Evolucionismo teísta

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Evolucionismo teísta, ou evolução teísta é uma ideia filosófica criacionista que busca conciliar a ideia de Deus e a teoria da evolução.

A própria teoria da evolução foi originalmente proposta por um teólogo cristão, Agostinho de Hipona (353-430), para quem Deus teria criado o Universo com leis e criando sementes que desenvolveram em espécies ao longo dos tempos.

Quando Charles Darwin (anglicano agnóstico) e Alfred Wallace (espiritualista teísta) publicaram em 1858 a teoria da evolução das espécies por seleção natural, surgiram controvérsias nos meios cientícios e religiosos clamando incompatibilidade entre a concepção abraâmica de criação com evolução. Nessa época evangelistas como Henry Drummond e o botânico Asa Gray defenderam a compatibilidade teológica e científica entre criação e evolução, principalmente porque a teoria de Darwin clamava uma origem comum do ser humano, enquanto alguns cientistas como Samuel George Morton e Louis Agassiz defendiam a poligênese e diferentes espécies humanas (vale lembrar que na altura a palavra raça e espécie significavam a mesma coisa e portanto não deve-se ler a palavra raça com anacronismo marxista cultural que mistificou tal palavra num contexto pseudocientífico de demonização).

No século XX a presença de crentes em Deus na pesquisa biológica foi enorme: em que o notável teólogo e paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin (1881–1955) foi um exemplo de teísta evolucionista. A síntese moderna do evolucionismo (combinando genética molecular e seleção natural) foi desenvolvida por evolucionistas que acreditavam em Deus: Ronald Fisher (1890–1962) e Theodosius Dobzhansky (1900–1975). Recentemente Francis Collins, diretor do projeto Genoma, publicou uma defesa do teísmo evolucionista onde propôs o conceito de "Bios pelo Logos", ou simplesmente "BioLogos" ("bios", em grego "vida" e "logos", em grego "palavra"). Obedece tipicamente a seguinte versão:

  • "1. O universo surgiu, há aproximadamente 14 bilhões de anos (pela imposição de leis por Deus);
  • 2. Apesar das improbabilidades incomensuráveis, as propriedades do universo parecem ter sido ajustadas para a criação da vida;
  • 3. Embora o mecanismo exato da origem da vida na Terra permaneça desconhecida, uma vez que a vida surgiu, o processo de evolução e de seleção natural permitiu o desenvolvimento da diversidade biológica e da complexidade durante espaços de tempo muito vastos;
  • 4. Tão logo a evolução seguiu seu rumo, não foi necessária nenhuma intervenção sobrenatural (mas, alguns acreditam que a evolução é subtilmente acompanhada e orientada por Deus, como a ideia de Deus-presente-no-Universo de Spinoza);
  • 5. Os humanos fazem parte desse processo, partilhando um ancestral comum com os grandes símios;
  • 6. Entretanto, os humanos são exclusivos em características que desafiam a explicação evolucionária da Lei Moral (o conhecimento do certo e do errado) e a busca por Deus, que caracterizam todas as culturas humanas" 1

A partir dos anos 1960 emergiu o movimento criacionismo da terra jovem dizendo que a idade da terra seria mais recente do que é geologicamente aceito. O surgimento do universo e o surgimento da vida são assunto para a cosmologia, a física e a bioquímica, e não estão intrinsecamente relacionados com a Teoria da Evolução das Espécies, mas podem ser trabalhados de forma geral pela filosofia.

Evolucionismo teísta é distinto da doutrina do design inteligente e cientistas teístas evolucionistas como Kenneth R. Miller, John Haught, Michael Dowd, e Francis Collins criticam o design inteligente e criacionismo da terra jovem como não-científicos.

Referências

  1. COLLINS, Francis S. A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe. - trad. Giorgio Capelli - São Paulo : Editora Gente, 2007, p.206.
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