Excubitores

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Excubitores
País Império Bizantino
Unidade Cavalaria pesada, guarda imperial
Criação c. 460
Extinção c. 1081
Comando
Comandante comes excubitorum; posteriormente domesticus
Comandantes
notáveis
Justino I, Marcello, Tibério, Maurício I, Prisco, Filípico, Valentino, Miguel II

Excubitores (em grego: ἐξκουβίτορες ou ἐξκούβιτοι; transl.: Exkoubitoi; em latim: Excubitores ou Excubiti; literalmente: "aqueles fora da cama", ou seja, "sentinelas") foram uma unidade de guardas imperiais dos imperadores bizantinos fundada em 460. Seus comandantes logo adquiriram grande influência e alguns chegaram a ser imperadores no século VI. Os excubitores desapareceram dos registros no final do século VII, mas em meados do século VIII foram convertidos numa tagma, ou seja numa das unidade militares de elite que formavam o núcleo profissional do exército bizantino. Os últimos excubitores são atestados no ano 1081.

Índice

História [editar]

Os excubitores foram fundados na Antiguidade Tardia pelo imperador Leão I (r. 457 - 474) cerca de 460 e incluiu 300 homens, muitos deles recrutados entre os guerreiros isaurianos, como parte do esforço de Leão de contrabalancear a influência militar do magister militum Aspar e o grande elemento germânico do exército bizantino.1 2 3 Ao contrário dos regimentos palacianos mais velhos, os Scholae Palatinae, que estavam sob o controle do magister officiorum e eventualmente degeneraram-se a formações exibicionais, os excubitores permaneceram por muito tempo como uma força de combate.4 5 6 Ao contrário dos Scholae, que forma guarnecidos por toda a Trácia e Bitínia, os excubitores foram alojados no palácio imperial em si e formaram praticamente a única guarnição de Constantinopla no século VI. Seu status elevado é ainda ilustrado pelo fato de que ambos oficiais e excubitores ordinários foram muitas vezes enviados para missões especiais, incluindo missões diplomáticas.7

Tremissis do imperador Justino I.
Solidus do imperador Tibério II.

A unidade foi liderada pelo conde dos excubitores (em latim: comes excubitorum; em grego: κόμης τῶν ἐξκουβίτων/ἐξκουβιτόρων; transl.: komēs tōn exkoubitōn/exkoubitorōn que, em virtude de sua proximidade com o imperador, tornou-se um oficial de grande importância nos séculos VI e VII.8 Este posto, que pode ser rastreado até cerca de 680, foi normalmente apossado por membros próximos a família imperial, muitas vezes herdeiros aparentes.4 Assim, foi o apoio de seus homens que garantiu a Justino I (r. 565-578), que ocupou o cargo na época da morte de Anastácio I, sua elevação ao trono.9 Da mesma forma, Justino II (r. 568-578) contou com o apoio dos excubitores para a sua adesão inconteste; Tibério, amigo próximo do imperador, foi nomeado no período ao cargo por intervenção de Justino. Tibério foi o braço direito do imperador durante seu reinado, e eventualmente o sucedeu como Tibério II (r. 578-582).10 11 Ele também seria sucedido por seu próprio comes excubitorum, Maurício I (r. 578-582).12 Sob Maurício, o cargo foi apossado por seu cunhado Filípico, e sob Focas (r. 602-610) por Prisco.13 O poder que representava este posto, e as intrigas de homens como Prisco e, no começo da década de 640, o usurpador Valentino, condenou o posto a emasculação, ou seja, apenas aos eunucos, e eventual eclipse durante a última metade do século VII.14

Depois de um lapso no final do século VII e primeira metade do século VIII, os excubitores reapareceram em fontes históricas, sob um novo comandante, o doméstico dos excubitores (em grego: δομέστικος τῶν ἐξκουβίτων/ἐξκουβιτόρων; transl.: domestikos tōn exkoubitōn/exkoubitorōn; em latim: domesticus) e nova capacidade, como um dos tagmata imperiais, a elite do exército imperial estabelecida por Constantino V (r. 741-775).8 15 Como um dos tagmata, os excubitores não eram mais uma guarda palaciana, mas uma unidade ativamente engajada em campanha militares. Ao mesmo tempo, eles foram criados como um contrapeso ao exército temático e constituíram uma poderosa ferramenta na implementação das políticas iconoclastas de Constantino V; sua lealdade era tão forte que a regente pró-iconódulo Irene teve que forçosamente desarmá-los em 786.16

Tremissis do imperador Maurício.
Solidus do imperador Miguel II e seu filho Teófilo.

Os domesticus eram originalmente de classificação muito inferior ao do comes (simples spatharioi), mas gradualmente cresceram em importância: enquanto no Taktikon Uspensky de cerca de 842 o domesticus era classificado abaixo dos stratēgoi temáticos, no Klētorologion de 899, o domesticus é mostrado como superior aos stratēgoi dos themata europeus e até mesmo do eparca de Constantinopla. Ao mesmo tempo, a classificação dos prōtospatharioi e patrikioi.17 18 O mais proeminente domesticus dos excubitores do período foi Miguel II, o Amoriano (r. 820-829), cujos adeptos derrubaram o imperador Leão V, o Armênio (r. 813-820) e elevaram-no ao trono.19 Na segunda metade do século X, provavelmente sobre Romano II (r. 959-963), o regimento, bem como o tagma sênior do Scholae, foi dividido em duas unidades, uma para o Ocidente e outra para o Oriente, cada qual chefiada por um respectivo domesticus.8 20

Como aconteceu com a maioria dos tagmata, o regimento não sobreviveu as grandes convulsões do final do século XI, quando a invasão estrangeira e constantes guerras civis destruíram grande parte do exército bizantino. A última menção aos excubitores ocorre em A Alexíada de Ana Comnena, onde são mencionados pela última vez como participantes na batalha de Dirráquio em 1081 sob Constantino Opos.21 22 23

Estrutura [editar]

A estrutura interna do regimento dos excubitores originais é desconhecido. Sabe-se que era uma unidade de cavalaria e que tinha agentes chamados scribones. O historiador Warren Treadgold especula que eles cumpriram um papel semelhante ao dos decuriões da cavalaria regular, comandando tropas de 30 homens cada,5 mas J. B. Bury sugeriu que os scribones, embora associados aos excubitores, permaneceram um corpo separado.24

Mais tarde, como um tagma, o regimento (frequentemente chamado coletivamente de τὸ ἐξκούβιτον ou τὰ ἐξκούβιτα) foi estruturado ao longo de linhas padronizadas seguidas pelos demais tagmata, com algumas variações. O domesticus foi assistido por um topoteretes (em grego: τοποτηρητής; literalmente "tenente" ou "guardador do lugar") e um chartoularios (em grego: χαρτουλάριος; "secretário").17 O regimento em si foi dividido em pelo menos 18 banda, provavelmente cada qual comandada por um skribōn (em grego: σκρίβων).25 Cada uma delas foi dividida em sub-unidades chefiadas por um drakonarios (em grego: δρακονάριος, derivado do draconarius romano tardio), e inclui três classes de porta-estandartes que funcionavam como oficiais subalternos: os skeuophoroi (em grego: σκευοφόροι, "portadores de estandartes"), os signophoroi (em grego: σιγνοφόροι, derivados dos signifers romanos tardios) e sinatores (em grego: σινάτορες, derivados dos senator romano tardio).26 Havia também os mensageiros habituais (em grego: μανδάτορες; transl.: mandatores) sob um prōtomandatōr, alguns dos quais foram chamados legatarioi (em grego: λεγατάριοι).27

O tamanho do tagma dos excubitores e suas subdivisões não pode ser determinado com certeza, como com os demais tagmata, tendo os estudiosos opiniões diferentes quando à sua formação numérica. Com base nas listas de dirigentes e relatos dos geógrafos árabes Ibn Khordadbeh e Qudama ibn Ja'far, o historiador Treadgold mantém uma força de cerca de 4000 homens, que para os Scholae e os excubitores aumentou para cerca de 6000, com a divisão dos regimentos em meados do século X.28 Outros estudiosos, entre os quais John Haldon, revisaram as estimativas para cerca de 1000 homens para cada tagma.29

  1. Treadgold 1995, pp. 13-14
  2. Treadgold 1997, pp. 152
  3. Cameron 2000, pp. 47; 291
  4. a b Cameron 2000, pp. 291
  5. a b Treadgold 1995, pp. 92
  6. Evans 1996, pp. 11-12; 41
  7. Haldon 1984, pp. 136-139
  8. a b c Kazhdan 1991, pp. 646
  9. Evans 1996, pp. 11-13
  10. Treadgold 1997, pp. 218
  11. Evans 1996, pp. 264; 267
  12. Treadgold 1997, pp. 227
  13. Bury 1911, pp. 57
  14. Kaegi 1981, pp. 174
  15. Haldon 1999, pp. 78
  16. Whittow 1996, pp. 168-170
  17. a b Bury 1911, pp. 58
  18. Kazhdan 1991, pp. 647
  19. Treadgold 1997, pp. 433
  20. Treadgold 1997, pp. 494
  21. Treadgold 1995, pp. 41
  22. Haldon 1999, pp. 91-93
  23. Birkenmeier 2002, pp. 156-159
  24. Bury 1911, pp. 59
  25. Bury 1911, pp. 58-59
  26. Treadgold 1995, pp. 102-104
  27. Bury 1911, pp. 59-60
  28. Treadgold 1995, pp. 103
  29. Haldon 1999, pp. 102

Bibliografia [editar]

  • Birkenmeier, John W.. The Development of the Komnenian Army: 1081–1180. [S.l.]: Brill Academic Publishers, 2002. ISBN 90-04-11710-5
  • Bury, John B.. The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos. Londres: Oxford University Press, 1911.
  • Cameron, Averil; Bryan Ward-Perkins; Michael Whitby. The Cambridge Ancient History, Volume 14 - Late Antiquity: Empire and Successors, A.D. 425-600. [S.l.]: Cambridge University Press, 2000. ISBN 0-521-32591-9
  • Evans, James Allan Stewart. The Age of Justinian: The Circumstances of Imperial Power. Nova Iorque: Routledge, 1996. ISBN 0-415-02209-6
  • Haldon, John F.. Byzantine Praetorians: An Administrative, Institutional and Social Survey of the Opsikion and Tagmata, c. 580–900. [S.l.: s.n.], 1984. ISBN 3-7749-2004-4
  • Haldon, John F.. Warfare, State and Society in the Byzantine World, 565-1204. Londres: University College London Press, 1999. ISBN 1-85728-495-X
  • Kaegi, Walter Emil. Byzantine Military Unrest, 471–843: An Interpretation. Amsterdã: [s.n.], 1981. ISBN 90-256-0902-3
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Treadgold, Warren T.. Byzantium and Its Army, 284–1081. [S.l.]: California University Press, 1995. ISBN 0-8047-3163-2
  • Treadgold, Warren T.. A History of the Byzantine State and Society. [S.l.]: California University Press, 1997. ISBN 0-8047-2630-2
  • Whittow, Mark. The Making of Byzantium, 600–1025. Berkeley e Los Angeles: California University Press, 1996. ISBN 0-520-20496-4