Estados shan

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Estados shan

Estados principescos

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1215 – 1557 Blank.png
Continente Ásia
Região Sudeste Asiático
País Myanmar, Tailândia, Laos
Capital Não especificada
Língua oficial shan, birmanesa
Religião Teravada, animismo
Governo Monarquia
Período histórico século XI – 1557
 • 1215 Fundação de Mogaung
 • 1287 Queda do Reino de Pagan
 • 1364 Invasões dos reinos de Sagaing e Pinya
 • 1527–1555 Governo shan da Alta Birmânia
 • 1557 Anexação pela Dinastia Taungû
Este artigo é sobre os históricos Estados shan birmaneses. Para os Estados shan siameses, veja Lanna, e para os Estados shan laosianos veja Lan Xang. Para o sucessor atual dos Estados shan birmaneses, veja Shan (estado).

Os Estados shan foram os Estados principescos que governaram grandes áreas da atual Birmânia (Mianmar), da província de Yunnan na China, Laos e Tailândia a partir do final do século XIII até meados do século XX. O termo "Estados shan" foi usado pela primeira vez durante o período colonial britânico como uma designação geopolítica para determinadas áreas da Birmânia (oficialmente, os Estados Federados Shan, compostos dos atuais estados Shan e Kayah). Em alguns casos, o termo Estados shan siameses foi usado para se referir a Lanna (norte da Tailândia) e Estados shan chineses para as regiões shan ao sul de Yunnan, tal como Xishuangbanna.

A primeira fundação dos Estados shan dentro dos limites atuais da Birmânia começou durante o período do Reino de Pagan nos montes Shan e Kachin e progrediu rapidamente após a queda do Reino de Pagan motivada pelas invasões mongóis em 1287. Os shans, que vieram junto com os mongóis, se estabeleceram e rapidamente passaram a dominar grande parte da região compreendida entre o norte e o leste da Birmânia, do norte do estado Chin e noroeste da Região de Sagaing até os atuais montes Shan. Os recém-fundados Estados shan eram Estados multi-étnicos que incluíam um número substancial de outras minorias étnicas, como os chins, palaungs, pa'Os, kachins e birmanes. Os mais poderosos Estados shan eram: Mohnyin (Mong Yang) e Mogaung (Kawng Mong) no atual estado de Kachin, seguidos por Theinni (Hsenwi), Thibaw (Hsipaw), Momeik (Mong Mit) e Kengtung (Keng Tung), no norte do atual estado Shan.[1]

Os Estados shan foram uma força dominante na política de Alta Birmânia ao longo dos séculos XIII até o XVI. Os mais fortes Estados shan, Mogaung, Mohnyin e Theinni, constantemente invadiam a Alta Birmânia. Mogaung acabou com os reinos de Sagaing e Pinya em 1364. Mohnyin liderou a Confederação dos Estados shan, que capturou o Reino de Ava em 1527 e governou a Alta Birmânia até 1555.

Porém, os Estados shan eram muito fragmentados para resistir à invasão dos vizinhos maiores. No norte, a China Ming anexou a atual Yunnan na década de 1380, terminando definitivamente com a resistência shan na década de 1440. No sul, a Birmânia capturou todos os Estados shan que se tornariam conhecidos como Estados shan birmaneses em 1557. Embora os Estados shan vivessem sob a suserania dos reinos birmaneses do vale do rio Irauádi a partir de então, os saophas (chefes) shans mantiveram um elevado grau de autonomia.

Sob a administração colonial britânica, os Estados Federados Shan foram constituídos por entidades nominalmente soberanas, cada uma governada por um monarca local, mas administrada por um único comissário britânico. Quando a Birmânia adquiriu sua independência em 1948, os Estados Federados Shan tornaram-se os estados Shan e Kayah da União da Birmânia com o direito de se separar da União. Porém, os Estados shan e os direitos hereditários dos saophas foram removidos pelo governo militar do general Ne Win em 1962.

História[editar | editar código-fonte]

Fundações[editar | editar código-fonte]

A primeira fundação dos Estados shan dentro dos limites atuais da Birmânia começou durante o período da dinastia de Pagan. O primeiro grande Estado shan foi fundado em 1215 em Mogaung, seguido por Mone em 1223. Eles eram parte da principal migração tailandesa que fundou o Reino de Ahom em 1229 e o Reino de Sukhothai em 1253.[2] A migração shan acelerou após os mongóis invadiram Pagan em 1287. Os shans, que vieram junto com os mongóis, se estabeleceram e rapidamente passaram a dominar grande parte da região compreendida entre o norte e o leste da Birmânia, do norte do estado Chin e noroeste da Região de Sagaing até os atuais montes Shan. Os recém-fundados Estados shan eram Estados multi-étnicos que incluíam um número substancial de outras minorias étnicas, como os chins, palaungs, pa'Os, kachins e birmanes.

Estados membros[editar | editar código-fonte]

A maioria dos Estados shan era constituída de apenas alguns pequenos principados organizados em torno da principal cidade da região. Eles jogavam um jogo precário de pagar fidelidade a Estados mais poderosos, às vezes simultaneamente. Os Estados menores, como Kale, Bhamo, Nyaung Shwe (Yawnghwe) Mobye (Mong Pai) juraram lealdade aos Estados shan mais poderosos como Mohnyin, Mogaung e Theinni. Os maiores Estados shan, por sua vez juravam fidelidade aos vizinhos maiores, como Ava e China.

Segue uma lista dos principais Estados shan.

Confederação dos Estados shan[editar | editar código-fonte]

Estados shan birmaneses aproximadamente em 1917.

A Confederação dos Estados shan foi um grupo de Estados shan, que conquistou o Reino de Ava em 1527 e governou a Alta Birmânia até 1555. A Confederação inicialmente consistia de Mohnyin, Mogaung, Bhamo, Momeik e Kale. Era liderada por Sawlon, o chefe de Mohnyin. A Confederação invadiu a Alta Birmânia ao longo do início do século XVI (1502-1527) e lutou uma série de guerras contra Ava e seu aliado, o Estado shan de Thibaw (Hsipaw). A Confederação finalmente derrotou Ava em 1527, e colocou o filho mais velho de Sawlon, Thohanbwa no trono de Ava. Thibaw e seus tributários Nyaungshwe e Mobye passaram a fazer parte da Confederação.

A Confederação aumentada estendeu a sua autoridade até Prome (Pyay) em 1533, derrotando o seu antigo aliado o Reino de Prome, porque Sawlon sentiu que Prome não forneceu ajuda suficiente em sua guerra contra Ava. Depois da guerra de Prome, Sawlon foi assassinado por seus próprios ministros, criando um vácuo na liderança. Embora o filho de Sawlon, Thohanbwa, tentou naturalmente assumir a liderança da Confederação, ele nunca foi plenamente reconhecido como o primeiro entre os iguais pelos outros saophas.

Uma confederação incoerente negligenciou em intervir nos primeiros quatro anos da Guerra Toungoo-Hanthawaddy (1535-1541) na Baixa Birmânia. Eles não avaliaram a gravidade da situação até 1539, quando Toungoo derrotou Hanthawaddy, e virou-se contra o seu vassalo Prome. Os saophas finalmente se uniram e enviaram uma força para auxiliar Prome em 1539. Porém, a força combinada não teve êxito em proteger Prome contra outro ataque Toungoo em 1542.

Em 1543, os ministros birmaneses assassinaram Thohanbwa e colocaram Hkonmaing, o saopha de Thibaw, no trono de Ava. Os líderes de Mohnyin, liderados por Sithu Kyawhtin, acharam que o trono de Ava era deles. Mas, mediante a ameaça de Toungoo, os líderes de Mohnyin aceitaram a liderança de Hkonmaing. A Confederação lançou uma grande invasão na Baixa Birmânia em 1543, mas suas forças foram rechaçadas. Em 1544, as forças de Toungoo chegaram até Pagan. A Confederação não tentaria outra invasão. Depois que Hkonmaing morreu em 1546, seu filho Mobye Narapati, o saopha de Mobye, tornou-se rei de Ava. A Confederação retomou sua força total. Sithu Kyawhtin criou um feudo rival em Sagaing e finalmente expulsou Mobye Narapati em 1552.

A Confederação enfraquecida demonstrou não ter condições de deter as forças de Toungoo comandadas por Bayinnaung. Bayinnaung capturou Ava em 1555 e conquistou todos os Estados shan em uma série de campanhas militares de 1556 a 1557.

Notas

  1. Jon Fernquest. (outono de 2005). "Min-gyi-nyo, the Shan Invasions of Ava (1524–27), and the Beginnings of Expansionary Warfare in Toungoo Burma: 1486–1539". SOAS Bulletin of Burma Research, Vol. 3, No. 2. ISSN 1479-8484.
  2. Htin Aung. A History of Burma. Nova York e Londres: Cambridge University Press, 1967. p. 66.