Etelfleda

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Etelfleda
Æðelflæd
Senhora dos mércios
Myrcna hlæfdige
Æthelflæd as depicted in the cartulary of Abingdon Abbey.png
Etelfleda, no "Cartulário e Costumes" da
abadia de Abingdon, 1220.
Governo
Reinado 911-918
Antecessor Etelredo II
Sucessor Elfwynn
Casa Real Casa de Wessex(por nascimento)
Casa de Mércia(por casamento)
Vida
Nascimento 869 / 870
Morte 12 de junho de 918 (49 anos)
Tamworth, Staffordshire, Inglaterra
Sepultamento Igreja de São Pedro (atual priorado de São Osvaldo) em Gloucester
Filhos Elfwynn
Pai Alfredo, o Grande
Mãe Ealhswita

Etelfleda (em inglês antigo: Æðelflæd, também Aethelfled, Æthelfleda ou Ethelfleda, 869 / 870Tamworth, 12 de junho de 918) foi a filha mais velha do rei Alfredo, o Grande, de Wessex e de Ealhswita. Foi esposa de Etelredo, Ealdorman da Mércia, e após sua morte, governante da Mércia (911-918). A Crônica anglo-saxã a intitula de "Senhora dos mércios" (Myrcna hlæfdige).

Início de carreira[editar | editar código-fonte]

Etelfleda é mencionada pelo biógrafo do rei Alfredo, Asser, que a chama de primogênita de Alfredo e Ealhswith, e irmã de Eduardo, Etelgifu, Elfthryth e Etelweard.[1] Na época em que ele escreveu, aproximadamente em 890, ela já estava casada com Etelredo, então Ealdorman da Mércia.[1]

Eles tiveram uma filha, Elfwynn.

A Mércia e os vikings[editar | editar código-fonte]

Durante uma campanha sustentada de ataques repetidos entre 865 e 878, os vikings dinamarqueses invadiram a maior parte dos reinos ingleses, como a Nortúmbria, a Mércia Oriental, a Ânglia Oriental e ainda ameaçou a própria existência de Wessex. Alfredo e seus descendentes reconquistaram essas terras dos dinamarqueses em 937.[2] A ajuda dada a ele pela Mércia deve ser reconhecida. Em vez de fazer o domínio do reino de Wessex sobre a Mércia parecer uma conquista, Alfredo casou Etelfleda com Etelredo da Mércia, e deu a seu genro o título de Ealdorman, ou Conde da Mércia, permitindo assim, uma relativa autonomia desse território. Uma vez que grande parte da Mércia Ocidental nunca esteve sob o controle dos dinamarqueses, e manteve-se forte, esta foi uma decisão prudente. Tal prudência prevaleceu quando os reinos foram finalmente fundidos; não se fundiram com o nome de Wessex ou Grão-Wessex, mas deram origem à Inglaterra. O termo anglo-saxões, portanto, reflete a integração diplomática do rei Alfredo, dos anglos mércios com os saxões.

Senhora dos mércios (911–918)[editar | editar código-fonte]

Enquanto seu marido estava vivo, Etelfleda assinou acordos, levando alguns a pensar que ela era o verdadeiro líder. Com a morte do marido em 911, após a batalha de Tettenhall, Etelfleda foi elevada à posição de "Senhora dos mércios". Este título não era uma posição nominal; ela era uma líder militar e estrategista formidável. Governou por cerca de oito anos (de acordo com a Crônica anglo-saxã).[3]

Os acontecimentos de seu reinado são os melhores registrados na versão das Crônicas de Abington. As primeiras medidas consistem, principalmente, da construção de burhs (fortificações):

Posteriormente, esteve envolvida em expedições hostis:

Etelfleda morreu em Tamworth, em 918, e foi sepultada na Igreja de São Pedro (atual priorado de São Osvaldo) em Gloucester,[3] uma cidade que ela reconstruiu a partir de ruínas romanas, planejou suas vias principais, que existem até hoje. Foi sucedida como Senhora dos mércios por sua filha Elfwynn.

Elfwynn[editar | editar código-fonte]

O domínio da Mércia passou para Elfwynn, herdeira de Etelfleda. Os cronistas salientam o direito certo de Elfwynn ao trono, tão precisamente que é para não deixar dúvidas sobre o processo sucessório, e este fato é de grande importância para mostrar que, contrariamente à prática de outros povos germânicos, a autoridade soberana entre os anglo-saxões pode ser transmitida a um descendente do sexo feminino, ou, segundo a expressão anglo-saxã, que os franceses adotaram, "pender para o eixo".

Contudo, Elfwynn foi compelida a se submeter ao irmão de sua mãe, o rei Eduardo, o Velho de Wessex. A sucessão de Eduardo, concluiu a união dos dois reinos anteriormente separados, o de Wessex e o da Mércia e dá alguns sinais sobre o surgimento de uma Inglaterra unificada.

Neste caso, porém, o herdeiro mais fraco foi obrigado a ceder a um adversário mais poderoso, e alguém de quem não poderia temer qualquer inimizade. Elfwynn foi conduzida em cativeiro para Wessex três semanas antes do Natal de 919, por seu tio Eduardo, que estava envolvido em uma bem sucedida guerra contra os dinamarqueses; e na história, não se sabe mais nada sobre ela. Elfwynn parece ter vivido o resto de sua vida em um convento.

Cultura moderna[editar | editar código-fonte]

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Uma estátua dedicada a ela pode ser vista nos jardins do Castelo de Tamworth.

Referências

  1. a b Asser, Vita Ælfredi ch. 75.
  2. Paul Hill, The Age of Athelstan, Tempus Publishing, 2004. (ISBN 0-7524-2566-8)
  3. a b c d Anglo-Saxon Chronicle, ed. M. Swanton (Dent, London 1997), s.a. 911-918.
Fontes primárias

Wikisource  "Æthelflaed". Encyclopædia Britannica (11th). (1911). Ed. Chisholm, Hugh. Cambridge University Press. 

  • Asser, Vita Ælfredi, ed. W.H. Stevenson, Asser's Life of King Alfred. Oxford, 1904; tr. S.D. Keynes and M. Lapidge, Alfred the Great. Harmondsworth, 1983.
  • Crônica anglo-saxã (MSS A, B, C, D e E), ed. D. Dumville and S. Keynes, The Anglo-Saxon Chronicle. A Collaborative Edition. Vols. 3–7. Cambridge, 1983.
  • Fragmentary Annals of Ireland, ed. and tr. Joan N. Radner, Fragmentary annals of Ireland. Dublin, 1978.
  • Anglo-Saxon charters: S 221(AD 901), S 223 (AD 884 x 901), S 224 (AD 901), S 225 (AD 878 for 915), S 367 (AD 903), S 1280 (AD 904).
Fontes secundárias
  • Sir Francis Palgrave. History of the Anglo-Saxons. 1876. Paperback edition on Senate. p. 164.
Leituras adicionais
  • Costambeys, Marios. 2004. "Æthelflæd (d. 918)." In Oxford Dictionary of National Biography. Oxford University Press.
  • Wainwright, F.T. 1975. "Æthelflæd, lady of the Mercians." Scandinavian England. 305–24.
  • Wainwright, F. T. (1959). "Æthelflæd Lady of the Mercians". The Anglo-Saxons: Studies presented to Bruce Dickens. Ed. Peter Clemoes. London: Bowes and Bowes. 
  • Szarmach, P.R. 1998. "Æðelflæd of Mercia, mise en page." In Words and works: studies in medieval English language and literature in honour of Fred C. Robinson, ed. P.S. Baker and N. Howe. 105–26.
  • Keynes, Simon. 1998. "King Alfred and the Mercians." In Kings, currency and alliances: history and coinage of southern England in the ninth century, ed. M.A.S. Blackburn and D.N. Dumville. 1–46.
  • Ian W. Walker. 2001. Mercia and the Making of England.
  • Sir Frank Stenton. Anglo-Saxon England (2001)
  • Justin Pollard. Alfred the Great: the Man Who Made England (2005)
  • Don Stansbury. The Lady Who Fought Vikings (1993)
  • Jane Wolfe. Aethelflaed: Royal Lady, War Lady (2001)
  • C. Heighway and R. Bryant. The Golden Minster (1999)
Cultura popular