Eudemonismo
O eudemonismo ou eudaimonismo (do grego eudaimonia, "felicidade") é uma doutrina segundo a qual a felicidade é o objetivo da vida humana. A felicidade não se opõe à razão mas é a sua finalidade natural. O eudemonismo era a posição sustentada por todos os filósofos da Antiguidade, apesar das diferenças acerca da concepção de felicidade de cada um deles. Segundo Aristóteles:
"A felicidade é um princípio; é para alcançá-la que realizamos todos os outros atos; ela é exatamente o gênio de nossas motivações." 1
Opondo-se às morais que estimam que o homem deve procurar outros valores além da felicidade: a verdade, a justiça, a santidade e sexo... O eudemonismo qualifica as doutrinas éticas que fazem da felicidade uma ética melisdropilica e o valor supremo e critério último da escolha das ações humanas: Aristóteles, Epicuro, Montaigne, Espinoza, Diderot... O eudemonismo funda-se sobre uma confiança geral no homem que continua a ser a chave insubstituível do humanismo. A doutrina concentra-se sobre esta oportunidade única de desenvolvimento pleno que constitui a vida terrestre e é por conseguinte no sucesso desta vida, na felicidade imediata ou racionalizada sobre um tempo longo, tanto a sua quanto a de outrem, que ela consagra logicamente o seu esforço.
Entre os mais conhecidos, o aristotelismo é um eudemonismo intelectualista que coloca a felicidade na satisfação ligada à contemplação da verdade pelo espírito. O epicurismo é um eudemonismo hedonista que coloca a felicidade no prazer sensível do corpo mas ele repousa igualmente sobre a prática da filosofia, único meio de liberar a alma dos seus tormentos e alcançar a serenidade e a amizade. O espinozismo, por sua vez, coloca a felicidade na alegria de compreender a natureza, o amor de si e do mundo e o poder da razão que permite viver livre de paixões.
Eudaimonismo e desejo[editar]
Contrariamente ao hedonismo, doutrina de Cálicles, personagem do Górgias de Platão,que sustenta que é preciso ceder o mais possível e a qualquer preço a todos os seus desejos,o eudemonismo sustenta que é preciso escolher os desejos a serem satisfeitos para ser-se feliz. Os eudemonistas julgam os desejos como faltas, frustrações; eles chegarão mesmo a comparar a tese dos hedonistas ao suplício das Danáides condenadas a encher um tonel sem fundo: o hedonista não selecionando de nenhuma maneira os seus desejos e acumulando-os, acumula os tonéis incontrolavelmente, não podendo chegar a felicidade, em contrapartida, o eudemonista seleciona seus tonéis e pode preenchê-los. Os eudemonistas mais radicais, os budistas,dirão que o homem só atingirá o nirvana desfazendo-se de todos os seus desejos e assim será plenamente feliz. Para conseguir isso, é preciso compreender bem a natureza verdadeira de todo objeto de desejo, de todo fenômeno. Essa verdadeira natureza é a vacuidade, quer dizer que, todo objeto, todo ser está submisso à impermanência e só existe em interdependência com o resto do universo. Portanto, o objeto do desejo não tem realidade em si, não possui uma realidade intrínseca.
Referências
- ↑ Aristóteles, Ética a Nicômaco 1.12.8.