Essai sur l'inégalité des races humaines

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Essai sur l'inégalité des races humaines (em português, Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas) é um ensaio do conde Arthur de Gobineau publicado parcialmente em 1853, visando estabelecer as supostas diferenças que separam as raças humanas (branca, amarela e negra). Uma edição completa foi publicada pela primeira vez em 1855. Com seu livro, Gobineau inventou um dos grandes mitos do racismo contemporâneo: o mito ariano.

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Gobineau postula que nenhuma verdadeira civilização surgiu sem a iniciativa de pessoas da raça branca. Com este intuito, ele classifica (arbitrariamente) a composição racial de várias civilizações antigas: hindus (arianos), egípcios (arianos), assírios (arianos e semitas), gregos (arianos), chineses (arianos), romanos (celtas, celtíberos, arianos e semitas), povos germânicos do século V (arianos) e três civilizações americanas pré-colombianas: Alleghenys(?), incas e astecas (brancos).

Estes conceitos equivocados forneceram justificativas teóricas para as afirmações de vários grupos racistas quanto a supremacia da raça branca sobre as demais. Gobineau comparou o cérebro do homem nas diferentes etnias e assumiu que havia uma relação entre seu volume e o grau de civilização.

Segundo ele, a mistura de raças era inevitável, e levaria a raça humana a graus sempre maiores de degenerescência, tanto física quanto intelectual. É atribuída a Gobineau a frase "Eu não acredito que viemos do macaco mas creio que estamos indo nessa direção".

As teorias de Gobineau não eram totalmente novas, inserindo-se em uma discussão que tivera origem no humanismo renascentista e nas observações de cientistas à época dos grandes descobrimentos marítimos.

Não obstante, as idéias de Gobineau nunca ultrapassaram o plano filosófico. Saudoso de um suposto passado idílico da humanidade, uma mítica "Era de Ouro", procurava dessa forma explicar o que ele chamava de inevitável decadência da humanidade. Na contramão das idéias iluministas, segundo as quais o homem caminhava para o progresso, ele via a humanidade caminhando para o seu fim. Dessa forma, Gobineau jamais endossou ou prefigurou qualquer solução política para o problema das raças. Assim, manifestou seu desagrado quando os escravocratas norte-americanos procuraram valer-se de suas teorias para justificar a escravidão: "Que não contem comigo para explorar seus negros" (Correspondência,1854-1876, carta a Prokesh-Osten).

Influência[editar | editar código-fonte]

Igualmente não ficou só na sua posição, pois na mesma época do Essai homens como o compositor alemão Richard Wagner, o filósofo Friedrich Nietzsche, politicos como Houston Stewart Chamberlain, este nascido na Inglaterra e genro de Wagner, e Adolf Hitler aderiram ao que foi então chamado "gobinismo".

Somente a raça branca ou "Ariana", criadora da civilização, possuía as virtudes mais elevadas do homem: honra, amor à liberdade, etc., qualidades que poderiam ser perpetuadas apenas se a raça permanecesse pura. Em sua opinião os judeus e os povos mediterrâneos haviam degenerado devido a muita miscigenação ao longo da história. Somente os alemães haviam preservado a pureza ariana, mas a "evolução"(embora essa palavra fora do contexto das ciências naturais não é considerada como científica) do mundo moderno os condenava também aos cruzamentos interraciais e a degenerescência simiesca(retrocesso evolutivo).

Os Arianos[editar | editar código-fonte]

O povo ariano teria habitado um ponto da Ásia, basicamente o Cáucaso e a região montanhosa da Pérsia central. A evidência de sua existência eram as raizes fonéticas das línguas faladas nessas regiões, remanescentes do que teria sido a língua Indo-Europea. Foi encontrada também uma inscrição do século V antes de Cristo do rei persa Darío (522-486 BC), onde declara ser rei dos persas e "da raça ariana". A palavra seria originalmente "Ayia, significando "livre", nobre" "firme" e dela deriva a palavra Irã, hoje o nome do país que foi a antiga Pérsia. Heródoto, referiu-se aos povos do Irã ( antiga Pérsia) como arianos. A partir dessa região original, o platô iraniano, teriam conquistado o norte da Índia ao Sul e regiões da Europa, ao norte. Na Índia resultou uma divisão entre a cultura ariana no norte e a cultura dravidiana ao sul, algo hostis uma com a outra.

Reações ao Essai sur l'Inegalite des Races Humaines[editar | editar código-fonte]

As teorias de Gobineau foram em geral bem recebidas, e se tornaram de certo modo populares nos países europeus. Os povos que ele discriminara pouco reagiram, e os comentaristas da correspondência por ele mantida com Dom Pedro II não aludem ao que o monarca teria dito em resposta às queixas do francês, ou mesmo como crítica às suas idéias. Fora do Brasil, um enérgico protesto veio do Haiti, um país de população quase cem por cento negra, e que, como todos os países africanos e afro-americanos, sentiu-se humilhado com a nova filosofia racista da superioridade racial. Anténor Firmin, um afro-haitiano, publicou em Paris, em 1885, portanto apenas três após a morte de Gobineau, um monumental ensaio em francês, de 650 páginas, cujo título é uma paródia ao ensaio de Gobineau: L'Egalite des Races Humaines ("A igualdade das raças humanas"). O livro salienta as conquistas da cultura negra desde o Egito antigo e os países do vale do Nilo, Sudão e Etiópia, até a primeira "República Negra" do Haiti, como evidência do potencial dos povos africanos.

Joseph-Antenor Firmin foi jornalista, escritor, advogado e ministro das relações exteriores do presidente Hyppolite no Governo do Haiti. Um rebelde em certa época na história de seu país, foi exilado em St. Thomas, nas ilhas Virgens, território norte americano. Além da obra em resposta a Gobineau, publicou em 1905, um livro de grande repercussão, sobre o presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, nas relações com a República do Haiti, profetizando uma intervenção americana que mais tarde de fato aconteceu.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Essai sur l'inégalité des Races humaines, 1854. Paris, 1933.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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