Estádio Moisés Lucarelli

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Moisés Lucarelli (Majestoso)
Estádio Moisés Lucarelli
Fachada do Estádio Moisés Lucarelli.JPG
Fachada do estádio
Nomes
Nome Estádio Moisés Lucarelli
Apelido Majestoso
Características
Local Campinas, SP, Brasil
Gramado Grama natural (105 x 68 m)
Capacidade 20.970 pessoas [1]
Construção
Data 1947
Inauguração
Data 12 de setembro de 1948 (65 anos)
Partida inaugural Ponte Preta 0x3 XV de Piracicaba
Primeiro gol (Sato) XV de Piracicaba
Recordes
Público recorde 37.274 (34.985 pagantes)
Data recorde 1º de fevereiro de 1978
Partida com mais público Ponte Preta 1x3 São Paulo
Outras informações
Remodelado 2005
Proprietário AA Ponte Preta
Administrador AA Ponte Preta
Mandante AA Ponte Preta
Red Bull Brasil

O Estádio Moisés Lucarelli é o estádio pertencente à Associação Atlética Ponte Preta. Localiza-se na cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo, Brasil, tendo sido inaugurado em 12 de setembro de 1948 com capacidade para 35 mil espectadores, construído com doações de material feitas por aficionados do clube em seis anos.[2]

Atualmente, teve a capacidade diminuída para cerca de aproximadamente 20 mil pessoas, a fim de proporcionar maior conforto e obedecer às novas determinações legais. Além da Ponte Preta, outro clube de Campinas, o Red Bull Brasil também manda seus jogos do Paulistão da Série A2 no estádio.

É possível que o seu recorde de público tenha sido no jogo entre Ponte Preta e Santos, em 16 de agosto de 1970, quando 33 500 espectadores pagaram ingressos para ver a vitória dos visitantes por 1 a 0. Porém, segundo historiadores, havia cerca de 40 mil torcedores dentro do estádio e mais quatro mil pessoas do lado de fora, sem conseguir entrar. No final desse campeonato paulista, a Ponte Preta conquistou o vice-campeonato.

Oficialmente, o maior público é da derrota por 3 a 1 da Ponte Preta para o São Paulo, em 1.º de fevereiro de 1978: 37 274 (34 985 pagantes).[3]

É conhecido pelos torcedores do clube como Majestoso, porque sua capacidade quando da inauguração em 1948 era na época a terceira maior do Brasil, perdendo apenas para o Pacaembu, em São Paulo e São Januário, no Rio de Janeiro.

O Moisés Lucarelli é um dos poucos estádios do Brasil construídos por seus próprios torcedores e homenageia Moysés Lucarelli (1900-1978), presidente do clube por muitos anos e idealizador do estádio, que angariou fundos entre associados e pessoas da comunidade. Lucarelli não queria ser o patrono do estádio, mas a diretoria aproveitou-se de uma viagem dele à Argentina para colocar seu nome e teve de acatar a homenagem — apesar de o nome do ex-presidente ser grafado com Y, o nome oficial do estádio é grafado com I.

Está localizado à Praça Dr. Francisco Ursaia, 1900 (número escolhido por ser o ano de fundação do clube), em Campinas.

Imagens[editar | editar código-fonte]

Estádio Majestoso antiga.jpg





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História de Moysés na Ponte Preta[editar | editar código-fonte]

O sonho pontepretano de construir seu próprio estádio de futebol começou a ser perpetuado pelas mãos de um dos principais dirigentes da história do clube: Moysés Lucarelli (ou Moisés), o homem que uniu toda uma cidade em torno do objetivo de construir o Majestoso, hoje um dos maiores palcos do esporte da bola em todo o Brasil. Nascido em Limeira, dia 4 de Fevereiro de 1900, Moysés Lucarelli mostrava-se dinâmico e acima de tudo um apaixonado pelo clube, ao aceitar o desafio de erguer o estádio. Conseguiu, depois de muitas dificuldades com as irrisórias contribuições provenientes da venda de títulos de sócios. Na época o futebol não apresentava ainda características empresariais. Para que os trabalhos fossem acelerados e executados ao seu gosto, Lucarelli insistia em fiscalizar os operários no próprio local das obras. Durante a construção, desrespeitando as recomendações médicas, chegava a permanecer dez horas por dia sob o sol, o que eliminou em pouco tempo cerca de 40 por cento da sua capacidade visual, através de úlcera nas córneas. Moysés Lucarelli, que jamais negou seu amor pela cidade e pela Ponte Preta, aos 17 anos iniciava sua história no clube, um time de apenas "11 camisas", como era chamada pejorativamente a equipe campineira. Logo assumiu o cargo de cobrador da associação que possuía cerca de 40 sócios. Aos poucos fez esse número crescer para que a Ponte pudesse se manter em pé.

Em 1922 assumiu a secretaria e, em 1930, tornou-se o homem mais importante do clube: foi um diretor sem pasta, mas sempre disposto a trabalhar e jamais deixou de alimentar o seu maior sonho, o de construir um estádio, a chamada casa da Ponte Preta. Ele nunca chegou ao cargo de presidente, porém marcou a história como nenhum outro que tenha ostentado a "faixa" no peito.

Moysés jamais escondeu um outro orgulho como dirigente de futebol: junto com Roberto Gomes Pedroza e Gerolamo Ometo, entre poucos outros, foi criador da Lei de Acesso no futebol paulista, em 1947, medida pioneira no futebol brasileiro e que foi implantada a partir de 1948. Em 1960 mesmo percebendo que a Ponte estava descendo para uma divisão inferior, ele pregou com sua autenticidade a manutenção das regras. Aos amigos no clube, disse que no dia em que a Lei do Acesso terminasse, o futebol do interior iria morrer. Por isso a Ponte desceria de divisão e teria de lutar para retornar ao grupo principal. Em 11 de setembro de 1975, quando a Ponte completou seu Jubileu de Diamante, o comerciante e industrial aposentado - era proprietário de uma fábrica de fogões - Moysés Lucarelli, concedeu uma de suas ultimas entrevistas ao Correio Popular. Faleceu dia 24 de março de 1978 na cidade de Campinas, aos 78 anos, e foi enterrado no Cemitério da Saudade.

O início da construção de um sonho[editar | editar código-fonte]

Entrevista para a Revista do Jubileu, Jornal Correio Popular em 1975

“Moisés Lucarelli sou eu. Está vendo este recorte de jornal? É o que tenho da Ponte. Mas vou te contar a história todinha.

O meu caso na Ponte é o seguinte: é uma história muito comprida... Eu morava perto da Ponte, tinha uns 10 anos e era apaixonado pela Ponte; eu sempre fui Ponte Preta, fiz de tudo, fui cobrador da Ponte no tempo em que a mensalidade era 300 réis e só tínhamos 38 sócios. Teve tempo que os jogadores que eu pegava em São Paulo ficavam morando em minha casa, porque a Ponte não tinha recursos. Mas eu nunca fui presidente da Ponte, sabe?

Você veja onde está minha vaidade: eu tive audácia, muita audácia para construir o estádio. E veja quem eu sou. Minha loja ficava no centro de Campinas, eu tinha uma loja em São Paulo e tinha uma fábrica de fogões elétricos. Com a II Guerra Mundial ganhei muito dinheiro com a loja de São Paulo. Mas era isso: eles chegavam aqui e diziam: – Senhor Moisés, o senhor vai ser o presidente. Mas eu nunca aceitei. Mas eu meti, sempre me meti, e botei o José Cantúsio como presidente. Eu assinava os títulos da Ponte, eu legalizava os conselheiros da Ponte Preta, eu pus todo pessoal do Conselho. Naquele tempo era amador ainda. Fomos jogar em Limeira, começou tudo aí. Então eu vi o campo de capim barba-de-bode. E nós tínhamos um bom time. Mas, aí eu estava falando mal do campo para o Cantúsio – ainda por cima estava todo molhado – e chegou um deles e disse: – Você tá reclamando, mas você não tem nem isso, disse na mina cara, se vocês tivessem pelos menos um campinho barba-de-bode.

Passou. Fui jogar no Guarani, naquele tempo o Guarani era de morte. Eu vi que o campo lá estava com a grama muito alta no dia do jogo Ponte Preta e Guarani, eu falei: – Puxa vida, pelos menos deviam cortar um pouco essa grama. E um jogador deles me disse: – Se vocês estão achando ruim, por que não arranja um campo que nem esse? Eu levava tudo na cara.

Porque a Ponte Preta éramos eu e o Cantúsio. Isto não é vaidade. Jogamos no Brasil inteiro e vou te contar uma coisa. Eu disse para o Cantúsio: – Zé, temos que fazer um estádio. Não dá mais para agüentar essas coisas jogadas na cara assim desse jeito. Qualquer um me joga isso que não temos nada na cara. Então vamos comprar um terreno, eu disse para ele. Só que aquilo lá era um buraco, lá onde está o estádio. Eu aterrei 8 metros, porque o terreno era torto.

A história é gostosa, né? Muito gostosa. Agora já não faço, estou com 80 anos. Tudo isso foi em 1940, eu cheguei e disse: – Precisamos fazer um campo para treinar, sabe? Aí eu fui lá e comprei o terreno. Por 50 contos. Depois pagamos mais 70 contos para completar o estádio. Eu dei 15 contos na época para comprar o terreno. Olha, eu não sou de ficar zangado com você, mas aí um dia fui intimado a prestar contas pra Ponte Preta, me jogaram na cara, não fui, é claro, me zanguei. Sabe, eu sou pelo homem, não sou pelo dinheiro, meu filho. Mas vamos à história. Então eu disse: – Vamos comprar, eu dou 15 contos, o Cantúsio era mais rico e eu disse para ele dar 20.

O Olímpio não tinha 15, mas eu dei os dele e ele ia me pagando 500 mil réis por mês. Eu dei 15, o Cantúsio 20 e o Olímpio 15. E olha, naquele tempo, 50 contos era muito dinheiro, muito dinheiro. Mas eu estava muito bem. Minha loja aqui em Campinas era a maior loja do interior, minha fábrica de fogões estava bem, minha loja em São Paulo em 1941 me deu algum dinheiro. Mas aí eu cheguei e disse: – Vamos passar o terreno para a Ponte Preta.

Fizemos a doação, fizemos a escritura, passamos tudo para a Ponte Preta. Fui conversar com um engenheiro, o Badaró, para se fazer uma planta para mandar para Prefeitura aprovar, mas aí discutimos muito. Ele acabou me convencendo a comprar mais um terreno, para o lado do morro, para ficar mais livre, para o campo não ficar encostado naquelas casas que tinham no alto do terreno, você vê que não tem nada atrás, o estádio ficou isolado, e nesse novo terreno gastamos mais 70 contos, tudo acabou por 120 contos, sabe lá o que era isso naquele tempo? Mas aí ficamos precisando de uma máquina de terraplanagem. Naquele tempo não tinha isso, não era como hoje. Então eu, como presidente da Comissão do Estádio, fui falar com o Fernando Costa, interventor do Governo Federal para o estado de São Paulo. E era o PTB que mandava.

Cheguei para ele e perguntei como é que eu arranjava uma máquina daquelas. E me arrumavam uma máquina para daí a 30 dias. Mas a terraplanagem levou dois anos, dois anos, que loucura. Tinha que aterrar tudo, e tirava terra do lado de lá a dinamite. Dinamite, que loucura, já viu isso? Tirar terra a dinamite? Tinha terra de lá e de cá, tinha que aterrar senão eu ficava sem campo para abrir. Mas a máquina só podia ficar 30 dias, e lá eu ia para São Paulo de 30 em 30 dias pedir para o Governo mais 30 dias. Eu larguei tudo, meus negócios, tudo, para fazer o estádio. Para chegar no fim e acontecer aquilo. Eu tinha uma comissão do estádio. Comissão, você sabe como é? Quer aparecer no jornal, dar entrevista na rádio. Eu nunca fui disso, tenho um temperamento forte, eu xingo, eu falo o que é. Então eu falava para Comissão pró- Estádio, tinha cinco ou seis, o que eu queria, como ia ser. Quando passaram os dois anos de terraplanagem, eu fui ao Banco Noroeste.

Fui pedir 400 contos para começar a obra. Em 1942 era muito, muito dinheiro. Foi aí que eu inventei vender cadeira vitalícia, fui eu que inventei, vendia a 100 mil réis para chegar aos mil contos. Mil contos, era uma enorme fortuna na época. Resolvi chegar para comissão e dar duro neles, ninguém se mexia, aquilo estava me enchendo, e saí com listas por aí. Dá 20 mil réis que vou construir o estádio. Quando arrumei o dinheiro no Banco, cheguei e disse: – Tá aqui o título bancário, eu aceitei o título como presidente da comissão. Sabe o que quer dizer endossado? Pois é, tá aqui 90 mil. Eu devo. E você, fulano? E só vinha desculpa. Eles me diziam: é Moisés, eu tenho sócio na firma, outro dizia: sou empregado e minha firma não permite que eu endosse empréstimos, e finalmente outros diziam: minha mulher não quer, você sabe, Moisés. É isso, então vai tudo a m....

Arrumei inimigos dentro da Ponte, mas limpei tudo e continuamos com outros, e acabamos fazendo o estádio. Lá no Guarani não tenho inimigos, sou muito homenageado lá, fico até envergonhado, nunca fui nada do Guarani. Mas naquele tempo teve um diretor do Guarani que se virou para mim e disse: – Moisés, quando nascer pêlo na minha mão você vai terminar o estádio. E terminamos. Ele não acreditava, lá no estádio não tem nenhum metro de madeira, é tudo cimento armado. Mas fiquei cego naquela obra. Eu fiquei que era só Ponte Preta, fechei minhas lojas, fechei minha fábrica. Eu vivia na obra, chegava às sete no meu Oldsmobille.

Quanto vocês querem, eu perguntava para os fornecedores, 200 contos? Marca aí, faço qua- tro duplicatas, eles pegavam as duplicatas e descontavam nos Bancos. Eu dizia para minha mulher: olha eu morrendo. Eu vendia meus bens para pagar as dívidas da Ponte Preta.“

Divulgação da grandiosa obra da época[editar | editar código-fonte]

A construção do estádio, as doações, as datas importantes, as comissões, os beneméritos, todas estas informações estão no segundo volume da História da Associação Atlética Ponte Preta, de Sérgio Rossi. Podemos dividir a imprensa da capital paulista em duas, uma meio desconfiada do empreendimento, achando que não existiria prazo para o final das obras, e, do outro lado, o jornal "A Gazeta", que, como mantinha um correspondente na cidade, o jornalista Ferdinando Panattonni, possuía informações mais concretas sobre as obras.

Em São Paulo, o estádio logo recebeu o apelido de Pacaembu do interior – vale lembrar que o estádio da Ponte Preta seria o maior estádio particular do estado de São Paulo.

Já a imprensa da capital federal foi muito feliz na cobertura da construção – em 1944 aparecem as primeiras matérias, com o empreendimento dos pontepretanos retratado com muito realismo. Para os cariocas, a Associação Atlética Ponte Preta seria um exemplo para o esporte nacional. Encontramos na pesquisa em jornais do Rio de Janeiro sempre a mesma tendência de admiração, respeito e confiança no trabalho da nação ponte- pretana, e, como a imprensa da capital federal era base para outros jornais pelo país, a construção do estádio foi matéria de norte a sul do Brasil.

Um outro momento importante na arrecadação de fundos para as obras do Majestoso foram, sem dúvida, os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944. Naqueles dias a Ponte Preta realizaria um incrível momento cultural no Teatro Municipal de Campinas, 11 aproveitando-se da Lei Municipal no 512, que cedia o teatro para se realizarem festivais beneficentes.

A Veterana campineira, em 26 de junho de 1944, protocolou junto da Prefeitura Municipal de Campinas um pedido de cessão do Teatro Municipal. Pedido aceito pela Diretoria de Expediente, a Ponte Preta organiza e divulga suas festividades culturais.

O presidente da Ponte Preta, então o Dr. Francisco Ursaia, organiza o programa para os dias 21, 22 e 23 de julho de 1944, que seria o seguinte: apresentação em três após das peças Jangadeiro, texto original de Raymundo de Menezes, e Amigo Tobias, original de João Luzo.

Elenco de Jangadeiros: Baraúna Paulo Salles Iraússa Oswaldo Canechio (Badú) Rocinha Zerita Vaz Raymundo João Vaz Das Dores Aparecida Fortes Benta América Fortes Elenco de Amigo Tobias: Tobias Paulo Salles Maméde João Vaz Adelaide América Martins Ciprianno Antônio Jarui Maria Branca Monteiro Clara Zerita Vaz João Olavo Bilac. As duas peças teatrais foram montadas com muito luxo e apurada cenografia.

Durante os intervalos, as músicas estiveram a cargo de uma orquestra sob regência do maestro Salvador Bove. A Ponte Preta contratou a companhia de teatro Escola Paulo Salles e também estabeleceu convênio com o Serviço Nacional de Teatro do Ministério da Educação. A iniciativa cultural da Associação Atlética Ponte Preta acabou por merecer elogios do presidente Getúlio Vargas em nota quando da assinatura do convênio entre Ponte Preta e Ministério da Educação.

O programa continua, agora com música. Vejamos o que a Ponte Preta escolheu: abertura da ópera Loshiavo, de Carlos Gomes, Marcha nupcial, de Wagner, e a canção A casa brasileira onde nasci, de Lima Pesce. Foram três dias magníficos para a Ponte Preta. Nestes mais de cem anos de futebol no país, poucas vezes vimos iniciativas como esta. A Veterana sempre inovou, nunca gostou da regularidade maçante; ela precisa respirar, inovar, fazer crescer, entrar em contato com sua gente, desde o mais humilde até aquele erudito.

Essa facilidade de se aproximar de todas as classes sociais fez da Ponte Preta um clube único no interior do Brasil. Julho de 1944 ficará marcado como o mês em que a Ponte Preta, em prol da construção de seu estádio, fez do Teatro Municipal de Campinas, de saudosa memória para muitos, seu campo, seu palco. Da cultura nasceu uma epopéia, a construção do Majestoso; teatro, ópera, música erudita e música brasileira, parece até que o programa foi escolhido para espelhar nossa torcida, com diversidade e, ao mesmo tempo, unicidade. Bravo, Veterana! Na verdade, a ligação entre a Ponte Preta e o teatro faz parte da história da associação – em várias oportunidades o salão nobre do Majestoso foi palco de inúmeras peças.

O estádio erguido pela própria torcida...[editar | editar código-fonte]

Talvez uma das páginas mais emblemáticas da história da Ponte Preta, seja o momento da construção do Estádio Moisés Lucarelli. O único patrimônio do clube era sua sede no centro da cidade. Nesse período, a Ponte mandava seus jogos no campo da Mogiana, e pouco antes chegou a mandar jogos no campo de seu rival Guarani. Ou seja, a Ponte sempre jogava em território inimigo, mesmo quando era mandante.

Esse panorama fez com que houvesse um movimento é motivo de orgulho para todos que participaram, ou que apenas torcem pelo time: a torcida e alguns empresários da época, organizaram-se num sistema de multirão, e conseguiram o terreno, o material e, principalmente, a mão de obra voluntária para trabalhar na construção do estádio, que foi, literalmente, erguido pela sua torcida. Essa empreitada custou caro para alguns desses empresários, como o próprio Moisés Lucarelli, que teve sérios problemas financeiros, pois empenhou o seu próprio patrimônio para realizar o sonho de construir o estádio, sem falar que dedicou também seus melhores anos nessa empreitada.

Algumas campanhas que mereceram destaque na época foram a arrecadação, junto aos torcedores, de cerca de Cr$ 250 mil no ano de 1944 e a "Campanha dos Tijolos", que arrecadou 250 mil tijolos em apenas dois meses no ano de 1946. O começo das obras, depois da aquisição do terreno e terraplanagem do mesmo, aconteceu em 1948, e já nesse ano, foi disputada a primeira partida, mas com o estádio inacabado. Contudo, o término do estádio aconteceu somente no ano de 1960, quando ele passou a ter a fachada que perdura até hoje. Foi o fim de um período de grande movimentação popular em favor do clube, algo de que poucas agremiações no mundo podem se orgulhar.

O sonho vira realidade[editar | editar código-fonte]

O trabalho gera riqueza, e o trabalho de milhares de mãos pontepretanas gerou um templo, palco Majestoso. Foram milhares de Josés, Joãos, Moisés, Franciscos, Paulos, Pedros, brasileiros, campineiros, estrangeiros, pontepretanos. Essa paixão nos remete a nossa mística a – torcida tem um time e, pelo time, assina um pacto silencioso e não escrito, que é uniforme na consciência e na memória coletiva da nação ponte-pretana. “Podemos ser diferentes, mas somos todos um”, pensamos sempre com o coração; emoção, fidelidade e fibra fazem parte de nossa mística. Que todo jogador que enverga nosso símbolo maior sobre o coração e pisa no gramado sagrado construído pelo nosso povo nunca se esqueça de nossa mística: “coração, fidelidade e fibra”.

Estes são nossos alimentos, nosso deleite é provar o gosto doce da vitória, é bater com força em nosso coração; a construção do Estádio Moisés Lucarelli faz parte de nossa mística, pra sempre Ponte Preta.

Referências

  1. CNEF da CBF (PDF) (em português). Site Oficial da CBF. Página visitada em 09/03/12.
  2. "'Se Moysés pudesse, viria correndo'", Giuliander Carpes, O Estado de S. Paulo, 27/4/2008, pág. E2
  3. [Livro Ponte Preta, a torcida que tem um time (2010)]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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