Estação Ferroviária do Barreiro (Sul e Sueste)

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Barreiro (Sul e Sueste)
Barreiro Station Linha do Alentejo Outside.jpg
Inauguração 1884
Encerramento 14 de Dezembro de 2008
Linha(s) Linha do Alentejo (PK 0,0)
Coordenadas 38° 39′ N 9° 4′ W
Concelho Barreiro
Serviços Ferroviários Abatida ao serviço

A Estação Ferroviária do Barreiro, originalmente conhecida como Estação do Caminho de Ferro Sul e Sueste, e também denominada de Estação de Barreiro-Mar, foi uma infra-estrutura ferroviária da Linha do Alentejo, que servia de interface entre os vários serviços ferroviários ao Sul do Rio Tejo com os transportes fluviais para Lisboa, em Portugal.

Características e serviços[editar | editar código-fonte]

Caracterização física[editar | editar código-fonte]

Projectada pelo engenheiro Miguel Pais, a estação conjuga as estéticas Romântica, patente na decoração marítima e vegetalista da fechada poente, em estilo neo-manuelino, e industrial, aparente nos materiais e na forma funcional como a fachada Sul se encontra estruturada.[1]

Em 2004, dispunha de um serviço de apoio ao público da Rede Ferroviária Nacional, e de 4 vias de circulação, aonde se podiam efectuar manobras.[2]

Serviços[editar | editar código-fonte]

Esta estação servia como interface terminal para os comboios da região ao Sul do Rio Tejo, e como porto fluvial de passageiros e mercadorias, com ligações a Lisboa.[3] [4] Foi abatida ao serviço, com a construção da nova Estação do Barreiro, em 2008.[5] [6]

História[editar | editar código-fonte]

Gare de passageiros da estação.

Planeamento, construção e inauguração[editar | editar código-fonte]

A primeira estação do Barreiro foi inaugurada em 1861 pela Companhia Nacional dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo, para servir de interface de passageiros e mercadorias entre as composições vindas do Caminho de Ferro do Sul (mais tarde integrado nas Linhas do Alentejo e Sul) e os barcos que faziam a travessia do Rio Tejo, até Lisboa.[7] No entanto, esta estação situava-se demasiado longe do Cais do Mexilhoeiro, aonde os barcos atracavam, tendo a travessia de ser feita a pé.[7] [8]

Para resolver este problema, foi construída, em 1884, já após a fusão das companhias dos Caminhos de Ferro ao Sul do Tejo e de Sueste, uma nova interface, denominada de Estação do Caminho de Ferro Sul e Sueste; esta nova gare dispunha de cais próprios para os barcos, facilitando o processo de transbordo.[1] A ligação ferroviária entre ambas as infra-estruturas foi aberta à exploração em 20 de Dezembro do mesmo ano.[9]

A estação na transição para o Século XX[editar | editar código-fonte]

Em finais do Século XIX, a estação e os armazéns respectivos sofreram obras de ampliação, devido ao facto de se recear que o Ramal de Cacilhas, então em projecto, provocasse uma redução do tráfego ferroviário.[4] Ainda assim, nos inícios do Século XX, a estação do Barreiro apresentava vários problemas estruturais, como o facto dos cais fluviais não disporem de qualquer protecção, sofrendo inundações frequentes nos dias de chuva; as mercadorias, por seu turno, tinham de ser embarcadas e desembarcadas num cais de pequenas dimensões, com apenas dois guindastes a vapor, e guardadas num armazém demasiado pequeno para as necessidades.[4] Além disso, estas infra-estruturas também serviam para a descarga de carvão, carris e de outros materiais, para os armazéns gerais.[4] Para aproveitar ao máximo o espaço disponível nos barcos, as recovagens e as mercadorias de pequena velocidade eram transbordadas no mesmo local, gerando vários extravios e outras irregularidades no serviço; para além disto, os cais fluviais e as linhas férreas não dispunham de uma identificação adequada do seu uso, o que complicava ainda mais as operações.[4] Estas deficiências encareciam a gestão do terminal, o que se reflectiu nos preços cobrados aos clientes.[4] Devido ao reduzido espaço disponível no local, só se podiam fazer pequenas ampliações, como a instalação de novos guindastes, que não logravam resolver os problemas da estação.[4] Por outro lado, a navegação junto à estação fazia-se com dificuldade, devido ao facto da água apresentar pouca altura em certos locais.[10]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em finais de 1902, foi efectuado um contrato com a empresa Siemens & Halske, para o fornecimento de energia eléctrica na estação e oficinas do Barreiro.[11]

Em 1903, realizaram-se novos trabalhos de ampliação[12] , e, em 1932, obras de melhoramento nesta estação.[13]

Em 1934, o acesso rodoviário foi melhorado devido à construção da Avenida dos Sapadores.[1] No dia 21 de Junho desse ano, realizou-se um comboio especial para a inauguração do troço até Santiago do Cacém da Linha de Sines, que começou e terminou no Barreiro.[14]

Em 1943, foram efectuadas obras de ampliação e remodelação.[1]

Declínio e encerramento[editar | editar código-fonte]

Estação Ferroviária do Barreiro (Sul e Sueste) vista da nova Estação Ferroviária do Barreiro.

Em 15 de Setembro de 1966, é suspenso o transporte de mercadorias por via fluvial entre esta estação e Lisboa.[9]

Com a construção de um novo terminal rodo-ferro-fluvial, em 1995, a estação perde alguma importância[1] , sendo abatida ao serviço em 14 de Dezembro de 2008, quando foi inaugurada a estação nova do Barreiro, como parte do projecto de modernização da Linha do Sado.[5] [6]

Em 2010, a Câmara Municipal do Barreiro comunicou a decisão de preservar e requalificar o antigo edifício da estação, destacando o valor simbólico desta infra-estrutura na história ferroviária da cidade; naquela altura, encontrava-se a ser elaborado, pela autarquia, um plano de urbanização, que poderia trazer alterações à zona da Estação.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Estação do Caminho de Ferro Sul e Sueste. Câmara Municipal do Barreiro. Página visitada em 5 de Outubro de 2010.
  2. Directório da Rede Ferroviária Portuguesa 2005. O Comboio em Portugal (13 de Outubro de 2004). Página visitada em 8 de Outubro de 2010.
  3. a b Autarquia quer preservar e dar vida a antiga estação de ferro fluvial desactivada. Sol (10 de Abril de 2010). Página visitada em 2 de Abril de 2012.
  4. a b c d e f g SOUSA, J. Fernando de. (16 de Dezembro de 1902). "O Serviço Fluvial do Sul e Sueste". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (360): 6, 8. Página visitada em 7 de Outubro de 2010.
  5. a b COSTA, Júlio (3 de Abril de 2008). REFER iniciou obras na Linha do Sado. Setúbal na Rede. Página visitada em 5 de Outubro de 2010.
  6. a b FERREIRA, Leandro (12 de Dezembro de 2008). Tracção eléctrica chega ao Sado a 14 de Dezembro. Transportes-XXI. Página visitada em 5 de Outubro de 2010.
  7. a b O Caminho de Ferro e o Barreiro. Reservas Museológicas Visitáveis. Página visitada em 5 de Outubro de 2010.
  8. Santos, 1995:108
  9. a b Cronologia. Comboios de Portugal. Página visitada em 5 de Outubro de 2010.
  10. SOUSA, J. Fernando de. (1 de Julho de 1903). "O Prolongamento do Barreiro a Cacilhas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (373): 3, 4. Página visitada em 7 de Outubro de 2010.
  11. (1 de Dezembro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (359): 22. Página visitada em 7 de Outubro de 2010.
  12. (1 de Outubro de 1903) "Parte Official". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (379): 22. Página visitada em 7 de Outubro de 2010.
  13. SOUSA, J. Fernando de. (1 de Março de 1934). "Direcção Geral de Caminhos de Ferro". Gazeta dos Caminhos de Ferro 47 (1109). Página visitada em 7 de Outubro de 2010.
  14. ORNELLAS, Carlos de. (1 de Julho de 1934). "Inauguração do Troço da Linha Férrea de Sines, entre o Túnel e S. Tiago de Cacém". Gazeta dos Caminhos de Ferro 47 (1117): 327-331. Página visitada em 7 de Fevereiro de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SANTOS, Luís Filipe Rosa. Os Acessos a Faro e aos Concelhos Limítrofes na Segunda Metade do Séc. XIX. Faro: Câmara Municipal de Faro, 1995. 213 p.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]