Estação Ferroviária de Lisboa-Santa Apolónia
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| Inauguração | 1 de Maio de 1865 |
| Linha(s) | Linha do Norte |
| Concelho | Lisboa |
| Coroa | L |
| Serviços Ferroviários | Intercidades, Alfa Pendular,Internacional, InterRegional, Regional e Urbano (Linha da Azambuja) |
| Serviços | |
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A Estação Ferroviária de Lisboa-Santa Apolónia, mais conhecida como Estação de Santa Apolónia, é uma interface ferroviária da Linha do Norte, que serve a localidade de Lisboa, em Portugal; foi inaugurada em 1 de Maio de 1865.[1]
Índice |
[editar] Características
[editar] Localização e acessos
Situa-se na cidade de Lisboa, com acesso pela Avenida Infante Dom Henrique.[2]
[editar] Enquadramento
Faz parte de um conjunto de quatro terminais no Centro de Lisboa, terminais das ligações radiais:
- Lisboa Rossio (terminal das linhas de Sintra e Oeste)
- Lisboa Sul e Sueste (terminal das linhas do Sul e do Sado)
- Lisboa Cais do Sodré (terminal da linha de Cascais)
- Lisboa Santa Apolónia (terminal da linha do Norte)
Os quatro terminais não se encontram ligados directamente entre si por intermédio de uma rede ferroviária, originando uma descontinuidade da rede ferroviária de Lisboa. Para colmatar esta descontinuidade, existem linhas de transportes urbanos que permitem a ligação directa entre os quatro terminais. Estas linhas são operadas pela Carris ou pelo Metropolitano de Lisboa:
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- Santa Apolónia <> Sul e Sueste - Carris ou Metropolitano de Lisboa
- Santa Apolónia <> Rossio - Metropolitano de Lisboa
- Santa Apolónia <> Cais do Sodré - Carris
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As ligações do Metropolitano de Lisboa são operadas pela linha azul e as da Carris através da Ponte-Bus Santa Apolónia <> Cais do Sodré. Ressalva-se ainda a possibilidade de fazer a articulação entre Santa Apolónia e Rossio através da carreira 759 da Carris.
[editar] Caracterização física
[editar] Arquitectura
A fachada principal, simétrica, apresenta-se do estilo neoclássico, como pode ser comprovado pela decoração das sacadas, pelo frontão e arquitrave, os arcos de volta perfeita e a saliência no módulo principal.[3] A nave da estação tem 117 metros de comprimento, 24,60 metros de largura e uma altura máxima de 13 metros.[1] Os materiais utilizados na sua construção foram alvenaria de tijolo, cantaria de calcário, ferro forjado, madeira (pinho) e vidro.[3]
[editar] Vias e gares
Em Janeiro de 2011, encerrava 6 vias de circulação, com comprimentos entre os 250 e 335 metros; as plataformas tinham entre 172 e 348 metros de comprimento, e uma altura de 60 a 70 centímetros.[4]
[editar] Serviços
Actualmente servida pela transportadora ferroviária nacional portuguesa, Comboios de Portugal, é ponto de partida e chegada de diversos comboios nacionais:
- Alfa Pendular
- Intercidades
- InterRegional
- Regional
- Urbano da CP Lisboa Lisboa Santa Apolónia - Castanheira do Ribatejo
É também ponto de início ou fim dos comboios internacionais:
- Sud-Expresso - Lisboa-Guarda-Salamanca-Valladolid-Burgos-Hendaye, com ligação ao TGV até Paris
- Lusitânia Comboio Hotel - Lisboa-Cáceres-Madrid
No interior possui uma galeria comercial, um supermercado "Pingo Doce", alguns bares e um restaurante, um quiosque e uma agência de aluguer de viaturas.
No exterior, conta com ligação a diversos autocarros da Carris, bem como ao Metropolitano de Lisboa, ligando directamente esta estação a inúmeros locais da cidade. Existem, nas imediações, algumas mercearias, restaurantes, bares, uma farmácia, uma estação de correios e ainda o terminal de cruzeiros de Lisboa Santa Apolónia.
[editar] Transportes Urbanos em Santa Apolónia
- 28 Restelo ⇄ Portela, via Cais do Sodré
- 34 Santa Apolónia ⇄ Martim Moniz, via Graça
- 206 Cais do Sodré ⇄ Senhor Roubado ML, via Sapadores
- 210 Cais do Sodré ⇄ Prior Velho, via Poço Bispo
- 706 Santa Apolónia ⇄ Cais do Sodré, Circular via Praça do Chile - São Bento
- 712 Santa Apolónia ⇄ Alcântara Mar, via Marquês de Pombal
- 735 Cais do Sodré ⇄ Hospital de Santa Maria, via Sapadores
- 759 Restauradores ⇄ Estação do Oriente, via Chelas e Olivais
- 781 EXPRESSO Cais do Sodré ⇄ Prior Velho, via Olivais
- 782 EXPRESSO Cais do Sodré ⇄ Moscavide, via Cabo Ruivo
- 794 Sul e Sueste ⇄ Estação do Oriente, via Chelas
A rede de comboios Urbanos CP Lisboa serve as seguintes estações no seu percurso dentro de Lisboa:
- Lisboa - Santa Apolónia
- Braço de Prata
- Oriente
[editar] História
[editar] Planeamento
Em Dezembro de 1844, foi fundada, por iniciativa de José Bernardo da Costa Cabral, a Companhia das Obras Públicas, sendo um dos principais objectivos a construção de um caminho de ferro entre Lisboa e Espanha, e de uma interface ferroviária e marítima na capital portuguesa; esta estação, que seria denominada de Cais da América ou Cais da Europa, permitiria que os passageiros, vindos de toda a Europa por comboio, fizessem transbordo directo para um navio de cruzeiro com destino à América.[5]
O projecto inicial para a construção desta interface defendia a sua instalação no Cais dos Soldados; no entanto, em Dezembro de 1852, o engenheiro Thomaz Rumball proposto duas alternativas, junto à Fundição de Lisboa, ou nas proximidades do Largo do Intendente. Outro engenheiro, Harcourt White, também repudiou, em Janeiro de 1853, a opção do Cais dos Soldados, afirmando que não existia, naquele local, espaço suficiente para construir a Estação; em vez disso, sugeriu que fosse implantada junto ao rio, após a Igreja dos Anjos em Xabregas, aonde, naquela altura, existia muito espaço livre. Em 16 de Março, foi nomeada uma comissão executiva para planear a construção da estação de Lisboa, que propôs a instalação deste edifício na zona da Rocha do Conde de Óbidos, com capacidade para receber passageiros e mercadorias; uma das linhas continuaria até ás proximidades da alfândega de Lisboa, no Terreiro do Paço, aonde seria construída uma outra estação.[6] As obras de construção da ligação ferroviária até Espanha iniciaram-se nesse ano, por ordem de Fontes Pereira de Melo,[5]
A projecto definitivo para a construção no Cais dos Soldados foi aprovado pelo Governo em 8 de Março de 1854; este plano apresentava gares distintas para os passageiros e mercadorias, oficinas para reparação, cocheiras para albergar o material circulante, e várias vias de serviço. Para a sua construção, seria necessário demolir o Arsenal do Exército, para ser instalado, nesse local, o edifício de passageiros. Iniciava-se, desde logo, a construção de uma ligação ferroviária e de um cais marginal para mercadorias até à Alfândega de Lisboa, sendo, para isso, necessário ganhar terreno sobre o Rio Tejo.[7]
No entanto, quando se inaugurou o primeiro troço do Caminho de Ferro do Leste, entre o Carregado e Lisboa, em 28 de Setembro de 1856, ainda não se tinha iniciado a construção desta estação, tendo sido instalado uma, de carácter provisório, junto ao Palácio de Coimbra.[8]
[editar] Construção e inauguração
A construção da estação definitiva só se iniciou em Outubro de 1862[7]; o projecto foi realizado por Angel Arribas Ugarte, e a obra foi conduzida pelo engenheiro-director, João Evangelista de Abreu, e pelo engenheiro-chefe, Lecrenier.[1] A edificação foi leva a cabo pela empresa de construção Oppermann.[3] Foi inaugurada em 1 de Maio de 1865[1] com um só andar. Em 1908, é aprovado o projecto para a sua ampliação. A ligação à Linha de Cascais, embora planeada, nunca se chegou a realizar. Em 1873, entra ao serviço a primeira linha de carros americanos em Lisboa, ligando a Estação de Santa Apolónia a Santos.[9]
A estação está construída no local onde existiu o convento de Santa Apolónia.
[editar] Século XX
Acolheu, entre 1967 e 1989, o serviço internacional TER Lisboa Expresso, que fazia a ligação entre a capital portuguesa e Madrid.[10]
[editar] Século XXI
Em Dezembro de 2007, a estação passou a estar ligada à rede do Metropolitano de Lisboa (Linha Azul).
O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, defendeu, em 2008, que a estação deve encerrar a actividade ferroviária e passar a servir o terminal de cruzeiros.[11]
[editar] Referências literárias
Esta interface aparece várias vezes no romance Os Maias, de Eça de Queirós, sendo um dos locais principais nesta obra.[12]
[editar] Ver também
Referências
- ↑ a b c d Santos (1989), p. 328
- ↑ Lisboa-Santa Apolónia. Comboios de Portugal. Página visitada em 21 de Junho de 2011.
- ↑ a b c NUNES, Bruna; MASCOLI, Diana, e HENRIQUES, Rodrigo (Fevereiro de 2009). Estação de Santa Apolónia. Blog Arquitectura do Ferro. Página visitada em 12 de Fevereiro de 2010.
- ↑ (6 de Janeiro de 2011) "Directório da Rede 2012": 73. Rede Ferroviária Nacional.
- ↑ a b Martins et al, 1996:11
- ↑ Martins et al, 1996:26
- ↑ a b Martins et al, 1996:27
- ↑ Martins et al, 1996:15
- ↑ Martins et al, 1996:29
- ↑ Iglesias, Javier Roselló. (Março 1985). "El TER, Veinte Años Despues (y2)" (em Espanhol). Carril (11): 11. Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril-Barcelona.
- ↑ MATIAS, Leonor (18 de Abril de 2008). Costa defende fim de Santa Apolónia. Diário de Notícias. Página visitada em 05 de Junho de 2010.
- ↑ Queirós, 1998:323, 326, 485, 581, 582
[editar] Bibliografia
- MARTINS, João Paulo, BRION, Madalena, SOUSA, Miguel de, LEVY, Maurício, AMORIM, Óscar. O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. [S.l.]: Caminhos de Ferro Portugueses, 1996. 446 p.
- QUEIRÓS, Eça de. Os Maias. 5ª ed. Mem Martins: Edições Europa-América, 1998. 608 p.
- SANTOS, José Coelho. O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida, 1989. 387 p.