Etimologia dos nomes das unidades federativas do Brasil

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Esta é uma lista das origens dos nomes das unidades federativas do Brasil (estados, Distrito Federal e antigos territórios). A maior parte deles é baseada na língua tupi-guarani ou língua brasílica, um idioma semi-artificial desenvolvido pelos padres jesuítas a partir de línguas nativas distintas para catequese dos indígenas e usado como língua franca no Brasil entre os séculos XV e XVIII. Uma minoria deriva de toponímicos e hagionímicos em língua portuguesa.

  • Acre - a partir de um erro de grafia de Aquiri, um rio da região (origem documentada); não é relacionado à unidade de medida territorial acre.
  • Alagoas - de alagoa, um campo alagado ou brejo.
  • Amapá - do aruaque amapá, "fim da terra" (documentado no relato de Sir Walter Raleigh sobre sua viagem às Guianas como Terra da Amapaia).
  • Amazonas - a partir do rio Amazonas, que por sua vez foi batizado por exploradores espanhóis que relataram ter encontrado mulheres guerreiras ao longo do rio e associaram-nas às amazonas da mitologia grega (cuja etimologia é controversa: supunha-se que extirpavam um dos seios para manejar melhor o arco por isso em grego seriam chamadas de a- mastos, "sem seios", mas não há comprovação iconográfica de tal teoria; atualmente, a etimologia mais aceita é a de origem iraniana ha-mazan, "lutando juntas"[1] ).
  • Bahia - de bahia, a grafia arcaica de baía. O nome real da província no período colonial era Bahia de Todos os Santos, por ter sido descoberta em 1º de novembro, Dia de Todos os Santos.
  • Ceará - do tupi sy ara (literalmente, "mãe da luz"), como se designava a luz do dia, por ser uma terra ensolarada de vegetação esparsa (logo, com poucas sombras).
  • Espírito Santo - sentido literal. Surge a partir da devoção a uma das pessoas da Trindade Santa de acordo com o cristianismo, isto é, uma das manifestações em substância de Deus, qual seja o Espírito Santo (veja Deus Pai, Deus Filho - Jesus Cristo -, e Espírito Santo de Deus).
  • Goiás - dos goiases, uma tribo do Centro-Oeste do Brasil.
  • Maranhão - a partir da grafia hispânica Marañón, cognato de mpará-nã (em tupi, "rio largo", ou seja, mar), em referência ao rio Amazonas, tão largo que de uma margem não se avista a outra. Marañón era como os espanhóis se referiam a toda a bacia amazônica no período colonial. Em português também se apelida o rio Amazonas como "rio-mar". Apesar de o atual Maranhão não abranger o Amazonas, o nome recai sobre o estado porque entre 1621 e 1709, todo o norte do Brasil foi agrupado sob o Estado do Maranhão, com capital em São Luís, a partir de uma iniciativa da administração espanhola sob a União Ibérica.
  • Mato Grosso - sentido literal, por causa da vegetação densa na região.
  • Mato Grosso do Sul - derivado do anterior, por ser a porção meridional (sul) que se separou em 1977.
  • Minas Gerais - sentido literal, por abrigar campos de extração de inúmeros minérios, principalmente ouro, diamante e ferro, além de gemas e pedras preciosas. A província era originalmente parte de São Paulo e era conhecida como "Terra dos Goytacazes/Goitacases", por referência aos índios antropófagos que habitavam a região. No início do século XVIII, porém, exploradores começaram a encontrar ouro e outros minérios preciosos e houve um afluxo migratório (corrida do ouro) na região. O episódio levou à Guerra dos Emboabas. Em 1709, a Coroa Portuguesa estrategicamente separou o território das Minas e o pôs sob seu controle direto (Capitania de São Paulo e das Minas, depois Capitania das Minas de Ouro e, mais tarde, com o acréscimo de outros minérios, Capitania das Minas Gerais). Até hoje a mineração é atividade de papel primordial no estado.
  • Pará - do tupi pará (rio), em referência ao estuário do rio Amazonas.
  • Paraíba - do tupi pará (rio) + ayba (ruim; no sentido de impróprio à navegação) ou então pará + yba[ka] (céu) ("rio do céu", provavelmente metáfora para "céu azul").
  • Paraná - do tupi mparanã (literalmente, "rio largo", referência ao mar), por causa da largura do rio Paraná.
  • Pernambuco - do tupi mparanã (mar) + mbuka (oco), em referência aos arrecifes que se formam no litoral do estado; a mesma formação batizou a capital do estado, Recife.
  • Piauí - do piau (uma espécie de peixe de água doce) + y (água), donde "rio dos piaus".
  • Rio de Janeiro - sentido literal, por ter sido descoberto no dia 1º de janeiro de 1502 por Américo Vespúcio, e por julgar-se que a baía da Guanabara fosse a foz de um rio. Na geografia da época, os portugueses não distinguiam estuários de baías, além de estarem acostumados ao formato da baía do Tejo em Lisboa, que se assemelha ao da Guanabara.
  • Rio Grande do Norte - sentido literal, sem que se saiba ao certo a qual rio da região se fazia referência.
  • Rio Grande do Sul - sentido literal, por julgar-se que a Lagoa dos Patos, de formato longo e estreito, fosse um rio (de fato, abriga a foz do rio Guaíba). A lagoa foi o local do estabelecimento da primeira colônia no estado, na atual cidade de Rio Grande.
  • Rondônia - em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, explorador da região.
  • Roraima - do ianomâmi roro imã, que de acordo com determinadas fontes significa "montanha trovejante".
  • Santa Catarina - em homenagem a Santa Catarina de Siena, reverenciada tanto por portugueses e espanhóis (o estado foi colonizado principalmente por açorianos).
  • São Paulo - assim batizado pelo colégio (monastério) jesuíta de São Paulo de Piratininga. Durante os primeiros três séculos, a cidade era conhecida como Piratininga — que por sua vez deriva de pirá (peixe) + tininga (seco), donde "peixe seco", em referência ao rio Tietê — e a capitania como São Paulo. O uso do hagionímico para ambos só se consolidou no século XVIII.
  • Sergipe - do tupi siri (siri) + jibe (riacho, córrego, ribeirão), donde "riacho dos caranguejos"; outra etimologia se refere a um cacique local, Serijipe, mas cujo nome teria a mesma origem.
  • Tocantins - do tupi tukan (tucano) + tin (nariz), donde bico de tucano, em referência à confluência dos rios Araguaia e Tocantins, que tem um formato curvo que lembra o bico da ave; a região também é chamada de "Bico do Papagaio".
  • Distrito Federal - sentido literal, por ser esta unidade um distrito à parte da federação e durante mais de um século (1889-1990) administrado diretamente pela União (Governo Federal). O antigo nome, na época do Império, era Município Neutro (1834-1889), mas o tratamento corrente chamava a cidade de Corte Imperial (assim como "Capital Federal" entre 1889 e 1934).

Antigas UFs[editar | editar código-fonte]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Entre os muitos tipos de topônimos que existem,[2] a tabela abaixo agrupa os topônimos das atuais unidades federativas segundo o que apontam quando suas etimologias encontram-se na língua portuguesa.

Tipo Quantidade Exemplos
Hidrotopônimos
(corpos d'água)
5 Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul
Cardinotopônimos
(pontos cardeais)
3 Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul
Hierotopônimos
(religião)
3 Espírito Santo, Santa Catarina, São Paulo
Fitotopônimos
(vegetação)
2 Mato Grosso, Mato Grosso do Sul
Antropotopônimos
(nomes de pessoas)
1 Rondônia
Etnotopônimos
(etnias)
1 Goiás
Poliotopônimos
(assentamentos humanos)
1 Distrito Federal
Topônimos em português não classificados 1 Minas Gerais
Topônimos de origem ameríndia 13 Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe, Tocantins

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Dictionary.com (em inglês). Página visitada em 13/06/2010.
  2. SOUSA, Alexandre M. Geografia e Linguística: interseções no estudo toponímico. Página visitada em 20 de abril de 2014.