Eustácio Argiro (general)

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Eustácio Argiro
Nacionalidade Império Bizantino
Filho(s) Potos Argiro;
Leão Argiro
Ocupação General e governador
Principais trabalhos
  • Campanhas contra os árabes
Título
Império Bizantino em 950. O Tema de Carsiano está a leste
Detalhe do mosaico da porta imperial de Santa Sofia

Eustácio Argiro (em grego: Εὐστάθιος Ἀργυρός; m. ca. 910) foi um aristocrata bizantino e um dos mais proeminentes generais sob o imperador Leão VI, o Sábio (r. 886–912). Citado pela primeira vez em 900, quando é nomeado patrício e hipoestratego do Tema Anatólico e consegue alguns sucessos militares perante os árabes. Cai em desgraça pelos próximos anos e volta a ser citado em 908, quando torna-se estratego do Tema de Carsiano. Em 909, é nomeado como magistro e drungário da guarda, porém exerce função por apenas um ano. Cai em desgraça novamente, e é enviado para suas propriedades perto de Carsiano, porém morre envenenado no caminho.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Eustácio Argiro foi um descendente da nobre família Argiro.[1] Nada de sabe de sua vida antes da virada do século X, embora pode ter servido o império desde Miguel III, o Ébrio (r. 842–867).[2] Os historiadores bizantinos elogiam Eustácio Argiro como um homem inteligente, valente, prudente e justo, e mencionam-o, junto com Andrônico Ducas, como o melhor dos generais de Leão VI.[1] [3]

Após uma sucessão de comandantes militares desconhecidos, Eustácio tinha pelo começo dos anos 900 alcançado, de acordo com Teófanes Continuado, o posto de patrício e governador militar adjunto (hipoestratego) do Tema Anatólico. Desta posição, conseguiu alguns sucessos contra os árabes no Oriente, até cair em desgraça e ser exilado.[4] Embora nenhum detalhe ou razão é oferecido para este exílio, isto tem sido interpretado como uma referência à rebelião fracassada de Andrônico Ducas para os árabes em 906-907. Eustácio foi reabilitado logo após, provavelmente em 908, quando Constantino Ducas, o filho de Andrônico Ducas, escapou do exílio árabe e retornou para Constantinopla, onde foi perdoado por Leão.[5]

Eustácio foi nomeado como estratego do importante Tema de Carsiano.[1] Lá, recebeu o retorno ao serviço imperial de alguns senhores armênios, Melias, os três irmãos Baasácio, Crigorício e Pazunes, e Ismael, que foram estabelecidos como administradores de marcas junto da fronteira oriental do império.[6] Deles, Melias em particular iria se tornar o fundador do Tema de Licandos e um dos principais líderes bizantinos nas guerras contra os árabes nos próximos 30 anos.[7]

Seu mandato foi breve, contudo, desde ca. 909 foi promovido a magistro e o posto de drungário da guarda, ou seja, o comandante da guarda imperial, e substituído como estratego de Carsiano por Constantino Ducas. Cerca de um ano depois, caiu novamente sob suspeita de Leão - novamente a razão é desconhecida - e foi ordenado a retornar para as propriedades de sua família em Carsiano. No caminho, morreu após tomar veneno de um de seus serventes, e foi enterrado no cume do monte Aran.[6] Enquanto o historiador R. J. H. Jenkins sugere que isto foi feito através de um agente do poderoso eunuco Samonas, é mais provável que foi suicídio.[8] Seus dois filhos, Potos Argiro e Leão Argiro, que serviram no palácio como manglavitas (guardas pessoais do imperador), se organizaram para transferir o corpo do pai deles para ser enterrado no mosteiro ancestral de Santa Isabel no distrito de Carsiano.[1] [6]

Família[editar | editar código-fonte]

Ambos os filhos de Eustácio iriam ocupar comandos militares seniores, incluindo o posto de doméstico das escolas (comandante-em-chefe).[6] [9] Leão Argiro casou-se com uma filha do imperador Romano I Lecapeno (r. 920–944), e foi provavelmente o avô ou bisavô do imperador Romano III Argiro (r. 1028–1034).[10]

Referências

  1. a b c d Guilland 1967, Vol. I 570–571
  2. Tougher 1997, p. 210
  3. Tougher 1997, p. 207–208
  4. Tougher 1997, p. 210–211
  5. Tougher 1997, p. 209–210, 211
  6. a b c d Tougher 1997, p. 211
  7. Guilland 1967, Vol. II, p. 189–190
  8. Tougher 1997, p. 213, 218
  9. Guilland 1967, Vol. I 441–442, 571
  10. Guilland 1967, Vol. II 179

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Guilland, Rodolphe. Recherches sur les Institutions Byzantines, Tomes I–II. Berlim: Akademie-Verlag, 1967.
  • Tougher, Shaun. The Reign of Leo VI (886-912): Politics and People. Leiden, Países Baixos: Brill, 1997. ISBN 978-9-00-410811-0.