Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
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A Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa é uma instituição pública universitária dedicada ao ensino e investigação na área da Medicina.
Criada formalmente em 1911, como parte da nova Universidade de Lisboa, instituída pelo Governo Provisório da República Portuguesa, o seu projecto é, porém, anterior, datando de 1825.
A faculdade fica localizada na Cidade Universitária, nas instalações do Hospital de Santa Maria.
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[editar] História
O ensino da Medicina em Lisboa remonta ao século XIII, quando D. Dinis acede, em 1288, à criação do Estudo Geral de Lisboa. É então, por bula de 9 de Agosto de 1290 do Papa Nicolau IV, que surge a Universidade da qual constam diversas disciplinas, entre as quais a Física (designação de então para Medicina).
O Estudo Geral não possuía, contudo, instalações próprias, tendo funcionado no bairro de Alfama (Campo da Pedreira na época) e posteriormente na Sé. As primeiras instalações próprias da Universidade datam de 1431, localizadas na freguesia de S. Tomé, doadas e remodeladas pelo Infante D. Henrique. Posteriormente a Universidade é transferida para o antigo Paço do Infante D. Henrique, durante o reinado de D. Manuel I.
Em 1492, o ensino e prática da Medicina sofrem uma profunda mudança devido à fundação do Hospital Real de Todos os Santos, entre a Praça da Figueira e a Praça do Rossio, por D. João II. Contudo, o edifício é arrasado pelo terramoto de 1755, após ter sobrevivido a dois incêndios (1610 e 1750). É então substituído pelo Hospital Real e Nacional de S. José (homenagem ao então rei D. José), instalado pelo Marquês de Pombal.
A Faculdade de Medicina tem as suas origens na Real Escola de Cirurgia, criada no Hospital de São José em 1825, tomando a designação de Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1836 e, finalmente, em 1911, através da promulgação de duas leis (Lei de 24 de Março, que criava novas Universidades e Faculdades e Lei de 22 de Fevereiro, que reformava os estudos médicos), Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
O edifício do Campo de Santana, é inaugurado 1906 para ensino das disciplinas básicas, sendo que a clínica continua a ser leccionada no Hospital de São José até 1910, ano em que o Hospital Escolar de Santa Marta, é cedido à faculdade. Este hospital e o edifício do Campo de Santana constituíram as novas instalações que, juntamente com a lei de 22 de Fevereiro de 1911 permitiram uma profunda reforma no ensino médico. É nesta época que os antigos laboratórios são remodelados a Institutos. Para essa finalidade, em muito contribuiu o empenho de Mark Athias, a quem foi delegada a tarefa de seleccionar e adquirir o equipamento principal para o seu funcionamento.
Assim, é em 1911 que o instituto de fisiologia é fundado por Mark Athias, Joaquim Fontes e Ferreira da Mira. O Instituto de farmacologia e terapêutica geral é fundado por Sílvio Rebello no mesmo ano. Foi este que trouxe para Portugal a perspectiva química e químico-física da farmacologia. A. Celestino da Costa funda, também em 1911, com Pedro Roberto Chaves, Alfredo Magalhães Ramalho e Simões Raposo, o Instituto de Histologia e Embriologia. O Instituto de Anatomia é fundado por Henrique de Vilhena, Vitor Fontes e Barbosa Sueiro, sendo que mantem a dissecção cadavérica como método de ensino e investigação. Finalmente o Instituto de Anatomia patológica e patologia geral surge também em 1911. Azevedo Neves, como médico legista e professor da disciplina, intercede na construção de um Instituto de Medicina Legal junto à Faculdade.
Após a cedência do Hospital de Santa Marta à Faculdade, este possuía um carácter perfeitamente distinto dos Hospitais Civis de Lisboa já que se encontrava associado ao Ministério da Educação, possuindo assim um elevado grau de independência e autonomia financeira. Assim, as enfermarias tomaram o nome de Clínicas Universitárias, sendo que cada uma delas possuía um laboratório, um arquivo e uma biblioteca próprios.
Entre 1953 e 1956 o Edifício da Faculdade de Medicina no Campo de Santana foi esvaziado e os seus bens transferidos para o Hospital de Santa Maria. Assim se perdeu grande parte do componente de Hospital Escolar, sendo Santa Maria um local onde a Faculdade de Medicina passa de instituição principal a instituição tolerada.
Em 1957 o Centro de Estudos Egas Moniz é transferido do Hospital Júlio de Matos para o Hospital de Santa Maria, onde integra a Clínica Universitária de Neurologia.
Dado o vasto património histórico-cultural da Faculdade de Medicina de Lisboa surge, em 2003, o núcleo museológico da faculdade que, em 2005 é transformado em Museu de Medicina. Este encontra-se, provisoriamente, no edifício principal da faculdade, aguardando projecto arquitectónico.
Em 2004 dá-se a inauguração do novo edifício, Edifício Egas Moniz, de apoio às actividades de docência e investigação da faculdade, sendo partilhado com o Instituto de Medicina Molecular (IMM).
[editar] Personalidades ligadas à faculdade
- Egas Moniz (Prémio Nobel)
- António Damásio (cientista)
- Carlos Caldas (cientista)
- João Lobo Antunes (médico cirurgião)
- Carlos Paião (compositor, cantor)
- Agostinho Neto, primeiro Presidente da República de Angola
[editar] Bibliografia
- Celestino da Costa, Jaime, A geração médica de 1911-origem, realização e destino, Departamento de Educação médica da Faculdade de Medicina de Lisboa, Lisboa, 2003.
- Estatutos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
[editar] Ligações externas
- Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
- Hospital de Santa Maria
- Universidade de Lisboa
- Museu de Medicina - Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
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