Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo

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Fachada do edifício na Avenida Brigadeiro Luís Antônio: departamento de física.

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) foi, por mais de três décadas, a unidade nuclear e primordial da USP. A partir de sua fundação a FFCL desempenhou um papel preponderante no pensamento brasileiro.

História[editar | editar código-fonte]

A história da criação da FFCL-USP é em si mesma a história do surgimento da USP. Por quase um século existiram inúmeras instituições isoladas de ensino superior em São Paulo, tais como a Faculdade de Direito de São Paulo (criada em 1827), a Escola Politécnica de São Paulo (em 1894), a Faculdade de Farmácia e Odontologia de São Paulo (em 1898), a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (em 1912). Após a Revolução Constitucionalista de 1932, membros da elite paulista derrotada do estado de São Paulo, alijados do poder decisório nacional por meio armas, se deram conta que a única forma de restabelecerem seu poder e prestígio novamente seria através de idéias, e que para tanto era fundamental um centro de pensamento que irradiasse cultura e ideais que espelhassem e, ao mesmo tempo, moldassem a sociedade brasileira à sua imagem. Assim, expoentes dessa elite aprimoraram a idéia de criação de uma universidade que influenciasse todo o país. Mas para que tal intento funcionasse, seria primordial reunir as instituições existentes de ensino superior ao redor de um órgão que fosse capaz de influenciar os destinos do Brasil. Dessa forma, homens como Júlio de Mesquita Filho, dono do jornal O Estado de S. Paulo, passaram a advogar a necessidade urgente da instalação de uma universidade onde as faculdades pré-existentes seriam os membros e a Faculdade de Filosofia seria a núcleo pensante em conjunto com a Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, núcleo original da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo fundada em 1933. Com a derrota paulista, o governo central designou como interventor no estado Armando de Salles Oliveira. Engenheiro formado pela Escola Politécnica de São Paulo e cunhado de Júlio de Mesquita Filho, por pressão deste acabou criando a Faculdade simultaneamente à criação da Universidade de São Paulo em 1934.

A Batalha da Rua Maria Antônia e o fim da FFCL[editar | editar código-fonte]

O ovo veio antes. Estourou na cabeça de um estudante. Depois vieram outras explosões, de coquetéis Molotov, bombas, rojões, mais tiros de revólver, para transformar um pedaço da Rua Maria Antônia, no centro de São Paulo, num campo de batalha. Poderia ter sido mais uma briga, marcando a rivalidade entre os alunos da Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, uma em frente a outra se encarando com maus olhos há muito tempo. Mas a incrível batalha foi longe demais: há um morto, um moço de vinte anos, muitos feridos, os prédios de duas escolas danificados, vários carros virados e incendiados. No mesmo momento em que os universitários brasileiros reclamam um nível melhor de ensino e pretendem uma participação mais ativa na vida política do País, 3.000 estudantes do Mackenzie e 2.500 estudantes da Faculdade de Filosofia da USP deflagram a sua guerra por causa de um ovo. Para um estudante do Mackenzie, "essa briga prova que não há lugar para duas escolas na Rua Maria Antônia". É muito pouco para tanta violência. Uma coisa é certa: aos dois lados faltou a visão das conseqüências políticas e dos danos materiais que a briga provocaria - e faltaram líderes para deter a briga, antes que chegasse onde chegou. Ao lado do caixão de José Guimarães, o jovem secundarista que tombou na batalha sem glória, Dona Madalena, a mãe desolada, chora, enquanto o irmão mais velho, Ladislau, repete para cinegrafistas e fotógrafos: "Filmem e fotografem à vontade. Talvez tudo isso sirva para alguma coisa, um dia".

Com a mudança da FFCL para a o Campus, pouco a pouco os institutos de exatas e biológicas foram se desgrudando da FFCL, sendo que o primeiro a se desgrudar foi o Insituto de Física, seguidos pelos de Matemática, Química etc. É por esse motivo que ainda hoje, esses institutos tenham o nome de institutos, e não de faculdades, em memória aos tempos da FFCL. Quando todos esses institutos se desgrudaram, a FFCL passou por um projeto de reformulação, e se tornou a FFLCH.

Ver também[editar | editar código-fonte]