Eurípedes Barsanulfo

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Eurípedes Barsanulfo
Memorial a Eurípedes em Sacramento
Nome completo Eurípedes Barsanulfo
Nascimento 1 de maio de 1880 (134 anos)
Sacramento (Minas Gerais)
Morte 1 de novembro de 1918 (38 anos)
Sacramento
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Educador, político, jornalista e médium

Eurípedes Barsanulfo[nota 1] (Sacramento, 1 de maio de 1880 — Sacramento, 1 de novembro de 1918) foi um educador, político, jornalista e médium brasileiro, um dos expoentes do espiritismo no país.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Aluno do Colégio Miranda, desde cedo auxiliava os professores, explicando as matérias aos colegas de classe.

Egresso do colégio, passou a trabalhar como guarda-livros, no escritório comercial de seu pai, passando a auxiliar, também desde cedo, na manutenção do lar.

Em 1902 fundou, com seus antigos professores João Gomes Vieira de Melo, Inácio Martins de Melo e outros, o Liceu Sacramentano, onde passou a lecionar. Alguns alunos do Liceu, mais tarde, fundaram um serviço de assistência aos necessitados, denominado Sociedade dos Amiguinhos dos Pobres. Na mesma época, Eurípedes participou da fundação do jornal semanal Gazeta de Sacramento, em que publicava artigos sobre economia, literatura, filosofia, etc, estreando, assim, como jornalista.

Autodidata, adquiriu conhecimentos de Medicina e Direito, além de Astronomia, Filosofia, Matemática, Ciências Físicas e Naturais e Literatura, mesmo sem ter cursado o ensino superior.

Tornou-se líder em sua cidade por seu trabalho no magistério e na imprensa. Sua popularidade o fez eleger-se vereador, em cujo mandato, durante seis anos, beneficiou a população de sua cidade com luz e bondes elétricos, água encanada e cemitério público. Acabou renunciando ao cargo, por não concordar com uma mudança de lei que beneficiaria somente os que estavam no poder. Nessa ocasião, Barsanulfo, ainda católico, era o presidente da Conferência de São Vicente de Paulo.

O seu primeiro contato com a Doutrina Espírita ocorreu em 1903, por intermédio do seu tio, Sinhô Mariano, que, além de explicar ao sobrinho os pontos básicos da doutrina, emprestou-lhe o livro Depois da Morte, de Léon Denis.

Eurípedes encontra no livro conceitos filosóficos sobre a vida e a morte que lhe parecem corretos, e encontra, na reencarnação, nas energias e na responsabilidade de cada um a causa para os desequilíbrios físicos, morais e sociais. Mesmo com algumas dúvidas, Barsanulfo comparece às sessões espíritas e, ao ver parentes analfabetos, incorporados, falando línguas diferentes e proferindo conceitos filosóficos com grande amplitude de conhecimentos, prontifica-se, a partir dali a ser espírita e ajudar no esclarecimento e amparo aos necessitados, vislumbrando a possibilidades de ajuda a partir dos adventos que via.

Têm início então as manifestações de seu parapsiquismo (mediunismo-animismo) e também seu contato com os amparadores. Ao tentar esclarecer seus ex-companheiros e familiares católicos, foi rechaçado, contudo perseverou.

Ocorreu então uma transformação em sua vida: mudou-se da casa de seus pais e fundou o Grupo Espírita Esperança e Caridade, em 1905, onde, além de realizar reuniões mediúnicas e doutrinárias, também prestava auxílio aos mais necessitados. Foi médium inspirado, vidente, audiente, receitista, psicofônico, psicógrafo, de desdobramento e de bicorporeidade. Como médium receitista, psicografava prescrições do espírito Bezerra de Menezes.

Diversos fenômenos parapsíquicos marcaram a vida de Eurípedes, que não se negava a ajudar onde necessário e utilizava juntamente com consciências extrafísicas amparadoras de tecnologias espirituais as mais diversas em benefício da população.

Em 31 de janeiro de 1907 criou o primeiro educandário brasileiro com orientação espírita, o Colégio Allan Kardec, onde os alunos recebiam aulas de Evangelho, Moral Cristã, e, ainda, instituiu um curso de Astronomia que hoje conta inclusive com laboratórios. Foi ainda Diretor do Sanatório Espírita de Uberaba. Além de exercer a direção do colégio, o próprio ministrava aulas de Matemática, Geometria, Aritmética, Trigonometria, Ciências naturais, Botânica, Zoologia, Geologia e Paleontologia, Português, Francês, Astronomia, Inglês e Castelhano.

Barsanulfo foi perseguido por parte do clero que, aliado a um médico católico de Uberaba, moveu contra ele um processo penal sob a acusação de exercício ilegal da Medicina, em 1917, que acabou arquivado pelo juiz da comarca.

Um dos fatores que sempre foram a favor de Eurípedes foi a Educação. O Governo na época estava progredindo na Educação, e os métodos utilizados por ele eram muito a frente de seu tempo, sendo modelo para muitos centros educacionais. Mesmo diante das dificuldades, ele executou um trabalho de empreendedorismo evolutivo com benefícios não só para Sacramento. As farmácias, o Colégio Allan Kardec e o Grupo Espírita Esperança e Caridade foram apenas algumas das obras desse homem que foi chamado "O Apóstolo do Triângulo Mineiro".

Morreu aos 38 anos, vítima da gripe espanhola. Mesmo acometido da moléstia, arrasadora para boa parte da população brasileira, Eurípedes não parou de atender aos que necessitavam.

Obra[editar | editar código-fonte]

  • Novos rumos da Medicina
  • A Psiquiatria em função da Reencarnação

Notas

  1. Na grafia original, Euripedes Barsanulpho

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BIGHETO, Alessandro Cesar. Eurípedes Barsanulfo, um educador de vanguarda na Primeira República. Bragança Paulista: SP. Editora Comenius, 2007.
  • FERREIRA, Inácio. Subsídio para a história de Euripedes Barsanulfo. Uberaba, MG, 1962.
  • GODOY, Paulo Alves. GODOY, Paulo Alves; LUCENA, Antônio. Personagens do Espiritismo (2ª ed.). São Paulo: Edições FEESP, 1990.
  • NOVELINO, Corina. Eurípedes, o homem e a missão. Araras, IDE, 1997.
  • RIZZINI, Jorge. Eurípedes Barsanulfo o apóstolo da caridade. São Bernardo do Campo: SP. Editora Espírita Correio Fraterno do ABC, 1979.
  • VIEIRA, Waldo. Projeções da Consciência; Diário de experiências fora do corpo físico. São Paulo: SP. Editora LAKE - Livraria Allan Kardec Editora, 1981.
  • Os mestres do Espírito (Planeta Especial). São Paulo: Ed. Três, 1973.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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