Estilo Luís XV

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O estilo Luís XV designa um estilo de decoração de interiores e mobiliário que se desenvolve a partir de França durante o reinado de Luís XV, entre aproximadamente 1730 e 1750-60 (não englobando todo o período do reinado até 1774). Este estilo é influenciado pelas linhas fluidas e graciosas do rococó e pelo seu repertório de motivos ornamentais, situando-se entre o estilo regência, onde já dá os primeiros passos, e o estilo Luís XVI, que se caracteriza por uma maior rigidez e austeridade. É considerado um dos estilos estéticos franceses de maior impacto, sendo, por isso, alvo dos mais diversos revivalismos ao longo do tempo.

De um modo geral, a estética vai estar ao serviço da mentalidade da época, da busca dos prazeres do quotidiano e intimamente ligado à figura feminina, a sua maior inspiração e a autoridade em matéria de decoração na corte. Provavelmente a figura de maior destaque no impulso das artes decorativas é Madame de Pompadour, amante do rei, que o incentiva a promover a produção artística, como no caso da oficina de porcelana de Vincennes (mais tarde Sevres) de onde originam muitas das peças usadas neste estilo.

Os interiores[editar | editar código-fonte]

Nos interiores, onde o salão se destaca como o espaço de eleição para estar em sociedade, o pé-direito reduz em altura e aplicam-se cores suaves e tons pasteis nas paredes. O mobiliário torna-se mais confortável pela redução para uma escala mais humana e as diferentes peças (agora de fácil transporte) espalham-se por todo o espaço, convidando ao relaxamento e à intimidade. O mobiliário, que agora não fica só encostado à parede, relegado para áreas de periferia, passa a ter um trabalho mais cuidado também nas faces traseiras que antes ficavam escondidas ao olhar. O acréscimo de riqueza no seio da burguesia introduz este estilo também nos interiores habitacionais da classe média

Caracterização formal do mobiliário[editar | editar código-fonte]

Cadeira em estilo Luís XV, Fauteuil à la reine com braços, estofos em tapeçaria de Beauvais com cenas inspiradas nas fábulas de La Fontaine.
  • Estrutura escultórica de linhas leves e curvas sinuosas, assimetria, fluidez, movimento e elegância. Alta qualidade de execução, trabalho cuidado na decoração e atenção ao pormenor.
  • Materiais: madeiras variadas (nogueira, faia, carvalho, pau-rosa, pau-roxo, pau-santo, pau-setim, amaranto), paineis de laca, placas de porcelana e mármore (para tampos), aplicação de bronzes.
  • Pintura e laca: utilizam-se paineis de laca oriental (ou a imitação designada Verniz Martin). Principalmente as cadeiras são pintadas, empregando-se menos a madeira dourada que no estilo anterior.
  • Elementos decorativos: fantasia de inspiração na natureza; desaparece a figura humana e animal em deterimento de motivos vegetais (flor com caule, de representação naturalista ou estilizada, sózinha, em ramos ou grinaldas, e folhagens retorcidas e enroladas); conchas, rochas, cristas de ondas (espuma); troféus (de música, etc); curvas em C e S; figuras geométricas; marqueteria de contornos sinuosos.
  • Tipologias: Proliferam móveis pequenos e para diferentes fins.
    • Cómodas (sem traves horizontais a separar as gavetas), toucadores, mesas com espelho (Poudreuse) etc;
    • Secretárias com inúmeras gavetas e compartimentos secretos, como Bureau-plat, Bureau-abattant, Bureau dos d’âne, Bureau à cilindre, Bonheur-du-jour (secretária de senhora) etc;
    • Mesas pequenas para escrever, jogar, costurar, etc;
    • Assentos estofados de diversas tipologias de acordo com a função: Fauteuil à la reine, de espaldar direito; Fauteuil en cabriolet, de espladar côncavo; Fauteuil à coiffer, com espaldar curvo no topo para permitir apoiar o pescoço e facilitar o acto de pentear; Fauteuil cabinet, cadeira curva para secretária masculina; Marquise, para duas pessoas; Chauffeuse, para sentar frente à lareira;
    • A partir dos lits de repos e canapés desenvolvem-se: chaise-longue, sopha, turquoise, duchesse (à bateau ou brisées), ottomane, paphose, veilleuse, etc.
  • Nomes de destaque: Em geral o trabalho artesanal das corporações deste período é de grande qualidade. Surgem os menuisiers, marceneiros que desenvolvem trabalhos em madeira maciça, onde se destacam Avisse, Tilliard, Foliot, Gourdin, Dellanois e Cresson. Continua-se também a tradição dos ebénistes para trabalhos de folheado (folha de madeira) e marqueteria em madeiras exóticas, onde se destacam Dubois, R. V. La Croix, Migeon e Oeben. No trabalho em bronze destaca-se Jaques Caffieri e nos trabalhos de laca, as famílias Martin (Verniz Martin) e Chavalier.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CALADO, Margarida, PAIS DA SILVA, Jorge Henrique, Dicionário de Termos da Arte e Arquitectura, Editorial Presença, Lisboa, 2005, ISBN 20130007
  • DOLZ, Renate, Möbel Stilkunde, Wilhelm Heyne Verlag, Munique, 1997, ISBN 3453130464

Ligações externas[editar | editar código-fonte]