Exército Vermelho

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O Exército Vermelho, na sua forma curta, ou Exército Vermelho dos Operários e dos Camponeses (em russo: Рабоче-Крестьянская Красная Армия - Rabotche-Krest'yánskaya Krásnaya Ármiya) foi o exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criado por Leon Trotsky dos Bolcheviques em 1918 para defender o país durante a guerra civil russa, sendo desmantelado em 1991.

O nome, abreviado geralmente para Exército Vermelho, faz referência à cor vermelha, símbolo do socialismo, e ao sangue derramado pela classe operária em sua luta contra o capitalismo. Apesar de o Exército Vermelho ter sido transformado oficialmente no Exército Soviético em 1946, o termo Exército Vermelho é de uso comum no Ocidente para se referir a todas as Forças Armadas soviéticas ao longo de sua história. Cresceu muito na década de 1940, tornando-se um dos maiores e mais poderosos exércitos da história militar.

O Exército Vermelho é amplamente creditado como sendo a força decisiva na vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, que derrotou cerca de 80% das forças armadas alemãs, a Wehrmacht e grande parte da Waffen-SS na Frente Oriental. [1] [2]

Criação[editar | editar código-fonte]

Leon Trotsky saudando, 1917

O Exército Vermelho foi oficialmente criado em 28 de janeiro de 1918. No início, foi integrado por voluntários camponeses e operários comunistas. O comando foi formado com oficiais do antigo exército imperial do czar que haviam decidido permanecer em seus postos depois da Revolução de Outubro, em 1917. Ao se intensificar a guerra civil desatada por antigos oficiais aliados aos kulaks (grandes latifundiários), Lenin recorreu ao recrutamento obrigatório. No decurso da guerra interna, o Exército Vermelho chegou a contar com um efetivo de 5 milhões de homens, que enfrentaram o Exército Branco organizado pelos comandantes reacionários Lavr Kornilov e Anton Denikin, entre outros.

A organização do Exército Vermelho esteve a cargo de Leon Trotsky, que antes da revolução havia tido sob seu comando o comitê militar revolucionário que comandou o ataque à sede do governo provisório. Os bolcheviques (comunistas) tinham considerável influência no exército do czar. A Primeira Guerra Mundial debilitou o moral dos soldados, com o número de deserções aumentando a cada dia durante o conflito. Os comunistas tentaram com bastante êxito criar uma moral revolucionária no lugar da moral patriótica em declínio. Os soldados eram uma peça chave de seu projeto de sublevação.

As assembleias revolucionárias (sovietes), deviam ser "de operários, soldados e camponeses", segundo o lema do Partido Bolchevique (comunista). Meses antes da revolução, centenas de unidades do exército participaram de um congresso de organizações militares em Petrogrado (hoje São Petersburgo).

Logo após a criação do Exército Vermelho, a política de incorporação voluntária dava por resultado um exército de base muito instável e pouco disciplinada. Trostsky defendeu o recrutamento obrigatório, a manutenção dos oficiais czaristas em seus cargos e o comissariado político (incorporação de dirigentes do Partido junto ao comando militar). Restabeleceu a disciplina militar e reprimiu severamente a deserção e a traição. Explicou que não podiam dirigir as forças armadas com comitês revolucionários eleitos pelos soldados e acabou com a tática da guerra de guerrilha praticada em algumas regiões da Rússia, por considerá-la inadequada para uma luta em grande escala como a que se previa contra os brancos.

Guerra Civil (1918-1921)[editar | editar código-fonte]

Uma das ironias da história russa é que, tendo tomado o poder em Petrogrado minando a disciplina militar e a autoridade civil, os bolchevistas devem sua sobrevivência a poderosas forças armadas. As tropas de choque da revolução de outubro de 1917 eram soldados e marinheiros militantes, mas mesmo com a adição dos trabalhadores armados da Guarda Vermelha, estas forças eram inadequadas para enfrentar as ameaças ao nascente Estado Soviético.

Forças inimigas, fossem os assim chamados "Russos Brancos" ou os estrangeiros, ameaçavam o novo governo. Com o Exército Imperial russo exaurido por três anos de guerra mundial e desmontado pelos motins, nada servia de barreira entre o novo governo e o vitorioso exército alemão. Em março de 1918, os alemães apoiaram a independência dos estados bálticos da Letônia, Estônia e Lituânia, assim como um movimento separatista na Ucrânia. Uma vez assinado o tratado de paz entre o governo bolchevista e a Alemanha, os antigos aliados dela também intervieram, num esforço de reverter a decisão e trazer de volta a Rússia à Guerra Mundial. Para apoiar as tropas brancas, soldados ingleses e americanos desembarcaram em Arcangel'sk e Murmansk no norte, enquanto tropas adicionais inglesas e francesas operaram em Odessa, na Crimeia, e na região do Cáucaso. Na Sibéria, o altamente profissional exército tcheco, composto de antigos prisioneiros de guerra russos que tinham se alistado para lutar contra a Áustria-Hungria, dominaram a linha férrea transiberiana, apoiando os brancos. Tropas japonesas e americanas se espalharam para ocidente a partir de Irkutsk, na Sibéria, partindo do porto de Vladivostok, no Pacífico.

O resultado foi a Guerra Civil Russa de 1918-1921, uma experiência seminal tanto para o Estado Soviético como para o Exército Vermelho. Durante 1918 e 1919, Lenin e o comissário de Guerra, Trotsky, usaram as linhas férreas para mover suas limitadas reservas de um lado para outro, impedindo a derrota em diversos momentos. Isto se tornou conhecido com a guerra escalonada, na qual forças numerosas eram movidas (escalonadas) por ferrovia, para reforçar sucessivamente frentes que estivessem ameaçadas. Algumas divisões de infantaria foram transportadas até cinco vezes entre frentes durante o curso da guerra. Esta experiência deu a todos os participantes um sentimento dominante em relação à necessidade de reservas estratégicas e forças dispostas em grande profundidade.

A necessidade forçou Lenin a declarar o "Comunismo de Guerra". De forma a criar forças militares expressivas, o novo governo teve que recrutar homens de todos as origens sociais e aceitar os serviços de milhares de antigos oficiais do império. Por sua vez, a necessidade de assegurar a lealdade política de tais "especialistas militares", levou à instituição do comissário político para cada unidade, que tinha que aprovar todas as ações do comandante nominal.

Finalmente, o novo governo triunfou. No começo de 1920, o comandante tcheco na Sibéria entregou o auto-nomeado líder russo branco, o almirante A. V. Kolchak, em troca de passagem irrestrita para fora do país. Mais tarde, no mesmo ano, o Exército Vermelho repeliu uma invasão polonesa, feita em apoio dos separatistas ucranianos, mas foram por sua vez barrados pelo "milagre ao longo do Vístula", logo antes de Varsóvia. Por anos, os líderes do Exército Vermelho se envolveram em amargas recriminações sobre a responsabilidade por esta derrota. A despeito do reverso na Polônia, em 17 de novembro de 1920 os últimos russos brancos foram expulsos da Crimeia. Depois de umas poucas ações no Turquestão e no Extremo Oriente, a guerra acabou.

No processo, a primeira geração de comandantes militares soviéticos tinha criado uma visão única da guerra. Diferentemente das batalhas de trincheiras, fixas da Grande Guerra, a Guerra Civil Russa foi caracterizada pelas imensas distâncias, defendidas por números relativamente reduzidos de tropas. Nestas circunstâncias, os comandantes soviéticos tentaram integrar todas as operações táticas em um plano geral de campanha, almejando objetivos que estivessem situados profundamente na retaguarda inimiga. As duas chaves da vitória provaram ser a concentração de forças superiores para sobrepujar o inimigo em um ponto específico e então manobras rápidas, tais como movimentos de flanqueio, penetrações e cercos, para destruir um inimigo que estivesse disposto de forma tênue. O pré-requisito para tais manobras eram uma força ofensiva altamente manobrável, a qual na Guerra Civil se baseava em trens e carros blindados e, especialmente, formações de infantaria hipomóvel. A elite do Exército Vermelho, o 1º Exército de Cavalaria do Marechal S. M. Budienny, produziu uma geração de oficiais que acreditavam com paixão na importância da mobilidade e da manobra e logo abraçaram as forças mecanizadas como a arma de sua escolha.

Operação em profundidade (1922-1937)[editar | editar código-fonte]

No período logo depois da guerra, a situação caótica da economia soviética impedia os dispêndios necessários com um grande exército permanente e, em 1925, o Exército Vermelho tinha sido reduzido a 562.000 homens - um décimo de seu poderio máximo durante a Grande Guerra. As divisões de cavalaria e algumas divisões de fuzileiros dos distritos de fronteira permaneceram, mas com tamanho reduzido, enquanto a maioria das divisões remanescentes retiveram somente uma fração da força necessária. Estas divisões dependiam para alcançar o efetivo de guerra de reservistas convocados de regiões territoriais específicas. O sistema adotado em 1924-1925, combinando formações com núcleos de regulares com forças territoriais/milícia, deveria produzir quase 140 divisões durante um conflito, mas suas possibilidades em tempo de paz eram extremamente limitadas.

Numa período de economias, uma das poucas fontes de fundos para experimentos com armas foram os acordos secretos de colaboração germano-soviéticos. Os dois antigos inimigos compartilhavam um receio da Polônia e desejavam contornar as restrições impostas a eles pelos aliados ocidentais ao final da Primeira Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes (1919) proibiu a Alemanha de possuir tanques, gases tóxicos e aviões, mas, por uma década após 1921, o exército e governo alemães proveram fundos e assistência técnica para produzir e testar tais armas na União Soviética. Ambos os lados tiveram a oportunidade de testar equipamentos que não poderiam produzir de outra maneira. Contudo, o número real de tais armas foi relativamente pequeno.

A cooperação soviético-alemã incluiu a troca de observadores para exercícios militares, mas, em retrospecto, os dois exércitos desenvolveram suas doutrinas e teorias militares de forma independente. Durante os anos 20, a experiência da guerra Civil levou os escritores militares soviéticos a reverem todos seus conceitos de como travar a guerra. O antigo oficial tsarista, A.A. Svechin, liderou um debate estratégico, enquanto M.V. Frunze tentou formular uma doutrina militar uniforme, própria para um Estado socialista.

Talvez mais importante, o brilhante comandante da guerra civil, M.N. Tukhatchevsky e o teórico militar V.K. Triandofillov desenvolveram uma teoria estratégica de operações sucessivas, baseada no fracasso soviético contra a Polônia em 1920 e nas fracassadas ofensivas alemães na França, em 1918. Dito de forma simplística, eles acreditavam que os exércitos modernos eram muito grandes e resistentes para ser derrotados em uma única batalha cataclísmica. Ao invés disso, o atacante teria de combater uma série de batalhas, cada uma seguida por uma rápida exploração na retaguarda inimiga, e então outra batalha, quando o defensor reorganizasse suas forças.

Para agrupar essas batalhas em um contexto estratégico uniforme, os soldados soviéticos começaram a pensar em um novo nível de guerra, um meio termo entre as táticas das batalhas individuais e a estratégia de toda uma guerra. Este nível intermediário se tornou conhecido como Arte Operacional (operativnaia iskussiva). A Arte Operacional pode ser pensada como sendo o campo dos comandantes superiores, que planejam e coordenam as operações de grandes formações no contexto de uma operação estratégica ou de toda uma campanha. Isto é, uma série de ações que culminariam na conquista de um objetivo estratégico. Em 1927, Svechin resumiu a estrutura teórica: "A tática faz os passos a partir dos quais os saltos operacionais são montados. A estratégia aponta o caminho."

No final da década de 1920 e início da década de 1930 os teóricos soviéticos aperfeiçoaram o conceito da batalha em profundidade (glubokii boi) e planejaram usar a nova tecnologia, especialmente os tanques e aviões, para penetrar os elaborados sistemas de defesa desenvolvidos durante a Grande Guerra. Emergindo como conceito no Manual de Campanha de 1929, encontrou sua mais completa expressão nas "Instruções Sobre a Batalha em Profundidade", publicadas em 1935.

Em 1936, a rápida mudança tecnológica levou, por sua vez, ao conceito maior da Operação em Profundidade (Glubokaia operatsiia). Ao invés de planejar a penetração numa única batalha em profundidade, tática, Tukhatchevsky e outros teóricos previam penetrações e explorações em profundidades de operação de 100 quilômetros ou mais. A essência de tais operações profundas era usar as armas mais modernas disponíveis para neutralizar, simultaneamente, todas as defesas inimigas na maior profundidade possível e, então, explorar tão rapidamente que o defensor seria incapaz de se reorganizar a tempo. Nas palavras de A.I., "A tarefa principal e básica da arte militar é impedir a formação de uma frente estável [pelo exército defensor], dando às operações uma grande força de impacto e um ritmo acelerado".

Inicialmente, Tukhatchevsky e os outros teóricos pretendiam consegui-lo usando as armas da Guerra Civil Russa - formações de infantaria, artilharia e cavalaria, complementadas por carros blindados. Nessa forma, as táticas de Tukhatchevsky seriam pouco diferentes das dos outros exércitos. Durante, e imediatamente após a Grande Guerra, a maior parte dos exércitos ocidentais via o tanque como uma forma de arma de apoio, para ajudar a infantaria na penetração de posições defensivas preparadas. Entretanto, a teoria operacional e tática soviética evoluiu rapidamente e, no início da década de 30, os teóricos vermelhos incluíam todo o espectro de forças mecanizadas funcionando como um sofisticado time de armas combinadas. A infantaria, liderada pelos tanques e apoiada pela artilharia e pela engenharia, penetraria as defesas inimigas, enquanto outra artilharia e aviões atacariam mais profundamente na retaguarda inimiga, seguidas por grandes formações independentes de pára-quedistas e blindados. Para realizar isso, os tanques seriam organizados em três escalões diferentes: alguns tanques liderariam as penetrações da infantaria; outros realizariam explorações de curto alcance deste rompimento; e ainda outros, operando em grandes grupos de armas combinadas mecanizadas, iriam liderar a perseguição e cerco ao inimigo batido. Estes conceitos, que apareceram impressos já em 1929, foram codificados nos Regulamentos Provisórios de Campanha de 1936 do Exército Vermelho.

A ideia de uma operação mecanizada profunda era incomum, mas não era a única em seu tempo. A teoria militar em todos os exércitos evoluiu na mesma direção geral, usando graus variados de mecanização para penetrar as defesas inimigas e assim superar, ou evitar, o impasse da guerra de trincheiras. O que era sem precedentes no conceito soviético foi a sanção oficial que recebeu do dirigente soviético, Stalin, que elaborou grande parte do seu plano quinquenal de desenvolvimento econômico para criar a capacidade industrial e a produção necessárias à implementação do conceito. Dados aos problemas da indústria soviética durante a Grande Guerra e a crença que a Revolução Comunista permanecia vulnerável à ataques capitalistas, era natural que Stalin desse uma grande prioridade ao desenvolvimento de uma indústria bélica.

Este esforço frutificou em um período surpreendentemente curto. Com a exceção de uns poucos veículos experimentais, a União Soviética não produziu seu primeiro tanque nacional, o MS-1, baseado no Renault FT-17, produzido de 1928 a 1931, apesar desse ser um fracasso perto de novos tanques, como o T-26, baseado no britânico Vickers 6-Ton, a série BT, baseada no americano Christie M1931 e que mais tarde deu origem ao lendário T-34, e no T-28, baseado no britânico Vickers A1E1 Independent. Quatro anos depois, as fábricas russas estavam entregando 3.000 tanques e outros veículos blindados por ano. Um crescimento igualmente rápido ocorreu na aviação, artilharia e armas de infantaria.

A sanção oficial e os generosos suprimentos de equipamento foram as bases para um crescimento constante da estrutura da força mecanizada. O primeiro regimento experimental de tanques tinha sido formado em Moscou em 1927, usando 60 tanques construídos no exterior. Três anos depois surgiu a primeira brigada experimental mecanizada, composta de unidades blindadas, infantaria motorizada, artilharia e de reconhecimento.

O desenvolvimento da Operação em Profundidade pedia por mais e maiores formações mecanizadas para poder penetrar as defesas inimigas e então manter a inércia de uma exploração rápida. Em 9 de março de 1932, uma comissão especial do Comissariado de Defesa do Povo recomendou a criação de forças blindadas de todos os tamanhos para realizar funções específicas de combate em todos os níveis de comando. Cada divisão de fuzileiros (infantaria) de 12.500 homens (18.000 em tempo de guerra), incluiria um batalhão de tanques (57 tanques leves), e cada divisão de cavalaria um regimento mecanizado (64 tanques leves). Brigadas de tanques formariam uma força de reserva geral para cada corpo de fuzileiros e exército, e um corpo mecanizado isolado, atuando como um "grupo móvel" dos tempos da Guerra Civil, iria conduzir penetrações profundas nas áreas de retaguarda inimigas. Estes corpos, cada um composto de duas brigadas de tanques e de uma de fuzileiros, eram de fato ligeiramente maiores do que uma divisão ocidental. Cada brigada de tal tipo integrava as diferentes armas combinadas - tanques, infantaria motorizada, artilharia, engenheiros e canhões antiaéreos.

Os soviéticos formaram seus dois primeiros corpos mecanizados em meados de 1932, três anos antes dos alemães terem criado suas primeiras Divisões Panzer. Pelos anos seguintes, o número e complexidade das formações blindadas, mecanizadas e aerotransportadas cresceu regularmente. As forças aerotransportadas, em especial, eram forças de elite, compostas em grande parte por dedicados comunistas que tinham aprendido a pular de pára-quedas nas organizações de juventude do Komsomol.

Exercícios em grande escala testaram a teoria de ofensivas mecanizadas e aerotransportadas combinadas. Ao mesmo tempo, o resto do Exército Vermelho gradualmente mudou para uma organização de quadros de regulares, eliminando o sistema misto de quadros/territoriais. Em 1 de junho de 1938, o Exército Vermelho era uma força de tempo integral com 1,5 milhão de homens.

Naturalmente, a mecanização soviética não foi perfeita. Tal como na Alemanha de antes da Guerra, a maior parte dos tanques produzidos na Rússia era blindada de forma muito ligeira, confiando na velocidade para sua proteção. As comunicações radiofônicas, uma necessidade para a manobra no campo de batalha, eram notoriamente pouco confiáveis, muitos tanques, assim como acontecia na aviação, sequer possuíam rádios, e se possuíam eram pouco confiáveis. O corpo mecanizado provou ser tão grande e canhestro que em 1935 as forças autorizadas para ele foram reduzidas temporariamente. Devido ao fato do soldado mediano soviético do período não ter experiência como motorista ou mecânico, o equipamento quebrava e se desgastava em um ritmo acelerado. Em retrospecto, alguns historiadores soviéticos admitiram que a ênfase na ofensiva mecanizada levou o Exército Vermelho a negligenciar o planejamento e treinamento para a defesa, pelo menos no nível operacional. Deixados sozinhos, os comandantes de tanques soviéticos iriam precisar de vários anos para resolver tais problemas.

Ainda assim, em meados de 1930, a União Soviética liderava no mundo na produção, planejamento e mobilização de forças mecanizadas. Talvez mais importante, o Exército Vermelho estava bem à frente de sua contrapartida alemã, seja nos conceitos teóricos, seja na experiência prática da guerra mecanizada. Na Alemanha, Heinz Guderian e outros teóricos da arma blindada receberam apoio limitado dos líderes civis e militares - as unidades Panzer eram parte do blefe diplomático de Hitler. E, mesmo sendo um instrumento real de guerra, seu uso não integrava a doutrina oficial alemã. A produção de tanques ocupava uma posição secundária em relação à de aviões, para a Luftwaffe, e os tanques produzidos eram geralmente destinados a unidades de apoio de infantaria e a outras organizações fora do controle de Guderian. Ao mesmo tempo, o exército alemão como um todo estava apenas começando a se expandir para além dos severos limites impostos pelo Tratado de Versalhes. Em resumo, se os alemães e soviéticos tivessem lutado contra si em meados da década de 1930, o Exército Vermelho teria levaria uma considerável vantagem sobre seu oponente, quer na qualidade do equipamento. Apesar dos tanques soviéticos serem levemente blindados, eram extremamente confiáveis mecanicamente, excetuando-se os modelos T-28 e T-35, estavam melhor armados, geralmente com um canhão de 37 ou 45 mm (o T-28 levava um canhão de 75 mm e o T-35 um canhão de 75 mm e dois de 45 mm), enquanto os primeiros tanques alemães, como o Panzer I e II eram armados com um par de metralhadoras de 7.92 mm e um canhão de 20 mm, respectivamente, e tinha o mesmo problema de falta de blindagem, mas eram mecanicamente confiáveis. Essas armas de curto calibre alemães não tinham o mesmo alcance que os canhões russos, mas ainda assim conseguiam penetrar a blindagem desses a curta distância. Projetos como o Panzer III e IV ainda estavam em desenvolvimento e outro modelo de sucesso na Panzerwaffe alemã, o LT vz. 38, modelo tcheco originalmente feito para o Exército Checoslovaco e que caiu em mãos alemãs após esses a anexarem, e que eles continuaram a produzir pois era um modelo excelente, comparável ao T-26 soviético, mas mais rápido e levemente mais bem blindado e com uma arma similar ao desse modelo.

Expurgos no Alto Comando (1937-1939)[editar | editar código-fonte]

Tanques soviéticos BT-7 durante a batalha de Khalkhyn Gol.

Em 1939 a vantagem tinha desaparecido e o Exército Vermelho estava em desordem. Das muitas causas dessa mudança, a mais séria foi o expurgo que Stalin fez na liderança soviética. Começando em 1934, ele sistematicamente eliminou quaisquer competidores em potencial pelo poder em todo o governo soviético. Em 1934, somente o Exército Vermelho permanecia intocado.

Stalin sempre amou o Exército Vermelho, mas tinha suspeitas da liderança profissional dele. Durante a Guerra Civil, Stalin serviu como oficial político em diversas frentes. No processo, ele desenvolveu uma profunda suspeita dos soldados profissionais (excluindo seus compadres da cavalaria), especialmente os especialistas militares do antigo exército do tsar que ajudaram a administrar o Exército Vermelho, mas que, ocasionalmente, o traíam. Stalin foi rápido em culpar os profissionais, incluindo N.N. Tukhatchevsky e A.I. Egorov, por todos os contratempos, convenientemente esquecendo da sua parcela de responsabilidade pela derrota na frente de Varsóvia, durante a Guerra Civil Russa.

Uma vez que a paz voltou, Stalin permaneceu desconfortável com teóricos inovadores, tais com Tukhatchevsky. Como Hitler, Stalin valorizava a lealdade, ortodoxia e subserviência intelectual. O único assessor militar aproximado a ele, Comissário Klimt Voroshilov, encorajava os preconceitos de Stalin a este respeito. Voroshilov executava ordens sem questionar. Ele se ressentia do brilho intelectual porque ele ressaltava suas próprias habilidades limitadas como comandante. Como um resultado, Voroshilov avidamente repetia os rumores de uma conspiração militar centrada em Tukhatchevsky. Os serviços anteriores de Tukhatchevsky sob Trotsky e sua longa visita passada à Alemanha davam alguns resquícios de fato para apoiar as alegações que ele um espião trotskista ou alemão. Em 27 de maio de 1937, o Marechal Tukhatchevsky e um certo número de seus colegas foram presos.

O que foi incomum a respeito dos expurgos do exército foram que eles começaram sem os julgamentos públicos ostentosos que acompanharam todos os passos prévios nos julgamentos anteriores de Stalin. Todos os procedimentos foram secretos e apressados. Um oficial leal, E. B. Gamarnik, cometeu suicídio, para não ter que participar da banca que julgou Tukhatchevsky, mas outros oficiais superiores, incluindo os marechais S. M. Budenny e V.K. Bliukher, participaram de boa vontade. No dia 12 de junho, Voroshilov simplesmente anunciou a execução do Comissário Adjunto de Defesa Tukhatchevsky, de dois comandantes de distritos militares e seis outros oficiais de alta patente.

Pelos próximos quatro anos, até a invasão alemã, os oficiais soviéticos desapareceram com uma frequência alarmante. De um total estimado de 75.000 a 80.000 oficiais nas forças armadas, pelo menos 30.000 foram encarcerados ou executados. Incluíam três de cinco marechais; todos os 11 Comissários Adjuntos de Defesa; todos os comandantes de distritos militares; os comandantes e chefes de estado maior da Marinha e da Força Aérea; 14 dos 16 comandantes de exército; 60 dos 67 comandantes de corpo; 136 de 199 comandantes de divisão; 221 dos 397 comandantes de brigada; e 50 por cento de todos os comandantes regimentais. Outros 10.000 oficiais foram demitidos em desgraça.

A base de Stalin para identificar os traidores era tênue, na melhor das hipóteses. Poucos, se é que algum, dos comandantes condenados tinham cometido crimes identificáveis. O único critério consistente parece ter sido eliminar todos os comandantes superiores que não devessem suas próprias carreiras a Stalin e que, portanto, pudessem consistir em um desafio à sua autoridade. Dos aprisionados, 15 porcento foram posteriormente reabilitados para servirem na guerra, alguns deixando a prisão para seguirem diretamente para comandar uma divisão ou até uma unidade maior. Talvez o mais famoso dos prisioneiros fosse K.K. Rokossovsky, que terminou a guerra como um Marechal da União Soviética, comandando uma frente. Os expurgos continuavam quando a guerra abarcou a União Soviética em 1941.

Em 1937-1939, entretanto, a reabilitação das pessoas expurgadas ainda estava distante no futuro. Toda uma geração de comandantes, administradores do governo e gerentes de fábricas foi dizimada. Jovens, muitas vezes sem experiência ou treinamento, acharam-se jogados em altos comandos. Em 1938, por exemplo, o então major S.S. Biriuzov se apresentou na 30ª divisão de fuzileiros de Irkustk, depois de ter terminado o curso de estado maior. Descobriu que o comandante, o comissário político, o chefe de estado maior, e todos os chefes de seção do estado maior, com exceção de um, da divisão tinham sido presos, deixando-o como o comandante da divisão, um posto que pedia por três postos e dez anos a mais de experiência do que ele tinha. Estrelas caíram sobre a turma de 1937 da Escola Voroshilov de Estado Maior. A turma se formou um ano antes do previsto e incluiu futuras sumidades como A.M. Vasilevsky, A.I. Antonov, e M.V. Zakharov, que foram jogados de forma precipitada em postos de estados-maiores ou comandos de grande importância. Naturalmente, o treinamento e o trabalho de manutenção sofreram, abrindo o caminho para as performances desastrosas do Exército Vermelho em 1939-1942. Mais ainda, apesar da Batalha em Profundidade e a Operação em Profundidade terem permanecido como conceitos operacionais oficiais do Exército Vermelho, a repentina morte de Tukhatchevsky colocou uma mácula na reputação dos conceitos e da própria estrutura da força mecanizada. Muitos dos escritos teóricos de Tukhatchevsky foram recolhidos de circulação pública e destruídos.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) o grande ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, retardou ainda mais o desenvolvimento das forças soviéticas. Um número limitado de tanques e tanquistas soviéticos participaram do lado Republicano, assim como os alemães e italianos tinham dado equipamento e homens para apoiar Francisco Franco. Os soviéticos sofreram um número de reveses. Seus tanques eram blindados de forma muito fraca; tinham tripulações improvisadas que muitas vezes não podiam se comunicar com a infantaria que os acompanhava, que só compreendia o espanhol; e no combate os tanques tendiam a ultrapassar os soldados a pé que os acompanhavam, o que permitia aos defensores fascistas destruir os tanques com certa facilidade. D.G. Pavlov, o chefe das forças blindadas e um dos oficiais soviéticos de maior patente a servir na Espanha, retornou para casa com uma atitude extremamente pessimista. Concluiu que as novas formações mecanizadas eram grandes e canhestras demais para serem controladas, muito vulneráveis ao fogo de artilharia, e teriam grande dificuldade em penetrar posições inimigas preparadas, de forma a poderem conduzir operações em profundidade. Em resumo, os tanques não podiam atacar independentemente, tendo que ser integrados em funções de armas combinadas.

Em retrospecto, outros exércitos tiveram dificuldades semelhantes com a mecanização no final da década de 1930. Exceto a França, todas as nações produziram tanques que eram insuficientemente blindados e tendiam a usar os blindados como unidades independentes, do tipo de reconhecimento de cavalaria, ao invés de o fazer em cooperação próxima com as outras armas combatentes. Certamente, os tanquistas alemães e italianos enfrentaram os problemas semelhantes na Espanha. No caso soviético, contudo, a fraqueza descrita por Pavlov alimentou as chamas da indecisão e suspeita, acesas pelo Grande Expurgo.

Em julho de 1939, uma comissão especial, reunida em resposta à estas críticas, revisou toda a questão da organização das forças blindadas. A comissão era chefiada por um dos seguidores de Stalin, o Comissário Adjunto de Defesa, G.I. Kulik, e incluía alguns importantes sobreviventes da Guerra Civil, como os Marechais S.M. Budenny e S.K. Timoskenko. Poucos oficiais com experiência em blindados ou jovens defensores das ideias de Tukhashevsky tiveram permissão para participar nos estudos da comissão. Em agosto, a comissão chegou a um meio-termo que determinava a remoção dos elementos de infantaria motorizada dos corpos de tanques (o nome que foi dado aos corpos mecanizados em 1938) e das brigadas de tanques, reduzindo essas unidades a um papel de apoio de infantaria. A Comissção Kulik autorizou a criação de quatro novas divisões motorizadas que pareciam muito com as divisões panzer do período e podiam ser usadas tanto como um grupo móvel, para uma penetração limitada, ou como parte de um grupo cavalaria-mecanizado maior, para uma penetração mais profunda, a nível de frente. Apesar dos corpos de tanques terem sido abolidos formalmente em 15 de janeiro de 1940, na prática, dois deles sobreviveram. No todo, os conceitos e estrutura de força blindada tinham regredido a um estágio bem mais primitivo e menos ambicioso do que tinham alcançado em 1936.

Conflito com o Japão[editar | editar código-fonte]

Lago Khasan e Khalkin-Gol - A última parte do Exército Vermelho a sentir o impacto dos grandes expurgos foi a Sibéria e o Extremo Oriente, onde a distância de Moscou se combinava com uma ameaça externa para limitar os efeitos desorganizadores dos expurgos de Stalin. As incursões japonesas na Manchúria em 1931 e na China propriamente dita seis anos depois, levaram Moscou e Tóquio a uma guerra não declarada que eclodiu duas vezes no final da década de 1930. O governo soviético reagiu fortemente a essas ameaças em um bem sucedido, mas custoso, esforço de impedir o Japão de declarar uma guerra aberta.

Durante julho e agosto de 1938, as duas potências repetidamente embateram-se sobre a posse de uma estreita ponta de terra no lago Khasan, 110 quilômetros a sudoeste de Vladivostok. Em 11 de agosto, os muito pressionados japoneses pediram um armistício, eventualmente retirando-se depois de sofrer 526 mortos e 900 feridos. A performance soviética foi caracterizada por ataques frontais e uma má coordenação de armas combinadas, resultando em 792 soldados soviéticos mortos ou desaparecidos e 2.752 feridos.

Sem serem desencorajados, os japoneses escolheram uma área remota do rio Khalkhin-Gol, entre a Mongólia Exterior e o estado-satélite japonês de Mandchuko, ou Mandchuria, para novamente testar a força de vontade soviética. Em maio de 1939, os japoneses ocuparam a área ao redor da vila de Nomonhan, esperando desafiar a força soviética em uma área onde as estradas ruins restringiriam o tamanho das forças que podiam ser empregadas. Depois de um retrocesso inicial, entretanto, o comando das forças soviéticas foi dado ao Comandante de Corpo (Komkor) G. K. Zhukov, um dos discípulos mais brilhantes de Tukhachevsky. Sem ser descoberto pelos japoneses, Zhukov reuniu 57.000 homens, 498 tanques, e 385 carros blindados, organizados em três divisões de fuzileiros, duas brigadas de tanques, três brigadas de carros blindados, uma brigada de metralhadoras e uma brigada aerotransportada. Às 05:45 horas de domingo, 20 de agosto de 1939, ele atacou. Uma divisão territorial recentemente mobilizada atolou-se em frente às defesas japonesas, mas, ao mesmo tempo, as forças móveis soviéticas moveram-se ao redor de ambos os flancos e cercaram a maior parte das tropas japonesas. Uma tentativa japonesa de romper o cerco falhou no dia 27 de agosto. Em 15 de setembro os japoneses assinaram um acordo em Moscou, para terminar a guerra não declarada. A breve operação custou aos soviéticos 7.974 mortos e 15.251 feridos e aos japoneses 61.000 mortos, feridos ou aprisionados.

Khalkhin-Gol teve dois resultados importantes. Primeiro, o governo japonês decidiu que tinha subestimado seriamente os soviéticos e Tóquio partiu para outros locais, em busca de esferas de influência. Isto, no final das contas, contribuiu para o conflito com os Estados Unidos, mas também deu segurança à porta dos fundos dos soviéticos por toda a Segunda Guerra, pois o Japão absteve-se de se unir ao ataque de Hitler contra a União Soviética. Em segundo lugar, Zhukhov começou sua ascensão meteórica, levando junto com ele muitos dos seus subordinados, que mais tarde se tornaram proeminentes comandantes na guerra. Por exemplo, o chefe do estado-maior de Zhukov em Khalkhin-Gol, S.I. Bogdanov, posteriormente comandou o 2º Exército de Tanques de Guardas, uma das formações mecanizadas de elite que derrotaram a Alemanha.

Khalkhin-Gol demonstrou a viabilidade da teoria e estrutura de forças soviética, mas foi apenas um ponto brilhante em um quadro geral desolador. Uma semana depois da vitória de Zhukov, o exército alemão invadiu a Polônia, começando a campanha que levaria a Alemanha e a União Soviética em contato direto e ao conflito na Europa Oriental. O Exército Vermelho estava lamentavelmente com falta de preparação para o desafio.

O Pacto Molotov-Ribbentrop[editar | editar código-fonte]

Um conflito entre a Alemanha Nazi e a União Soviética parecia inevitável desde o momento em que Adolf Hitler chegou ao poder em 1933. Hitler alcançou o cargo em parte por retratar, a si e ao seu partido político, como o único bastião capaz de impedir a difusão do comunismo internacional. À parte a rivalidade ideológica entre o Nacional Socialismo e o Marxismo-Comunismo, os dois países eram naturalmente competidores geopolíticos. A experiência russa em relação às constantes invasões vindas do oeste motivaram o governo em Moscou a manter estados-tampão na Europa Central e Oriental. De forma semelhante, a dinâmica de poder na Alemanha e a ideologia nazista encaravam a dominação alemã na mesma região como parte inevitável do ressurgimento nacional.

A cooperação militar secreta entre alemães e russos terminou, por mútuo consentimento, meses após a ascensão de Hitler ao poder. Os dois regimes lutaram por procuração na Guerra Civil Espanhola, enviando “voluntários” e equipamento para ajudar os lados opostos. Em 1938, bombardeiros russos afundaram um navio de guerra alemão ao largo da costa da Espanha. Enquanto isso, Moscou condenava cada demanda sucessiva dos alemães por mais território na Europa Central.

Ainda assim, Stalin relutava em lutar sem aliados. No final da década de 30, a economia soviética começava a se recuperar dos problemas, conflitos e expurgos prévios e Stalin não desejava lutar em uma guerra que certamente enfraqueceria o jovem estado socialista, ao mesmo tempo em que removeria a ameaça alemã ao ocidente capitalista. Ante de uma possível agressão germânica, M.M. Litvinov, o Comissário Soviético para Relações Exteriores, fez em vão uma campanha pela segurança coletiva. Em 1938 a crise de Munique, que repartiu a Checoslováquia, convenceu Stalin de que era improvável que Inglaterra e França tomassem ações efetivas contra Hitler, não hesitando em sacrificar de boa vontade a União Soviética, se tal oportunidade surgisse. Apesar de a União Soviética ter feito uma mobilização parcial para intimidar a Alemanha e impressionar seus antigos aliados, Moscou sequer foi convidada para a Conferência de Munique.

Após longas negociações diplomáticas, finalmente representantes militares ingleses e franceses foram a Moscou, em agosto de 1939, para discutirem planos específicos de ação conjunta. O fato desses representantes terem patentes relativamente baixas, somado à limitação das forças militares britânicas, confirmava o ceticismo soviético a respeito da seriedade dessas negociações. No final, os encontros naufragaram ao abordar a questão do direito de passagem de tropas pela Polônia. O negociador soviético, Marechal Voroshilov, insistiu em que as forças do Exército Vermelho tivessem autorização para entrar na Polônia de forma a poder juntar-se à resposta combinada ante mais uma agressão alemã. Não se sabe se isto era uma proposta sincera dos soviéticos ou um teste para a resolução ocidental, mas o coronel Joseph Beck [ministro das relações exteriores da Polônia], compreensivelmente se opunha a tais direitos de passagem, suspeitando que seu antigo inimigo mantivesse ambições territoriais. O rei Carol II da Romênia também se opunha à passagem de soviéticos por seu território. Em desespero, no dia 22 de agosto, o negociador francês prometeu unilateralmente que Varsóvia permitiria tal passagem em tempo de guerra.

Porém, nesse momento, Stalin já descobrira que teria mais a ganhar entrando em compromisso com Hitler do que poderia esperar de seus parceiros ocidentais, sempre divididos e indecisos. Em 3 de maio de 1939, Litvinov foi substituído por V. I. Molotov. Isso era um sinal claro de que Moscou se afastava de sua política de segurança coletiva contra Hitler e, nos meses seguintes, os dois inimigos negociaram um acordo financeiro e comercial. Os alemães inicialmente alimentaram suspeitas frente às ofertas soviéticas, que ocorreram enquanto continuavam as negociações com os representantes britânicos e franceses. Entretanto, à medida que a crise polonesa se intensificava, Hitler reconsiderou a proposta. Alemães e russos pareciam sentir que o tempo se encurtava. Hitler queria ter as mãos livres para lidar rapidamente com a Polônia, enquanto Stalin não desejava se envolver em uma guerra prematura sem aliados confiáveis. Em 20 de agosto de 1939, Hitler enviou a Stalin uma mensagem pedindo que a liderança soviética recebesse o ministro das Relações Exteriores, Joachim von Ribbentrop antes do dia 23 de agosto. Ribbentrop voou para Moscou e rapidamente concluiu um acordo de não-agressão, que foi anunciado a um continente estupefato em 24 de agosto.

O Pacto Molotov-Ribbentrop prometia publicamente amizade, mas secretamente dividia a Europa Oriental em esferas de influência. A Alemanha ocuparia a Polônia ocidental e central. Em troca, a União Soviética teria uma posição dominante nos Países Bálticos e controlaria a Polônia a leste dos rios Bug e San. Nenhum dos lados esperava que este acordo durasse indefinidamente, e o pacto não impedia o Japão, aliado alemão, de desafiar a União Soviética na Ásia, como descrito anteriormente. Ainda assim, Berlim e Moscou ficaram livres de suas preocupações imediatas a respeito de um conflito em duas frentes e puderam se concentrar em dividir espólios antes de retornarem ao seu antagonismo de longa data.

Polônia e os estados bálticos[editar | editar código-fonte]

A despeito deste tratado, a rápida conquista da Polônia por parte dos alemães em setembro de 1939 foi um choque desagradável para os Moscou. Ao contrário da Checoslováquia, a Polônia estava pronta para lutar contra a partição e os analistas soviéticos tinham esperado que os combates continuassem por meses. Entretanto, o colapso dos poloneses era evidente já nas primeiras duas semanas da guerra.

O governo soviético teve que correr para reunir suas próprias forças para assegurar suas pretensões na Polônia Oriental e para se proteger contra uma traição alemã. Em 5 de setembro de 1939, Moscou começou a chamar os reservistas para o serviço ativo e logo depois implantou a recrutamento universal. Esta mobilização parcial afetou seriamente a indústria soviética, ao remover um milhão de trabalhadores especializados de suas fábricas em um tempo muito curto; o resultado foi um significativo défice de produção em 1940. Enquanto isso, os distritos militares da Ucrânia e da Bielorrússia foram colocados em pé de guerra, como frentes, aproximadamente equivalentes a quartéis generais de grupo de exércitos.

Em 14 de setembro, Molotov comunicou aos alemães que o Exército Vermelho interviria nas áreas designadas a eles da Polônia e três dias depois, tropas soviéticas cruzaram a fronteira. Por causa da mobilização feita as pressas, a maior parte das unidades do exército ainda não tinha atingido suas áreas de concentração. Ao invés, cada frente formou um grupo móvel, composto de unidades de cavalaria e mecanizadas. Se esperava que estes grupos móveis, na verdadeira maneira de agir soviética, deveriam penetrar as fracas defesas de fronteira polonesas e mover-se rapidamente para a fronteira ocidental da esfera que tinha sido dada aos soviéticos.

Mesmo essas unidades escolhidas foram estropiadas pela logística improvisada, especialmente falta de combustível. Por exemplo, A.I. Eremenko sofreu repetidas dificuldades como comandante do 6º Corpo de Cavalaria da Frente Bielorrussa. Seu destacamento de vanguarda, composto por um regimento de tanques e um batalhão de infantaria motorizada, penetrou quase 100 km no primeiro dia. Em uma tentativa de continuar com este avanço, Eremenko teve que tirar o combustível de um terço de seus veículos, para manter os outros dois terços se movendo. Quando ele encontrou os alemães em Bialystok, Eremenko teve que obter um reabastecimento de combustível de emergência, por via aérea.

Tais dificuldades logísticas eram aumentadas pela resistência do moribundo estado polonês. Forças polonesas infligiram baixas no Exército Vermelho somando 996 mortos e 2,002 feridos, e umas poucas escaramuças aconteceram também entre alemães e soviéticos. Os líderes soviéticos mais tarde insistiram que os ucranianos e bielorrussos étnicos da Polônia oriental os tinham recebido de braços abertos. No final de outubro, assembleias populares na região tinham pedido a união com as repúblicas socialistas da Ucrânia e Bielorrússia, e o novo território foi absorvido na URSS. É indubitavelmente verdade que algumas dessas pessoas preferiam à anexação soviética ao domínio alemão, apesar da liderança militar polonesa não compartilhar de tais sentimentos. Durante a primavera de 1940, 14.500 oficiais, cadetes e sargentos poloneses capturados foram executados e enterrados em covas coletivas em Katyn e outros locais dentro da União Soviética. Apesar de Moscou posteriormente ter culpado os invasores alemães, esse massacre foi obra de Stalin e da NKVD.

O Exército Vermelho não recebeu nem mesmo essa recepção dúbia nos Estados Bálticos, onde Stalin estava ansioso para implementar o Pacto Molotov-Ribbentrop. Entre 28 de setembro e 10 de outubro de 1939, Moscou forçou a Estônia, Letônia e Lituânia a assinar acordos de assistência mútua. Os três governos concordaram em permitir bases navais, aéreas e de artilharia de costa soviéticas em seus territórios. Também prometeram apoiar uns aos outros em caso de ataque e a não participar de alianças dirigidas contra a União Soviética ou a outros signatários. Em troca, Moscou devolveu a cidade de Vilnius do controle polonês para o lituano.

Preocupados com a redisposição de forças para enfrentar a França e Inglaterra, a Alemanha não estava em posição de apoiar os estados bálticos, mesmo se quisesse anular o pacto Molotov-Ribbentrop. Entretanto, os governos nacionais bálticos continuaram seus laços tradicionais com a Alemanha e tentaram aperfeiçoar suas defesas contra Moscou. Numerosos incidentes menores eclodiram entre a população local e as forças soviéticas.

Mesmo essa limitada independência báltica não sobreviveu por muito tempo. Em 14 de junho de 1940, Stalin emitiu um ultimato à Lituânia. Exigiu a demissão e julgamento de dois ministros anti-soviéticos, acusados de “atos de provocação” contra as guarnições soviéticas, assim como a ocupação total de grandes cidades lituanas pelo Exército Vermelho. Vinte e quatro horas mais tarde, a União Soviética ocupou a Lituânia e emitiu ultimatos semelhantes à Estônia e Letônia. Comunistas locais formaram governos apoiados pelos soviéticos e imediatamente pediram a admissão como repúblicas da União Soviética. Em agosto de 1940, todos as três repúblicas tinham sido absorvidas, e a principal base naval soviética foi transferida para o porto de Tallinn, livre de congelamento.

Em junho de 1940, Moscou moveu-se para completar os termos restantes da parte secreta do acordo Molotov-Ribbentrop, pressionando o governo romeno a dar a Bessárabia à União Soviética. Quando os romenos se recusaram, Stalin criou uma Frente Sul, sob o comando de Zhukov, formada com elementos do distrito militar especial de Kiev e do distrito militar de Odessa. Entre 28 e 30 de junho, o 9º Exército da frente Sul, sob o comando do General de Brigada I. V. Boldin, apoiado por ataques aeroterrestres em objetivos-chave romenos, invadiu a Bessarábia e incorporou o território à força na União Soviética.

A Primeira Guerra Finlandesa[editar | editar código-fonte]

Estas anexações ocorreram somente depois de um frustrante conflito com a Finlândia em 1939 - 1940. Em outubro de 1939, o governo soviético tinha pedido à Finlândia um certo número de concessões, incluindo as estratégicas ilhas de Koivisto e Hogland, nos canais que iam para Leningrado, correções nas fronteiras no extremo norte e a cessão de terras no istmo de Carélia. Este último era uma área de pântanos com oitenta quilômetros de largura, entre o Golfo da Finlândia e o Lago Ladoga, na rota mais direta da Finlândia para Leningrado. A Finlândia tinha fortificado o istmo com a assim chamada linha Mannerheim, batizada em honra do líder militar finlandês e herói da guerra civil russa; a exigência soviética implicava abandonar estas defesas. Somando-se a estas mudanças territoriais diretas, Moscou também queria um arrendamento por trinta anos da península de Hango, no sudoeste da Finlândia. Em troca, os soviéticos ofereciam terras baldias ao norte do lago Ladoga.

De 14 de outubro a 3 de novembro de 1939 representantes finlandeses tentaram barganhar em Moscou, oferecendo entregar uma das ilhas e parte das áreas de fronteira em disputa. No final, Molotov rompeu as negociações quando os finlandeses se recusaram a arrendar Hango. Em 26 de novembro, os soviéticos criaram um incidente de fronteira e exigiram que as tropas finlandesas recuassem 25 quilômetros da fronteira. Dois dias mais tarde Moscou revogou seu tratado de não-agressão com Helsinque e rompeu relações diplomáticas em 29 de novembro. O ataque soviético começou no dia seguinte.

Soldados russos mostrando uma bandeira finlandesa capturada.

Esperando o ataque soviético, o governo finlandês tinha gradualmente mobilizado suas forças, o equivalente a quatorze divisões. Seis divisões estavam comprometidas com a linha Mannerheim, que consistia de fortificações avançadas levemente guarnecidas ao longo da fronteira e dois cinturões de fortificações de campanha, arame farpado e campos de minas. Estas defesas estavam ligadas à diversos rios e outros obstáculos aquáticos no istmo. Somente no centro do istmo, onde não havia nenhum rio por um trecho de trinta quilômetros ao redor da povoação de Summa, é que os finlandeses tinham casamatas de concreto e embasamentos de canhões mais importantes. As forças finlandesas e as defesas eram muito mais finas no resto do país, confiando no terreno distante e quase intransitável para limitar o tamanho de qualquer força invasora. Todo o exército finlandês, apesar de bem treinado em guerra no Ártico, carecia de petrechos pesados e de munição. Uma divisão de infantaria finlandesa, por exemplo, tinha menos 3.000 soldados e menos do que um terço da artilharia autorizada para seu equivalente soviético. O país possuía, talvez, 100 veículos blindados Vickers 6-Ton e Renault FT-17 e 200 aviões Fokker D.XXI e Bristol Blenheim. Diferentemente dos soviéticos, os finlandeses não tinham uma base industrial para apoiar uma guerra prolongada, e seu isolamento geográfico tornava difícil importar munições em qualquer quantidade maior.

A despeito dessas fraquezas, as forças armadas finlandesas estavam pelo menos preparadas para uma guerra de inverno, enquanto seus oponentes, apressavam-se em uma ofensiva mal preparada. Tal como na campanha polonesa em setembro, Stalin ordenou ao Exército Vermelho que invadisse a Finlândia depois de um período de preparação dolorosamente curto. De forma a fazê-lo, divisões do distrito militar da Ucrânia, onde o clima é brando para os padrões russos, foram abruptamente reposicionadas para conduzir uma campanha de inverno em condições próximas ao círculo ártico. O rápido movimento significou que poucas – se é que alguma – unidades soviéticas tinham informações adequadas a respeito da Finlândia. O Exército Vermelho não tinha informações detalhadas sobre a linha Mannerhein e avançaram de forma cega contra as fortificações. Ainda mais, apesar de Leningrado ser por si um grande centro industrial e de transportes, as comunicações para o norte da cidade eram na melhor das hipóteses tênues. Os comandantes soviéticos tinham que operar por um fio, com só uma linha férrea para suprir suas forças.

Como os finlandeses, as forças do distrito militar de Leningrado, sob o comando do Comandante de Exército de 1.ª Classe, K. A. Meretskov, concentraram seu principal esforço no istmo da Carélia. O 7.º Exército de V. F. Iakovlev, com 120 000 homens, dispôs dois corpos (cinco divisões de infantaria e duas brigadas de tanques) no seu primeiro escalão de ataque e um corpo de tanques na reserva para reforçar e explorar a esperada ruptura. Apesar de seus esforços ao norte do lago Ladoga serem bem mais modestos, os soviéticos ainda superavam os finlandeses em números de soldados e equipamentos. O 8º Exército, colocou cinco divisões de infantaria logo ao norte do lago e mais cinco divisões adicionais estavam espalhadas ao longo da fronteira finlandesa, indo até o norte, em Murmansk. Talvez a maior ameaça fosse feita pelo 9º Corpo, cujas três divisões estavam apontadas ao estreito pescoço da Finlândia, próximo à cidade de Suomussalmi. Se este ataque fosse bem sucedido, poderia atingir o golfo da Bótnia, cortando o país em dois.

O ataque inicial em 30 de novembro foi apressado e amadorístico. Depois de um breve bombardeio, o 7º Exército avançou pela fronteira, empurrando as fracas forças de cobertura finlandesas, mas mostrando pouco conhecimento do terreno ou dos problemas em coordenar infantaria, artilharia e blindados. Moscou prontamente reconheceu um Governo Democrático Finlandês fantoche, estabelecido na cidade de fronteira de Terjoki, e aparentemente desejava anexar todo o país através dessa fachada de legalidade. No dia 12 de dezembro, o 7º Exército tinha batido contra o primeiro cinturão defensivo da linha Mannerhein, protegendo a cidade de Viipuri (Vyborg). Quatro dias depois, Iakovlev lançou seu principal ataque, concentrando na área fortificada de Summa, na crença errônea de que este era o ponto mais fraco. Mesmo se tivessem obtido uma ruptura, as forças de reserva de Iakovlev não estavam concentradas para a explorar.

A despeito da bravura suicida das tropas soviéticas, tudo que era possível deu errado. Os ataques soviéticos tornaram-se estereotipados e predizíveis. Cada tarde, por volta das 15:00 horas, a artilharia dispararia por 30 minutos na área geral das posições finlandesas, sem alvos específicos. Quando o clima permitia, a Força Aérea Vermelha se reunia aos ataques, mas seus esforços eram dispersos por toda a frente, sem direção e geralmente ineficazes. Os sapadores soviéticos tinham dificuldade em romper os obstáculos antitanques em frente a Summa e os tanques soviéticos se emaranhavam nesses obstáculos. A maior parte dos tanques eram mal blindados para enfrentar as armas antitanques finlandesas e eram vulneráveis ao Coquetel Molotov, e eles se separavam de sua infantaria de proteção. Quando Iakovlev mudou para ataques noturnos mais tarde no mês, os comandantes finlandeses responderam com fogo maciço de metralhadoras e holofotes. Em 20 de dezembro, Moscou foi forçada a cancelar a ofensiva no istmo. As tropas soviéticas foram mais efetivas na defensiva, rapidamente parando um contra-ataque de quatro divisões finlandesas lançado em 23 de dezembro, mas a derrota era aparente.

Os ataques soviéticos mais ao norte foram igualmente ineficazes. No extremo norte, a 104ª Divisão de Fuzileiros obteve um modesto sucesso contra uma resistência limitada, mas isto foi mais do que compensado pela lamentável performance soviética em Suomussalmi. Em 7 de dezembro de 1940, a 44ª Divisão de Fuzileiros (de Kiev) atacou a partir do leste e a 163ª Divisão de Fuzileiros a partir do norte. A 44ª Divisão alcançou Suomussalmi em 9 de dezembro, mas pesadas nevascas e um clima anormalmente frio confinaram a divisão à única estrada carroçável que ligava a cidade à fronteira. Como um resultado disso, esta divisão ucraniana estava estendida em linha e vulnerável, um alvo ideal para a 9ª Divisão de Infantaria finlandesa, que tinha vários batalhões equipados com esquis. Um contra-ataque finlandês no dia 11 de dezembro expulsou a 44ª Divisão de Fuzileiros para fora de Suomussalmi. Os finlandeses levantaram barreiras na estrada que quebraram a divisão em pequenos fragmentos. Então fizeram emboscadas e ataques de inquietação que gradualmente destruíram as unidades ucranianas isoladas. Eventualmente, toda a 44ª Divisão de Fuzileiros foi virtualmente destruída e seu pessoal morto ou capturado. Quando a 163ª De Fuzileiros tentou fechar as pinças atacando do norte, ela também foi isolada. Os sobreviventes retiraram-se para oriente por um lago congelado, deixando a maior parte de seus canhões, tanques e caminhões para trás. Ambas as divisões deixaram de existir na prática.

A primeira resposta de Moscou, no típico estilo estalinista, foi procurar bodes expiatórios. L.Z. Mekhlis, um comissário político de alta patente, que tinha tido importante papel nos estágios finais dos Grandes Expurgos, chegou ao 9º Exército para investigar o desastre em Suomussalmi. Seguindo suas ordens, o comandante da 44.ª Divisão foi fuzilado sem delongas, e dezenas de oficiais superiores foram substituídos. Tais medidas dificilmente encorajariam a iniciativa por parte dos outros comandantes.

De forma mais genérica, o Exército Vermelho modificou totalmente sua estrutura de comando e táticas antes de lançar mais um ataque. Um dos comandantes superiores da guerra civil que tinham sobrevivido, S. K. Timoshenko, tornou-se comandante de uma Frente do Noroeste, para controlar as operações contra a linha Mannerheim. O 7.º Exército recebeu um novo comandante, Meretskov (removido do comando de toda a operação), e dois corpos de infantaria adicionais. Mais importante, o 7º Exército recebeu uma frente muito mais restrita na qual deveria atacar, com o novo 13º Exército colocado ao seu lado, no lado oriental do istmo. O oficial de maior experiência em operações móveis do Exército Vermelho, D. G. Pavlov, reuniu um grupo especial móvel, composto de um corpo de infantaria, um corpo de cavalaria, e uma brigada de tanques. Sua missão era avançar pelo gelo ao redor da extremidade sudoeste das defesas finlandesas, para tomar Vipurii. Toda a força soviética recebeu treinamento intensivo em operações de inverno e conduziu elaborados exercícios de penetração em fortificações permanentes. Grupos especiais de assalto foram organizados, cada um consistindo de um pelotão de fuzileiros, um pelotão de metralhadoras, três tanques, franco-atiradores, engenheiros e artilharia que lhes era especificamente designada. Um número limitado de novos tanques pesados KV-1 foi trazido, e a artilharia Vermelha foi reforçada e reorganizada.

Todos estes preparativos tiveram que ser concluídos sob rígidas limitações de tempo, de forma a reiniciar a ofensiva enquanto o clima frio e claro de inverno ainda mantinha o chão congelado e permitia apoio aéreo aproximado. No começo de fevereiro, unidades de reconhecimento começaram a fazer pequenos ataques, para localizar as defesas principais finlandesas. Então, no dia 12 de fevereiro de 1940, o Exército Vermelho lançou uma ofensiva bem diferente de seus esforços anteriores. O fogo de artilharia não foi só mais pesado, mas também mais preciso, estonteando os defensores finlandeses com os repetidos impactos em suas posições defensivas. A infantaria avançou em formação dispersa atrás da barragem de artilharia que lentamente se movia para frente, negando aos finlandeses os alvos fáceis das batalhas anteriores. Onde possível, os destacamentos de assalto soviéticos desbordavam as posições inimigas, para atacá-las pelos lados e retaguarda.

Depois de dois dias e meio de ferozes combates, o 50.º Corpo de Fuzileiros rompeu a primeira linha defensiva no crítico setor de Summa. Três brigadas de tanques começaram a alargar a penetração, e os Finlandeses, sobrepujados em números, não tiveram escolha a não ser recuar para sua segunda linha de defesa, cobrindo a cidade de Viipuri. Uma nevasca de grandes proporções no dia 21 de fevereiro paralisou as operações por três dias, mas Timoshenko usou este período para substituir suas divisões de fuzileiros da vanguarda por tropas descansadas, do segundo escalão. Em 24 de fevereiro, o grupo móvel de Pavlov moveu-se através do gelo para tomar a ilha de Koivisto e preparou-se para continuar seu avanço ao redor do flanco sul finlandês.

Começando em 28 de fevereiro, doze divisões e cinco brigadas blindadas soviéticas atacaram o segundo cinturão defensivo. Depois de quatro dias os atacantes entraram nos subúrbios de Vipurii, enquanto o grupo móvel de Pavlov atacou ao sudoeste da cidade, isolando sua principal rodovia para Helsinki. Em desespero, os defensores contra-atacaram o grupo móvel de Pavlov e inundaram o terreno ao seu redor. A infantaria e os sapadores soviéticos vadearam com a água gelada pelo peito para continuar a limpar a cidade, que estava em grande parte deserta.

Os finlandeses não podiam fazer mais nada e em 9 de março, o general Heinrichs, o comandante das forças finlandesas no istmo, reconheceu que suas tropas estavam no fim de sua resistência. Um armistício começou a vigorar no dia 13 de março. Moscou não tinha conseguido obter a anexação total da Finlândia, mas ganhou mais território do que tinha exigido inicialmente.

O custo foi totalmente fora de proporção para os ganhos, entretanto. Em termos humanos, Molotov reconheceu que 48.745 soldados soviéticos tinham morrido, e que outros 158.000 tinham sido feridos. A União Soviética foi expulsa da Liga das Nações, isolando-a ainda mais, tanto em termos diplomáticos como militares. Os efeitos da guerra finlandesa nas relações russo-alemães foram igualmente severos. A atrapalhada e hesitante performance militar soviética sem dúvida encorajou Hitler e seus comandantes a acreditar que a União Soviética era incapaz de se defender. Os tardios esforços da Inglaterra e da França de reforçar os finlandeses invadindo a Escandinávia, contribuíram para a decisão de Hitler de invadir a Noruega em abril de 1940, colocando tropas alemães desconfortavelmente próximas do território soviético.

No geral, as ações soviéticas nos Estados Bálticos irritaram e preocuparam o governo alemão, mesmo se eles estando dentro do disposto no Pacto Molotov-Ribbentrop. Esta sentimento de preocupação aumentou no final de junho de 1940, quando Moscou forçou a Romênia a ceder duas províncias, Bessarábia e a Bukovina setentrional, na área que agora é a Moldávia. Estas duas últimas anexações pareciam ameaçar as fontes de petróleo alemães na Romênia. A trégua entre Berlim e Moscou estava deteriorando-se rapidamente.

Reformas de 1940 - Os fracassos na Finlândia levaram a um profundo reexame e a um esforço para reforma nas forças armadas soviéticas. As primeiras ações do governo contribuíram em muito para a autoridade e prestígio de seus oficiais profissionais. Postos convencionais de oficiais-generais, que tinham sido suprimidos por anos, foram recriados, e numerosos oficiais superiores receberam condecorações e promoções. Enquanto isso, os odiados comissários políticos, que tinham novamente ganho seus poderes como co-comandantes durante os expurgos, foram reduzidos de novo a uma posição subordinada, restaurando a unidade de comando que muitas vezes tinha faltado na campanha finlandesa. Em outubro de 1940, uma novo, draconiano, código de justiça militar deu aos comandantes muita da autoridade que os oficiais do czar tinham tido no passado.

A liderança superior do Exército Vermelho pagou por seus erros. Stalin decidiu que a performance de Voroshilov tinha sido inadequada durante a guerra finlandesa e o conflito não-declarado com o Japão. Em maio de 1942, o Marechal S.K. Timoshenko tornou-se o Comissário da Defesa, com Voroshilov relegado aos títulos honorários de Vice-Presidente do Conselho de Ministros e Presidente do Comitê de Defesa da URSS. O General B.M. Shaposhnikov, cujos alertas sobre a força dos finlandeses tinham sido ignorados, também perdeu seu posto como chefe do estado-maior, sendo substituído por K.A. Meretskov.

A demissão de Voroshilov abriu o caminho para um renascimento das forças mecanizadas soviéticas. A este respeito, os sucessos alemães ao conquistar a França e os Países Baixos durante a primavera de 1940 reforçaram a experiência negativa soviética com operações de grande vulto na Finlândia e, mais importante, alarmaram o alto-comando soviético. O novo chefe do Diretorado-Chefe das Forças Blindadas, general de divisão Ia.N. Fedorenko, persuadiu Timoshenko e Stalin a reverter a decisão da Comissão Kulik, de abolir grandes formações mecanizadas. Em 6 de julho de 1940, o Conselho de Ministros autorizou a criação de oito novos corpos mecanizados. Estas formações eram muito maiores que os assim chamados corpos, cada um sendo composto de duas divisões blindadas e uma de fuzileiros motorizados, com um total de 1.031 tanques e 36.080 homens. Em fevereiro de 1941, o Comissariado da Guerra decidiu ativar 21 corpos mecanizados adicionais, chegando a um total de 29 corpos. Divisões blindadas e motorizadas independentes adicionais foram também autorizadas.

Enquanto o marechal S.M. Budenny chefiava uma comissão para rever as lições táticas da Finlândia, o Comissário da Defesa Timoshenko viajou pelo país, conduzindo uma série de grandes manobras e eliminando os comandantes inadequados. Os líderes bem sucedidos de Khalkhin-Gol e da segunda ofensiva finlandesa foram transferidos para posições de comando superiores, espalhadas pelo exército. G.K. Zhukov, o vencedor de Khalkhin-Gol e na Bessarábia, sucedeu Timoshenko como comandante no crítico Distrito Militar Especial de Kiev e então, em janeiro de 1941, foi designado como chefe do Estado Maior do Exército. Um comandante de divisão na Finlândia, General de Exército M. P. Kirponos, foi promovido em junho de 1940 ao comando do Distrito Militar de Leningrado e, em fevereiro de 1941, ao comando do Distrito Militar Especial de Kiev, onde em junho de 1941 ele mostraria mais coragem do que proficiência. Meretskov foi do comando do 7º Exército no Istmo da Carélia, para chefiar o Estado Maior do Exército, até ser substituído por Zhukov em janeiro de 1941. A longo prazo, estas e numerosas outras mudanças de comando no Exército Vermelho, o teriam beneficiado, mas o efeito imediato dessas mudanças por atacado foi uma considerável tumulto em termos de pessoal e ineficiência. O Estado Maior teve três chefes diferentes – Shaposhnikov, Meretskov e Zhukov – em oito meses. Em junho de 1941, 75 porcento de todos os oficiais tinham estado em seus postos atuais por menos de um ano.

No final de dezembro de 1940, um grupo de comandantes superiores do Exército Vermelho e da Força Aérea tinham se reunido em Moscou para uma conferência e jogo de guerra. Uma série de discussões abertas jogaram luz sobre a desunião conceitual do corpo de oficiais. O General de Divisão P.L. Romanenko, comandante do 1o Corpo Mecanizado, e um veterano das guerras Espanhola e Finalandesa, criticou até os pontos de vista de Zhukov, como sendo muito tímidos e, em essência, pedia por um retorno aos conceitos operacionais de M.N. Tukachevsky. Romanenko argumentou que a rápida vitória alemã na França foi possível somente porque os alemães tinham reunido exércitos móveis completos, compostos de corpos mecanizadas e aerotransportados, apoiados por artilharia e elementos aéreos. Quando chegou a hora de discutir os recursos para implementar os conceitos mecanizados, entretanto, Stalin interveio para apoiar o Marechal Kulik e outros oficiais mais conservadores. Como um resultado, o novo corpo mecanizado permaneceu sendo a maior formação móvel no Exército Vermelho. Mesmo estes corpos não receberam a prioridade logística necessária para completar sua formação e treinamento.

A conferência de Moscou também trouxe mais uma dolorosa rodada de mudanças de pessoal. Em uma manobra de carta e jogo de guerra conduzido no final da conferência, Zhukov, como comandante do lado “Azul” (inimigo) derrotou de forma decisiva o lado “Vermelho” (soviético) em um dos dois jogos. Stalin inesperadamente convocou os participantes para o Kremlin para um exame imediato do exercício. Pego despreparado, o chefe do Estado Maior do Exército, General Meretskov, tropeçou ao longo de sua apresentação. Stalin, que provavelmente já estava procurando uma desculpa para o substituir, demitiu Meretskov imediatamente e o substituiu por Zhukov. Nos dias seguintes, os comandantes dos distritos militares, descendo até o nível de divisão foram novamente movidos de um lado para o outro, numa aparente tentativa de colocar alguns oficiais experientes na Sibéria, no caso de uma guerra em duas frentes com o Japão e a Alemanha. Assim, o Exército Vermelho começou o ano de 1941 com ainda mais uma lembrança da natureza precária de suas posições e mesmo de sua sobrevivência pessoal.

Os preparativos soviéticos para a guerra[editar | editar código-fonte]

O planejamento militar soviético desde 1935 tinha se focado na dupla ameaça apresentada pela Alemanha Nazista e pelo Japão. Planos estratégicos foram desenvolvidos em novembro de 1938, sob os auspícios do Chefe do Estado Maior do Exército, General de Exército B.M. Shaposhnikov, considerando ambas as ameaças, mas identificando o teatro ocidental como prioritário. A realidade geográfica dos pântanos de Pripiat’ colocava um problema específico aos planejadores, pois os pântanos dividiam o teatro ao meio. A questão era se os planejadores alemães colocariam o foco de sua estratégia ao norte do Pripiat’, para a Bielorússia ou ao sul dos pântanos, para a Ucrânia.

Em 1938 o plano de Shaposhnikov postulava a defesa contra ambas as variantes. Depois da partição da Polônia em 1939, o Estado Maior do Exército reviu seus planos estratégicos de acordo com a crescente ameaça alemã. Desenvolvido pelo general de brigada A.M. Vasilevsky, vice-chefe do Diretorado de Operações do Estado Maior do Exército, o plano de julho de 1940 postulava um provável ataque alemão na Bielorússia, ao longo do eixo Minsk-Smolensk. As medidas de mobilização foram ajustadas para se encaixar neste plano. Quando Meretskov tornou-se chefe do Estado Maior do Exército em agosto de 1940, outro re-exame foi feito. Com Stalin tomando um papel ativo, o plano de outubro de 1940 mudava a ênfase estratégica do eixo do noroeste para o eixo do sudoeste, provavelmente por causa da preocupação de Stalin com a vitalmente importante Ucrânia. Ele também foi influenciado pela facção de “Kiev”, formada ao redor de Zhukov, então comandante do Distrito Militar Especial de Kiev. Agora mais um novo ajuste nos planos de mobilização era necessário.

Tanques soviéticos desfilando.

O jogo de guerra de janeiro de 1941 em Moscou foi projetado para dar validade ao plano de Outubro. O jogo de guerra, que aplicou tanto o cenário defensivo como o contra-ofensivo, indicou, para a consternação de Stalin, que o Estado Maior do Exército tinha superestimado as capacidades defensivas soviéticas e subestimado o potencial ofensivo alemão. Nos meses seguintes ao jogo de guerra, o Estado Maior do Exército revisou novamente seus planos de mobilização e provavelmente fez novos jogos de guerra para desenvolver uma estratégia defensiva mais apropriada contra um futuro ataque alemão, que parecia ser cada vez mais provável. Existem provas fragmentárias desse planejamento frenético, enquanto a imprensa soviética focou sua atenção em assuntos defensivos, até então negligenciados.

Em abril de 1941, as relações soviético-alemães estavam se deteriorando, e a inteligência soviética começou a detectar preparativos para uma ofensiva alemã. Enquanto os indicativos de um futuro ataque alemão cresceram nos meses seguintes, Stalin e os diplomatas soviéticos se colocavam como se a paz reinasse suprema. A despeito desta posição política pacifista, em abril de 1941 Stalin implementou medidas de preparação de um “período de especial ameaça de guerra” [osoboe ugrozhanemyi voennyi period], um estado de alerta especial que deveria ser implementado somente quando a guerra fosse iminente. No contexto da primavera de 1941, isto implicava uma mobilização parcial, enquanto a diplomacia se focava na manutenção da paz. A dicotomia entre o frenético desejo de Stalin pela paz (pelo menos em 1941) e sua vontade de tomar prudentes medidas defensivas, visando evitar uma derrota se a guerra ocorresse, geraram confusão e abriram o caminho para a catastrófica derrota do Exército Vermelho em 1941. Virtualmente de forma simultânea, os soviéticos iniciaram uma mobilização interna parcial, enquanto proibiam suas forças mais preparadas nos distritos militares da fronteira de tomar medidas vitais para sua sobrevivência.

Entre abril e junho de 1941, os Soviéticos aceleraram o processo de “engatinhar para a guerra” – que na verdade estava andando desde 1937 – ao conduzir um posicionamento estratégico oculto (mobilização) das forças. De 26 de abril a 10 de maio, os Distritos Militares Trans-Baikal, Ural e da Sibéria e a Frente do Extremo Oriente despacharam forças para os distritos militares da fronteira. Em 13 de maio, o Estado Maior do Exército ordenou que 28 divisões de fuzileiros e os quartéis generais de quatro exércitos (4º, 19º, 21º e 22º) se movessem dos distritos do interior para os distritos da fronteira, e um quinto exército se concentrasse próximo a Moscou. Esta mobilização estava terminada em 10 de julho. Do final de maio ao início de junho, o Estado Maior do Exército convocou 800.000 reservistas para completar 100 divisões de quadros e numerosas regiões fortificadas.

A despeito desses prudentes esforços, a União Soviética não estava pronta para a guerra em junho de 1941, nem ela pretendia, como alguns dizem, lançar uma guerra preventiva. Apesar do Estado Maior do Exército ter gasto mais de três anos desenvolvendo planos defensivos e as agências de inteligência terem conseguido informações suficientes para dar um claro alerta, as forças soviéticas estavam mal posicionadas, treinadas e equipadas, e a liderança política soviética estava paralisada por sua obsessão em manter a paz, pelo menos até 1942. A esperança turvava a realidade, e o Exército Vermelho e o povo soviético pagariam o preço. Exércitos opostos - Barbarossa – O Exército Vermelho

Como descrito nos capítulos anteriores, o Exército Vermelho de 1941 estava em séria desordem. Apesar de sua estratégia agora ser defensiva, seus conceitos operacionais oficiais permaneciam sendo a operação profunda, ofensiva, de M.N. Tukhachevsky e V.K. Triandafillov. Como os alemães, os soviéticos tinham relegado o desenvolvimento em detalhe de conceitos e procedimentos defensivos, pelo menos no nível de comando e planejamento operacional (exército).

Os expurgos tinham produzido uma grave falta de comandantes e oficiais de estado maior treinados, capazes de implementar os conceitos oficiais. O exército continha uma mão-cheia de oficiais qualificados nas campanha japonesa e finlandesa, mas faltava-lhe ambas a experiência e autoconfiança do veterano corpo de oficiais da Werhmacht. Contrastando na crença alemã na validade da iniciativa dos subordinados, os oficiais do Exército Vermelho aprenderam que qualquer demonstração de julgamento independente era perigosa para sua saúde pessoal. Alguns, como G.K. Zhukov, estavam dispostos a aceitar esses riscos e seus resultados os justificavam, mas muitos outros oficiais preferiam aplicar a solução do manual, sem preocuparem-se com a situação local ou o terreno. Somando-se a isso, para evitar o erro fatal de perder terreno na ofensiva e na defensiva, as forças soviéticas eram distribuídas de forma regular ao longo da linha de frente, assim como em grande profundidade, ao invés de se concentrar nas áreas onde seriam mais necessárias.

Tropas soviéticas indo reforçar o front durante a batalha de Moscou em 1941.

As tropas também eram atrapalhadas pelas imposições políticas, de defender cada polegada da fronteira existente. Um dos cenários que Stalin temia em 1941, era uma provocação alemã, a tomada de um pequeno saliente de território soviético ao invés de uma invasão total. Esta preocupação reforçava a tendência do planejamento para uma defesa contínua, frontal, ao longo da fronteira, ao invés de um tipo de batalha fluída de manobras que tinha tornado o Exército Vermelho tão eficaz durante a Guerra Civil. As defesas de antes da guerra na fronteira polonesa tinham sido parcialmente abandonadas e de certa forma despojadas de minas terrestres, arame farpado e canhões, de maneira a construir 20 novas regiões fortificadas nos territórios ocupados em 1939, os assim chamados Distritos Militares Especiais. A despeito de esforços tardios na primavera de 1941, essas novas defesas estavam longe de terminadas quando os alemães atacaram. Forças de infantaria avançadas estavam estacionadas a até 80 quilômetros da fronteira. Para evitar qualquer provocação aos alemães, a linha de fronteira real estava guarnecida por tropas de segurança da NKVD, e as defesas avançadas soviéticas foram ultrapassadas antes de puderem ser manejadas no dia 22 de junho.

Os defensores soviéticos compartilhavam muitos dos problemas logísticos de seus oponentes, mas tinham a inestimável vantagem de lutar em seu próprio território. Muito antes das adversidades do inverno russo terem chegado, o soldado soviético tinha demonstrado sua habilidade em continuar a viver e lutar com muito menos suprimentos que outros soldados precisariam. A medida que a batalha movia-se para o oriente pela Rússia Europeia, as linhas de suprimento soviéticas tornavam-se regularmente mais curtas e mais fáceis de apoiar, enquanto os alemães enfrentavam linhas de comunicação sempre se alongando, além do problema de lidar com milhões de prisioneiros e civis capturados. Uma ressalva nesta generalização, é que muitas das indústrias bélicas essenciais da União Soviética estavam localizadas a oeste de Moscou. Mil e quinhentas fábricas tiveram que ser apressadamente empacotadas e transferidas para leste dos Urais antes que os alemães chegassem. Recursos minerais chave foram abandonados no processo. Isto inevitavelmente causou uma imensa confusão na produção de tempo de guerra durante 1941. Somando-se a isso, depósitos avançados de suprimentos foram ultrapassados pelos alemães antes que seu conteúdo pudesse ser distribuído entre as tropas.

A organização militar soviética refletiu as falhas de seus conceitos e liderança. O Exército Vermelho não tinha um equivalente ao grupo panzer ou ao exército panzer que pudesse realizar penetrações independentes e de larga escala em direção aos escalões de retaguarda inimigos. Como descrito anteriormente, a maior formação blindada soviética em 1941 era o corpo mecanizado, uma estrutura rígida, que comparava-se desfavoravelmente com o facilmente reorganizável corpo motorizado alemão. Cada corpo mecanizado era centrado nas duas divisões blindadas autorizadas, cada uma com uma dotação autorizada de 10.940 homens e 375 tanques, organizados em dois regimentos blindados, um regimento de infantaria motorizada e batalhões de reconhecimento, antitanque, antiaéreo, engenharia e comunicações. Tais divisões eram desbalanceadas, com muito mais tanques do que elementos de outras armas de combate, apesar de, para compensar isso, o corpo mecanizado também incluir uma divisão de infantaria motorizada e várias tropas de apoio, para uma dotação total de 36.080 homens.

A maior parte do corpos mecanizados disponíveis aos soviéticos estavam espalhados em guarnições distintas, com as divisões do corpo muitas vezes estando a mais de 100 quilômetros uma das outras. Adicionalmente, alguns desses corpos mecanizados estavam subordinados a diferentes quartéis generais de exércitos de fuzileiros, onde supostamente deveriam prover uma força de reserva para contra-ataques locais, em apoio aos corpos de infantaria da linha de frente. Assim, as unidades mecanizadas estavam dispersas, tanto em termos de localização, com o de subordinação na estrutura de comando, tornando difícil a concentração delas para um contragolpe de exército ou frente. Apesar delas supostamente estarem disponíveis para se envolverem em operações independentes e profundas, sua dispersão e a pobre estrutura logística tornavam tais operações praticamente impossíveis.

A força real desses corpos variava muito. Alguns tinham quantidades consideráveis de equipamentos: o 3º Corpo Mecanizado na Lituânia tinha 460 tanques, dos quais 109 eram os novos desenhos KV-1 e T-34. Outros corpos, especialmente aqueles mais distantes da fronteira, eram consideravelmente mais fracos. No 4º Exército, na frente ocidental, o 14º Corpo mecanizado só tinha 520 velhos tanques leves T-26, ao invés de sua dotação oficial de 1.031 tanques médios e pesados. Uma disciplina fabril draconiana só podia ir até certo ponto para compensar as falhas passadas na produção de armamento. O 19º Corpo Mecanizado na Frente do Sudoeste só tinha 280 de seus tanques de dotação, todos, menos 11, modelos obsoletos. Mais ainda, este corpo deveria usar caminhões civis confiscados para seus transportes de rodas; quando a guerra começou os regimentos de fuzileiros motorizados das suas duas divisões blindadas tiveram que marchar a pé 190 quilômetros para o combate, retardando o movimento dos tanques disponíveis. Assim que equipamentos novos se tornavam disponíveis nas linhas de produção, eram distribuídos a corpos selecionados nas áreas avançadas; entretanto, o número reduzido de máquinas novas (1.861) era tão pequeno que mesmo um corpo mecanizado em força total incluía uma colcha de retalhos de veículos diferentes. Isto complicava a manutenção de forma gigantesca. Adicionalmente, as formações soviéticas permaneciam notoriamente fracas em comunicações por rádio e apoio logístico, tornando manobras coordenadas nas caóticas condições da invasão surpresa alemã quase que impossível.

A organização da infantaria soviética era superficialmente similar àquela dos alemães, com cada divisão de fuzileiros tendo uma dotação autorizada de 14.483 homens, organizados em três regimentos de fuzileiros, de três batalhões cada, mais dois regimentos de artilharia e tropas de apoio. Três divisões de fuzileiros eram agrupadas em um corpo de fuzileiros, com dois ou três corpos e um corpo mecanizado compondo um exército de campanha. Na prática, entretanto, o Exército Vermelho estava lamentavelmente abaixo de sua força regulamentar, com a maior parte das divisões com apenas 8.000 homens ou menos, mesmo antes do ataque alemão. No final de 1941, o governo soviético tentou remediar esse problema, chamando 800.000 reservistas adicionais e acelerando a formatura de diversas academias militares. Este pessoal adicional estava justamente se apresentando em suas unidades quando o ataque veio.

Um exército de campanha de 1941 deveria ter três corpos de fuzileiros, cada um com cinco divisões, mais um corpo mecanizado e diversos regimentos de artilharia. Na prática, muito dos exércitos tinham somente de 6 a 10 divisões, organizados em dois corpos de fuzileiros, com um corpo mecanizada incompleto e pouco apoio de manutenção.

Na luta de curta duração que Hitler planejava, a Alemanha tinha uma clara vantagem qualitativa e até mesmo quantitativa sobre a União Soviética. Se o primeiro embate falhasse em derrubar o regime comunista, entretanto, aquele regime tinha o potencial de sobrepujar a Alemanha. Somando-se às forças soviéticas que podiam ser transferidas da Sibéria e do Extremo Oriente para a Europa, o Exército Vermelho de 1941 estava justamente começando a colocar em campo uma nova geração de tanques (os médios T-34 e os pesados KV-1), que eram notavelmente superiores a todos os veículos em serviço ou projetados pelos alemães. Naquele momento, as unidades blindadas alemães estavam equipadas com tanques médios Mark III e Mark IV, veículos confiáveis, de segunda geração, que eram mais do que iguais a oponentes ligeiramente blindados, como os T-26 soviéticos. Em 1941, a Alemanha estava no processo de rearmar todos os Mark III com um armamento principal composto de um canhão de 50 mm de velocidade de boca mediana, enquanto os Mark IV ainda mantinham o canhão de 75 mm de baixa velocidade. A velocidade de boca dessas armas era pelo menos tão importante quanto o tamanho da granada, pois uma alta velocidade era necessária para uma efetiva penetração da blindagem. Nenhuma das duas armas alemães podia penetrar a espessa blindagem frontal dos tanques T-34 médio e KV-1 pesado, que estavam começando a sair das linhas de montagem na Rússia.

Comparado aos tanques alemães, o T-34 era mais pesado (26,5 toneladas contra as 25 do Mark IV), mais rápido (50 km/h contra 38 km/h do Mark IV) e melhor armado, tendo um canhão de 76 mm de alta velocidade, contra um canhão de 76 mm de apoio a infantaria com baixa velocidade e menor poder de penetração. O KV-1 de 48,5 toneladas, também equipado com um canhão de 76 mm do mesmo tipo que o do T-34, era invulnerável a quase todas as armas alemães, exceto o famoso canhão de 88 mm. Poucos tanques soviéticos, entretanto, tinham rádios, e isto tornava difícil o comando e controle em combate, para não dizer impossível. Considerando as miúdas armas antitanques disponíveis à maior parte das unidades de infantaria alemãs, estes dois novos tanques soviéticos eram um pesadelo esperando para acontecer. Depois de atrasos anormais na manufatura em 1940, 1.861 T-34 e KV-1 tinham sido produzidos até 22 de junho de 1941. Estes novos tanques foram distribuídos principalmente aos cinco corpos mecanizados nos distritos militares da fronteira, mais de metade indo para o 4º Corpo Mecanizado no Distrito Militar Especial de Kiev e para o 6º no Distrito Militar Especial do Oeste. Os remanescentes (100 de cada) foram para o 3º, 8º e 15º Corpos Mecanizados. A escassez geral de tanques novos nos outros corpos e as falhas logísticas e de treinamento nos corpos que os tinham reduziam ainda mais sua eficiência de combate. Onde os alemães os encontraram em grandes números, entretanto, os tanques causaram uma compreensível consternação.

Forças Aéreas - Os pontos fortes das forças aéreas alemã e soviética eram em grande parte semelhantes aos de suas forças terrestres. Os 2.770 aviões posicionados para apoiar a "Operação Barbarossa", representavam 65% da força de primeira linha alemã. Para evitar telegrafar as intenções alemães, muitos desses aviões tinham permanecido no oeste, continuando os ataques aéreos sobre a Inglaterra até umas poucas semanas antes da ofensiva. O caça Messerschmitt Bf-109F era um projeto soberbo, mas os outros aviões alemães estavam rapidamente se aproximando da obsolescência, principalmente o caça Bf-109E, que era o mais numeroso em serviço. Em especial, o famoso bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka poderia sobreviver somente em um ambiente em que o espaço aéreo inimigo estivesse indefeso. Os ataques aéreos iniciais alemães asseguraram esta situação nos primeiros poucos meses, mas não o poderiam fazer indefinidamente. Os principais bombardeiros alemães, o Dornier Do 17 e o Heinkel He 111 já tinham se provado sua obsolência, o Do-17 durante a Guerra Civil Espanhola e o He 111 durante a Batalha da Inglaterra, tanto em alcance como em carga de bombas e o originalmente aviação de transporte civil que foi adotado para tropas aerotransportadas e cargas Junkers Ju 52, apesar de ser um avião notavelmente duradouro, versátil e capaz de operar em condições difíceis, era igualmente limitado em alcance e capacidade de carga. O único bombardeiro relativamente moderno era o Junkers Ju-88, o mais novo em serviço alemão.

Tanques T-34 sendo transportados ao fronte de batalha.

A indústria alemã não tinha reposto as baixas da Batalha da Inglaterra: a Alemanha tinha de fato menos 200 bombardeiros em 1941 do que na primavera anterior. Igualmente, a invasão aerotransportada de Creta tinha devastado as formações de pára-quedistas e unidades de transporte alemãs; 146 Ju 52 tinham sido abatidos, e outros 150 seriamente danificados. Com tais faltas e operando a partir de campos de pouso avançados improvisados, os pilotos alemães seriam duramente pressionados para conseguir uma efetiva superioridade aérea ou ataques aéreos ofensivos sobre as vastas distâncias da Rússia. A famosa Luftwaffe era basicamente uma força aérea tática, apropriada para apoiar uma ofensiva terrestre de curta duração, mas não para conduzir uma profunda e efetiva campanha aérea, como foi feita pelos britânicos contra os próprios alemães e os americanos contra os japoneses.

A Força Aérea Vermelha era uma ameaça imediata pequena à Luftwaffe. Apesar de sua força estimada em 9.576 aviões a tornar a maior força aérea do mundo, seu equipamento, como o do Exército Vermelho, era obsoleto e sofria de uso prolongado. Os grandes expurgos tinham golpeado os projetistas e fabricantes de aviões assim como seus comandantes militares, encerrando a liderança soviética no ramo da aeronáutica. Pelo menos um projetista foi fuzilado por sabotagem quando um avião experimental caiu e muitos outros engenheiros foram colocados para trabalhar em escritórios de projetos em prisões. Colocando de forma muito moderada, tais sanções não encorajavam soluções de projeto inovadoras.

Aviões mais novos, tal como o rápido caça MiG-3 e o excelente Il-2 Sturmovik de ataque ao solo, eram sob alguns aspectos superiores às suas contrapartidas alemães, o MiG-3 era mais rápido que o Bf-109F, mas carregava apenas um par de metralhadoras de 7,62 mm ShVAK, e o Il-2 Sturmovik era superior em todos os aspectos ao equivalente alemão Ju-87, quer em velocidade, armamento e blindagem. Mas estes aviões estavam começando a entrar em serviço na primavera de 1941 e muitas unidades tinham uma mistura de equipamentos novos e antigos, os principais caças em serviços eram os Polikarpov I-15 e I-153 biplanos e o I-16 monoplano, e a força de bombardeiros era composta principalmente por Tupolev SB, comparável ao Do-17 alemão em performance, Ilyushin DB-3, comparável ao He 111, Ilyushin Il-4, uma evolução do DB-3 comparável ao Ju 88, o Tupolev TB-3 bombardeiro pesado, sem nenhum equivalente alemão, era um avião lento, tão lento que o fazia um alvo difícil, e bem armado e com grande resistência e capacidade de bombas, foi usado principalmente como transporte de tropas paraquedistas e de carga, o Sukhoi Su-2, comparável ao Ju 87, usado em ataque ao solo. O treinamento de transição para qualificar os pilotos a voar nos novos aparelhos avançava a passo de tartaruga, pois os comandantes da Força Aérea Vermelha temiam que qualquer acidentes de treinamento levassem a sua prisão por "sabotagem". Em 12 de abril de 1941, Timoshenko e Zhukov reclamaram a Stalin que os acidentes de treinamento estavam destruindo dois ou três aviões todos os dias e exigiram a remoção de diversos oficiais superiores da força aérea. No momento do ataque alemão, muitos pilotos de caça soviéticos nas áreas avançadas tinham somente quatro horas de experiência em seus aviões. A mudança para o novo equipamento foi tão confusa que numerosos pilotos soviéticos não tinham se familiarizado com a aparência dos novos bombardeiros soviéticos e atiraram por engano em seus próprios aviões em 22 de junho.

A ocupação da Polônia oriental em 1939 tinha tornado os elementos avançados da Força Aérea Vermelha tão vulneráveis quanto suas contrapartidas do Exército Vermelho. Os conflitos japonês e finlandês tinha dado a alguns oficiais superiores da força aérea um falso senso de sua própria superioridade e eles insistiam em emassar seus aviões nos novos territórios, a partir dos quais esperavam lançar imensas ofensivas aéreas no caso de guerra. Relativamente poucos campos de pouso estavam operacionais na área avançada, com muitos estando em reformas para expansão na primavera de 1941. Os poucos aeródromos disponíveis não tinham casamatas para aviões e defesas antiaéreas para proteger os repletos estacionamentos de aeronaves.

As unidades aéreas soviéticas estavam divididas em um número de diferentes comandos: algumas divisões do ar apoiavam grupos de exércitos ou frentes específicas, outras estavam diretamente subordinadas ao Estado Maior do Exército, e ainda outras ficavam dedicadas à defesa aérea regional da pátria. No contexto da caótica campanha inicial, onde as tênues comunicações e a cadeia de comando se evaporaram, tais divisões tornavam difícil fazer sentir nos pontos-chave um poder aéreo coordenado. Poucos aviões soviéticos tinham rádios em 1941.

Talvez mais significativo, a Força Aérea Vermelha, assim como o Exército Vermelho, sofria de graves deficiências de liderança em todos os níveis. Três comandantes da força aérea tinham desaparecido sucessivamente durante os expurgos, deixando oficiais inexperientes na maior parte dos comandos. Tanto na Espanha como nas batalhas iniciais de 1941, as táticas da Força Aérea Vermelha tendiam a ser muito rígidas. Ao longo do desastroso verão de 1941, os bombardeiros soviéticos teimosamente atacavam a uma altitude de 2.500 metros, alto demais para assegurar um bombardeio preciso, mas baixo o suficiente para os caças alemães os localizarem e atacarem. A despeito da bravura de pilotos individuais soviéticos, que repetidamente abalroavam aviões alemães, suas formações de combate eram muito defensivas para serem eficientes contra seu oponentes combatendo em melê.

A Grande Guerra Patriótica[editar | editar código-fonte]

Soldados soviéticos assaltam uma posição em Stalingrado, terra onde o curso da guerra cambiou
Restos mortais de soldados soviéticos terminados pelos alemães no Campo de Concentração de Dęblin, Polónia

Durante a Segunda Guerra Mundial, chamada oficialmente de "Grande Guerra Patriótica" na Rússia, a indústria bélica desenvolveu-se enormemente. Stalin colocou a indústria a serviço da produção de aço, metalurgia e outros bens de produção para a indústria pesada. O Exército Vermelho foi dotado de novas peças de artilharia, armas antiaéreas, os tanques T-34 e KV-1, um canhões anti-tanque e aviões muito eficientes, como os Yakovlev Yak-3, Yak-7 e Lavochkin La-5. Um lança-roguetes chamado familiarmente de Katyusha, ou "o órgão de Stalin" pelos alemães, foi um arma de grande poder destrutivo. A marinha também foi fortalecida. O comandante-em-chefe das tropas vermelhas era o próprio Stalin e abaixo dele, como Comissário para Defesa, Semion Timoshenko, considerado um dos melhores estrategistas da história soviética. O estado-maior esteve a cargo de Gueorgui Jukov, que havia iniciado sua carreira militar no exército czarista e comandaria pessoalmente várias vitórias contra a Alemanha Nazista, incluindo a Batalha de Moscou, a de Stalingrado e a de Berlim.

A Segunda Guerra Mundial significou para o Exército Vermelho um enorme triunfo e também grandes perdas de vidas humanas, As novas pesquisas dos materiais estatísticos do Estado-Maior Geral (EMG) das Forças Armadas russas determinaram que o Exército Vermelho perdeu 11 444 100 pessoas. Trata-se dos mortos em combate, mortos em hospitais em consequência de feridas ou doenças adquiridas, desaparecidos e aprisionados. De acordo com o EMG, de 11.444.100, 5.059.000 pessoas despareceram ou foram aprisionadas. Isto é cerca de 42,3%. Documentos alemães dizem que aproximadamente 450 500 militares deste número morreram, passaram a viver em territórios ocupados ou passaram a integrar os guerrilheiros. Quanto aos aprisionados, 4 599 000. Em retrocesso durante quase todo o conflito, o exército reverteu o jogo com um enorme esforço na defesa de Stalingrado[2] (hoje Volgogrado) e de Moscovo. Em seguida, após a Batalha de Kursk (Rússia, 1943) (a maior batalha terrestre da História até hoje: mais de 2 milhões de soldados participaram nela), fez retroceder os alemães até Berlim. O Exército Vermelho foi o primeiro a entrar na capital alemã e os seus soldados hastearam a bandeira soviética sobre o edifício do Reichstag (parlamento alemão), marcando simbólica e definitivamente a vitória aliada sobre a Alemanha Nazista.

A Guerra Fria[editar | editar código-fonte]

Um militar soviético no começo da década de 1990.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho foi o eixo do Pacto de Varsóvia, a organização militar de defesa mútua integrada pelos países do Bloco Socialista no Leste Europeu. O armamento nuclear soviético aumentou proporcionalmente ao dos americanos. Sob mandado do Pacto, o Exército Vermelho interveio na Hungria (1956) e na antiga Checoslováquia (1968) para sufocar levantes contra as autoridades comunistas locais.

A última guerra da qual o Exército Vermelho participou foi a do Afeganistão, entre 1980 e 1988, em apoio ao governo comunista do país, que havia solicitado ajuda para combater a insurreição armada de extremistas islâmicos. Os extremistas (entre eles Osama bin Laden), com apoio directo da CIA (o Presidente dos Estados Unidos era então George Bush, pai) acabaram prolongando e vencendo o conflito, e o Exército Vermelho retirou-se do Afeganistão em 1989, enfraquecido politicamente pelo declínio do comunismo.

Depois de derrubado o regime soviético, em 1991, o Exército Vermelho foi desmantelado e desapareceu como tal. No entanto, o actual Exército Russo ainda utiliza muitos dos símbolos da organização do Exército Vermelho da União Soviética.

Referências

  1. Norman Davies (em inglês): "Since 75%-80% of all German losses were inflicted on the eastern front it follows that the efforts of the western allies accounted for only 20%-25%". Tradução: "Uma vez que 75%-80% de todas as baixas alemãs se deram na frente oriental, segue-se que o esforço dos aliados ocidentais consistiu apenas em 20%-25% do total". Fonte: Sunday Times, 5 de novembro de 2006.
  2. a b Paul-Marie de La Gorce. 1939-1945 Uma Guerra Desconhecida (em português). Lisboa: Editorial Caminho, 2004. Capítulo Conclusão. p. 530. Depósito legal 215992/04. ISBN 972-21-1648-7. Citação: "Chegou então a viragem de Dezembro de 1942 [1941 no original, clara gralha]. Em alguns dias, no princípio desses mês, a guerra mudou de sentido e de dimensão. A partir desse momento, estava adquirido que a Rússia não seria abatida. Golpes formidáveis poderiam ainda ser desferidos contra ela, mas seria forçoso, de qualquer maneira, que a Alemanha consagrasse a isso o essencial das suas forças - nunca foi menos de dois terços - e ela arriscava-se já a pesadas derrotas."

Ver também[editar | editar código-fonte]