Felidae

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Como ler uma caixa taxonómicaFelidae[1]
Ocorrência: 25–0 Ma

Oligoceno Tardio até Recente

Tigre (Panthera tigris)

Tigre (Panthera tigris)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Subordem: Feliformia
Superfamília: Feloidea
Família: Felidae
G. Fischer de Waldheim, 1817
Sub-Famílias
Felinae

Pantherinae

Acinonychinae

Proailurinae

Machairodontinae[2]

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Os felídeos (latim científico: Felidae) constituem uma família de animais mamíferos digitígrados, da ordem dos carnívoros. A espécie mais comum no mundo hoje é o gato doméstico, que já convive com os seres humanos por cerca de 10 mil anos, no entanto, existem muitas outras espécies selvagens, como os grandes felinos.

Existem duas subfamílias de felídeos: Pantherinae (que inclui tigres, leões, onças-pintadas e leopardos) e Felinae (que inclui guepardos, suçuaranas, linces, jaguatiricas e gatos domésticos).

Os primeiros exemplares da família surgiram durante o oligoceno, cerca de 25 milhões de anos atrás. Na pré-história, também existia uma terceira subfamília denominada Machairodontinae, em que faziam parte os felídeos dentes-de-sabre como o Smilodon. Apesar das semelhanças superficiais, os também extintos Thylacosmilus e Nimravidae não estão incluídos na família Felidae.

Evolução[editar | editar código-fonte]

Existem atualmente 41 espécies de felídeos, todos descendentes do mesmo ancestral. De acordo com cientistas, os felídeos evoluíram no Eocénico a partir do grupo Viverravidae, que também deu origem às civetas, hienas e aos extintos nimravídeos. O primeiro verdadeiro felídeo foi o Proailurus que viveu na Europa há cerca de 30 milhões de anos, segundo teorias. Este animal tinha corpo longo, patas curtas e um dente molar adicional em cada mandíbula, por comparação aos felídeos modernos. Já no Miocénico, o Proailurus deu origem ao gênero Pseudaelurus que se diversificou em dois grupos: a sub-família Machairodontinae, que inclui os chamados tigres-dente-de-sabre e Schizailurus, o ancestral da família Felidae, que surgiu há mais de 18 milhões de anos.

O primeiro grupo moderno de felídeos a surgir foi a sub-família Acinonychinae, que inclui as chitas modernas (género Acionyx) e a chita norte-americana (género Miracionyx) actualmente extinta.

A sub-família Felinae, que agrupa os gatos domésticos, surgiu há cerca de 12 milhões de anos. Os linces surgiram na América do Norte há cerca de 6,7 milhões de anos e daí expandiram-se para a Europa e Ásia. A primeira espécie reconhecida do género Lynx na Europa é o L. issiodorensis que viveu há 4 milhões de anos e que era maior que os linces actuais, mas com patas relativamente mais curtas.

Características[editar | editar código-fonte]

Todos os felídeos, sem exceção, são carnívoros obrigatórios. As espécies selvagens são naturalmente solitárias (com exceção do leão e do guepardo), mas gatos domésticos que vivem em condições selvagens também podem formar colônias como os leões. Todos os felídeos são normalmente discretos, comumente apresentam hábitos noturnos e gostam de viver em habitats relativamente inacessíveis. No entanto, eles podem ser encontrados em qualquer ambiente e existem espécies conhecidas em todos os continentes do planeta, com exceção da região da Australásia e da Antártida.

Apresentação física[editar | editar código-fonte]

Em geral possuem corpos ágeis e flexíveis com pernas musculosas. Na maioria das espécies a cauda mede entre um terço e a metade do comprimento do resto do corpo, embora existam algumas exceções para mais ou para menos, como a lince-pardo (curta) e o gato-maracajá (mais longa do que o resto do corpo). Todos são digitígrados com almofadas nos pés e garras retráteis. O crânio possui arcos zigomáticos amplos e uma grande crista sagital que permitem a fixação dos fortes músculos próximos da mandíbula.[3]

Quanto ao tamanho geral, é variado. A menor espécie é o gato-bravo-de-patas-negras (cerca de 35 cm de comprimento), enquanto a maior é o tigre (cerca de 350 cm de comprimento) e 300 kg.[4]

A pelagem assume forma distinta nas diferentes espécies, podendo ser muito fina até muito grossa, como é o caso do leopardo-das-neves. A cor também é bastante variada, embora tons de marrom e laranja geralmente marcados com listras ou pintas de cores escuras são as apresentações mais comuns. As únicas espécies que não possuem nenhuma marca na pelagem são os leões, suçuaranas, caracais e jaguarundis. Muitas espécies apresentam melanismo, sendo possível encontrar animais de coloração inteiramente preta.[3]

A língua dos felídeos é coberta por papilas salientes que raspam a carne e ajudam a retirar ossos e degustar grandes pedaços, também contribuindo na auto-limpeza.[5]

Todos os felinos possuem garras retráteis ligadas ao osso terminal dos pés, podendo "guardá-las" dentro dos dedos em posição de descanso ou prolonga-las para frente para um ataque.[3]

Sentidos[editar | editar código-fonte]

Os felídeos possuem olhos relativamente grandes, situados para fornecer visão binocular. A visão noturna de todas as espécies da família é excelente, devido a existência de uma membrana chamada tapetum lucidum, que reflete a luz de volta ao globo ocular e dá aos felídeos o famoso brilho em seus olhos. Por isso, os olhos são cerca de seis vezes mais sensíveis à luz do que os dos humanos e quase todas as espécies possuem hábitos ao menos parcialmente noturnos. Além disso, a retina possui uma proporção elevada de bastonetes, a fim de distinguir objetos em movimento em condições de baixa luminosidade, que são complementados com a presença de células cone para distinguir as cores. Isso os faz bons caçadores noturnos, capazes de perceber com clareza alvos em movimento em diferentes condições de luz. No entanto, ainda assim a percepção de cores dos felídeos é relativamente pobre em relação aos humanos,[3] o que prejudica a visão de objetos estáticos.

As orelhas dos felídeos são grandes, e, no caso das espécies menores, bastante sensíveis a sons de alta frequência, o que os permite identificar pequenos roedores.[3]

Eles também possuem um olfato extremamente apurado e desenvolvido, embora não tão bom quanto os canídeos. Esta característica é complementada pela presença do órgão vomeronasal no céu da boca, que permite ao animal sentir o "gosto" do ar. A utilização desse órgão está associada ao reflexo flehmen. A maioria das espécies da família é incapaz de sentir o sabor doce devido a um gene mutante em suas papilas gustativas.

Os felídeos possuem vibrissas ("bigodes") altamente sensíveis fincados profundamente dentro da pele que fornecem ao animal informação sensorial a respeito de qualquer movimento mínimo do ar, sendo muito úteis na caça noturna. Os felídeos também possuem um apurado senso de equilíbrio e respondem rapidamente a situações de risco, o que sustentou a criação do mito de que todos os gatos caem sempre de pé.

Dentição[editar | editar código-fonte]

Os felídeos possuem um número relativamente pequeno de dentes em comparação aos outros carnívoros, uma característica que está associada ao fato de seus focinhos serem curtos. Com algumas exceções, como nas linces, os felídeos possuem todos a seguinte fórmula dentária: Superior: 3.1.3.1 / Inferior: 3.1.2.1. Os dentes caninos são grandes em todas as espécies atuais e nos extintos tigres-dentes-de-sabre eram destacadamente maiores. O terceiro pré-molar superior e o molar inferior são adaptados como carniceiros, adequados para cortar, rasgar e triturar carne.[3] A mandíbula dos felídeos só consegue se movimentar verticalmente, o que prejudica uma mastigação eficiente, porém contribui para que os poderosos músculos masseter ajudem a imobilizar a presa.

Vocalização[editar | editar código-fonte]

Todos os felídeos compartilharam um conjunto semelhante de vocalizações, mas com alguma variação entre as espécies. As espécies maiores produzem sons mais profundos e a frequência das vocalizações dos felídeos variam de 50 a 1000 Hz.

A maioria das espécies de felídeos consegue produzir sons de "escarrada", "chiar", rosnar e miar. Os três primeiros são usados num contexto agressivo, podendo indicar posturas defensivas e de ataque contra espécies diferentes ou em disputas entre a mesma espécie. O miado é usado como um chamado de curta distância, normalmente entre a mãe e os filhotes, ou como um chamado de média distância durante a época de acasalamento. Os gatos domésticos miam com mais frequência e normalmente o fazem para chamar a atenção de humanos.[6]

A maioria dos felídeos é capaz de ronronar, vibrando os músculos de sua laringe para produzir um ruído característico. Nas espécies selvagens as mães costumam ronronar exclusivamente enquanto cuidam de seus filhotes. Já os gatos domésticos ronronam com maior frequência e em diversas situações. Existem debates acerca de quais espécies ronronam e quais não, mas sabe-se que todos os pequenos felídeos o fazem, com controvérsias a respeito da existência ou não dessa capacidade entre os grandes felinos, suçuaranas e guepardos.

Outras vocalizações de saudação também são encontradas em pequenos felídeos e existem algumas vocalizações exclusivas das espécies grandes, como um som semelhante a de um espirro (chamado em inglês de prusten) utilizado como cumprimento entre animais amigáveis; o rugido, outro som exclusivo das espécies maiores, possui sonoridade alta e é comumente usado em disputas territoriais. A capacidade de rugir vem da laringe e osso hioide especialmente adaptados para este fim.[7] Somente leões, leopardos, tigres e onças são capazes de rugir verdadeiramente, embora algumas espécies, como o leopardo-das-neves, conseguem emitir um miado/grunhido de sonoridade alta e semelhante, porém menos estruturado.[3] Também é comum em felídeos o som de sibilos e silvos, que podem ser emitidos em variadas situações.

Taxonomia de espécies existentes[editar | editar código-fonte]

Ilustração comparativa entre a postura dos animais da subfamília Pantherinae e Felinae.
A posição de comer entre Pantherinae e Felinae também é diferente.

Subfamília Pantherinae[editar | editar código-fonte]

Subfamília Felinae[editar | editar código-fonte]

Felídeos híbridos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Wozencraft, W. C.. In: Wilson, D. E., e Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. Capítulo: Ordem Carnivora. , 532–548 p. ISBN 0-801-88221-4
  2. Malcolm C.; McKenna; Susan K. Bell. Classification of Mammals. Nova Iorque: Columbia University Press, 2000. 631 p. ISBN 978-0-231-11013-6
  3. a b c d e f g Sunquist, Mel. Wild cats of the World (em inglês). Chicago: University of Chicago Press, 2002. 5–16 p. ISBN 0-226-77999-8
  4. Vratislav Mazak: Der Tiger. Nachdruck der 3. Auflage von 1983. Westarp Wissenschaften Hohenwarsleben, 2004 ISBN 3-89432-759-6
  5. Entendendo o paladas dos gatos Acesso em: 01 de dezembro de 2013
  6. http://tutomania.com.br/saiba-mais/gatos-ruidosos-informacoes-e-como-controlar-o-miado
  7. Weissengruber, GE; G Forstenpointner, G Peters, A Kübber-Heiss, and WT Fitch. (September 2002). "Hyoid apparatus and pharynx in the lion (Panthera leo), jaguar (Panthera onca), tiger (Panthera tigris), cheetah (Acinonyx jubatus) and the domestic cat (Felis silvestris f. catus)" (em inglês). Journal of Anatomy 201 (3): 195–209. Anatomical Society of Great Britain and Ireland. DOI:10.1046/j.1469-7580.2002.00088.x. PMID 12363272.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]