Eurico Miranda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Eurico Miranda
Eurico Miranda
Eurico Miranda no Estádio de São Januário
Nome completo Eurico Ângelo de Oliveira Miranda
Nascimento 7 de Junho de 1944 (64 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileira

Eurico Ângelo de Oliveira Miranda (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1944) é um dirigente esportivo brasileiro, ex-presidente do Club de Regatas Vasco da Gama. No Vasco foi eleito pela chapa de situação em 2000 e reeleito em 2003 e 2006. As últimas eleições foram anuladas pela oitava Câmara Cível do Rio de Janeiro e novas eleições para o Conselho Deliberativo do Clube foram realizadas em 21 de Junho de 2008, nas quais a chapa de Eurico Miranda saiu derrotada. No dia 27 de Junho de 2008 o Conselho Deliberativo do Vasco da Gama elegeu Roberto Dinamite, ex-jogador e eterno ídolo da torcida, presidente do Clube, dando fim a chamada "Era Eurico" no Vasco

Índice

[editar] O início

Eurico Miranda é filho de portugueses que na década de 30 imigraram para o Brasil, fugindo do regime de António Salazar.

Criado na zona sul do Rio de Janeiro, estudou no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, um colégio jesuíta freqüentado por boa parte da elite carioca. Acabou por ser expulso por causa de brigas[1].

Passou no vestibular para a Faculdade de Medicina, mas acabou por optar pela Faculdade de Fisioterapia. Eurico formou-se em fisioterapia e chegou a exercer a profissão antes de decidir ingressar na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi durante o curso de direito que Eurico, então com 23 anos, ingressou nas atividades adminstrativas Vasco da Gama, sendo diretor de cadastro em 1967.

[editar] Dirigente do Vasco da Gama

Em 1969, o presidente do Vasco da Gama era Reinaldo de Matos Reis, que não agradava à maioria dos conselheiros, mas que era defendido por Eurico, então já Vice-Presidente de Patrimônio. Foi realizada na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para decidir a cassação do seu mandato. Porém houve uma falha de energia e a reunião foi então adiada. No dia seguinte o jornal O Globo publicou uma fotografia que mostrava uma mão desligando o quadro de energia. O título da reportagem era: "A mão de Eurico". Eurico entrava assim para a história e política ativa do clube[2].

Apesar da mão de Eurico, Reinaldo de Matos Reis acabou por perder a presidência. Assumiu Agarthyno da Silva Gomes, então vice-presidente, em mandato interino até o fim de 1970. Eurico mais tarde passou a participar da administração de Agarthyno, apoiando-o. Porém em 1976 passou para a oposição do clube e apoiou a candidatura de Medrado Dias. O seu candidato acabou perdendo as eleições. Nesta época, Eurico ainda mantinha um escritório de advocacia, mas cada vez mais se dedicava à política do clube.

Em 1979, foi formada a chapa União Vascaína, que contava com Olavo Monteiro de Carvalho, Pedro Valente, Alberto Pires Ribeiro, Amadeo Pinto da Rocha e Antônio Soares Calçada, para além de Eurico Miranda. O grupo foi batizado de "Seis Homens de Ouro" e tinha como objetivo assumir a presidência do clube, há 10 anos entregue a Agathirno. O obejtivo foi alcançado e em 1980 Alberto Pires Ribeiro tornou-se o 40º presidente da história do clube e Eurico passou a ser o seu assessor especial e foi nomeado representante do clube na FERJ.

Eurico apareceu na mídia em 1980 ao trazer de volta do Barcelona o ídolo do clube, Roberto Dinamite. Isso deu a Eurico mais poder político e nas eleições para presidência para o triênio 1983-1986, Eurico separou-se dos "Seis Homens de Ouro" e concorreu contra outro membro do grupo, Antônio Soares Calçada. Porém perdeu as eleições. Três anos mais tarde voltou a concorrer, para mais uma derrota para Antônio Soares Calçada.

Antônio Soares Calçada decidiu então convidar Eurico para assunmir o cargo de vice-presidente do departamento de futebol. Como vice-presidente Eurico esteve envolvido na venda de Romário para o PSV em 1988 e, no ano seguinte, na compra do Bebeto, ídolo do rival Flamengo.

Apesar de ser vice-presidente, Eurico aparentava gozar de mais poder político que o próprio presidente Antônio Soares Calçada, que tinha uma personalidade mais calma. A sua posição política aumentou com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1997 e da Taça Libertadores de 1998, entre muitos outros títulos em diversos esportes, no bem-sucedido ano do Centenário do clube. Ele foi também responsável pela parceria do clube com o Bank of America, que investiu US$ 150 milhões e criou a Vasco da Gama Licenciamentos (VGL)[3]. Eurico permaneceu como vice-presidente de futebol até Antônio Soares Calçada terminar o seu último mandato, quando voltou a concorrer à presidência, 14 anos após a sua última tentativa. Desta vez Eurico alcançou a presidência, com o apoio de Antônio Soares Calçada. Foi reeleito em 2003 e afirmou que seria o seu último mandato[4], mas acabou por concorrer novamente.

Nos últimos anos a sua imagem como dirigente tem se degradado e sua popularidade diminuído. Nas eleições para o mandato de 2007-2009, Eurico concorreu contra o antigo ídolo do clube, Roberto Dinamite. Ele ganhou por uma pequena diferença de 439 votos, mas foi acusado de comprar votos e adulterar o resultado das eleições. Por causa dessas acusações, a oposição moveu duas ações judiciais questionando o resultado das eleições que neste momento estão sub judice[5].

[editar] Vida política

Em 1990, Eurico decidiu se candidatar a deputado federal pelo PL, apesar de já ter o cargo de vice-presidente do Vasco da Gama. Não conseguiu ser eleito, mas nas eleições de 1994 voltou a se candidatar, agora pelo PPB, e conseguiu ser eleito para deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro.

Em 1998 foi novamente eleito, mas em 2001 foi pedido a cassação do seu mandato por efetuar uma operação de câmbio não autorizada. Eurico foi acusado de promover evasão de divisas do país[6]. Apesar disso, Eurico voltou a concorrer nas eleições de 2002, porém não foi eleito, perdendo assim a imunidade parlamentar.

Em 2006, Eurico teve a sua candidatura indeferida pelo TRE do Rio de Janeiro. Segundo o argumento da juíza Jaqueline Montenegro, por falta de condições morais para exercer um mandato[7]. Porém Eurico recorreu da decisão e no mês seguinte teve a sua candidatura confirmada pelo TSE[8].

[editar] Processos judiciais

Ao longo da sua vida pessoal e política, Eurico esteve sempre envolvido em processos judiciais contra si.

Em 2001 Eurico foi multado em 150 salários mínimos pelos incidentes ocorridos num jogo do Campeonato Brasileiro entre Vasco da Gama e Gama[9].

O ano de 2004 foi particularmente cheio de processos judiciais para Eurico. Em Fevereiro foi decretada a sua prisão por não ter comparecido a um julgamento sem dar explicações[10]. No mês seguinte foi condenado a seis meses de prisão por ter agredido o jornalista Carlos Monteiro[11], porém recorreu e teve a prisão convertida em multa a ser paga ao agredido[carece de fontes?]. Em Abril foi a vez de Eurico processar um jornalista, mas também perdeu a ação movida. Eurico alegou que se sentiu ofendido pelas expressões "pernicioso" e "euricadas" usadas pelo jornalista Juca Kfouri na sua coluna no jornal LANCE![12]. Em outra ação contra a imprensa, agora a Infoglobo, Eurico pediu uma indenização pela notícia publicada em 21 de Julho de 2002 pelo jornal Extra que o acusava de desviar R$ 20 milhões do património do Vasco da Gama. Além de perder o caso, Eurico foi ainda obrigado a pagar os custos processuais e honorários dos advogados[13].

Por suspeita de desvio de dinheiro, uma nova investigação foi iniciada em 2007. Em questão está a venda do jogador Paulo Miranda em 2001 para o clube francês Girondins de Bordeaux. O empresário Logbi Henouda, que participou da negociação, afirma que o Girondins de Bordeaux pagou US$ 5,94 milhões pelo jogador, mas que Eurico Miranda declarou apenas US$ 2 milhões[14][15].

[editar] CPI do Futebol

Em 2001, Eurico Miranda foi alvo de uma série de denúncias na imprensa sobre diversas irregularidades em sua administração como vice-presidente e depois como presidente do Vasco. Houve uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na administração do futebol brasileiro e Eurico Miranda foi um dos acusados no relatório final da CPI. Foi aberto um processo de cassação contra ele, mas sua cassação não foi aprovada. Como Eurico não foi reeleito deputado em 2002, perdeu a imunidade parlamentar e teve abertos vários processos contra si na justiça.

Em 2006 foi aberto um novo processo judicial contra Eurico, agora por apropriação indébita. A acusação foi o resultado das investigações feitas pela CPI. De acordo com o Ministério Público, Eurico Miranda, enquanto presidente do Vasco da Gama, deixou de recolher contribuições previdenciárias, lesando o INSS. Além de Eurico, também foram acusados Antônio Soares Calçada, ex-presidente vascaíno, e Amadeu Pinto da Rocha, vice-presidente[16]. Em 2007 foi conhecida a decisão do tribunal e Eurico foi condenado a 10 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 53 mil[17][18]. Entretanto ele tem o direito de recorrer em liberdade e o processo está de volta aos tribunais[19]. No dia 18 de Abril de 2008, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça anulou, por unanimidade, a sentença, baseada na CPI do Futebol, que condenava Eurico[20].

[editar] Briga com a Globo

Desde o acidente ocorrido na final da Copa João Havelange, onde 168 pessoas ficaram feridas, que Eurico Miranda tem tido problemas com a Rede Globo. Eurico acusa a emissora de formar opiniões, jogando as pessoas contra ele. A Rede Globo por sua vez alega que Eurico, através da VGL, deve à empresa R$ 19 milhões, referente a um empréstimo feito ao clube.[21].

Como provocação, no último jogo da Copa João Havelange, Eurico fez o clube entrar em campo com o logotipo do SBT, emissora concorrente da Rede Globo. Isso aumentou ainda mais a briga entre a emissora e Eurico.


Precedido por
Antônio Soares Calçada
Presidente do Club de Regatas Vasco da Gama
20012008
Sucedido por
Roberto Dinamite

[editar] Ver também

Referências

  1. "A vida de Eurico Miranda vira livro" - Pelé.net - 22 de Fevereiro de 2005
  2. [O GLOBO, 26/11/1969, pgs. 1,24]
  3. "Futebol S.A." - ISTO É Online - 25 de Janeiro de 2000
  4. "Em 2003, Eurico disse: "Não serei mais candidato"" - GloboEsportes.com - 12 de Novembro de 2006
  5. "Eurico vence, mas eleição no Vasco está sub judice" - O Globo Online - 14 de Novembro de 2006
  6. "Após título, Eurico Miranda pode perder mandato de deputado" - Folha Online - 18 de Janeiro de 2001
  7. "TRE do Rio indefere 200 candidaturas" - O Globo Online - 24 de Agosto de 2006
  8. "TSE mantém registro de candidatura de Eurico Miranda para deputado federal" - Última Instância - 20 de Setembro de 2006
  9. "Eurico é multado em 150 salários mínimos" - terra.com.br - 18 de Dezembro de 2001
  10. "Eurico Miranda falta a audiência sem dar explicação" - Consultor Jurídico - 18 de Fevereiro de 2004
  11. "Eurico Miranda é condenado a seis meses de prisão" - Consultor Jurídico - 25 de Março de 2004
  12. "Eurico Miranda não consegue indenização de R$ 50 mil" - Consultor Jurídico - 28 de Abril de 2004
  13. "Justiça nega pedido de indenização a Eurico Miranda" - Consultor Jurídico - 3 de Setembro de 2004
  14. "Negócio de Vasco e Bordeaux sob suspeita" - GloboEsportes.com - 16 de Setembro de 2007
  15. "Ação será aberta para o caso Paulo Miranda" - MeioNorte.com - 18 de Setembro de 2007
  16. "Eurico Miranda é denunciado por apropriação indébita" - Consultor Jurídico - 8 de Março de 2006
  17. "Eurico Miranda é condenado a 10 anos de prisão" - O Globo Online - 11 de Maio de 2007
  18. "Justiça condena Eurico Miranda por sonegação fiscal" - Consultor Jurídico - 10 de Maio de 2007
  19. "Eurico Miranda é condenado a dez anos de prisão" - esporte.uol.com.br - 10 de Maio de 2007
  20. "Sentença contra Eurico é anulada" - GloboEsporte.com - 18 de Abril de 2008
  21. "GLOBO vs. VASCO" - Observatório da Imprensa
Ferramentas pessoais
Outras línguas