Felipe Ángeles

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Felipe Ángeles
Felipe Ángeles.jpg
Felipe Ángeles
Nascimento 13 de junho de 1868 Zacualtipán, Hidalgo, México
Morte 26 de novembro de 1919 (51 anos) Ciudad Chihuahua, Chihuahua, México

Felipe Ángeles Ramirez (1868–1919) foi um oficial militar do México, conhecido sobretudo pela sua participação na Revolução Mexicana entre 1910 e 1920.

Felipe Ángeles nasceu em 13 de junho de 1868 em Zacualtipán, Hidalgo, filho de Felipe Ángeles e Juana Ramírez. O Felipe Ángeles mais velho era um pequeno agricultor e participara na guerra com os Estados Unidos em 1847 e na guerra para derrubar o Imperador Maximiliano I em 1862.[1]

Educação e início da carreira militar[editar | editar código-fonte]

Frequentou a escolar primária em Molango, Hidalgo. Continuou os seus estudos no Instituto Literario em Pachuca, sendo subsequentemente admitido no Heroico Colegio Militar na Cidade do México em 1883 com 14 anos de idade. Atingiu a patente de tenente de engenharia em 1892.[2] [3] Concentra-se na educação, ensinando várias matérias no colégio militar. Em 1896 foi promovido a capitão de artilharia, e em 1901 é promovido a major. Três anos mais tarde foi promovido ao posto de tenente-coronel e a coronel em 1908. Nesse mesmo ano, partiu para a França para estudar a artilharia contemporânea.[4]

Enquanto Ángeles ensinava no colégio militar conheceu e namorou Clara Kraus, uma mulher californiana de ascendência alemã que era professora numa escola da Cidade do México. Casaram-se em 1896.[5]

O coronel Ángeles encontrava-se em paris quando deflagrou a Revolução Mexicana no final de 1910. A sua petição para regressar ao México foi rejeitada, e consequentemente não participou na revolução maderista. Em maio de 1911, foi condecorado Cavaleiro da Legião de Honra pelo governo francês.[6]

Atividades revolucionárias[editar | editar código-fonte]

O coronel Ángeles regressou ao México em janeiro de 1912. Pouco tempo depois, encontrou-se com o novo presidente Francisco Madero, sendo por este nomeado diretor da Academia Militar em Chapultepec. Enquanto foi diretor, esteve muito em contato com o presidente Madero, e desenvolveu uma reputação de oficial culto, digno e de homem honrado. Em junho de 1912, foi promovido a brigadeiro.[7]

O governo de Madero estava sob ataque em várias frentes, e em agosto de 1912, o presidente Madero envia Ángeles a Morelos para se encarregar da sétima zona militar, e combater a insurreição de Emiliano Zapata. Ángeles, com a concordância de Madero, mudou as duras táticas militares e ofereceu uma amnistia a todos os revolucionários. Embora tal não tenha posto fim à rebelião, fez com que o nível de violência fosse muito diminuído.[8] [9] [10]

Em fevereiro de 1913, um golpe de Estado reacionário conhecido com a Dezena Trágica pôs fim ao governo de Madero quando uma fação militar conservador atacou o Palácio Nacional. O ataque foi repelido, e os conspiradores barricaram-se no interior do arsenal. O presidente Madero nomeou o general Victoriano Huerta para comandar as tropas leais, e partiu para Morelos para conferenciar com Ángeles. Madero e Ángeles regressaram à Cidade do México, havendo acordado que Ángeles assumiria o comando das forças leais a Madero. Porém, o estado-maior do exército opôs-se, referindo que segundo os regulamentos militares, Ángeles não era ainda tecnicamente um general, pois o Congresso não havia ainda confirmado a sua nomeação. Após dez dias de combates, o general Huerta, auxiliado pelo embaixador dos Estados unidos Henry Lane Wilson, entrou em conluio com os rebeldes. Huerta, apoiado pelas unidades conservadoras rebeldes, prendeu o presidente Madero, o vice-presidente Pino Suárez, e o general Ángeles. O presidente e o vice-presidente seriam subsequentemente assassinados, e Ángeles foi exilado na França.[11] [12] [13]

Regresso ao México[editar | editar código-fonte]

Enquanto estava em paris, Ángeles estabeleceu contato com pessoas que se opunham ao governo de Huerta. Foi persuadido a regressar ao México em outubro de 1913, e juntou-se às forças anti-Huerta sob o comando de Venustiano Carranza em Sonora.[14] [15] [16] Carranza confirmou a patente de brigadeiro de Ángeles e nomeou-o Secretário da Guerra do Governo Revolucionário. Contudo, a poderosa fação sonorense considerava que Ángeles era uma pendência do antigo regime de Díaz, e tratou-o com suspeita e hostilidade. Para aplacar os sonorenses, Carranza despromoveu Ángeles à posição de Sub-secretário da Guerra.[17] [18] [19] Enquanto ocupou esta posição, Ángeles formulou a estratégia mestra dos rebeldes que consistia num ataque em três frentes para sul sobre a Cidade do México: o general Álvaro Obregón avançaria para sul ao longo caminho-de-ferro ocidental, o general Pancho Villa avançaria para sul ao longo do caminho-de-ferro central, e o general González Garza para sul ao longo do caminho-de-ferro oriental.[20]

Em janeiro de 1914, Ángeles acompanhou Carranza numa visita a Chihuahua para conferenciar com Pancho Villa. Ángeles, descontente sob Carranza, convenceu Villa a pedir a Carranza que o tornasse responsável pela sua artilharia. Villa solicitou os serviços de Ángeles, e Carranza libertou-o de bom grado. Consequentemente, juntou-se à Divisão do Norte de Pancho Villa em março de 1914.[21] [22] [23]

Serviço com Villa[editar | editar código-fonte]

Ángeles tornou-se um dos principais conselheiros militares e intelectuais de Villa. Participou como Chefe da Artilharia nos grandes triunfos militares de 1914: a tomada de Torreón, as batalhas de San Pedro de las Colonias e Paredón, e a tomada de Zacatecas em maio de 1914. Justo antes do ataque a Zacatecas, Ángeles desempenhou um papel importante na denominada 'desobediência dos generais' da Divisão do Norte, em contramando da ordem de Carranza para deterem o seu avanço sobre Zacatecas e Cidade do México. A 'desobediência' dos generais assegurou a derrota do exército de Huerta, mas precipitou um afastamento entre Carranza e Villa.[24] [25]

Após a derrota de Huerta, Ángeles participou na Convenção de Aguascalientes de outubro de 1914 como representante de Villa. A Convenção de Aguascalientes, convocada para pôr fim às hostilidades, resultou no rompimento completo entre Villa e Carranza.[26] [27] Ángeles permaneceu com a fação de Villa quando a guerra civil deflagrou novamente no início de 1915. Ángeles, no seu primeiro comando independente, tomou a cidade de Monterrey em janeiro de 1915.[28] [29] Contudo, as forças de Villa foram derrotadas de modo decisivo pelo general de Carranza, Obregón, na primavera de 1915, e Ángeles foi forçado a exilar-se no Texas. Ali, tentou continuar a sua vida como produtor de leite.[30] [31]

Enquanto permenecia no Texas, juntou-se à Aliança Liberal Mexicana, a qual procurava juntar exilados de vários quadrantes políticos unidos pelo objetivo comum de pôr termo à guerra e formar um governo de coligação.[32] [33] Quando terminou a Primeira Guerra Mundial em novembro de 1918, o México sob o governo de Carranza estava ainda imerso na guerra civil. Ángeles acabou por convencer-se de que se as fações beligerantes não chegassem a um acordo de paz, os Estados Unidos invadiriam e ocupariam o México.[34] [35] Em Dezembro de 1918, Ángeles regressou clandestinamente a Chihuahua e juntou-se novamente a Pancho Villa. Nesta altura, Villa já não comandava um exército, limitando-se apenas a efetuar ataques de guerrilha, sendo perseguido pelos exércitos do México e dos Estados Unidos. Ángeles, um socialista conciliador, pacifista e filantrópico, queria a paz, mas não conseguiu convencer Villa a cessar as hostilidades.[36] [37]

Último ano, julgamento e execução[editar | editar código-fonte]

Após o ataque de Villa a Ciudad Juárez em junho de 1919 (no qual Ángeles não participou), Ángeles perdeu a esperança numa solução para a longa e sangrenta guerra civil. Cansado, doente, e muito desiludido, abandonou o acampamento de Villa. Vagueando durante algum tempo sem fundos ou apoio, foi traído e detido pelo governo de Carranza. Foi levado a conselho de guerra e julgado num julgamento de fachada em Chihuahua. Sabendo que Carranza jamais lhe perdoaria, Ángeles defendeu-se de forma heróica e apaixonada contra o caso da acusação dos seus inimigos. O conselho de guerra condenou-o à morte, e em 26 de novembro de 1919 foi executado em frente à penitenciária de Chihuahua.[38] [39]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Slattery, Matthew: Felipe Ángeles and the Mexican Revolution, 1982
  • Katz, Friedrich: The Life and Times of Pancho Villa, 1998
  • Jackson, Byron: THE POLITICAL AND MILITARY ROLE OF GENERAL FELIPE ÁNGELES IN THE MEXICAN REVOLUTION, 1914-1915 (1976, an unpublished dissertation submitted to the faculty of the Graduate School of Georgetown University, 1976)

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. The Political and Military Role of General Felipe Angeles in the Mexican Revolution, by Byron L. Jackson, an unpublished dissertation submitted to the faculty of the Graduate School of Georgetown University, 1976, pg 14
  2. Byron Jackson, pg 19
  3. Felipe Angeles and the Mexican Revolution, by Matthew T. Slattery, 1982, pg 11
  4. Byron Jackson, pg 22
  5. Matthew Slattery, pg 18
  6. Matthew Slattery, pg 23
  7. The Life and Times of Pancho Villa, by Friedrich Katz, 1998, pg 273
  8. Friedrich Katz, pg 274
  9. Matthew Slattery, pg 31
  10. Byron Jackson, pg 14
  11. Friedrich Katz, pgs 275-277
  12. Matthew Slattery, pgs 45-50
  13. Byron Jackson, pgs 40-60
  14. Friedrich Katz, pg 277
  15. Matthew Slattery, pgs 58-59
  16. Byron Jackson, pgs 68-69
  17. Friedrich Katz, pg 277
  18. Matthew Slattery, pgs 59-60
  19. Byron Jackson, pg 82
  20. Matthew Slattery, pg 61
  21. Friedrich Katz, pg 278
  22. Matthew Slattery, pgs 62-63
  23. Byron Jackson, pgs 94-96
  24. Matthew Slattery, pgs 94-101
  25. Byron Jackson, pgs 126-148
  26. Matthew Slattery, pgs 120-124
  27. Byron Jackson, pgs 217-251
  28. Matthew Slattery, pgs 131-135
  29. Byron Jackson, pgs 262-265
  30. Matthew Slattery, pgs 159-160
  31. Byron Jackson, pg 316
  32. Matthew Slattery, pgs 160-161
  33. Byron Jackson, pgs 321-322
  34. Matthew Slattery, pg 163
  35. Byron Jackson, pg 322
  36. Matthew Slattery, pg 174
  37. Byron Jackson, pg 324
  38. Matthew Slattery, pgs 176-183
  39. Byron Jackson, pg 325
Comandos Militares
Precedido por
Joaquín Beltrán Castañares
Diretor do Heroico Colegio Militar
1912–1913
Sucedido por
Miguel Bernard