Febre amarela

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Febre amarela
O Aedes aegypti é um dos principais vetores da febre amarela no Brasil.
Classificação e recursos externos
CID-10 A95
CID-9 060
DiseasesDB 14203
MedlinePlus 001365
eMedicine emerg/645
MeSH D015004
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Como ler uma caixa taxonómicaVírus da Febre Amarela
Eletromicrografia de transmissão do vírus da Febre Amarela

Eletromicrografia de transmissão do vírus da Febre Amarela
Classificação científica
Grupo: Grupo IV ((+)ssRNA)
Família: Flaviviridae
Género: Flavivirus
Espécie: Vírus da Febre Amarela

A febre amarela , também conhecida como Barbarose (Babonis Amarelus), é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos contaminados por um flavivírus e ocorre na América Central, na América do Sul e na África. No Brasil no período de 1980 a 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51% no período.[1]

Causa[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas silvestres e rurais de regiões como Norte e Centro-Oeste, além de parte do Sudeste, Nordeste e Sul. Ou seja, o indivíduo entra em regiões onde exista o mosquito Haemagogus janthinomys e, consequentemente, sofre a possibilidade de ser picado por algum desses mosquitos já afetado pelo vírus, que possivelmente fora contraído pela picada em um ser já portador, como um bugio ou outros tipos de macacos, e, em seguida, o mosquito pica a pessoa que ainda não teve a doença nem foi vacinado e, portanto, não adquiriu defesas para combater o vírus. Nas cidades o vetor da febre amarela é o Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Desde 1942 a febre amarela é considerada erradicada em áreas urbanas do Brasil, para que a situação se mantenha assim é fundamental o controle deste mosquito e a vacinação das pessoas que vivem em áreas endêmicas.

O vírus da febre amarela pertence à família dos flavivírus, e o seu genoma é de RNA simples de sentido positivo (pode ser usado diretamente como um RNA para a síntese proteica). Produz cerca de 10 proteínas, sendo 7 constituintes do seu capsídeo, e é envolvido por envelope bilipídico. Multiplica-se no citoplasma e os virions descendentes invaginam para o retículo endoplasmático da célula-hóspede, a partir do qual são depois exorcistados. Tem cerca de 50 nanômetros de diâmetro.

Muitos danos são causados pelos complexos de anticorpos produzidos. O grande número de vírus pode produzir massas de anticorpos ligados a inúmeros vírus e uns aos outros que danificam o endotélio dos vasos, levando a hemorragias.

Os vírus infectam principalmente os macrófagos, que são células de defesa do nosso corpo.

Vetores[editar | editar código-fonte]

Aedes aegypti, Aedes albopictus e o Haemagogus janthinomys são os vetores intermediários do vírus da febre amarela.

O Aedes aegypti transmite o vírus da febre amarela de 9 a 12 dias após ter picado uma pessoa infectada. Em áreas de fronteiras agrícolas, existe a possibilidade de adaptação do transmissor silvestre para o novo habitat.

O Aedes albopictus proliferam-se nas casas, apartamentos, etc. A fêmea do mosquito põe seus ovos em qualquer recipiente que contenha água limpa, como caixas d'água, cisternas, latas, pneus, cacos de vidro, vasos de plantas, etc. As bromélias, que acumulam água na parte central, chamada de aquário, são um dos principais criadouros nas áreas urbanas. Os ovos ficam aderidos e sobrevivem mesmo que o recipiente fique seco. A substituição da água, mesmo sendo feita com frequência, é ineficiente. Dos ovos surgem as larvas, que depois de algum tempo na água, vão formar novos mosquitos adultos.

O Aedes aegypti e o Aedes albopictus transmitem também a dengue. Ambos picam durante o dia, ao contrário do mosquito comum (Culex), que tem atividade noturna.

Um inseticida altamente eficiente contra esses mosquitos é o DaT. No entanto seu uso é controlado já que pode causar câncer.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Área de endêmica da febre amarela.

Existe endemicamente na África, Caraíbas (Caribe) e América do Sul.

A enfermidade não se transmite diretamente de uma pessoa para outra. Em área silvestre, a transmissão da febre amarela é feita por intermédio de mosquitos do gênero Haemagogus em geral. Por ser virótica, pode ser transmitida por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue. A infecção pode ocorrer também através de mosquitos que picam macacos e em seguida humanos. Existe também transmissão transovariana no próprio mosquito.

A infecção humana ocorre no indivíduo que entra em áreas de cerrado ou de florestas e é picado pelo mosquito contaminado. A propagação para áreas urbanas ocorre porque a pessoa contaminada é fonte de infecção para o mosquito desde imediatamente picada, portanto antes de surgirem os sintomas, até o quinto dia da infecção (reforçando, sem sintomas), esta retorna para a cidade serve como fonte de infecção para o Aëdes aegypti, que então pode iniciar o ciclo de transmissão da febre amarela em área urbana.

Outro reservatório da infecção são os macacos.

Zonas endêmicas no Brasil[editar | editar código-fonte]

Área de endêmica da febre amarela na América do Sul (2005). Nessas áreas é importante que a vacina seja dada aos 6 meses e reforçada a cada 10 anos.

As localidades infestadas pelo Aëdes aegypti, cerca de 3600 municípios brasileiros, têm risco potencial da febre amarela. Em Boa Vista, no Estado de Roraima, e em Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, existem focos endêmicos nas áreas urbanas.

A maior quantidade de casos de transmissão da febre amarela no Brasil, ocorre em regiões de cerrado. Porém, em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão das infecções. Estas principalmente ocasionadas pelos mosquitos do gênero Haemagogus, e pela manutenção do ciclo dos vírus através da infecção de macacos e da transmissão transovariana no próprio mosquito.

Onde existe a possibilidade de febre amarela, existe para malária e também para a dengue e outros.

No Brasil, os casos vêm diminuindo desde 2003, contudo, em 2008, houve um aumento sensível de casos no início do ano. No fim de 2007 e início de 2008, O jornal Folha de S. Paulo publicou 118 matérias[2] [3] [4] [5] [6] [7] [7] [8] informando sobre o aumento progressivo do número de casos de febre amarela de grandes proporções.

Segundo o ministério da saúde brasileiro, entre 1990 e 2010 ocorreram cerca de 30 casos por ano (total: 587) com cerca de 13 por ano terminando em morte (total:259) [2].

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

O período de incubação é de três a sete dias após a picada.

Dissemina-se pelo sangue (viremia). Os sintomas iniciais são inespecíficos como febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares (principalmente no abdômen e na lombar). A febre amarela clássica caracteriza-se pela ocorrência de febre moderadamente elevada, náuseas, queda no ritmo cardíaco, prostração e vômito com sangue. A diarreia também surge por vezes. A maioria dos casos são assimptomáticos, manifestando-se com uma infecção é subclínica, mas pode se tornar grave e até fatal.[carece de fontes?]

Mais tarde e após a descida da febre, em 15% dos infectados, podem surgir sintomas mais graves, como novamente febre alta, diarreia de mau cheiro, convulsões e delírio, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos e enfartes em vários órgãos, que são potencialmente mortais. As hemorragias manifestam-se como sangramento do nariz e gengivas e equimoses (manchas azuis ou verdes de sangue coagulado na pele). Ocorre frequentemente também hepatite e por vezes choque mortal devido às hemorragias abundantes para cavidades internas do corpo. Há ainda hepatite grave com degeneração aguda do figado, provocando aumento da bilirrubina sanguínea e surgimento de icterícia (cor amarelada da pele, visível particularmente na conjunctiva, a parte branca dos olhos, e que é indicativa de problemas hepáticos). A cor amarelada que produz em casos avançados deu-lhe obviamente o nome. Podem ocorrer ainda hemorragias gastrointestinais que comumente se manifestam como evacuação de fezes negras (melena) e vómito negro de sangue digerido (hematêmese). A insuficiência renal com anúria (déficit da produção de urina) e a insuficiência hepática são complicações não raras.

A mortalidade da febre amarela em epidemias de novas estirpes de vírus pode subir até 50%, mas na maioria dos casos ocasionais é muito menor, apenas 5%.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é PCR, inoculação de soro sanguíneo em culturas celulares; ou pela sorologia.

Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos. Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação. A confirmação do diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de malária. Da mesma forma que a febre amarela, a dengue e a malária também podem se tornar graves quando o indivíduo aparenta melhora.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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A febre amarela é tratada sintomaticamente, ou seja, são administrados líquidos e transfusões de sangue ou apenas plaquetas caso sejam necessárias. Analgésico é usado para a dor e antitérmico para a febre. A hemodiálise poderá ser necessária caso haja insuficiência renal. Antivirais não são eficientes.[9]

Os AINE como o ácido acetilsalicílico (aspirina) são desaconselhados, porque aumentam o risco de hemorragias, já que têm actividade anti-agregante plaquetária.[10]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Reforço da vacina contra a Febre amarela é importante para quem viajar para áreas rurais e silvestres próximas a Amazônia e pantanal.

A prevenção da febre amarela se dá através do combate aos mosquitos e de vacinação.

Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida, enquanto nas outras áreas pode ser a partir dos nove meses. Viajantes que forem para Amazônia ou Pantanal devem tomar um reforço 10 dias antes.[11]

Combate ao mosquito[editar | editar código-fonte]

Algumas medidas de combate ao mosquito são:

  • Substituir a água dos vasos de plantas por terra e manter seco o prato coletor.
  • Utilizar água tratada com cloro (40 gotas de água sanitária a 2,5% para cada litro) para regar plantas.
  • Desobstruir as calhas do telhado, para não haver acúmulo de água.
  • Não deixar pneus ou recipientes que possam acumular água expostos à chuva.
  • Manter sempre tapadas as caixas de água, cisternas, barris e filtros.
  • Colocar os resíduos domiciliares em sacos plásticos fechados ou latões com tampa.
  • Não deixar o bico das garrafas para cima.

Vacinação[editar | editar código-fonte]

Pessoas que residem ou viajam para zonas endêmicas de febre amarela devem ser vacinadas. A vacina, com 95% de eficácia, tem validade de 10 anos. A pessoa não deve tomá-la novamente enquanto a validade permanecer.

Segundo recomendação do Ministério da Saúde do Brasil, mulheres que estão a amamentar devem adiar a vacinação contra a febre amarela até a criança completar seis meses [12] . No Brasil, a vacina contra a febre amarela faz parte do esquema básico da infância nos Estados onde a doença é endêmica.

A vacina é composta de vírus atenuado e só faz efeito 10 dias após sua aplicação.

História[editar | editar código-fonte]

A febre amarela infectou os espanhóis quando se estabeleceram nas Caraíbas, como em Cuba e na ilha de Santo Domingo e noutras regiões da América, matando muitos. Colombo foi obrigado a mudar a sua capital na ilha de Santo Domingo porque o local inicial tinha grande número de mosquitos transmissores que infectaram com a doença e mataram uma proporção considerável dos colonos.

Durante a revolução dos escravos na então colónia francesa de Santo Domingo, nos primeiros anos do século XIX, Napoleão Bonaparte enviou 40.000 tropas para assegurar a posse da colónia à França. As tropas no entanto foram dizimadas por uma epidemia de febre amarela e a revolução triunfou, fundando o Haiti. A perda de tantos soldados fez Napoleão desistir dos seus sonhos coloniais na América do Norte.

A primeira tentativa de construção do Canal do Panamá, pelos franceses no século XIX, fracassaram devido às epidemias de febre amarela. A segunda tentativa, pelos Estados Unidos, só resultou graças às novas técnicas de erradicação de mosquitos e à vacina recentemente desenvolvida.

A referência à febre amarela no Brasil data de 1685 com a ocorrência de surto em Olinda, Recife e interior de Pernambuco. Um ano depois atinge a população de Salvador, segundo o historiador Odair Franco[carece de fontes?]. A febre amarela foi reintroduzida em 1849, (primeira grande epidemia ocorrida na capital do Império, Rio de Janeiro) [13] , quando um navio americano chegou a Salvador, procedente de New Orleans e Havana, infectando os portos e se espalhando por todo o litoral brasileiro.

Uma grande epidemia de febre amarela matou mais de 3% da população da cidade brasileira de Campinas no verão do ano de 1889, Adolfo Lutz, em suas reminiscências sobre a febre amarela, calculou em três quartos a população que deixou Campinas em direção a outras cidades, fugindo da febre amarela.[14] [15] .

Em 1895, o navio italiano Lombardia é acometido de febre amarela ao visitar o Rio de Janeiro, onde quase não existia esgoto e a infra-estrutura sanitária era extremamente precária, desde o recolhimento dos resíduos ao abastecimento de água até o comércio de alimentos nas ruas, sem nenhuma condição de higiene. A população em geral vivia em cortiços: a entrada de um deles era decorada com cabeças de suíno, surgindo daí a expressão “cabeça de porco”.[carece de fontes?]

O Brasil "turístico" era, então, considerado perigoso por conta das enfermidades infecciosas. As agências de viagem na Europa operavam direto para Buenos Aires, sem escala, privando o Brasil do transporte marítimo e da exportação do café. Uma intrincada rede de acontecimentos afeta o país, a partir desse cenário: a cafeicultura era prejudicada – a mão-de-obra era emigrante e vulnerável à febre amarela; não havia como pagar a dívida externa – sobretudo contraída com bancos ingleses.


Outras datas:

  • 1902 - Sorocaba (SP), foi realizado o 1º Combate ao vetor da doença, sob a orientação de Emílio Ribas.
  • 1903 - Oswaldo Cruz, iniciou a Campanha contra a febre amarela no RJ.
  • 1928 - A doença reaparece no RJ, causando 436 mortes. Iniciada, a nível nacional, Campanha contra a febre amarela, resultado do contrato assinado com a Fundação Rockfeller.
  • 1940 - Foi criado no Brasil o "Serviço Nacional de Febre Amarela".
  • 1957 - Após ampla campanha de combate ao Aedes aegypti, essa espécie foi declarada erradicada do Brasil, na XV Conferência Sanitária Pan-americana.

Referências

  1. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/febreamarela/historico.php
  2. 173 cidades tiveram macacos mortos com suspeita de febre amarela -11/01/2008[1]
  3. Ministério da Saúde confirma morte por febre amarela em Brasília - 10/01/2008
  4. Mulher internada com febre amarela em SP recebe alta médica - 16/01/2008
  5. Cotidiano -Goiás confirma caso de febre amarela; total sobe para 11 - 18/01/2008
  6. Cotidiano -Sobe para sete o número de mortes por febre amarela no país - 16/01/2008
  7. a b Cotidiano - Secretaria fecha parque do DF por suspeita de febre amarela -28/12/2007
  8. Equilíbrio e Saúde - Veja quais vacinas os adultos devem tomar - 29/11/2007
  9. Monath TP (April 2008). "Treatment of yellow fever". Antiviral Res. 78 (1): 116–24. doi:10.1016/j.antiviral.2007.10.009. PMID 18061688
  10. http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/febre-amarela/
  11. http://www.febreamarela.org.br/febreamarela.html
  12. Lactantes não devem ser vacinadas contra febre amarela, diz ministério - O Estado de S.Paulo, 23 de fevereiro de 2010 (visitado em 23-2-2010).
  13. História da febre amarela no Brasil por Jaime Larry Benchimol, Casa de Oswaldo Cruz, fevereiro de 1894
  14. Guia viagem
  15. Campinas-Febre Amarela

Referência bibliográfica[editar | editar código-fonte]

  • Franco O, História da febre amarela no Brasil. Revista Brasileira de Malariologia e Doenças Tropicais, 1969, 21:317-520.
  • Johnson BW, Chambers TV, Crabtree MB, Filippis AMB, Vilarinhos PTR, Resende MC, Macoris MLG, Miller BR. Vector competence of Brazilian Aedes aegypti and Aedes albopictus for a Brazilian yellow fever virus isolate. Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene. 2002. 96: 611-613.