Fórum Social Mundial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Fórum Social Mundial (FSM) é um evento altermundialista organizado por movimentos sociais de muitos continentes, com objetivo de elaborar alternativas para uma transformação social global. Seu slogan é Um outro mundo é possível.

O número de participantes tem crescido nas sucessivas edições do Fórum: de 10 000 a 15 000 no primeiro fórum, em 2001, a cerca de 120 000 em 2009, com predominância de europeus, norte-americanos e latino-americanos, exceto em 2004, quando o evento foi realizado na Índia.

Diretrizes[editar | editar código-fonte]

Na origem, foi proposto como um contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que se realiza anualmente, em janeiro. Atualmente as datas de ambos os eventos não são coincidentes.

O Fórum se realizou várias vezes (em 2001, 2002, 2003 2004 e 2005), no Brasil, na cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul; em 2004, na Índia; de forma descentralizada em 2006, e em Nairobi, Quênia, em 2007. A nona edição do Fórum novamente teve lugar no Brasil, em Belém, capital do Estado do Pará.

Das propostas dos movimentos que compõem majoritariamente o fórum , resultou, durante o evento de 2005, em Porto Alegre, o Consenso de Porto Alegre

O empresário israelense naturalizado brasileiro, Oded Grajew, é geralmente considerado como o principal idealizador do FSM. [1] [2]

Os fóruns[editar | editar código-fonte]

Os fóruns são realizados anualmente. Os três primeiros foram em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A partir de então decidiu-se que seria itinerante, devendo ser sediado em várias cidades diferentes a cada ano. Em 2006 foi policêntrico (Caracas, Karachi e Bamako) e em 2008 foi descentralizado. Em 2007 foi na África, durante os dias 20 e 25 de janeiro em Nairóbi (Quênia) e em 2009, aconteceu em Belém do Pará.

FSM 2001[editar | editar código-fonte]

O primeiro Fórum Social Mundial foi realizado em janeiro de 2001 na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. A programação foi composta por 420 oficinas autogestionadas organizadas pelas entidades participantes, além de seminários, 16 conferências, 22 testemunhos e diversas outras atividades culturais.

FSM 2002[editar | editar código-fonte]

O segundo Fórum também foi em Porto Alegre em janeiro e contou com cinquenta mil participantes; 12.274 delegados de 123 países e 3.356 jornalistas credenciados. Foram 622 atividades autogestionadas, 27 conferências e 96 seminários e diversas outras atividades culturais.

FSM 2003[editar | editar código-fonte]

O terceiro Fórum também foi em Porto Alegre em janeiro e contou com cem mil participantes; 20 mil delegados de 123 países e 4.000 jornalistas credenciados. Foram 1.300 atividades autogestionadas (oficinas e seminários), 10 conferências, 22 testemunhos, 4 mesas de diálogo e controvérsia, 36 painéis e diversas outras atividades culturais.

A Ciranda Internacional da Informação Independente experimentou, em sua terceira edição, a organização prévia da cobertura conjunta por coletivos e veículos de comunicação alternativos brasileiros, com encontros preparatórios, um seminário e a montagem da redação jornalística que fez a acolhida das midias alternativas internacionais em Porto Alegre.

FSM 2004[editar | editar código-fonte]

O quarto fórum aconteceu em Muai, Índia, em janeiro. Contou com 111 mil participantes; 74.126 inscritos, representando 1.653 organizações de 117 países; 3.200 jornalistas e 1.203 atividades autogestionadas (seminários, oficinas e reuniões).

Pela primeira vez, a Ciranda Internacional da Informação Independente foi organizada em outro continente e fortemente influenciada pela gestão indiana da comunicação do FSM e sua opção pelo desenvolvimento de sistemas próprios em software livre. Com o IV FSM começavam os laboratórios para definição de uma ferramenta aberta para o sistema de alimentação de conteúdos da Ciranda.

FSM 2005[editar | editar código-fonte]

Em 2005 o Fórum voltou para Porto Alegre, em janeiro. Contou com 155 mil participantes representando 135 países e 6.588 organizações; 6.823 jornalistas; 2.800 voluntários 2.500 trabalhadores da Economia Popular e Solidária. Foram 2.500 atividades autogestionadas entre as quais: 130 shows; 115 filmes e vídeos e 96 exposições de artes.

Na marcha de abertura, participaram mais de 200 mil pessoas NEGRAS.

Após meses de construção conjunta, as midias alternativas ampliam os recursos para suas ações compartilhadas. No V FSM, a Ciranda Internacional da Informação Independente se interconecta com Fórum de Rádios, Fórum de TVs e Laboratório dos Conhecimentos Livres (cultura digital). Seu novo sistema de alimentação é inteiramente desenvolvido na linguagem Wiki.

Nesta edição, a direção do FSM decide por não mais realizar o evento em Porto Alegre, pois após algumas reuniões entre os membros do Conselho Internacional percebeu-se a necessidade de fazer circular a proposta do Fórum por outros países do terceiro mundo, que, a partir da dinâmica do FSM, poderiam adotar novas práticas e reflexões por mudanças sociais dentro de suas realidades.

FSM 2006 policêntrico[editar | editar código-fonte]

Programado para realizar-se quase simultaneamente em três continentes, África, Ásia e América Latina, teve um de seus eventos, o de Karachi, adiado por causa do terremoto no Paquistão em 2005. Os outros dois se realizam de 19 a 23 de janeiro de 2006, na cidade de Bamako, em Mali e de 24 a 29 de janeiro de 2006, na cidade de Caracas, na Venezuela.

Segundo membros do comitê de organização do evento da política, o primeiro dia do Fórum Social Policêntrico em Bamako, Mali, contou com cerca de seis a sete mil pessoas em sua cerimônia de abertura, no Estádio Modibo Keïta.

Simultaneamente ao Fórum Social Mundial 2006 Caracas, ocorreu o I Acampamento Binacional, Brasil-Uruguai. Constituindo um espaço direto de integração entre os dois países, o Acampamento Binacional buscou discutir temas que afetam o dia-a-dia dos seus povos, associando-se ao esforço do Fórum Social Mundial em buscar um novo mundo possível. O evento contou com uma rede de comunicação, ligando diretamente os debates centrais ao FSM 2006 em Caracas.

Novamente o conjunto de iniciativas de comunicação compartilhada realizou-se na sexta edição do Fórum Social Mundial 2006, com a realização da Ciranda, Fórum de Rádios e a Cayapa (de TVs). Em São Paulo, um laboratório de web radio foi ativado pela parceria com o Estúdio Livro, que editou programas diários com materiais recebidos de Caracas e retransmitidos pelo Fórum de Rádios. O programa foi batizado de Ciranda Piolho e mantido após o FSM 2006.

FSM 2007[editar | editar código-fonte]

Nairóbi, Quênia. Na sétima edição do Fórum Social Mundial (FSM), os movimentos de sociedade civil africana foram os grandes protagonistas.

Favela Kibera, a maior de Nairóbi, capital do Quênia. No local, em que foi filmado O jardineiro fiel, local da marcha de abertura do 7°Fórum Social Mundial. Foto: Valter Campanato/ABr

Os "cinco dias de resistência cultural e celebração", como o evento foi definido pelos organizadores, tiveram início com uma manifestação popular que saiu do bairro de favelas de Kibera, um dos maiores da África, e terminou no Parque Uhuru, na capital.

Começando na África do Sul, passando por Malaui e, após atravessar a Tanzânia, uma caravana de mais de 20 ônibus se uniu às comunidades de pastores masai do sul do Quênia e teve como destino final o parque onde foi realizada a cerimônia de abertura.

O parque, que fica no coração de Nairóbi, foi local de uma grande festa inaugural. No final da década de 80, o sítio natural foi palco da luta por sua preservação liderada pela queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz de 2004, que também participou do evento.

No local, foram realizados shows da sul-africana Chaka Chaka, dos quenianos Eric Wainaina e Suzanna Owiyo, e do músico do Zimbábue Oliver Mtukudzi.

O ator Danny Glover, do Forum Transafrica, durante o 7°FSM, em Nairóbi.

Nos dias seguintes, as atividades foram realizadas no complexo esportivo de Kasarani, que fica a aproximadamente 20 quilômetros do centro da cidade, que abrigou mais de 600 atividades organizadas pelos movimentos participantes. O quarto dia foi dedicado à exposição das propostas de ação e de campanhas por parte de diferentes grupos. À tarde, Wangari Maathai liderou uma atividade de plantio de árvores com participantes do FSM.

A cerimônia de encerramento foi realizada no Parque Uhuru, onde participantes chegaram vindos de uma maratona iniciada no bairro de favelas de Korogocho. Os que optarem por andar, em vez de correr, tiveram como ponto de partida o bairro de Kariobangi.

Com o lema "Um outro mundo é possível", o FSM é realizado desde 2001, e as datas em que o encontro é realizado são escolhidas para coincidir com o Fórum Econômico Mundial, que ocorre na cidade suíça de Davos.

O objetivo do evento é criar um espaço de encontro que favoreça a construção internacional de alternativas ao que seus organizadores consideram como "pensamento único neoliberal".

Os debates, mesas-redondas e exposições da sétima edição do FSM giraram em torno de doze tópicos, incluindo aids, paz e conflito, juventude, situação das mulheres, migrações e perseguições, dívida externa, os sem-terras e a privatização de bens comuns.

Participaram personalidades como o arcebispo anglicano sul-africano e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, o ex-presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda, a ex-mulher de Nelson Mandela, Winnie Mandela, a escritora e política do malinesa, Aminata Dramane Traoré e a ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente irlandesa Mary Robinson.

A cobertura compartilhada do sétimo FSM pela mídia alternativa foi mais uma vez feita pela iniciativa Ciranda Internacional da Informação Independente, que também promoveu um encontro entre jornalistas e comunicadores sociais dos diferentes continentes para debater estratégias de cobertura do FSM 2008, quando não haveria um evento único, mas sim uma Semana de Mobilização Global, culminando com um Dia de Ação Global por Outro Mundo Possível, em 26 de Janeiro.

FSM 2008[editar | editar código-fonte]

Em 2008, não houve um evento centralizado do FSM mas sim uma Semana Mobilização Global que culminou em um Dia de Ação Global, em 26 de janeiro de 2008

Nessa data, entidades, movimentos e pessoas participantes do processo FSM fizeram ações, atividades, eventos, performances e convergências sobre temas e em formatos que escolheram nos quatro cantos do planeta.

A conexão entre esses eventos foi a possibilidade de comunicação coletiva, horizontal, compartilhada entre esses múltiplos eventos espalhados pelo planeta.

As coberturas compartilhadas do Dia Mundial de Ação e Mobilização foram feitas através da plataforma Ciranda, WSFTV e site oficial do FSM

FSM 2009[editar | editar código-fonte]

Participantes do Fórum Social Mundial montam suas barracas no Acampamento da Juventude, em Belém, 2009.

Conforme decisão tomada pelo Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, em reunião realizada em Berlim, na Alemanha, no final de maio de 2007, a nona edição do FSM aconteceu na Amazônia, em Belém, capital do estado do Pará, entre 27 de janeiro e 1° de fevereiro de 2009, reunindo cerca de 120 mil pessoas de 150 países.[3] [4]

Considerado o criador do Fórum Social Mundial, o engenheiro Oded Grajew, do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, acredita que desde a primeira edição em Porto Alegre, em 2001, sua criatura "amadureceu, se consolidou e se espalhou pelo mundo".

Às vésperas da nona edição do FSM, Grajew ressaltou a importância da discussão acerca da sustentabilidade ambiental e o esgotamento do modelo econômico neoliberal como os principais assuntos do encontro:"A escolha da Amazônia não foi fortuita. É o primeiro fórum que vai ter a questão da sustentabilidade, do modelo econômico como predador do meio ambiente, provocador do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais.[5] "

A cobertura compartilhada do FSM 2009 foi precedida, no segundo semestre de 2008, de Rodas de Conversa sobre Comunicação Compartilha no bairro popular do Guamá, na sede da Cepepo - Centro de formação popular em comunicação compartilhada através de ferramentas audiovisuais, com coletivos locais que assumiram a gestão das iniciativas Ciranda e Fórum de TVs e acolheram iniciativas do Fórum de Radios em Belém. O FSM 2009 também foi precedido da realização de um Seminário Internacional de Comunicação Compartilhada que integrou a programação do I Fórum Mundial de Mídia Livre em Belém.

FSM 2010[editar | editar código-fonte]

Monumento marcando a passagem do Fórum Social Mundial 10 anos por Sapiranga - Grande Porto Alegre. Na foto representantes Brasileiros, da Argentina e da Angola

No seu décimo ano, o Forum Social Mundial descentraliza-se em pelo menos 27 eventos espalhados pelo mundo. O primeiro deles, o "Fórum Social 10 Anos: Grande Porto Alegre" foi programado para o período de 25 a 29 de janeiro, com atividades em vários municípios região metropolitana de Porto Alegre - Porto Alegre, Gravataí, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Sapiranga, .

Durante painel sobre a conjuntura econômica, realizado no dia 26, em Porto Alegre, o geógrafo britânico David Harvey, da City University of New York (Cuny), afirmou que as "ficções" financeiras que causaram a crise financeira global, em 2008, se reproduzem atualmente na China e em outros países emergentes, que podem ser o epicentro de futuras turbulências. Segundo Harvey, o capitalismo segue baseado "na destruição e não na construção" e a obsessão pelo crescimento econômico, que ignora as ameaças ambientais e sociais, impede o sistema de se antecipar às crises, cada vez mais graves, que o próprio sistema gera de forma cíclica.[6] "Nós estamos em um momento em que o crescimento para sempre é impossível e, portanto, precisamos pensar em uma alternativa para o capitalismo", defendeu Harvey.[7]

Na mesma linha, a cientista política franco-americana Susan George, integrante da organização não-governamental Attac (Associação para Taxação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos), apontou a ligação entre a busca por um maior crescimento econômico e as crises múltiplas que se agravam, especialmente nos campos ecológico e social. "As crises estão se fundindo em uma só". Ela lembrou que cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome hoje e, dentro de poucos anos sofrerão cada vez mais com a progressiva escassez de água potável. Segundo a cientista, a falta de alimentos e de água exporá a humanidade a novos horrores, novos tipos de fascismo, novos massacres e êxodos maciços e o "surgimento dos refugiados ecológicos". Para ela a crise ambiental é a mais grave de todas.[6]

Já o economista brasileiro Paul Singer, defende que, apesar da angústia ligada às consequências de longo prazo da crise ambiental, no curto prazo a economia precisa crescer para enfrentar os problemas sociais, reduzir o desemprego e fortalecer os sindicatos. "Identificar o crescimento com a degradação é um erro porque é possível crescer, e muito, até recuperando o meio ambiente", afirmou. Singer deu ênfase à economia solidária como alternativa de geração de renda através de associações e cooperativas de trabalhadores: "A economia solidária não tem limites; pode produzir de tomates a aviões desde que haja organização." Singer estima que, em 2008, os empreendimentos de economia solidária cresceram de 40% a 50% em relação a 2007, quando esses empreendimentos geraram uma receita bruta de R$ 8 bilhões para 1,7 milhão de pessoas.[8]

Rodas de Conversa sobre 10 Anos de Comunicação Compartilhada no processo Fórum Social Mundial foram realizadas em Porto Alegre, com os coletivos gestores das coberturas, em Canoas, com rádios comunitárias do Brasíl, Quênia e Argentina, e em Salvador, com o movimento negro. A principal orientação para as atividades coletivas em 2010 é a junção de comunicação e cultura compartilhadas, e a meta dos coletivos no processo FSM 2010 é contaminar todas as temáticas do FSM com o debate da comunicação e cultura como dimensões indissociáveis de qualquer proposta de transformação social.

FSM 2011[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2011, o Fórum Social Mundial aconteceu em Dakar, Senegal, com 75 mil participantes, oriundos de 132 países, que se organizaram em 1.200 atividades. Entre os palestrantes estavam a ativista social e escritora canadense Naomi Klein e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Em seu discurso, Morales declarou com firmeza: "Nós vamos à ONU para declarar que a água é uma necessidade básica pública que não deve ser gerida por interesses privados, mas deve ser para todas as pessoas, incluindo as pessoas de áreas rurais." Inicialmente, o Fórum 2011 teve uma série de problemas logísticos, e vários eventos tiveram que ser cancelados na última hora por falta de espaço. Além disso, uma greve de estudantes contra as políticas do Presidente Abdoulaye Wade na Universidade Cheikh Anta Diop interrompeu algumas plenárias programadas. [9]

Estima-se que de 2001 a 2011, cerca de 1.300.000 pessoas participaram de organizações no FSM.

FSM 2012[editar | editar código-fonte]

O Fórum de 2012 foi realizado no Brasil, na cidade de Porto Alegre, de 24 a 30 de janeiro, e teve como tema central Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental.[10]

FSM 2013[editar | editar código-fonte]

O Forum 2013 realizou-se em Túnis, de 26 a 30 de março de 2013, sob o tema Dignidade.[11] [12]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]