluídos e o método de cadeiras foi abolido. A nova Constituição incluiu regras para a assembleia que iria "acabar com os grupos do partido."[15]

No entanto, após a Restauração em 1814-1815 clubes políticos foram novamente formados. A maioria de ultra-monarquistas escolheram sentar-se à direita. Os "constitucionais" sentaram-se no centro, enquanto os independentes sentaram-se do lado esquerdo. Os termos extrema direita e extrema esquerda, bem como de centro-direita e centro-esquerda, chegaram a ser usados para descrever as nuances da ideologia de diferentes seções da montagem.[16]

Os termos "esquerda" e "direita" não foram usados ​​para se referir a uma ideologia política, mas apenas à localização das cadeiras no Legislativo. Depois de 1848, os principais campos opostos eram os democrático-socialistas La Montagne e os "reacionários" que usaram bandeiras vermelhas e brancas para identificar sua filiação partidária.[17]

Com o estabelecimento da Terceira República em 1871 os termos foram adoptados pelos partidos políticos: a esquerda republicana, o centro direita, centro esquerda (1871), a extrema esquerda (1876) e a esquerda radical (1881). A partir do início do século XX, os termos Esquerda e Direita passaram a ser associados a ideologias políticas específicas e foram usados para descrever crenças políticas dos cidadãos, substituindo gradualmente os termos "vermelhos" e "reação" ou "republicanos" e "conservadores". Em 1914, a metade esquerda da legislatura foi composta por socialistas unificados, republicanos socialistas e radicais socialistas, enquanto os partidos que foram chamados de "esquerda" agora se sentam do lado direito.[18]

Havia assimetria na utilização dos termos direita e esquerda pelos lados opostos. A Direita principalmente negou que o espectro Esquerda-Direita fosse significativo porque o viam como artificial e prejudicial à unidade. A Esquerda, no entanto, buscando mudar a sociedade, promoveu a distinção.[19] Como Émile Chartier observou em 1931, "Quando as pessoas me perguntam se a divisão entre partidos de direita e partido de esquerda, homens da direita e homens de esquerda, se ainda faz sentido, a primeira coisa que me vem à mente é que a pessoa que faz a pergunta não é, certamente, um homem de esquerda".[20]

Na França, a Esquerda tem sido chamada de "o partido do movimento" e a Direita de "o partido da ordem."[21] [22] [23] [24]

Os termos esquerda e direita vieram a ser aplicados na política britânica durante as Eleições gerais de 1906, que viu o Partido Trabalhista emergir como uma terceira força.[25] e no final de 1930 em debates sobre a Guerra Civil Espanhola.[26]

Marx no Manifesto do Partido Comunista, afirma que a classe média pertencia à direita.

"classe média - pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses - combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da história..".[27]

Os partidos políticos no espectro político[editar | editar código-fonte]

Os cientistas políticos têm observado que as ideologias dos partidos políticos podem ser mapeados ao longo de um único eixo esquerda-direita.[28] Klaus von Beyme categorizou os partidos europeus em nove famílias, que descreviam a maioria dos partidos. Ele foi capaz de organizar sete delas a partir da esquerda para a direita: comunismo, socialismo, política verde, liberalismo, democrata cristão, conservador e extrema-direita. A posição dos partidos étnicos e agrários variaram.[29] Um estudo realizado no final de 1980, considerando duas bases, as posições sobre a propriedade dos meios de produção e as posições sobre questões sociais, confirmou esta organização.[30]

Visão de Norberto Bobbio[editar | editar código-fonte]

Para o pensador italiano Norberto Bobbio o pós-União Soviética foi seguido com o aparecimento de algumas linhas que apontavam o fim da dicotomia direita-esquerda, mas para Bobbio no livro Direita e Esquerda - razões e significados de uma distinção política discorda de argumentos que preconizaram a perda de influência da polaridade direita - esquerda. Para o estudo de Bobbio as forças de direita e esquerda existem e movem a política e todas as relações de poder e cultura de boa parte do planeta.[31]

Uso na Europa Ocidental[editar | editar código-fonte]

Relevância dos termos hoje[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Knapp & Wright, p. 10
  2. Adam Garfinkle, Telltale Hearts: The Origins and Impact of the Vietnam Antiwar Movement (1997). Palgrave Macmillan: p. 303.
  3. "Left (adjective)" and "Left (noun)" (2011), Merriam-Webster Dictionary.
  4. Roger Broad, Labour's European Dilemmas: From Bevin to Blair (2001). Palgrave Macmillan: p. xxvi.
  5. JoAnne C. Reuss, American Folk Music and Left-Wing Politics, The Scarecrow Press, 2000, ISBN 978-0-8108-3684-6
  6. Van Gosse, The Movements of the New Left, 1950 – 1975: A Brief History with Documents, Palgrave Macmillan, 2005, ISBN 978-1-4039-6804-3
  7. Berman, Sheri. "Understanding Social Democracy". http://www8.georgetown.edu/centers/cdacs//bermanpaper.pdf. Retrieved on 2007-08-11.
  8. Brooks, Frank H. (1994). The Individualist Anarchists: An Anthology of Liberty (1881–1908). Transaction Publishers. p. xi. "Usually considered to be an extreme left-wing ideology, anarchism has always included a significant strain of radical individualism...
  9. The Concise Columbia Encyclopedia, Columbia University Press, ISBN 0-231-05678-8 "Fascismo, é a filosofia de governo que glorifica o nacionalismo, em detrimento do indivíduo. (...) O termo foi usado pela primeira vez pelo partido iniciado por Mussolini, (...) e também tem sido aplicado a outros movimentos de extrema-direita, como o nacional-socialismo na Alemanha e do regime de Franco, na Espanha."
  10. Anarcho-capitalism. The Encyclopedia of Libertarianism p. 13, escrito por Ronald Hamowy, SAGE
  11. Fritzsche, Peter. Germans into Nazis, Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1998; Eatwell, Roger, Fascism, A History, Viking-Penguin, 1996. pp. xvii-xxiv, 21, 26–31, 114–140, 352. Griffin, Roger, "Revolution from the Right: Fascism," in David Parker, ed., Revolutions and the Revolutionary Tradition in the West 1560-1991, London: Routledge, 2000.
  12. "Hayek, Friedrich, Why I Am Not a Conservative", in The Constitution of Liberty (1960) [1]
  13. Gauchet, p. 242-245
  14. Andrew Knapp and Vincent Wright. The Government and Politics of France. [S.l.]: Routledge, 2006. ISBN 978-0-415-35732-6
  15. Gauchet, p. 245-247
  16. Gauchet, p. 247-249
  17. Gauchet, p. 253
  18. Gauchet, p. 255-259
  19. Citando Lipset, "(...)historicamente é à Esquerda que interessa a distinção ideológica e não à Direita."André Singer. Esquerda e direita no eleitorado brasileiro: a identificação ideológica nas disputas presidenciais de 1989 e 1994. [S.l.]: EdUSP, 1999. p. 21. ISBN 978-85-314-0524-2
  20. Gauchet, p. 266
  21. Knapp & Wright, p. 10
  22. Adam Garfinkle, Telltale Hearts: The Origins and Impact of the Vietnam Antiwar Movement (1997). Palgrave Macmillan: p. 303.
  23. "Left (adjective)" and "Left (noun)" (2011), Merriam-Webster Dictionary.
  24. Roger Broad, Labour's European Dilemmas: From Bevin to Blair (2001). Palgrave Macmillan: p. xxvi.
  25. Gauchet, p. 287
  26. Charles Loch Mowat, Britain Between the Wars: 1918-1940 (1955) p 577
  27. MARX, K. e ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Parte I : Burgueses e proletários.
  28. Ware, pp. 18-20
  29. Ware, p. 22
  30. Ware, pp. 27-29
  31. BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda - razões e significados de uma distinção política. 3 edição/tradução Marco Aurélio Nogueira. São Paulo; Editora UNESP, 2011.ISBN 978-85-393-0081-5