Feliz Ano Novo

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Feliz Ano Novo é um livro de contos de autoria do escritor brasileiro Rubem Fonseca, publicado em 1975.

O livro foi proibido pela censura, durante o regime militar.[1]

Resumo dos Contos[editar | editar código-fonte]

Feliz Ano Novo

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O narrador, Pereba e Zequinha estão com fome. Há uma quantidade de armamentos que eles estão guardando para Lambreta mas, devido a fome, os três decidem assaltar alguma festa de ano novo em alguma mansão. O plano é bem sucedido e, no desenrolar das coisas, eles acabam matando uma senhora e sua filha, donas da casa, e também um homem que lhes disse para levar o que quisessem ("para eles tudo aquilo era migalha"); Zequinha estupra uma menina. Ao fim do conto, os três brindam um feliz ano novo.


Corações Solitários

O narrador é um ex-repórter de polícia que começa a trabalhar em um jornal destinado ao público feminino, Mulher. Ele tem a função de responder cartas de leitoras, sob o pseudônimo Dr. Nathanael Lessa; contudo, de acordo com Peçanha, nenhuma mulher de verdade escreve para o jornal, de modo que o próprio narrador inventa as cartas. Mais tarde também começa a escrever os roteiros das fotonovelas, sob o pseudônimo Clarice Simone, baseando-se para tanto na literatura clássica. Fica intrigado ao receber cartas de Pedro Redgrave, que diz ser um homem que gosta de se vestir como mulher e que tem idéias suicidas; o narrador ao fim do conto descobre que Pedro Redgrave é na verdade seu chefe, Peçanha.


Botando pra Quebrar

O protagonista está desempregado e morando de favor na casa de sua amante, a costureira Mariazinha. Ela lhe diz que vai procurar um outro homem, que seja trabalhador, para ajudá-la com a filha. Ele sai e no mesmo dia consegue o emprego de "leão" de uma boate, sendo alertado a não deixar entrar transformistas, negros e traficantes. Ele vai contar para Mariazinha, que não o deixa falar e avisa que arrumou outro homem, o Hermenegildo. O narrador encontra-se com este para tomar uma cerveja e amargura-se por estar lhe "entregando" a mulher. Quando foi trabalhar, chega um homem vestido de mulher e ele o barra. O dono aparece e pede desculpas, e em seguida chama o protagonista de burro, que se ofende, retruca e acaba com a ameaça de perder o emprego. Ao fim da noite, o narrador tem a função de apartar uma briga mas em vez disso provoca três homens, gerando uma briga em toda a boate. Por ter se machucado, exige do dono do bar dinheiro para seus cuidados médicos, e consegue.


Passeio Noturno (Parte I)

Homem tem o costume, conhecido da mulher e dos filhos, de dar passeios noturnos com seu carro; descobre-se que seu prazer é atropelar pessoas aleatórias.


Passeio Noturno (Parte II)

O mesmo protagonista do conto homônimo parte I é abordado por uma mulher no carro ao lado, que lhe dá seu telefone. Ao levar a mulher, de nome Ângela, a um restaurante, esta lhe pergunta porque ele acha que ela o abordou. Ele diz que uma hipótese é ela ter gostado dele e outra é ela ter se interessado pelo dinheiro dele. Ele diz achar que é a segunda diz que é a primeira. Ele diz não interessar. Depois de deixá-la perto de casa, atropela-a. Chega em casa e a mulher comenta a demora do passeio; ele diz que estava mais cansado do que nos outros dias. (Observa-se que a mulher do protagonista no primeiro conto aparece jogando paciência e bebendo uísque e, no segundo, vendo filme; é uma possível alusão à alienação à personalidade de pessoas próximas)


Dia dos Namorados

Conto protagonizando Mandrake, o detetive. Ele encontra uma loura rica, de acordo com sua definição, e a leva pra casa, quando o advogado Medeiros liga e diz que seu cliente, o banqueiro JJ Santos está sendo chantageado, e pede a Mandrake para fazer o serviço. O banqueiro, casado, estava andando de carro, viu uma garota e resolveu levá-la para um hotel; quando lá estavam ele descobriu que ela era na verdade um homem, que se chamava Viveca Longfords. O banqueiro deu um chilique, viu que faltavam dois mil reais de sua carteira, ao que o transformista reagiu, indignado pela acusação, e ameaçou se matar se não recebesse dez mil cruzeiros. Mandrake deveria encerrar o caso discretamente: ele foi até onde estavam JJ Soares e Viveca, tirou o banqueiro do carro e andou com o transformista até uma delegacia. Viveca entra na delegacia, pede desculpas pela confusão, chora, desabafa. Mandrake descobre o dinheiro escondido embaixo da peruca. Ele resolve o caso, fica com o dinheiro e o carro, mas fica triste porque a loura já havia ido embora.


O Outro

Executivo estressado é aconselhado por seu médico a caminhar todos os dias para evitar um ataque cardíaco. Toda vez que caminhava, aparecia o mesmo pedinte (homem branco, forte de cabelos castanhos compridos), que lhe falava sobre sua mãe doente e pedia dinheiro, ao que o homem concedia. O pedinte chega certo dia dizendo que sua mãe morrera, e pedindo mais dinheiro para o enterro. O executivo começa a se sentir perseguido pelo pedinte, e pára de trabalhar. O pedinte apareceu, então, certo dia, perto de sua casa em uma das caminhadas, alegando ser a última vez que pedia dinheiro. Para o homem, esse pedinte era mais alto que ele, forte e ameaçador. O homem disse para ele que esperasse, entrou em casa, pegou uma arma e o matou. ("Ele caiu no chão, então vi que era um menino franzino, de espinhas no rosto, e de uma palidez tão grande que nem mesmo o sangue, que foi cobrindo a sua face, conseguia esconder.")


Agruras de Um Jovem Escritor

Jovem aspirante a escritor vive com mulher que lhe é devota. Ela o pega traindo e lhe dá pancadas, então ele planeja deixá-la. Fica preocupado por ela ter uma arma, vai jogar a arma fora, é assaltado e acaba atirando no assaltante. Volta para casa e diz à mulher, Lígia, que vai deixá-la. Ela ameaça se matar, ele sai e vai beber num bar. Quando volta, ela está morta; ele chama por ajuda e encontra o assaltante, Enéas, que lhe empresta uma ficha para ligar para o pronto-socorro. Os dois tomam café, a polícia está para chegar, Enéas vai embora. Quando fica sozinho com o corpo, o escritor bebe cervejas, beija a mulher e reescreve a carta de suicídio; percebe que era ela quem escrevia seu romance, fingindo escrever o que ele ditava. As evidências do suicídio por fim apontam para o escritor, que vislumbra a fama com o romance de Lígia e a prisão.


O Pedido

Amadeu vai visitar o antigo amigo Joaquim, com quem havia brigado, para pedir dinheiro para ir visitar o neto. Eles haviam brigado porque Manuel, filho de Joaquim, era irresponsável e vadio, enquanto que Carlos, filho de Amadeu, tinha um futuro promissor. Amadeu conta que Carlos morreu e, para ser gentil, pergunta de Manuel; Joaquim se irrita, conta sobre como o filho não tem futuro e desiste de emprestar o dinheiro. Amadeu começa a chorar e vai embora. Joaquim se arrepende da atitude, chama Amadeu de volta mas este já não está mais ali.


O Campeonato

O árbitro de um campeonato de conjunção carnal narra o processo do campeonato entre Miro Parlor e Maurição Chango, as regras e jurisdições, modos de medição das ejaculações, e o decorrer do acontecimento. Parlor ganha o campeonato, finalizando quinze conjunções carnais em 24 horas. Interessante o discurso do vencedor: "O amor está acabando, porque o amor só existe por sermos animais de sangue quente. E hoje estamos representando o último poético circo da alegria de [ter relações sexuais], que tenta opor as vibrações do corpo à ordem e ao progresso, aos coadjuvantes psicoquímicos e aos eletrodomésticos. A vocação do ser humano é ser humano. (...)"


Nau Catrineta

Conto sobre a tradição familiar canibalista de três tias e seu sobrinho, escrita no livro Decálogo Secreto. É a noite em que as tias conhecerão Ermelinda Balsemão, a primeira vítima do sobrinho. No jantar, as tias explicam à Ermê a história da Nau Catrineta, em que estava o ancestral português da família, Manuel de Matos; os tripulantes iriam morrer de fome e alguns foram mortos para servirem de alimento. Quando Ermê e o sobrinho ficam sozinhos, ele lhe dá uma bebida que diz ser um filtro de amor, e em seguida o ritual se inicia, quando a família come pedaços da menina. Tia Julieta dá ao menino o anel do pai, como recompensa pela missão de família cumprida.


Entrevista

É um diálogo direto e simples entre um homem e uma mulher. A mulher entra no recinto e o homem a incentiva a contar como ela foi parar lá, sua história de vida. Ela diz que viveu quatro anos felizes com seu marido, até ela descobrir que ele tinha uma amante; ela deu uma garrafada na mulher e ele levou-a para casa e bateu nela até ela perder o filho; os pais e irmãos da mulher bateram nele, para protegê-la. No instante em que a mulher pergunta se pode acender a luz, o homem pergunta se ela não tem medo que o marido a encontre. Ela responde "Já tive, agora não tenho mais... Vamos, que é que você está esperando?"


74 Degraus

O conto é dividido em 74 "instantes" que marcam os assassinatos de dois homens, articulados por duas mulheres, Elisa e Tereza. A casa é de Tereza, cheia de troféus e obras sobre animais, pois o marido de Tereza, Alfredo, era envolvido com esportes eqüestres. Elisa visita Tereza e elas conversam, claramente demonstrando terem tido um relacionamento próximo no passado. Pedro visita Tereza e Elisa sai; ele é um competidor eqüestre que procurou Tereza depois que seu marido foi hospitalizado. Tereza pergunta a ele se ele não quer seduzi-la, enquanto ele tenta contar que não é fazendeiro, como havia dito. Ela o beija e o leva para o quarto, mas antes de levar adiante percebe que "não queria nem ele nem homem nenhum, nunca mais." Tereza ri de Pedro e ameaça matar os cavalos, que são a paixão do homem. Ele a estrangula e ela desmaia. Elisa bate na porta, monta em Pedro, que começa a cavalgar. Tereza acorda e acerta Pedro na cabeça com uma estatueta. Elisa e Tereza então se abraçam e declaram amor uma para outra. Pedro quase acorda, Elisa bate com a estatueta nele novamente. Daniel, o marido de Elisa, chega para buscá-la, as duas matam ele novamente com a estatueta. O conto termina com uma das mulheres, provavelmente Elisa, dizendo "É tão fácil matar uma ou duas pessoas. Principalmente se você não tem motivo para isso."


Intestino Grosso

Entrevista entre um jornalista e um Autor, sobre como este virou escritor, sobre o que ele escreve - "os meus livros estão cheios de miseráveis sem dentes" -, sobre pornografia (para o Autor, a história de João e Maria é "indecente, desonesta, vergonhosa, obscena, despudorada, suja e sórdida") - o jornalista comenta que os livros do Autor são considerados pornográficos -, sobre linguagem e simbologia, tabu. O autor defende a pornografia nos livros, e fala sobre seu livro Intestino Grosso. A conversa continua, o Autor dizendo suas opiniões, citando referências. O conto termina com o jornalista, irritado, dizendo "Esses escritores pensam que sabem de tudo", ao que o Editor responde "É por isso que são perigosos".

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Referências

  1. Rubem Fonseca - Biografia educacao.uol.com.br. Visitado em 19 de outubro de 2010.