Etimologia dos nomes das unidades federativas do Brasil

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Esta é uma lista da etimologia dos nomes das unidades federativas do Brasil. Algumas são baseadas nas línguas tupi-guaranis, enquanto que outras se baseiam na língua portuguesa.

  • Acre - a partir de um erro de grafia de Aquiri, um rio da região (origem documentada); não é relacionado à unidade de medida territorial acre.
  • Alagoas - plural de "alagoa", que é uma variação de "lagoa".[1]
  • Amapá - do aruaque amapá, "fim da terra" (documentado no relato de sir Walter Raleigh sobre sua viagem às Guianas como "Terra da Amapaia").[carece de fontes?] Ou então derivado de ama'pá, nome da árvore apocinácea Parahancornia amapa[2] na língua geral setentrional.[3]
  • Amazonas - a partir do rio Amazonas, que, por sua vez, foi batizado por exploradores espanhóis que relataram ter encontrado mulheres guerreiras ao longo do rio e associaram-nas às amazonas da mitologia grega (cuja etimologia é controversa: supunha-se que extirpavam um dos seios para manejar melhor o arco. Por isso, em grego, seriam chamadas de a- mastos, "sem seios", mas não há comprovação iconográfica de tal teoria; atualmente, a etimologia mais aceita é a de origem iraniana ha-mazan, "lutando juntas".[4] )
  • Bahia - de bahia, a grafia arcaica de baía. É uma referência à Baía de Todos-os-Santos.
  • Ceará - do tupi sy ara (literalmente, "mãe da luz"), como se designava a luz do dia, por ser uma terra ensolarada de vegetação esparsa (logo, com poucas sombras).[carece de fontes?]
  • Espírito Santo - da devoção ao Espírito Santo
  • Goiás - dos goiases, uma tribo indígena da Região centro-oeste do Brasil.[carece de fontes?]
  • Maranhão - a partir da grafia hispânica Marañón, cognato de mpará-nã (em tupi, "rio largo", ou seja, mar),[carece de fontes?] em referência ao rio Amazonas, tão largo que, de uma margem, não se avista a outra. "Marañón" era como os espanhóis se referiam a toda a bacia amazônica no período colonial. Em português, também se apelida o rio Amazonas como "rio-mar". Apesar de o atual Maranhão não abranger o Amazonas, o nome recai sobre o estado porque, entre 1621 e 1709, todo o norte do Brasil foi agrupado sob o Estado do Maranhão, com capital em São Luís, a partir de uma iniciativa da administração espanhola sob a União Ibérica.
  • Mato Grosso - sentido literal, por causa da vegetação densa na região.
  • Mato Grosso do Sul - derivado do anterior, por ser a porção meridional (sul) que se separou em 1977.
  • Minas Gerais - sentido literal, por abrigar campos de extração de inúmeros minérios, principalmente ouro, diamante e ferro, além de gemas e pedras preciosas. A província era originalmente parte de São Paulo e era conhecida como "Terra dos Goytacazes/Goitacases", por referência aos índios antropófagos que habitavam a região.[carece de fontes?] No início do século XVIII, porém, exploradores começaram a encontrar ouro e outros minérios preciosos e houve um afluxo migratório (ciclo do ouro) na região. O episódio levou à Guerra dos Emboabas. Em 1709, a Coroa Portuguesa, estrategicamente, separou o território das Minas e o pôs sob seu controle direto ("Capitania de São Paulo e das Minas", depois "Capitania das Minas de Ouro" e, mais tarde, com o acréscimo de outros minérios, "Capitania das Minas Gerais"). Até hoje, a mineração é atividade de papel primordial no estado.
  • Pará - do tupi pará (rio [grande]), em referência ao estuário do rio Amazonas. "Pará" era o antigo nome do rio Amazonas.[5]
  • Paraíba - do rio homônimo que banha a capital do estado, João Pessoa. "Paraíba" vem do tupi antigo paraíba, que significa "rio ruim" (pará, "rio grande" + aíb, "ruim" + a, sufixo).[6]
  • Paraná - do termo da língua geral paraná, que significa "rio".[7]
  • Pernambuco - do tupi antigo paranãbuka, que significa "fenda do mar", "mar furado" (paranã (mar) + puka (fenda)), em referência a uma pedra furada por onde o mar entra.[8]
  • Piauí - do tupi antigo piaby, que significa "rio das piabas" (piaba, "piaba" + 'y "rio").[9]
  • Rio de Janeiro - sentido literal, por ter sido descoberto no dia 1º de janeiro de 1502 por Américo Vespúcio, e por julgar-se que a baía da Guanabara fosse a foz de um rio. Na geografia da época, os portugueses não distinguiam estuários de baías, além de estarem acostumados ao formato da baía do Tejo, em Lisboa, que se assemelha ao da Guanabara.
  • Rio Grande do Norte - sentido literal, sem que se saiba ao certo a qual rio da região se fazia referência. Mas há quem diga que o Rio Potenji, cuja foz de 650 metros de largura desemboca na capital Natal, seja o tal rio grande.
  • Rio Grande do Sul - sentido literal, por julgar-se que a Lagoa dos Patos, de formato longo e estreito, fosse um rio (de fato, abriga a foz do rio Guaíba). A lagoa foi o local do estabelecimento da primeira colônia portuguesa no estado, na atual cidade de Rio Grande.
  • Rondônia - em homenagem ao marechal Cândido Rondon, explorador da região.
  • Roraima - do ianomâmi roro imã, que significa "montanha trovejante".[carece de fontes?]
  • Santa Catarina - em homenagem a Santa Catarina de Siena, reverenciada por portugueses e espanhóis (o estado foi colonizado principalmente por açorianos).
  • São Paulo - assim batizado pelo colégio jesuíta de São Paulo de Piratininga. Durante os primeiros três séculos, a cidade era conhecida como Piratininga — que, por sua vez, deriva de pirá (peixe) + tininga (seco), donde "peixe seco", em referência ao rio Tietê — e a capitania como São Paulo. O uso do hagionímico para ambos só se consolidou no século XVIII.
  • Sergipe - do tupi´antigo seriîype, que significa "no rio dos siris" (seri, "siri" + îy, "rio" + pe, "em").[10]
  • Tocantins - do rio homônimo, que, por sua vez, vem da tribo indígena homônima que habitava o rio. Do tupi tukantim, que significa "bicos de tucanos" (tukana, "tucano" + tim, "bico").[11]
  • Distrito Federal - sentido literal, por ser esta unidade um distrito à parte da federação e, durante mais de um século (1889-1990), administrado diretamente pela União (Governo Federal).

Antigas unidades federativas[editar | editar código-fonte]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Entre os muitos tipos de topônimos que existem,[13] a tabela abaixo agrupa os topônimos das atuais unidades federativas segundo o que apontam quando suas etimologias encontram-se na língua portuguesa.

Tipo Quantidade Exemplos
Hidrotopônimos
(corpos d'água)
5 Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul
Cardinotopônimos
(pontos cardeais)
3 Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul
Hierotopônimos
(religião)
3 Espírito Santo, Santa Catarina, São Paulo
Fitotopônimos
(vegetação)
2 Mato Grosso, Mato Grosso do Sul
Antropotopônimos
(nomes de pessoas)
1 Rondônia
Etnotopônimos
(etnias)
1 Goiás
Poliotopônimos
(assentamentos humanos)
1 Distrito Federal
Topônimos em português não classificados 1 Minas Gerais
Topônimos de origem ameríndia 13 Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe, Tocantins

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 73.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 98.
  3. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 542.
  4. Dictionary.com (em inglês). Visitado em 13/06/2010.
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590.
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590.
  7. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590.
  8. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 592.
  9. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 592.
  10. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 597.
  11. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 603.
  12. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 567.
  13. SOUSA, Alexandre M. Geografia e Linguística: interseções no estudo toponímico. Visitado em 20 de abril de 2014.