Esquizoanálise

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O termo esquizoanálise vem do germânico skhízein (esquizo) que significa fender, dividido, dual, dualidade, e análise, que significa a divisão do todo em partes, exame de cada parte de um todo, processo filosófico por meio das relações entre os efeitos e as causas, o particular e o geral, o simples e o composto. A esquizoanálise também preocupa-se com os sujeitos, os grupos e as instituições, na sua composição com o mundo[1] .

A Esquizoanálise é uma teoria/prática que surgiu do encontro entre o filósofo Gilles Deleuze e o psicanalista Félix Guattari pós o movimento revolucionário “Maio de 68” na França. A primeira grande produção dessa parceria foi o livro “O Antí-Édipo” (1972) e entre as ideias centrais da obra está à crítica ao reducionismo psicanalítico ao aprisionar sempre as produções do inconsciente ao drama edípico.

A clínica na perspectiva “Esquizo” é um processo de análise dos modos de subjetivação de sujeitos e grupos em suas relações com instituições e o mundo. Uma clínica construtivista que tensiona as explorações sociais e afetivas operando na ordem das micropolíticas ao questionar nossas próprias ações, desconstruindo modelos de representação e ativando a potência revolucionária do desejo.

Essa “clínica das diferenças” contribui para a prática terapêutica com seus dispositivos de problematizações frente a discursos e saberes/fazeres instituídos que através de códigos de doenças formam a base do padrão clínico da medicina e psicologia clássicas. Para esta abordagem o sujeito deve estar além de seus diagnósticos e ainda considera que estes, por vezes, o impedem de usufruir plenamente de suas potências, pois os cristalizam a identidades pouco maleáveis. Ainda possibilita olhares e ações mais da ordem da experimentação do que interpretativa fundamentada em outros modos de singularização.

Desse modo, a Esquizoanálise também nos fornece ferramentas conceituais que podem ser acionadas por todos profissionais da saúde, teóricos em geral e psicólogos de diversas áreas, em uma concepção que visa à ética nas relações e deseja construir novos processos terapêuticos[2]

Conceituação[editar | editar código-fonte]

A cada momento, o ser humano é controlado por forças que se disputam suas intensidades na imanência biopolítica, as quais promovem encontros que ora cristalizam o sujeito nos seus valores e enunciados.

Desenvolvida por Gilles Deleuze e Felix Guattari, a Esquizoanálise é uma concepção da realidade em todas suas superfícies, processos e entes, e também nas suas individuações inventivas como acontecimentos-devires. Para esta concepção, a produção, o registro e o desejo revolucionários são imanentes e produtores de toda a realidade. Consiste em uma leitura da realidade, tanto natural, quanto social, subjetiva e industrial-tecnológica.

Vertentes[editar | editar código-fonte]

Esquizodrama[editar | editar código-fonte]

Baseado na Esquizoanálise de G. Deleuze e F. Guattari, assim como em filosóficas e artísticas de diversos autores, especialmente de Antonin Artaud, o Esquizodrama foi criado por Gregorio F. Baremblitt e colaboradores já faz quarenta anos, de acordo com um paradigma político-estético. Trata-se de um procedimento que pode ser utilizado em organizações, estabelecimentos e grupos , com finalidades terapêuticas, pedagógicas e organizativas, consubstanciadas em um propósito inventivo.

Doença x Saúde[editar | editar código-fonte]

A esquizoanálise é muito mais que uma prática clínica, sua intenção é romper com as barreiras da estrutura linguística dos saberes instituídos em troca de um saber subterrâneo ao qual Deleuze e Guattari chamaram de rizoma, termo extraído da botânica[3] . Daí que a esquizoanálise tem lugar somente em modelos de estudos que pretendam romper com o diagnóstico médico que através da patologização formam o modos operandi do fazer da medicina e psicologia clínica, "enquadrando" o sujeito em categorias básicas que o impedem de trocar informações com outros territórios e o cristalizam em uma subjetividade natural que não o pertence[4] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Autores relacionados

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. DELEUZE, G. e GUATTARI, F. Mil platôs, capitalismo e esquizofrenia volume 1. Editora 34: São Paulo. 2000
  2. BRUM, L. A Esquizoanálise e sua clínica das diferenças. Olhares PSI - Boletim Online. Fisma: Santa Maria, 2014
  3. DELEUZE, G. e GUATTARI, F. O anti édipo, capitalizmo e esquizofrenia 1. Assírio & Alvim: Lisboa. 2004
  4. GUATTARI, F. Caosmose, um novo paradigma estético. Editora 34: Rio de Janeiro. 2006