Expresso (Portugal)

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Expresso (Portugal)
Expresso
ExpressoJornal.jpg
Jornal Expresso (Abril de 2006)
Periodicidade Semanal
Formato Berliner
Proprietário Impresa Publishing, SA[1]
Fundador(es) Francisco Pinto Balsemão
Diretor Ricardo Costa
Fundação 6 de janeiro de 1973
Slogan "Faz opinião."
Sede Rua Calvet de Magalhães, 242 (Edifício São Francisco de Sales), 2770-022 Paço de Arcos
Página oficial www.expresso.pt
Impresa Publishing, SA
Tipo SA (Sociedade Anónima)
Indústria Imprensa
Sede Lisboa, Portugal
Página oficial www.impresapublishing.pt

O Expresso é um jornal português de periodicidade semanal publicado ao sábado desde 1973. É considerado por muitos como o jornal de referência em Portugal.

O atual diretor do Expresso é Ricardo Costa, desde janeiro de 2011. O jornalista entrou para o semanário em setembro/outubro de 1989, juntamente com Reinaldo Serrano, Cristina Figueiredo e António Tadeia[2] . Foi durante dois anos diretor-adjunto de Henrique Monteiro.

Na edição de 26 de junho de 2010 o Expresso passou a utilizar o Acordo Ortográfico de 1990.

História[editar | editar código-fonte]

Criação do jornal[editar | editar código-fonte]

O semanário Expresso foi fundado a 6 de Janeiro de 1973 e inicialmente dirigido por Francisco Pinto Balsemão. O ex-jornalista já teria tomado contacto com a imprensa, uma vez que o tio e o pai eram os proprietários do Diário Popular, onde se estreou. Após a morte do pai, herdou a quota de 16,6% do capital da empresa proprietária do jornal, juntamente com o tio, acionista maioritário, e Guilherme Brás Medeiros. Depois da «oferta irrecusável», no verão de 1971, do Banco Borges pelo diário, o tio de Balsemão aceita.

Francisco Pinto Balsemão decide investir num jornal próprio com o modelo «dos jornais ingleses de domingo de qualidade», tais como o The Sunday Times e The Observer. Para isso Augusto de Carvalho, o diretor de publicidade e Fernando Ulrich fazem um estágio no Reino Unido para se inteirarem do modelo jornalístico. Não sem que a correspondência trocada entre Balsemão e os diretores dos jornais ingleses fosse interceptada pela PIDE, que fotocopiou a informação e a fez chegar a Marcello Caetano. O título Expresso deixa antever uma forte influência da revista francesa L'Express.

É criada assim a empresa proprietária do jornal, a Sojornal-Sociedade Jornalística e Editorial, SARL, com sede no segundo andar direito do n.º37 da Rua Duque de Palmela, em Lisboa, um imóvel desenhado em 1902 pelo arquiteto Ventura Terra e onde já vivera Afonso Costa. Balsemão fica com 51% do capital inicial (6 mil contos, o equivalente a 1,6 milhões de euros, a preço atual, ajustado à inflação). A participação dos demais acionistas é limitada a um máximo de 15%. Entre os quais estão a Sociedade Nacional de Sabões, o banqueiro Manuel Boullosa, as famílias Ruella Ramos (Diário de Lisboa) e Botelho Moniz (Rádio Clube Português). Com posições pequenas estão o tio de Francisco Pinto Balsemão, seis amigos de Balsemão (Luiz Vasconcellos, Francisco da Costa Reis, António Patrício Gouveia, Ruben A. Leitão, Luís Corrêa de Sá, António Flores de Andrade) e a sua mulher Mercedes. Surgem também na lista os jovens António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa.

A primeira versão do semanário surge em formato broadsheet e com dois cadernos. O primeiro caderno de caráter mais noticioso, «com uma primeira página forte e secções bem definidas nas páginas interiores» e o segundo, chamado Revista «menos ligada ao dia a dia, convidando à reflexão e proporcionando entretenimento [...] contendo prosas maiores»[3] . O design ficou a cabo de Vítor da Silva e Luís Ribeiro, que durante anos foi o grafista-chefe do jornal.

A primeira redação era chefiada por Augusto de Carvalho. José Manuel Teixeira estava encarregue da secção nacional, Fernando Ulrich (sob o pseudónimo Vicente Marques) fazia a crónica bolsista, António Patrício Gouveia escrevia sobre economia, Álvaro Martins Lopes na secção internacional e Inácio Teigão no desporto. Faziam também parte Fernando Brederode Santos, Teodomiro Leite de Vasconcelos (Rádio Renascença), João Bosco Mota Amaral (correspondente nos Açores com o pseudónimo J. Soares Botelho), Mercedes Balsemão (mulher do diretor, que fazia as palavras cruzadas com o pseudónimo Marcos Cruz), Juan Luis Cebrián, primeiro diretor do El País e correspondente do Expresso em Madrid. O diretor de publicidade era Jorge Galamba.

No dia 21 de dezembro de 1972, no hotel Ritz, realiza-se a sessão de lançamento do novo semanário. A campanha de publicidade fica a cargo da agência Ciesa, onde pontifica o criativo Artur Portela Filho. No entanto, a campanha para a televisão é proibida.

Com o Expresso surgem também outras inovações para a época em Portugal. O estatuto editorial, um Conselho de Redação, eleito pelos jornalistas, e o Conselho Editorial, para o qual são convidados Mário Murteira, Ruben A., Vasco Vieira de Almeida, João Morais Leitão, Sedas Nunes e Magalhães Mota.

Por fim, o primeiro número sai para a rua no dia 6 de janeiro de 1973. A tiragem ultrapassa os 60 mil exemplares, impressos na rotativa do Diário de Lisboa, em que cada um contava com 24 páginas e dois cadernos, ao preço de 5$00 (2,5 Cêntimos a preço atual). A manchete é uma sondagem encomendada: «63 por cento dos portugueses nunca votaram».

Perfil do leitor[editar | editar código-fonte]

Segundo dados da Bareme Impresa referentes ao semestre entre Janeiro e Junho de 2012, o leitor do semanário Expresso tem um perfil-tipo com idade compreendida entre os 25 e os 64 anos, das classes ABC1, quadros médios e superiores, residentes em regiões urbanas.[4]

O jornal tem uma média de 585.400 leitores de audiência média no alvo universo, onde não existe uma grande diferença em termos de género: 55% dos indivíduos são do sexo masculino. Em termos etários as preferências vão para os leitores entre os 25 e os 34 anos (24,2%), 35 aos 44 (20,9%), 45 aos 54 (15,1%) e 55 aos 64 anos (13,9%). Os jovens e os idosos são a faixa etária menos relevante. Nomeadamente, os indivíduos dos 15 aos 17 (2,9%), dos 18 aos 24 (9,9%) e com mais de 65 anos (13,1%).

A leitura do semanário é transversal e equilibrado em quase todas as classes. É na classe B que se lê mais o Expresso (29,1%), seguida de perto pela classe C1 (27%). A classe A tem uma quota de 21,1%, classe C2 com 14,8% e classe D com 8%.

Com larga margem entre os grupos ocupacionais estão os quadro médios e superiores (33,4%). Uma percentagem mais baixa é atribuída aos reformados, pensionistas e desempregados, que são a segunda faixa etária mais relevante para as leituras do jornal com 18%. Seguem-se os empregados de serviços/comércio/administrativos (13,6%), técnicos especializados e pequenos proprietários (12,3%), estudantes (9,7%), trabalhadores qualificados/especializados (8,4%), trabalhadores não qualificados/não especializados (3,4%) e domésticas (1,2%).

Em termos regionais, 34,4% são leitores da Grande Lisboa. Mais abaixo na tabela surge o Interior Norte (16,6%), Litoral Centro (14%), Litoral Norte (13,7%), Grande Porto (11,8%) e finalmente o Sul com 9,5%.

O perfil comportamenal do leitor do Expresso é dominado pelas preocupações ambientais (76,8 pontos) e sociais (74,3), com uma forte ligação às novas tecnologias, comunicações e Internet (64,1). No fim das suas prioridades estão as preocupações com demonstração de status (17,1).

Cadernos e suplementos[editar | editar código-fonte]

Todas as semanas o Expresso imprime os seguintes cadernos:

  • 1.º Caderno;
  • Economia;
  • Revista Única;
  • Actual;
  • Emprego;
  • Espaços & Casas.

Irregularmente, são também impressos suplementos comerciais da autoria de terceiros. Anualmente, é impresso o suplemento Guia do Estudante.

O caderno Actual está dividido em duas zonas: Norte (correspondente ao Norte de Portugal) e Sul (correspondente ao Sul de Portugal); no 1.º Caderno, existe uma secção chamada Rede Expresso onde estão publicadas todas as notícias locais, sendo todas estas publicadas de Norte a Sul do país.

Já existiram os seguintes cadernos:

  • Economia e Internacional (a parte Internacional foi integrada no 1º Caderno, ficando assim só Economia);
  • Vidas;
  • Revista (que, juntamente com o Vidas foi fundido num único: a revista Única)
  • Cartaz.pt (foi integrado no Actual).

Online[editar | editar código-fonte]

O Expresso foi o primeiro jornal a publicar a Edição Impressa em versão HTML. Existe uma Edição Última Hora online, vários blogues, uma Loja Online, edições online dos guias/cadernos Guia do Estudante, Cartaz, Boa Cama Boa Mesa (BCBM), Gourmet, Emprego e Imobiliário. Também existem serviços multimédia e um portfólio online. Mais recentemente, em conjunto com a Newspaperdirect, lançou a Edição Impressa em formato e-xpresso, um tipo de PDF inteligente. É também possível comentar todos os artigos das Edições Impressa e Última Hora do Expresso, os vídeos e os dossiês, entre outros.

Referências

  1. Organigrama do grupo Impresa. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  2. Expresso da Meia Noite, SIC Notícias (04/01/2013)
  3. José Pedro Castanheira. (5 de janeiro de 2013). "Revista". Expresso (2097): 57.
  4. Perfil de leitor do jornal Expresso (Impresa Publishing).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]