Excepcionalismo americano

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Acadêmicos afirmam que a Estátua da Liberdade "significa essa missão proselitista como a extensão natural do senso americano de ser uma nação excepcional".[1]

Excepcionalismo Americano é uma crença - ou teoria - tradicional que diz que os Estados Unidos é, qualitativamente, diferente de outras nações-estado.[2] Nesta visão, o excepcionalismo surgiu da revolução (em 1776) e se tornou o que o cientista político Seymour Martin Lipset chama de "a primeira nova nação"[2] e desenvolveu uma ideologia única, chamada "Americanismo", baseado em conceitos de liberdade, igualitarismo, individualismo, republicanismo, populismo e laissez-faire.[3]

Apesar do termo não implicar necessariamente a ideia de "superioridade", muitos neoconservadores e os conservadores tradicionalistas promoveram o termo com este significado.[3] [4] Para eles, os Estados Unidos é a "Cidade sobre a Montanha" (como descrita no Sermão da Montanha) — uma frase evocada por colunistas britânicos sobre a América do Norte no começo da década de 1630 — isenta de forças históricas que afetaram outros países.[5]

A origem da teoria do excepcionalismo dos Estados Unidos pode ser traçada até Alexis de Tocqueville, considerado o primeiro escritor a usar o termo "excepcional" quando falava sobre o país entre 1831 e 1840.[6] Contudo, a forma atual do "excepcionalismo americano" tem sido usada desde a década de 1920 e se tornou mais comum quando o líder soviético Joseph Stalin atacou Jay Lovestone e sua facção do Partido Comunista americano por sua crença de que a América era independente das leis marxistas da história "graças aos seus recursos naturais, capacidade industrial e a ausência de rígidas distinções de classe".[7]

O termo se tornou mais comum durante a Guerra Fria, e passou a ser usado tanto por políticos de esquerda, como de direita.[8] Em 1989, o cientista político escocês, Richard Rose, notou que a maioria dos historiadores americanos também acreditavam na ideia do "excepcionalismo". Ele afirmou que a "América marcha sob uma batida diferente. Sua singularidade é por várias razões: história, tamanho, geografia, instituições políticas e cultura. Explicações do crescimento do governo na Europa não deve caber na experiência americana, e vice-versa".[9]

Atualmente, o termo é muito usado por políticos (tanto republicanos, como democratas), contudo é evocado com mais frequência por conservadores.[10]

Contudo, acadêmicos modernos rejeitam a ideia de excepcionalismo americano, afirmando que a história dos Estados Unidos não difere da Europeia, com desenvolvimento social baseado na mesma ideia de desigualdade de classes e raças, além das noções de imperialismo e disposição para fazer guerra. Ainda, para eles, quase todas as nações tem alguma ideia do próprio "excepcionalismo".[11]

Líderes mundiais e autoridades fora dos Estados Unidos também criticam esta ideologia. Em uma entrevista para o canal russo RT, em 4 de outubro de 2013, o presidente do Equador, Rafael Correa, criticou as políticas do então líder dos Estados Unidos, Barack Obama, e comparou a noção de excepcionalismo estadunidense a Alemanha Nazista, e disse: "isso não lembra muito a retorica nazista antes e durante a Segunda Guerra Mundial? Eles se consideravam a raça escolhida, a raça superior, etc. Essas ideias e palavras são muito perigosas".[12] O presidente russo, Vladimir Putin, falou também, em uma entrevista para o jornal New York Times, em setembro de 2013, que "é muito perigoso estimular as pessoas a se verem como excepcionais, seja qual for o motivo". Ele completou dizendo que "somos todos diferentes, mas quando pedidos as bençãos do Senhor, não devemos esquecer que Deus nos criou iguais".[13] O presidente Obama, contudo, defendeu o uso do termo durante um discurso sobre a guerra civil síria, dizendo que "com esforço e risco modestos, nós podemos impedir que crianças sejam mortas com gás e, assim, nossas próprias crianças ficariam mais seguras, e eu acredito que devemos agir... E isso que faz a América diferente. É isso que nos torna excepcionais".[14]

Referências

  1. Re-Framing the Transnational Turn in American Studies. [S.l.]: UPNE, 2011. p. 207.
  2. a b American Exceptionalism: A Double-Edged Sword. Seymour Martin Lipset. New York, N.Y.: W.W. Norton & Co., Inc. 1996. Page 18. ISBN 0-393-03725-8. Página acessada em 8 de julho de 2014.
  3. a b Lipset, American Exceptionalism, pp. 1, 17–19, 165–174, 197
  4. The American Spectator: In Defense of American Exceptionalism "the conditions American Exceptionalism provides, allow us to enjoy the economic and social mobility that other countries envy" and "progressivism rejects American Exceptionalism".
  5. Harold Koh, "America's Jekyll-and-Hyde Exceptionalism", in Michael Ignatieff, ed., American Exceptionalism and Human Rights. ISBN 0-691-11647-4.
  6. de Tocqueville, Alexis. Democracy in America (1840).
  7. Albert Fried, Communism in America: A History in Documents (1997), p. 7.
  8. Donald E. Pease. The New American Exceptionalism. [S.l.]: U of Minnesota Press, 2009. p. 10.
  9. Richard Rose, "How Exceptional is the American Political Economy?" Political Science Quarterly (1989) 104#1 pp 91-115 in JSTOR
  10. Schuck, Peter H., Wilson, James Q., Eds. Understanding America: The Anatomy of an Exceptional Nation, 2008, ISBN 978-1-58648-561-0
  11. David W. Noble, Death of a nation: American culture and the end of exceptionalism, pp. xxiii ff.
  12. "Ecuador's Correa: Obama's exceptionalism talk reminiscent of Nazi rhetoric before WWII", 4 de outubro de 2013. Página visitada em 8 de julho de 2014.
  13. "Putin ataca a ideia do 'excepcionalismo' americano", O Estado de S. Paulo, 8 de julho de 2014.
  14. Karen Tumulty, "American exceptionalism, explained", Washington Post, 12 de setembro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]