Eurico Miranda

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Eurico Miranda
Eurico Miranda.jpg

Eurico Miranda
Deputado Federal do Brasil pelo  Rio de Janeiro
Mandato Presidente do Club de Regatas Vasco da Gama: 2001-2008 / 2014-
Vida
Nascimento 7 de junho de 1944 (70 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Dados pessoais
Partido PP
Profissão Dirigente esportivo, Advogado, Jurista e Fisioterapeuta
Serviço militar
Apelido(s) Doutor Eurico

Eurico Ângelo de Oliveira Miranda (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1944) é um político, jurista (diplomado pela PUC-Rio) e dirigente esportivo brasileiro. No Vasco foi eleito pela chapa de situação em 2000 e reeleito em 2003. É considerado por muitos um dos melhores cartolas de todos os tempos do futebol brasileiro,reconhecido internacionalmente como cérebro do futebol brasileiro, sua passagem como dirigente da CBF, fez com que fosse considerado pela imprensa internacional o maior cartola brasileiro de todos os tempos. Seu maior inimigo é a rede globo de televisão, que tenta o destruir de todas as formas, ocorre que após todas acusações possíveis e imagináveis feita por essa imprensa, o Doutor Eurico, como é conhecido jamais teve sequer uma condenação, mesmo após a rede globo fazer um dossiê sobre sua vida.

O início De Eurico no Vasco[editar | editar código-fonte]

Eurico Miranda é filho de portugueses, Álvaro e Alexandra, naturais do concelho de Arouca, concelho da Grande Área Metropolitana do Porto, que, na década de 1930, imigraram para o Brasil, fugindo do regime de António Salazar.

Criado na zona sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, um colégio jesuíta frequentado por boa parte da elite carioca. Acabou por ser convidado a se retirar do colégio por causa de brigas.[1]

Passou no vestibular para a Faculdade de Medicina, mas acabou por optar pela Faculdade de Fisioterapia. Eurico formou-se em fisioterapia e chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi durante o curso de direito que Eurico, então com 23 anos, ingressou nas atividades administrativas Vasco da Gama, sendo diretor de cadastro em 1967.

Dirigente do Vasco da Gama[editar | editar código-fonte]

Em 1969, o presidente do Vasco da Gama era Reinaldo de Matos Reis, que não agradava à maioria dos conselheiros, mas que era defendido por Eurico, então já Vice-Presidente de Patrimônio. Foi realizada uma reunião na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi então adiada. No dia seguinte o jornal O Globo publicou uma fotografia que mostrava uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico". Eurico entrava assim para a história e política ativa do clube.[2]

Apesar da mão de Eurico, Reinaldo de Matos Reis acabou por perder a presidência. Assumiu Agarthyno da Silva Gomes, então vice-presidente, em mandato interino até o fim de 1970. Eurico mais tarde passou a participar da administração de Agarthyno, apoiando-o. Porém em 1976 passou para a oposição do clube e apoiou a candidatura de Medrado Dias. O seu candidato acabou perdendo as eleições. Nesta época, Eurico ainda mantinha um escritório de advocacia, mas cada vez mais se dedicava à política do clube.

Em 1979, foi formada a chapa União Vascaína, que contava com Olavo Monteiro de Carvalho, Pedro Valente, Alberto Pires Ribeiro, Amadeo Pinto da Rocha e Antônio Soares Calçada, para além de Eurico Miranda. O grupo foi batizado de "Seis Homens de Ouro" e tinha como objetivo assumir a presidência do clube, há 10 anos entregue a Agathirno. O objetivo foi alcançado e em 1980 Alberto Pires Ribeiro tornou-se o 40º presidente da história do clube e Eurico passou a ser o seu assessor especial e foi nomeado representante do clube na FERJ.

Eurico apareceu na mídia em 1980 ao trazer de volta do Barcelona o ídolo do clube, Roberto Dinamite. Isso deu a Eurico mais poder político e nas eleições para presidência para o triênio 1983-1986, Eurico separou-se dos "Seis Homens de Ouro" e concorreu contra outro membro do grupo, Antônio Soares Calçada. Porém perdeu as eleições. Três anos mais tarde voltou a concorrer, para mais uma derrota para Antônio Soares Calçada.

Antônio Soares Calçada decidiu então convidar Eurico para assumir o cargo de vice-presidente do departamento de futebol. Como vice-presidente Eurico esteve envolvido na venda de Romário para o PSV em 1988 e, no ano seguinte, na compra do Bebeto, ídolo do rival Flamengo.

Apesar de ser vice-presidente, Eurico aparentava gozar de mais poder político que o próprio presidente Antônio Soares Calçada, que tinha uma personalidade mais calma. A sua posição política aumentou com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997 e da Taça Libertadores de 1998, entre muitos outros títulos em diversos esportes, no bem-sucedido ano do Centenário do clube. Ele foi também responsável pela parceria do clube com o Bank of America, que investiu US$ 150 milhões e criou a Vasco da Gama Licenciamentos (VGL).[3] Eurico permaneceu como vice-presidente de futebol até Antônio Soares Calçada terminar o seu último mandato, quando voltou a concorrer à presidência, 14 anos após a sua última tentativa. Desta vez Eurico alcançou a presidência,com o apoio de Antônio Soares Calçada. Foi reeleito em 2003 e afirmou que seria o seu último mandato,[4] mas acabou por concorrer novamente.

A partir de seu segundo mandato, sua imagem como dirigente começou a se desgastar a e encontrar forte resistência em meio a torcida, devido aos sucessivos insucessos do Vasco nas competições das quais participava. Nas eleições para o mandato de 2007-2009, Eurico concorreu contra o antigo ídolo do clube, Roberto Dinamite. Eurico venceu por uma pequena diferença de 439 votos, mas foi acusado de compra de votos e adulteração do resultado das eleições. A oposição moveu duas ações judiciais questionando o resultado. Com o resultado das eleições sub judice,[5] presidiu o clube interinamente até meados de 2008, quando por determinação da Justiça foram realizadas novas eleições. Eurico, tentou de todas as maneiras impedir a realização de novas eleições, chegando até mesmo a interditar o calabouço, uma das sedes do clube onde as mesmas seriam realizadas. Por fim, sem saída, aceitou o novo pleito, porém recusou-se a se candidatar novamente indicando em seu lugar o Grande-Benemérito e amigo de longa data, Amadeu Pinto da Rocha.[6] Por fim, a chapa a qual apoiava acabou por perder, pondo fim a mais 40 anos de influência direta de Eurico no executivo vascaíno.

Vida política[editar | editar código-fonte]

Em 1990, Eurico decidiu se candidatar a deputado federal pelo PL, apesar de já ter o cargo de vice-presidente do Vasco da Gama. Não conseguiu ser eleito, mas nas eleições de 1994 voltou a se candidatar, agora pelo PPB, e conseguiu ser eleito para deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

Em 1998 foi novamente eleito, mas em 2001 foi pedida a cassação do seu mandato por efetuar uma operação de câmbio não autorizada. Eurico foi acusado de promover evasão de divisas do país.[7] Apesar disso, Eurico voltou a concorrer nas eleições de 2002, porém não foi eleito, perdendo assim a imunidade parlamentar.

Em 2006, Eurico teve a sua candidatura indeferida pelo TRE do Rio de Janeiro. Segundo o argumento da juíza Jaqueline Montenegro, por falta de condições morais para exercer um mandato.[8] Porém Eurico recorreu da decisão e no mês seguinte teve a sua candidatura confirmada pelo TSE.[9]

Processos judiciais[editar | editar código-fonte]

Ao longo da sua vida pessoal e política, Eurico esteve sempre envolvido em processos judiciais contra si.

Em 2001 Eurico foi multado em 150 salários mínimos pelos incidentes ocorridos num jogo do Campeonato Brasileiro entre Vasco da Gama e Gama.[10]

O ano de 2004 foi particularmente cheio de processos judiciais para Eurico. Em Fevereiro foi decretada a sua prisão por não ter comparecido a um julgamento sem dar explicações.[11] No mês seguinte foi condenado a seis meses de prisão por ter agredido o jornalista Carlos Monteiro,[12] porém recorreu e teve a prisão convertida em multa a ser paga ao agredido[carece de fontes?]. Em Abril foi a vez de Eurico processar um jornalista, mas também perdeu a ação movida. Eurico alegou que se sentiu ofendido pelas expressões "pernicioso" e "euricadas" usadas pelo jornalista Juca Kfouri na sua coluna no jornal LANCE!.[13] Em outra ação contra a imprensa, agora a Infoglobo, Eurico pediu uma indenização pela notícia publicada em 21 de Julho de 2002 pelo jornal Extra que o acusava de desviar R$ 20 milhões do património do Vasco da Gama. Além de perder o caso, Eurico foi ainda obrigado a pagar os custos processuais e honorários dos advogados.[14]

Por suspeita de desvio de dinheiro, uma nova investigação foi iniciada em 2007. Em questão está a venda do jogador Paulo Miranda em 2001 para o clube francês Girondins de Bordeaux. O empresário Logbi Henouda, que participou da negociação, afirma que o Girondins de Bordeaux pagou US$ 5,94 milhões pelo jogador, mas que Eurico Miranda declarou apenas US$ 2 milhões.[15] [16]

CPI do Futebol[editar | editar código-fonte]

Em 2001, Eurico Miranda foi alvo de uma série de denúncias na imprensa sobre diversas irregularidades em sua administração como vice-presidente e depois como presidente do Vasco. Houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na administração do futebol brasileiro e Eurico Miranda foi um dos acusados no relatório final da CPI. Foi aberto um processo de cassação contra ele, mas sua cassação não foi aprovada. Como Eurico não foi reeleito deputado em 2002, perdeu a imunidade parlamentar e teve abertos vários processos contra si na justiça.

Em 2006 foi aberto um novo processo judicial contra Eurico, agora por apropriação indébita. A acusação foi o resultado das investigações feitas pela CPI. De acordo com o Ministério Público, Eurico Miranda, enquanto presidente do Vasco da Gama, deixou de recolher contribuições previdenciárias, lesando o INSS. Além de Eurico, também foram acusados Antônio Soares Calçada, ex-presidente vascaíno, e Amadeu Pinto da Rocha, vice-presidente.[17] Em 2007 foi conhecida a decisão do tribunal e Eurico foi condenado a 10 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 53 mil.[18] [19] Entretanto ele tem o direito de recorrer em liberdade e o processo está de volta aos tribunais.[20] No dia 18 de Abril de 2008, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou, por unanimidade, a sentença, baseada na CPI do Futebol, que condenava Eurico.[21]

Briga com a Globo[editar | editar código-fonte]

Desde o acidente ocorrido na final da Copa João Havelange, onde 168 pessoas ficaram feridas, que Eurico Miranda tem tido problemas com a Rede Globo. Eurico acusa a emissora de formar opiniões, jogando as pessoas contra ele. A Rede Globo por sua vez alega que Eurico, através da VGL, deve à empresa R$ 19 milhões, referente a um empréstimo feito ao clube.[22]

Como provocação, no último jogo da Copa João Havelange, Eurico fez o clube entrar em campo com o logotipo do SBT, emissora concorrente da Rede Globo. Isso aumentou ainda mais a briga entre a emissora e Eurico.

Eurico brigou com a emissora depois que a mesma deixou de cumprir suas obrigações com o clube referente aos direitos de transmissão durante quase um ano.

Vida após Vasco[editar | editar código-fonte]

Após sua chapa ser derrotada nas eleições para o Conselho Deliberativo nas eleições de 2008, Eurico passou um período afastado do Vasco, clube no qual esteve presente nos últimos 40 anos. Após a posse da nova diretoria, sua presença em São Januário tornou-se rara, apesar de possuir o título de Grande Benemérito do clube. Desde então Eurico tem retomado suas atividades no ramo da advocacia, possui um escritório no centro da cidade do Rio de Janeiro. Sem a pesada rotina de dirigente esportivo, Eurico tem passado mais tempo junto da família e viaja com frequência para sua casa em Angra dos Reis.

A volta ao Vasco[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2010, a chapa composta por Eurico Miranda e Silvio Godoi, vence a eleição para a presidência do Conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama. Desde então, Eurico vêm se firmando como um dos principais opositores à gestão de Roberto Dinamite.

Cquote1.svg "Eurico não está voltando, já voltou à política do Vasco" Cquote2.svg
disparou em 07 de junho de 2010, durante reunião do grupo de oposição[23]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "A vida de Eurico Miranda vira livro" - Pelé.net - 22 de Fevereiro de 2005 (em português).
  2. [O GLOBO, 26/11/1969, pgs. 1,24]
  3. "Futebol S.A." - ISTO É Online - 25 de Janeiro de 2000 (em português).
  4. "Em 2003, Eurico disse: "Não serei mais candidato"" - GloboEsportes.com - 12 de Novembro de 2006.
  5. "Eurico vence, mas eleição no Vasco está sub judice" - O Globo Online - 14 de Novembro de 2006 (em português).
  6. "Amadeu Pinto da Rocha será o candidato da situação na eleição do Vasco" - O Globo Online - 23 de Junho de 2008 (em português).
  7. "Após título, Eurico Miranda pode perder mandato de deputado" - Folha Online - 18 de Janeiro de 2001 (em português).
  8. "TRE do Rio indefere 200 candidaturas" - O Globo Online - 24 de Agosto de 2006.
  9. "TSE mantém registro de candidatura de Eurico Miranda para deputado federal" - Última Instância - 20 de Setembro de 2006 (em português).
  10. "Eurico é multado em 150 salários mínimos" - terra.com.br - 18 de Dezembro de 2001 (em português).
  11. "Eurico Miranda falta a audiência sem dar explicação" - Consultor Jurídico - 18 de Fevereiro de 2004 (em português).
  12. "Eurico Miranda é condenado a seis meses de prisão" - Consultor Jurídico - 25 de Março de 2004 (em português).
  13. "Eurico Miranda não consegue indenização de R$ 50 mil" - Consultor Jurídico - 28 de Abril de 2004 (em português).
  14. "Justiça nega pedido de indenização a Eurico Miranda" - Consultor Jurídico - 3 de Setembro de 2004 (em português).
  15. "Negócio de Vasco e Bordeaux sob suspeita" - GloboEsportes.com - 16 de Setembro de 2007.
  16. "Ação será aberta para o caso Paulo Miranda" - MeioNorte.com - 18 de Setembro de 2007.
  17. "Eurico Miranda é denunciado por apropriação indébita" - Consultor Jurídico - 8 de Março de 2006 (em português).
  18. "Eurico Miranda é condenado a 10 anos de prisão" - O Globo Online - 11 de Maio de 2007.
  19. "Justiça condena Eurico Miranda por sonegação fiscal" - Consultor Jurídico - 10 de Maio de 2007 (em português).
  20. "Eurico Miranda é condenado a dez anos de prisão" - esporte.uol.com.br - 10 de Maio de 2007 (em português).
  21. "Sentença contra Eurico é anulada" - GloboEsporte.com - 18 de Abril de 2008.
  22. "GLOBO vs. VASCO" - Observatório da Imprensa (em português).
  23. Eurico avisa no Vasco: 'Não estou voltando, já voltei.. Cópia arquivada em 11 de junho de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Antônio Soares Calçada
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