Eugênio Chipkevitch

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Eugênio Chipkevitch (?, Ucrânia, 26 de abril de 1954) é um ex-médico e ex-psicoterapeuta brasileiro de ascendência ucraniana, acusado de abusar sexualmente de seus pacientes adolescentes na clínica Instituto Paulista da Adolescência na cidade de São Paulo, tendo inclusive gravado cenas em vídeo para se comprometer mais tarde, que foram achadas num lixo por técnico de telefonia e denunciou as imagens. Foi preso e condenado a 114 anos de prisão por atentado violento ao pudor e corrupção de menores. A partir do caso, que obteve grande repercussão na opinião pública na época, a mídia passou a abordar, de um ponto de vista mais técnico e psicológico, a questão da pedofilia, o que até então não era comum quando de notícias de crimes envolvendo abuso sexual de menores.

Índice

[editar] Biografia

[editar] Infância e juventude

Eugênio Chipkevitch nasceu em 1954 na República Soviética da Ucrânia,que na época pertencia a União Soviética. De pais ucranianos, contrários ao regime soviético, fugiram do país. Após se tornar naturalizado brasileiro, Chipkevitch era um profissional respeitado na área médica e acadêmica.

[editar] Formação

Formou-se em 1978 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), foi chefe do Serviço de Adolescentes do Hospital Infantil Darcy Vargas, na capital paulista, e membro de associações como a Society for Research on Adolescence (Sociedade para Pesquisa em Adolescência) dos Estados Unidos.

[editar] Universidades

Mencionado pela Universidade de Cambridge no ranking dos dois mil cientistas mais importantes do Século XX, com direito a verbete na respeitada publicação Who’s Who in Science and Engineering (Quem é Quem na Ciência e na Engenharia). É impressionante como se leva décadas para construir uma reputação, e alguns minutos de fita encontrada na caçamba para destrui-la.

Introduziu no Brasil a especialidade médica conhecida como hebiatria (o tratamento dos adolescentes e de seus problemas).

[editar] No Instituto Paulista da Adolescência

Em sua clínica, o Instituto Paulista da Adolescência, constava o cadastro de cerca de dois mil clientes, que pagavam honorários acima da média para serem atendidos pelo médico conceituado. Seus livros eram adotados em diversas universidades brasileiras e estrangeiras.

[editar] Fitas de vídeo

Em 2002, um técnico de uma empresa telefônica que estava com outro ajudante no conserto da linha telefônica instalada no poste, estranhou ao ver um saco de lixo grande e de formato quadrado, ao lado do poste numa caçamba de entulho. Ao ver o que tinha dentro, encontrou várias fitas de vídeo no formato de filmadora portátil.

Não relutou: decidiu que iria levar para casa para saber quais delas estavam em boa qualidade e descartar aquelas que não tivessem. Contou que tinham 35 fitas num saco de lixo. Reuniu a família - uma dona de casa simplória e tristonha, e seus dois moleques - no sofá da sala e colocou a primeira fita no vídeo-cassete de três cabeças, comprado no crediário, nas Casas Bahia. Preparados para a sessão de cinema, o homem pulou do sofá de susto quando viu que o "filme" na verdade era "Censura 18 Anos" e mais parecia aqueles filmes brasileiros horrorosos. Vocês sabem que tipo de filme eu estou falando, né?Aqueles que passavam nos cinemas, no final dos anos 70. A fita mostrava um homem abusando de jovens. Ele repassou as duas fitas a Rede Globo e ao SBT e o restante para Polícia Civil nos dias seguintes, em troca de dinheiro. Devia ter sido preso junto com o pedófilo.

Nas mais de 15 horas de gravações, das quais apenas uma pequena parte foi ao ar, apareceram cenas de abusos sexuais cometidos contra cerca de 40 vítimas – todos meninos, com idade entre 8 e 17 anos. O médico sedava os pacientes, sob o pretexto de aplicar-lhes vacina, depois os despia e os acomodava na maca. Enquanto estavam inconscientes, fazia-lhes carícias, pegava-os no colo, manipulava seus órgãos genitais.

Na noite de 20 de março de 2002 foram ao ar, no Programa do Ratinho, no SBT, imagens de Chipkevitch molestando sexualmente seus pacientes.

Quando as gravações foram ao ar, a identidade do médico ainda era desconhecida. Mas, a mãe de um dos pacientes de Chipkevitch assistiu ao programa, reconheceu de quem se tratava e na mesma noite apresentou queixa à polícia. No dia seguinte ao programa, Chipkevicth ligou para a secretária Regina, para saber como estava o movimento, e ela então respondeu que ao chegar na clínica, a caixa postal do telefone estava cheia de ameaças de pais, dizendo que "tinham visto o médico no Ratinho". Foi quando Chipkevitch entendeu que as fitas onde ele aprontava com os menores haviam caído nas mãos de algum oportunista, tipo um técnico de telefonia ganancioso por exemplo, que havia vendido o conteúdo das mesmas para programas de TV. Chipkevitch contemplou o suicídio, como uma maneira de se redimir pelos seus crimes e ir de encontro a Deus, mas então recebeu uma text message do próprio Diabo, que lhe disse que estava ansioso pelo encontro deles. O médico foi preso em casa. Começou então o trabalho policial de identificar as demais vítimas. O caso ganhou rapidamente grande repercussão na mídia.

Foram apreendidos computadores para se apurar se Chipkevitch divulgava pornografia infantil pela Internet. Mas nada nesse sentido foi provado, embora fotos de crianças nuas tenham sido encontradas em seu carro.

Até a prisão, estava prestes a lançar mais um, quando se tornaram conhecidos os fatos que o levariam a ser processado e condenado e a ter cassado seu registro de médico.

Chipkevitch, em sua defesa, alegou que as fitas de vídeo mostravam procedimentos clínicos que poderiam ser errôneamente interpretados como abusos sexuais.

O processo tramitou rapidamente e já estava definitivamente concluído em 2004. O médico foi condenado em primeira instância a uma pena total de 124 anos de prisão em regime fechado mais multa por crimes de atentado violento ao pudor com violência presumida, por se tratar de vítimas impossibilitadas de defesa. A pena foi agravada pelo fato de ter usado sua posição de médico para cometer os crimes. Posteriormente, o Tribunal de Justiça reduziu a pena para 114 anos, mantendo o regime fechado. O médico está cumprindo sua pena num presídio paulista.

[editar] Ligações externas

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