Federação do Mali

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Fédération du Mali
Federação do Mali

Federação

Flag-senegal-1958.svg
 
Flag of French Sudan (1958-1959).svg
1959 – 1960 Flag of Senegal.svg
 
Flag of Mali.svg

Bandeira de Federação do Mali

Bandeira

Localização de Federação do Mali
Continente África
Região África Ocidental
Capital Dakar
Governo República
Primeiro-ministro
 • 1959–1960 Modibo Keïta
Período histórico Descolonização francesa da África
 • 4 de abril de 1959 Fundação
 • 20 de junho de 1960 Independência
 • 20 de agosto de 1960 Dissolução
Área
 • 1960[1] 1 401 282 km2
População
 • 1960[1] est. 6 480 000 
     Dens. pop. 4,6/km²
Moeda Franco CFA
Atualmente parte de  Mali
 Senegal

A Federação do Mali (em francês: Fédération du Mali) foi um país da África Ocidental formado pelas ex-colônias francesas do Senegal e da República Sudanesa (antigo Sudão Francês) e que existiu por um período de apenas dois meses em 1960.

Fundada em 4 de abril de 1959 como um território membro da Comunidade Francesa, após negociações com a França torna-se independente em 20 de junho de 1960. Dois meses depois, em 19 de agosto, os líderes da República Sudanesa na Federação do Mali mobilizaram o exército e os líderes do Senegal na federação retaliaram mobilizando a gendarmaria (polícia nacional), o que resultou em um tenso impasse e causou o abandono da federação pelo Senegal no dia seguinte. Os oficiais da República Sudanesa resistiram a essa dissolução, cortando relações diplomáticas com o Senegal, e desafiadoramente alterando o nome do seu país para Mali. Durante a breve existência da Federação do Mali, o primeiro-ministro foi Modibo Keïta e a capital federal foi a cidade senegalesa de Dakar.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após a Segunda Guerra Mundial, as colônias da África Ocidental Francesa começaram a exercer significativa pressão sobre a metrópole no sentido de uma maior autodeterminação e de uma redefinição de suas relações com a França. Após a Crise de Maio de 1958, foi dada às colônias da África Ocidental Francesa a oportunidade de votarem pela independência imediata ou pelo ingresso em uma nova Comunidade Francesa (um arranjo que garantiria às colônias alguma autonomia, porém sem o rompimento dos laços com a França). Apenas a Guiné optou pela independência completa; as demais colônias votaram pela adesão à Comunidade Francesa.[2]

No referendo de 1958, dois grandes partidos políticos dividiram os países da África Ocidental: a Assembleia Democrática Africana (em francês: Rassemblement Démocratique Africain, RDA) e o Partido do Reagrupamento Africano (em francês: Parti du Regroupement Africain, PRA). Os dois grupos regionais discutiam entre si acerca de questões como a independência e a extensão dos laços com a França. O RDA era o partido governista na Costa do Marfim, no Sudão Francês e na Guiné, enquanto que o PRA era o principal partido governista no Senegal, além de deter maiorias consideráveis em outros países. Os dois partidos também eram parte dos governos de coalizão no Alto Volta, no Níger e em Daomé. A votação de 1958 revelou uma série de divisões internas em ambos os partidos.[3] O RDA realizou um congresso em 15 de novembro de 1958 para discutir os resultados eleitorais recentes. Nele, a divisão ficou clara, com Modibo Keïta do Sudão Francês e Doudou Gueye do Senegal defendendo primeiramente a federação (uma federação que abrangeria a França e as colônias em um sistema unificado) e Félix Houphouët-Boigny da Costa do Marfim descartando a proposta. O impasse resultante foi tão grave que a reunião oficialmente nunca aconteceu.[4]

Formação[editar | editar código-fonte]

No final de novembro de 1958, Sudão Francês, Senegal, Alto Volta e Daomé declararam conjuntamente a intenção de aderir à Comunidade Francesa e formar uma federação que uniria as quatro colônias. O Sudão Francês e o Senegal, apesar de divisões de longa data entre os principais partidos políticos,[5] foram os propulsores mais entusiasmados pela federação, enquanto que o Daomé e o Alto Volta eram mais hesitantes em seu desejo de se juntar à federação.[6] O Sudão Francês convocou representantes de cada um dos quatro países (e da Mauritânia, na qualidade de observador) para Bamako, entre 28 e 30 de dezembro para discutir a formação da federação.[7] O Sudão Francês e o Senegal lideraram o Congresso com Modibo Keïta nomeado o presidente da reunião e Léopold Sédar Senghor sendo o líder-chave em muitas questões, incluindo a criação do nome "Federação do Mali" para a união proposta.[8] Apesar de Alto Volta e Daomé terem declarado apoio formal à federação, tendo o Alto Volta até mesmo aprovado a Constituição da Federação do Mali em 28 de janeiro de 1959, a pressão política da França e da Costa do Marfim (que opuseram-se à federação por razões diferentes) resultou na não-ratificação de uma Constituição que os incluo-se dentro da federação.[2] [9] Consequentemente, apenas as colônias do Sudão Francês (nesta altura chamada República Sudanesa) e do Senegal estavam engajadas nas discussões sobre a formação da federação em 1959.[5]

As eleições de março de 1959 cimentaram, tanto no Sudão Francês quanto em Senegal, o poder de partidos políticos que defendiam a formação de uma federação. A União Sudanesa - Assembleia Democrática Africana (Union Soudanaise-Rassemblement Démocratique Africain, US-RDA) de Keïta conquistou 76% dos votos e todos os assentos na assembleia territorial do Sudão Francês, e a União Progressista Senegalesa (Union Progressiste Sénégalaise, UPS) de Senghor conquistou 81% dos votos e todos os assentos na assembleia territorial do Senegal.[10] Apesar de Senghor ter ganho as eleições por uma grande margem, alguns conservadores islâmicos marabutos apoiaram a candidatura de Cheikh Tidjane Sy. Este desafio para o UPS foi uma pequena demonstração da fraqueza da base política interna de Senghor e exigiu um complexo sistema de alianças com vários grupos domésticos, as quais adquiririam importância como o progresso da federação. Sy foi preso no dia da eleição, em decorrência de um pequeno tumulto realizado por seu partido.[10]

Após as eleições, as assembleias do Senegal e Sudão Francês aprovaram a federação, dando início ao processo de construção de um sistema político para unir as duas colônias. Isto envolveu três projetos políticos que tinham o princípio da paridade (mesma representação para as duas colônias) consagrado em cada um: um governo federal, movimentos sociais unificados (um movimento operário e um movimento da juventude), e um partido político comum para ambos os países.[11] O governo federal era composto por uma assembleia com 20 membros de cada colônia (40 assentos no total), um presidente (a ser eleito conjuntamente em agosto de 1960), e seis ministros federais (sendo 3 de cada colônia). Até o presidente ser eleito, o cargo de primeiro-ministro da Federação do Mali seria exercido por Keïta e o de vice-primeiro-ministro, que também era encarregado pelas forças armadas, por Mamadou Dia do Senegal.[5] [11] [12] Todavia, em consonância ao princípio da paridade, qualquer iniciativa legislativa necessitava da assinatura do primeiro-ministro (e, após as eleições, do presidente) e do ministro responsável pelo tema.[11] As colônias passaram a compartilhar os impostos de importação e de exportação arrecadados no porto de Dakar entre si. Esta partilha foi especialmente vantajosa para o Sudão Francês, que teve quase um terço do seu orçamento de 1959 proveniente destes impostos.[13]

Ao mesmo tempo, a Federação do Mali procurou criar organizações sociais unificadas, o que facilitaria a união entre os países. Isso envolveu a criação de movimentos sindicais e juvenis, que iriam operar nos níveis federal e nacional, e um partido político unificado.[11] O partido político era o principal projeto, tendo os dois partido majoritários de ambas as colônias se unido para formarem o Partido da Federação Africana (Parti de la Fédération Africaine, PFA). O PFA foi organizado separadamente do governo federal, mas com muitos dos membros e líderes deste. Senghor foi o presidente do partido e Keïta foi o secretário-geral; devido à influência regional do partido, Djibo Bakary do Níger e Émile Derlin Zinsou do Daomé foram nomeados vice-presidentes do partido.[14] Tal como articulado no primeiro congresso do PFA em julho de 1959 por Senghor, o partido seria o único partido político no país, objetivando unir os diferentes grupos étnicos do território.[15]

Em dezembro de 1959, a França e a Federação do Mali deram início às negociações sobre a independência e soberania da federação. Estas negociações formalmente começaram quando o presidente francês Charles de Gaulle visitou Bamako em 13 de dezembro de 1959 e duraram até março de 1960. Embora os franceses tivessem resistido anteriormente à federação, quando os dois países demonstraram o desejo de permanecerem na Comunidade Francesa e na Zona do Franco, e afirmaram que iriam manter as bases militares francesas em seus territórios, a França demonstrou apoio. As negociações acordaram o dia 20 junho de 1960 como a data formal para a independência da Federação do Mali.[16]

Modibo Keïta do Mali 
Mamadou Dia do Senegal 
Charles de Gaulle da França 

Tensões políticas e dissolução[editar | editar código-fonte]

As tensões surgiram rapidamente dentro da Federação do Mali já durante o planejamento para a implantação da federação, em 1959 e início de 1960. Ao contrário do que verificava-se entre outras áreas da África Ocidental Francesa, Sudão Francês e Senegal não apresentavam um significativo movimento migratório ou intercultural durante o período colonial (apesar de terem sido ligados entre si pela política econômica francesa e unidos por uma estrada de ferro).[17] Porém, mais grave do que as diferenças étnicas ou linguísticas foram os resultados do projeto da federação. O princípio da paridade permitiu que os dois países se unissem sem medo de perderem a sua soberania mas, concomitantemente, ele também resultou em desdobramentos como a transferência de disputas políticas de uma país para o outro.[18] Da mesma forma, o Partido da Federação Africana tentou combinar dois partidos políticos que estavam em situações muito diferentes, com a US-RDA do Sudão Francês tendo alcançado o domínio político, enquanto que o UPS do Senegal necessitava de um arranjo elaborado e complexo de alianças, a fim de manter a autoridade.[19] Além disso, alguns dos aspectos mantidos vagos nas primeiras discussões tornaram-se questões-chave do debate entre os líderes políticos do Senegal e Sudão Francês, tais como as forças armadas, o desenvolvimento de uma burocracia nativa, o papel do governo federal, e a relação precisa com a França.[11] [20] Finalmente, as diferentes visões acerca do rumo a ser tomado pelo país recém-criado eram de difícil mediação no contexto da Guerra Fria: Keïta, após a dissolução da federação, afirmou que ele buscou o socialismo, enquanto Senghor defendeu uma agenda pró-capitalismo.[21]

As discordâncias permaneceram administráveis até abril de 1960, quando as negociações com a França para o reconhecimento da independência chegam ao fim. O Sudão Francês começou a repelir a ideia de um único executivo federal independente e com autoridade significativa, enquanto que o Senegal preferiu manter o princípio de paridade, uma vez que ele tinha sido desenvolvido em 1959 e restringia o poder de qualquer presidente.[22] Quando um congresso do PFA convocado para decidir a questão terminou em um impasse, os membros do partido de fora da federação foram chamados para a mediação; estes recomendaram a criação de um único executivo a ser nomeado por um número igual de representantes do Senegal e do Sudão Francês, mas também apoiaram que a tributação não seria mais amplamente compartilhada entre os dois países (uma posição-chave do Senegal).[23] Apesar de o problema ter sido resolvido com o acordo entre ambas as partes, uma série de mal-entendidos rapidamente se seguiu. Quando o Sudão Francês tentou remover a única base militar em seu território, sua atitude foi interpretada como uma tentativa de expulsar os franceses de todo o território, o que foi visto com desconfiança tanto pelo Senegal quanto pela França.[24]

As tensões atingiram seu ponto alto em agosto de 1960, durante a preparação para a eleição presidencial. Cheikh Tidjane Sy, que havia sido libertado da prisão e se tornado membro do partido político de Senghor, informou este de que havia sido abordado por representantes do Sudão, que expressaram uma preferência por um muçulmano para a presidência da Federação (como Sy), em vez do que um presidente católico (como Senghor).[25] Uma investigação feita por aliados políticos de Senghor encontraram evidências de que os emissários do Sudão Francês tinham visitado o tio de Sy, ele próprio um líder político muçulmano.[26] Na mesma época, Keïta, na posição de primeiro-ministro, começou a se reunir formalmente com muitos dos líderes políticos muçulmanos do Senegal, embora não haja nenhuma evidência de discussões que visassem minar a liderança de Senghor.[26] Em 15 de agosto, Senghor, Dia e outros líderes políticos de Senegal começaram a discutir a retirada do Senegal da Federação.[26] Mamadou Dia, como o encarregado pelas forças armadas, começou um levantamento da disponibilidade de várias unidades militares no caso de a situação política tornar-se hostil. Estes levantamentos feitos em várias unidades militares resultou em pânico por parte de Keïta e demais políticos sudanenses. Em 19 de agosto, com relatos de camponeses senegaleses armados na capital Dakar, Keïta exonerou Dia do Ministério da Defesa, declarou estado de emergência e mobilizou as forças armadas. Senghor e Dia conseguiram um aliado político no exército para desmobilizar os militares e, em seguida, obtiveram o apoio da gendarmaria, que cercou a residência de Keïta e os prédios do governo.[12] [27] [28]

O Senegal declarou sua independência da Federação do Mali em uma sessão realizada à meia-noite do dia 20 de agosto. Houve pouca violência e as autoridades sudanesas foram enviados em um trem selado de volta para Bamako em 22 de agosto.[29] A federação poderia ter sido aproveitável, apesar da crise, mas ao enviar Keïta e os outros de volta, um trem selado quente em agosto, em vez de um avião, levou Keïta para declarar que a ferrovia deveria ser destruída na fronteira após a viagem.[30] As nações independentes do Senegal e da República do Mali foram reconhecidas pela maioria dos países em meados de setembro de 1960.[29]

Legado[editar | editar código-fonte]

Embora a Federação do Mali tenha existido formalmente em Bamako por mais um mês, a França e a maioria dos outros países reconheceram as duas colônias como países independentes e separados em 12 de setembro de 1960.[31] A US-RDA do Sudão Francês adotou o lema "Le Mali Continue" e, em uma reunião no dia 22 de setembro, o partido decidiu mudar o nome do país para República do Mali e cortar os laços com a Comunidade Francesa.[32]

Senghor e Keïta governaram seus países na época da cisão da Federação e por muitos anos: Senghor foi presidente do Senegal entre 1960 e 1980 e Keïta foi presidente da República do Mali entre 1960 e 1968. Senghor enfrentou alguns desafios domésticos após a independência, mas depois de uma luta armada entre seus partidários e os de apoiantes de Mamadou Dia, em 1962, ele consolida seu poder.[31] Senghor tornou-se muito cuidadoso com os esforços de unificação após o experimento fracassado e, apesar de tentativas de criação de outras federações da África Ocidental e com os vizinhos do Senegal, Senghor teve seus esforços muitas vezes tolhidos, e só progrediram após o seu governo.[33] Além disso, como o primeiro experimento de unificação da África faliu, a Federação do Mali serviu como uma lição para futuras tentativas de unificação em todo o continente.[34] Keïta tornou-se mais assertivo em repelir sua ideologia, e após o colapso da federação recusou-se retomar as relações diplomáticas com o Senegal por muitos anos.[31] Mali, sob o governo de Keïta, ainda buscava a unidade do oeste africano, mas fê-lo sob a forma de variedade de diferentes conexões internacionais.[35] A ferrovia que ligava o Mali e o Senegal foi reaberta em 22 de junho de 1963, com Senghor e Keïta abraçando-se na fronteira entre os dois países.[36]

Referências

  1. O Globo 1960, p. 2.
  2. a b Kurtz 1970, p. 405.
  3. Foltz 1965, pp. 85-87.
  4. Foltz 1965, p. 98.
  5. a b c Hodgkin & Morgenthau 1964, p. 242.
  6. Foltz 1965, p. 99.
  7. Foltz 1965, p. 100.
  8. Foltz 1965, p. 102.
  9. Foltz 1965, pp. 109-111.
  10. a b Foltz 1965, p. 116.
  11. a b c d e Foltz 1965, p. 162.
  12. a b Imperato 1989, p. 54.
  13. Foltz 1965, p. 156.
  14. Foltz 1965, p. 165.
  15. Zolberg 1966, pp. 50-51.
  16. Foltz 1965, p. 168.
  17. Foltz 1965, p. 148.
  18. Foltz 1965, p. 163.
  19. Hodgkin & Morgenthau 1964, p. 244.
  20. Foltz 1965, pp. 169-172.
  21. Hodgkin & Morgenthau 1964, p. 243.
  22. Foltz 1965, p. 169.
  23. Foltz 1965, p. 170.
  24. Foltz 1965, p. 175.
  25. Foltz 1965, p. 177.
  26. a b c Foltz 1965, p. 180.
  27. Foltz 1965, p. 182.
  28. Pedler 1979, p. 164.
  29. a b Foltz 1965, pp. 182-183.
  30. Pedler 1979, p. 165.
  31. a b c Foltz 1965, p. 183.
  32. Foltz 1965, p. 184.
  33. Welch Jr. 1966, p. 265.
  34. Kurtz 1970, p. 406.
  35. Hodgkin & Morgenthau 1964, p. 245.
  36. Foltz 1965, p. 185.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Foltz, William J. From French West Africa to the Mali Federation. New Haven: Yale University Press, 1965.
  • Hodgkin, Thomas; Morgenthau, Ruth Schacter. Mali. In: James Scott Coleman (ed.). Political Parties and National Integration in Tropical Africa. Berkeley, CA: University of California Press, 1964. p. 216–258.
  • Imperato, Pascal Jame. Mali: A Search for Direction. Boulder, CO: Westview Press, 1989.
  • Kurtz, Donn M. (1970). "Political Integration in Africa: The Mali Federation". The Journal of Modern African Studies 8 (3): 405–424. DOI:10.1017/S0022278X00019923.
  • Pedler, Frederick. Main currents of West African history, 1940-1978. Londres: MacMillan Press, 1979.
  • (25 de julho de 1960) "O Brasil reconheceu a Federação de Mali". O Globo (10.473). Rio de Janeiro: Empresa Jornalística Brasileira.
  • Welch Jr., Claude E. Dream of Unity: Pan-Africanism and Political Unification in West Africa. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1966.
  • Zolberg, Aristide R. Creating Political Order: The Party-States of West Africa. Chicago: Rand McNally and Company, 1966.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]