Eunice Katunda

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Eunice do Monte Lima Catunda (Rio de Janeiro, 14 de março de 1915 - São José dos Campos, 3 de agosto de 1990) foi uma compositora, regente, pianista e professora brasileira.

Filha do gaúcho Rubens do Monte Lima e da pintora nativista cearense Maria Grauben Bomilcar,[1] iniciou seus estudos de piano com 5 anos de idade com a professora Mima Oswald, filha do compositor Henrique Oswald. Mais tarde será aluna de Oscar Guanabarino e, de 1936 a 1942, de Furio Franceschini, Marietta Lion e Camargo Guarnieri.[2]

Casa-se em 1934 com o matemático Omar Catunda (Santos, 23 de setembro de 1906 - Salvador, 12 de agosto de 1986)[3] , incorporando o sobrenome do marido. O casal vai residir em São Paulo.

Em 1946, Eunice volta para o Rio de Janeiro e torna-se aluna do mentor do grupo Música Viva e introdutor da música dodecafônica no Brasil, Hans-Joachim Koellreutter, que terá grande influência na sua formação. É justamente de 1946 uma de suas principais obras - a cantata Negrinho do pastoreio. Em 1948, juntamente com outros alunos de Koellreutter, realiza viagem de estudos à Itália, onde estudará regência com Hermann Scherchen. Durante o curso, torna-se próxima de seus colegas de curso, Luigi Nono e Bruno Maderna[4] .

A partir do final de 1948, sua militância política no Partido Comunista Brasileiro, ao qual era filiada desde 1936, deverá também marcar o seu trabalho. As diretrizes estéticas do partido, na época, vinculavam a produção artística à construção da identidade nacional e à transformação social. A frase de Mário de Andrade é bem representativa dessa orientação: "O critério atual da Música Brasileira deve ser não filosófico, mas social. Deve ser um critério de combate." Assim, Eunice acaba por abandonar o Música Viva e distanciar-se dos seus amigos Nono e Maderna, assumindo a perspectiva da arte engajada, nos moldes do realismo socialista.[5] [6] [7]

No início dos anos 1950, vai a Salvador, por ocasião de uma manifestação da Campanha pela Paz, promovida pelo PCB, e visita o bairro da Liberdade, onde o partido apoiava a invasão de terrenos baldios por trabalhadores, que ali construíam as suas casas. Essa visita à Bahia será a primeira de uma série,[8] com finalidade de estudos e pesquisas. Depois de assistir à capoeira no terreiro de mestre Waldemar da Paixão, escreverá um artigo, publicado em 1952, na revista literária Fundamentos.[9] A compositora experimentaria, no final dos anos 1950 um período de grande aproximação com o mundo da cultura afro-brasileira, especialmente com o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, para isso contando com o apoio de Pierre Verger.[10] Eunice Catunda inspirou-se neste universo sonoro para diversas de suas composições, ao longo dos anos 1950.

Em 1956, abandona o PCB, em protesto contra a invasão da Hungria.

Em 1964, Eunice se separa de Omar Catunda. A partir de então, ela passará a assinar Eunice Katunda, trocando o C pelo K, para dissociar-se do sobrenome do ex-marido.[11]

Referências

  1. BARBOSA, Maria Ignez Corrêa da Costa Gentíssima. Grauben: Qual a diferença entre Van Gogh e Gauguin?, p. 95. Entrevista com Maria Grauben Bomilcar
  2. KATER, Carlos Eunice Katunda: musicista brasileira. São Paulo: Annablume: Fapesp, 2001.
  3. LIMA, Eliene Barbosa Dos infinitésimos aos limites: a contribuição de Omar Catunda para a modernização da análise matemática no Brasil.Universidade Federal da Bahia- Universidade Estadual de Feira de Santana. Salvador, 2006.
  4. KATER, op. cit. p. 20.
  5. KATER, op. cit. p. 28s.
  6. Jornal da Unicamp (Campinas, 23 a 29 de março de 2009). Tese lança luz sobre a vida e a obra de Eunice Katunda. Página visitada em 16/12/2010.
  7. Dados biográficos.
  8. A compositora realizará outras viagens à Bahia, para estudos sobre ritmos e cantigas de capoeira de Angola, nos anos de 1956, 1957, 1958 e 1958. Ver Capoeira e Louvação, o nacionalismo da obra de Eunice Katunda, por Joana Holanda e Cristina Gerling.
  9. Capoeira no Terreiro de Mestre Waldemar, por Eunice Katunda. Fundamentos — Revista de Cultura Moderna, nº30, São Paulo, 1952, pp. 16–18.]
  10. Os sons da Bahia, por Angela Lühning.
  11. HOLANDA, Joana Cunha de Eunice Katunda (1915 - 1990) e Esther Scliar (1926-1978): trajetórias individuais e análise de 'Sonata de Louvação' (1960) e 'Sonata para Piano'. UFRGS: Porto Alegre, 2006

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