Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

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Faculdade de Medicina
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Universidade Federal de Minas Gerais
Fundação 5 de março de 1911
Tipo de Instituição Unidade de ensino, pesquisa e extensão
Diretor Prof. Tarcizo Afonso Nunes (2014-2018)
Localização Brasao de Belo Horizonte.png Belo Horizonte,
- Brasão de Minas Gerais.svg MGCoat of arms of Brazil.svg Brasil
Campus Campus Saúde
Site http://www.medicina.ufmg.br

A Faculdade de Medicina da UFMG (FM/UFMG) é uma Unidade Acadêmica da Universidade Federal de Minas Gerais. Sua sede fica no Campus Saúde, Avenida Professor Alfredo Balena, 190, região hospitalar de Belo Horizonte.

Formada em 1911, antes mesmo da fundação da Universidade, a Faculdade de Medicina da UFMG carrega uma história rica, com personagens notáveis. Entre seus ex-alunos estão o escritor Guimarães Rosa e o ex-presidente da república Juscelino Kubitschek.

Conta, atualmente, com mais de 2000 discentes e forma, anualmente, 320 médicos – o maior número de graduados, por ano, no Brasil – e 50 fonoaudiólogos e, desde 2010, iniciou a oferta do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia.[1] Pioneira na bem sucedida experiência pedagógica do Internato Rural na graduação, compreende um amplo e renomado sistema de pós-graduação, com dois de seus programas - o de Infectologia e Medicina Tropical e o de Saúde Pública - entre os de melhor conceito no país.

De acordo com o Ranking Universitário Folha (RUF) 2014, o curso de Medicina da Faculdade de Medicina da UFMG é classificado como quinto melhor do país, alcançando o primeiro lugar na avaliação do mercado.[2] [3]

História[editar | editar código-fonte]

Antes da UFMG: Escola de Medicina de Belo Horizonte[editar | editar código-fonte]

Em 5 de março de 1911, a Sociedade Médico-Cirúrgica de Minas Gerais criava a Escola de Medicina de Belo Horizonte, a quarta implantada no Brasil. Os médicos fundadores que assinaram a ata de sua criação e suas respectivas cátedras eram: Alfredo Balena (clínica médica); Cornélio Vaz de Mello (anatomia médico-cirúrgica, operações e aparelhos); Zoroastro Rodrigues de Alvarenga (higiene); Cícero Ribeiro Ferreira Rodrigues (medicina legal); Otávio Machado (clínica pediátrica médica e cirúrgica, ortopedia e higiene infantil); Eduardo Borges Ribeiro da Costa (clínica cirúrgica); Hugo Furquim Werneck (ginecologia e obstetrícia); Samuel Libânio (clínica médica, 2ª cadeira); Antônio Aleixo (clínica dermatológica e sifilográfica); Ezequiel Caetano Dias (microbiologia); Honorato Alves (oftalmologia e otorrinolaringologia); e Olyntho Deodato dos Reis Meirelles (farmacologia).

Inicialmente, a Escola foi instalada no palacete Thibau, na esquina da Avenida Afonso Penna com a Rua Espírito Santo. Em 30 de julho de 1911 foi lançada a pedra fundamental para a construção de sua sede própria, localizada num terreno do Parque Municipal, cedido pela Prefeitura, na Avenida Mantiqueira, depois Avenida Alfredo Balena. À solenidade compareceu como paraninfo o professor Miguel de Oliveira Couto, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.[1]

Em 26 de março de 1911, reuniram-se os fundadores e organizadores da Escola, constituindo a Direção Provisória da Faculdade, com Cícero Ribeiro Ferreira Rodrigues como presidente e Otávio Machado como secretário. A 3 de maio de 1911 deliberou-se pela aprovação dos seus estatutos, tomando como base o ensino teórico e prático das matérias que constituíam a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, incluindo os cursos de ciências médicas e cirúrgicas, de farmácia, de odontologia e de obstetrícia. Elegeu-se, então, a diretoria definitiva com Cícero Ribeiro Ferreira Rodrigues como diretor, Cornélio Vaz de Mello como vice-diretor e João Batista de Freitas como secretário-tesoureiro. No mês de junho foram empossados os 12 catedráticos fundadores e os diretores.

A aula inaugural intitulada "As Coordenadas Estáticas do Corpo Humano" foi proferida pelo professor interino de física médica Zoroastro Rodrigues de Alvarenga, no dia 8 de abril de 1912. Naquele ano foram matriculados 113 alunos, sendo 104 no curso médico, seis no de farmácia e três no de odontologia.

Na graduação, em 1917, a primeira turma totalizava 17 formandos em Medicina.[1]

Integração à UFMG: Faculdade de Medicina da UFMG[editar | editar código-fonte]

Em 1927, a instituição passou a constituir a Universidade de Minas Gerais, federalizada em 1949, junto com as outras três escolas de nível superior até então existentes em Belo Horizonte: Faculdade de Direito, Escola de Engenharia e Escola Livre de Odontologia, que incluía o curso de Farmácia.

A atual sede, apelidada de "Caixotão", só foi erguida em 1960, na avenida Alfredo Balena, depois que a anterior, no mesmo endereço, foi demolida.[4] A turma de 1960 inaugurou o atual edifício da Faculdade. Quem ministrou a primeira aula foi o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, ex-aluno, benfeitor e, a partir daquela data, professor honorário.[1]

Na década de 60 também foi implantada a Residência Médica, com estágios de médicos graduados em várias clínicas. Em 1968, era a vez da implementação da pós-graduação da Faculdade, com a criação do Doutorado em Oftalmologia.[1]

Em 1965, as entradas foram fixadas em 160 alunos. Em 1969, a pressão pela formação de um número maior de profissionais dobrou o número de vagas da graduação de Medicina para 320, divididas em duas entradas semestrais.[1]

A década de 70 foi o marco da reforma no ensino. Começava um processo de desenvolvimento curricular audacioso: além das habilidades básicas obrigatórias, o currículo médico deveria oferecer disciplinas e internatos para atender à vocação individual dos estudantes durante a graduação. Os estudantes passaram a ter mais contato com os pacientes. Os serviços de saúde, principalmente os públicos, tornaram-se parceiros da Universidade na educação médica.[1]

Em 1º de julho de 1999, foi criada a graduação em Fonoaudiologia e a primeira turma ingressou na universidade em 2000. O Curso Superior de Tecnologia em Radiologia foi aprovado em 2009 e a primeira turma teve os estudos iniciados em 2010.[1]

Departamentos Acadêmicos[editar | editar código-fonte]

Na Faculdade de Medicina estão sediados 13 departamentos:[5]

Departamento Acadêmico Site do Departamento
Anatomia Patológica e Medicina Legal APM
Anatomia e Imagem IMA
Aparelho Locomotor ALO
Clinica Médica CLM
Cirurgia CIR
Fonoaudiologia FON
Ginecologia e Obstertrícia GOB
Medicina Preventiva e Social MPS
Oftamologia e Otorrinolaringologia OFT
Pediatria PED
Propedêutica Complementar PRO
Saúde Mental SAM
Internato Rural Internato Rural

Vida estudantil[editar | editar código-fonte]

Para os estudantes da Faculdade de Medicina da UFMG, o ensino está profundamente ligado às atividades de pesquisa e extensão da Universidade, das quais eles participam nas disciplinas dos cursos e nos mais variados projetos. Os estudantes também têm a tradição em outras atividades, tanto políticas como culturais e esportivas.

Ligas Acadêmicas[editar | editar código-fonte]

Orientados por professores, os alunos estão ainda envolvidos em ligas acadêmicas, na realização de jornadas e de outros eventos nas diferentes áreas do conhecimento ligadas à Saúde. [6] Algumas das Ligas Acadêmicas são geridas em conjunto com outras faculdades.

Ligas Acadêmicas Site
Liga Acadêmica de Ciências Cardiovasculares Lacardio
Liga Acadêmica de Epilepsia da UFMG LAE-UFMG
Liga Acadêmica de Ética em Saúde
Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia Lagg - MG
Liga Acadêmica de Onco e Hematologia Laoh
Liga Acadêmica do Trauma LAT
Liga de Telessaúde da UFMG Litel
Liga Acadêmcia de Nefrologia Nefroliga - MG
Liga Acadêmica de Neuroanatomia, Neurologia e Neurocirurgia Neuroliga
Liga Acadêmica de Anatomia Clínica e Cirúrgica Lanac UFMG
Liga de Diagnóstico por Imagem Lidi UFMG

Diretório Acadêmico Alfredo Balena[editar | editar código-fonte]

Alfredo Balena
(quadro da Faculdade de Medicina da UFMG).

Em setembro de 1920, com a fundação do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina (CAFM), teve início os primórdios da organização estudantil na Faculdade de Medicina. Após a morte do Prof. Alfredo Balena, catedrático de Clínica Médica, que exerceu a diretoria da Faculdade de Medicina por quase 20 anos, o então CAFM passou a ser chamado DAAB – Diretório Acadêmico Alfredo Balena - e, um ano depois, em 1960, como parte das comemorações do cinquentenário da Faculdade de Medicina da UFMG, foi inaugurada a nova sede, com 450m².[7]

O Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB) representa os estudantes de Medicina da UFMG e teve destaque na participação durante a agitação política das décadas de 60 e 70.[8]

Show Medicina[editar | editar código-fonte]

O Show Medicina surgiu em 1954, através dos estudantes Jota Dângelo e José Menotti Gaetani após conhecerem o espetáculo O Show Medicina da USP, através do professor paulista João Afonso Di Dio. Tratava-se de fazer um Show com alunos e alunas da Faculdade, sobretudo sobre temas médicos e estudantis. Da criação até 1976, o Show continuou. Porém, em 1977, totalmente vetado pela censura, os diretores cancelaram o Show Medicina. Em 1986, retornou e apresentou no Teatro Marília. [9]

As apresentações são anuais, sendo realizadas pelo grupo de teatro amador que se entrega ao exercício da criação para criticar seu próprio habitat e a si mesmos. Todo o Show é produzido e executado por estudantes da Faculdade de Medicina: desde a confecção de cartazes e textos até iluminação, som, maquiagem, figurino e apresentação.

Extensão[editar | editar código-fonte]

Projeto Manuelzão[editar | editar código-fonte]

O Projeto Manuelzão foi criado em janeiro de 1997 por iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG. O surgimento do Manuelzão está ligado às atividades do Internato em Saúde Coletiva (“Internato Rural”), disciplina obrigatória da grade curricular do curso de Medicina em que os estudantes passam três meses em municípios do interior de Minas Gerais desenvolvendo atividades de medicina preventiva e social. O histórico das experiências desses professores e estudantes revelou que não bastava, período a período, medicar a população. A partir da percepção de que a saúde não deve ser apenas uma questão médica, foi esboçado o horizonte de trabalho do Projeto Manuelzão: lutar por melhorias nas condições ambientais para promover qualidade de vida, rompendo com a prática predominantemente assistencialista. A bacia hidrográfica do rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação. [10]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h "Catálogo Institucional 2010", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  2. "Rankings de Cursos - Medicina (Ranking Universitário Folha 2014)", Folha de São Paulo. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  3. "Ranking classifica UFMG como o melhor ensino do país", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  4. "Ela lida com “GENTE de CARNE e SANGUE. Faculdade de Medicina comemora 100 anos cada vez mais próxima da população", Boletim UFMG Nº 1728 - Ano 37 - 28 fev. 2011. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  5. "Departamentos", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  6. "Ligas Acadêmicas", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  7. "DAAB - História", DAAB. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  8. "Alunos - Outras atividades", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  9. "Histórico Show Medicina", Faculdade de Medicina da UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
  10. "História", Projeto Manuelzão UFMG. Página visitada em 20 de dezembro de 2014.
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