Eumenes de Cardia
Eumenes de Cardia (em língua grega: Ευμένης) (362 a.C. — 316 a.C.) foi um general, Diádocos e um dos sucessores de Alexandre Magno partidário da casa real macedónia da Dinastía argéada.
Foi um dos governantes do reino da Arménia onde governou na vigência da [[Dinastia Iervandiana (Yervanduni ou Orôntida) embora não seja considerado dinástico. Governou em 321 a.C. foi antecedido nos comandos do reino por Neoptolomeu Orontida e foi sucedido no trono por Mihran Orontida.
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Infância [editar]
O pai de Eumenes era um homem pobre da península de Galípoli, conhecida na antiguidade como Quersonésia da Trácia.1 Filipe da Macedónia, de passagem, observou Eumenes se destacar em competições atléticas, e levou-o.1 Após a morte de Filipe, Eumenes não era considerado inferior a nenhum dos amigos de Alexandre, e tendo o título de secretário-geral, tinha honras como um dos amigos e íntimos do rei.2
Campanhas de Alexandre [editar]
Eumenes entrou várias vezes em conflito com Alexandre. Heféstion havia dado a um músico (Euius) os alojamentos que seriam de Eumenes, e este reclamou com Alexandre, que brigou com Heféstion, mas depois se arrependeu, e ficou irritado com Eumenes.3 Quando Alexandre enviou a frota de Nearco e pediu dinheiro a Eumenes, este deu cem talentos, em vez dos trezentos que Alexandre havia pedido; Alexandre então mandou atearem fogo na tenda de Eumenes,4 porém se arrependeu pois vários documentos foram perdidos, e nem pegou o ouro e a prata derretidos, que valiam mais que mil talentos.5
Durante a campanha de Alexandre na Índia, Eumenes recebeu o comando da cavalaria, posto este que era ocupado por Pérdicas, quando este assumiu o lugar de Heféstion.2
Após a morte de Heféstion, Alexandre passou a tratar duramente quem ele achava que tinha inveja do seu favorito, e agora estaria feliz com sua morte; Eumenes, um dos suspeitos,6 se salvou propondo a Alexandre várias formas de honrar Heféstion.7
Quando Alexandre se casou com Barsine, filha de Artabazus, ele arrumou o casamento de vários de seus oficiais com mulheres persas; Ptolemeu, o futuro faraó do Egito, ficou com Apama e Eumenes com outra Barsine, ambas irmãs de Barsine.8
Morte de Alexandre [editar]
Com a morte de Alexandre, na Babilônia, houve uma disputa entre os macedônios, e Eumenes, que era um estrangeiro, tentou agir como mediador.9 Quando os oficiais chegaram a um acordo e dividiram o império em satrapias, Nota 1 Eumenes recebeu a Capadócia, Paflagônia e a costa do Mar Euxino até Trapezus, um território que não era controlado pelos macedônios, mas por Ariarate I; caberia a Leonato e Antígono Monoftalmo conquistá-los para Eumenes.10
Aliança com Pérdicas [editar]
Leonato propôs a Eumenes ajudá-lo na campanha, mas foi convencido por Hecateu, tirano da Cárdia, a ajudar Antípatro na Guerra Lamiaca.11 Hecateu e Eumenes eram rivais hereditários, e Eumenes havia denunciado Hecateu como tirano para Alexandre, e recomendado que Alexandre restaurasse a liberdade aos cários.12 Eumenes não quis ir na expedição contra os gregos, porque temia Antípatro, que poderia assassiná-lo para agradar Hecateu,12 mas Leonato revelou que seus planos eram ajudar Antípatro apenas como pretexto para tomar para si o reino da Macedônia, e mostrou a Eumenes cartas em que Cleópatra Nota 2 o convidava para ir até Pela e casar-se com ele.13
Eumenes, quer por temer Antípatro, quer por não confiar em Leonato, escapou à noite, com 300 cavaleiros, 200 soldados armados e 5.000 talentos de ouro,13 e fugiu para Pérdicas, contando os planos de Leonato.14
Sátrapa da Capadócia [editar]
Pérdicas comandou o exército que derrotou Ariarate I, e colocou Eumenes de Cardia como sátrapa da Capadócia.15 14 Eumenes organizou a Capadócia, colocando seus amigos como governantes das cidades e apontando os juízes; em seguida, Eumenes marchou com Pérdicas.16
Disputa contra Neoptólemo [editar]
Pérdicas, quando se tornou o regente do império de Alexandre, enviou Eumenes para organizar a Armênia, que estava em confusão por causa de Neoptólemo.17 Neoptólemo era um dos generais de Alexandre.8 Enquanto Neoptólemo era orgulhoso e gostava de ostentação, Eumenes organizou a cavalaria de nativos, dando imunidade a tributos.18 Os macedônios ficaram espantados e admirados que, em pouco tempo, Eumenes organizou uma tropa de seis mil e trezentos cavaleiros.19
Quando Crátero e Antípatro, após haverem derrotado a rebelião dos gregos,Nota 3 se dirigiram à Ásia para lutar contra Pérdicas, este indicou Eumenes comandante das forças da Capadócia e Armênia,20 e mandou que Alcetas Nota 4 e Neoptólomo obedecessem a Eumenes.21 Alcetas se recusou a combater, com o argumento de que os macedônios da tropa poderiam passar para o lado de Crátero e Antípatro, mas Neoptólemo planejou traição, mas foi detectado, e preparou-se para a batalha.21 A infantaria de Eumenes foi derrotada, mas sua cavalaria venceu e pôs as tropas de Neoptólemo em fuga, e ele capturou e exigiu a rendição das tropas.22
Neoptólemo, com o resto de suas tropas, se refugiou com Crátero e Antípatro.23
Luta contra Crátero e Antípatro [editar]
Crátero e Antípatro já haviam enviado uma proposta a Eumenes, para ele se tornar aliado deles; Eumenes reteria suas satrapias, receberia mais tropas, se tornaria um amigo de Antípatro em vez de um inimigo, e não se tornaria um inimigo de Crátero, ao invés de um amigo.23 Eumenes respondeu que era um inimigo de Antípatro de longa data, e não poderia, agora, se tornar seu amigo, quando ele via Antípatro tratando seus amigos como inimgos, quanto a Crátero, ele estava disposto a reconciliar Crátero com Pérdicas em termos iguais e se algum deles tentasse sobrepujar o outro, ele lutaria com todas suas forças para ajudar quem foi ofendido, preferindo perder sua vida a perder sua honra.24
Quando Crátero e Antípatro estavam debatendo sobre o que fazer, Neoptólemo chegou, e insistiu em um ataque o mais breve possivel, dizendo que os macedônios, se vissem Crátero, passariam para o seu lado.25 Crátero e Antípatro dividiram o exército: Antípatro foi para a Cilícia, e Crátero e Neoptólemo foram atacar Eumenes.26
Eumenes teve um sonho: dois Alexandres estavam lutando, cada um à frente de uma falange, um deles tinha a ajuda de Atena, o outro de Deméter, e, no final da batalha, Atena foi derrotada e Deméter a vencedora.27 Ele imaginou que o sonho previa sua vitória, pois ele governava o país mais fértil Nota 5 e o grito de guerra das forças inimigas era Atena e Alexandre!; assim, ele ordenou que seu grito de guerra fosse Deméter e Alexandre!, e mandou seus homens usaram grãos nos braços e orelhas.28
Contra Crátero, Eumenes não colocou nenhum macedônio, colocando as tropas sob o comando de Farnabazo, filho de Artabazo, e de Fênix de Tênedos.29 Sua unidade pessoal, de 300 homens, foi posta contra a de Neoptólemo;30 eles, que se odiavam, lutaram em combate singular, mas, mesmo sendo ferido, Eumenes matou Neoptólemo.31 Nesta batalha, que Eumenes venceu, também morreu Crátero; ao contrário de Neoptólemo, sua morte foi lamentada por Eumenes.32 Esta batalha ocorreu dez dias depois da batalha anterior, contra Neoptólemo.33
Morte de Pérdicas [editar]
A notícia da vitória de Eumenes, porém, não ajudou Pérdicas, que foi morto em motim por seus soldados; dois dias depois do seu assassinato, chegaram as notícias da vitória.34
Os macedônios, com raiva, condenaram Eumenes à morte, e nomearam Antígono Monoftalmo e Antípatro para conduzirem a guerra contra ele.34
Ver também [editar]
Bibliografía [editar]
- Enciclopedia Britânica (11ª edição)
- Plutarco: Vidas paralelas: Eumenes e Sertório
- Diodoro Sículo: Biblioteca histórica (Livros XVI-XVIII)
Notas e referências
Notas
- ↑ Esta primeira partilha é chamada de Partilha da Babilônia.
- ↑ Cleópatra era filha de Filipe e Olímpia, e havia recentemente enviuvado de Alexandre Molosso, rei do Épiro e seu tio.
- ↑ Esta revolta foi a Guerra Lamiaca; Leóstenes e Antiphilus eram os comandantes gregos
- ↑ Alcetas era irmão de Pérdicas
- ↑ Deméter era a deusa da agricultura.
Referências
- ↑ a b Duris de Samos, citado por Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 1.1
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 1.2 [em linha]
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 2.1
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 2.2
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 2.3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 2.4
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 2.5
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 1.3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.1
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.2
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.3
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.4
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.5
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.6
- ↑ Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, Livro XVIII, 16.3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 3.7
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 4.1
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 4.2-3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 4.3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 5.1
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 5.2
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 5.3
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 5.4
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 5.5
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 6.1
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 6.3
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 6.5
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 6.6
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 7.1
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 7.2
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 7.3-7
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 7.7
- ↑ Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 8.1
- ↑ a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Eumenes, 8.2