Fenícia romana

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Fenícia (em latim: Phoenice foi um nome utilizado por diversas províncias do Império Romano ao longo de sua história e que tem em comum a localização na região histórica da Fenícia. A Síria Fenícia foi criada no final do século II a partir dos territórios da província da Síria (daí o seu nome). Depois de ca. 400, ela foi dividida novamente entre as províncias da Fenícia Paralia ("Fenícia costeira") e a Fenícia Libanense, uma organização administrativa que perdurou até a conquista muçulmana do Levante pelo Califado Rashidun no século VII.

Síria Fenícia[editar | editar código-fonte]

Provincia Syria Phoenice
Síria Fenícia
Província do(a) Império Bizantino

194–depois de 400
 

Capital: Tiro e Emesa
Período : Antiguidade Tardia
 -  Divisão da Síria por Sétimo Severo 194
 -  Divisão da província Depois de 400

A Fenícia foi conquistada pela República Romana em 64 a.C., quand Pompeu criou a província da Síria. Com exceção de um breve período entre 36 e 30 a.C., quando Marco Antônio presenteou a região ao Egito ptolemaico, a Fenícia permaneceu como parte da Síria[1] . Acredita-se que o imperador romano Adriano (r. 117-138) tenha considerado a divisão da província em 123-124, mas não foi até pouco depois de ca. 194 que Sétimo Severo (r. 193-211) de fato a dividiu, separando-a em Cele-Síria no norte e Síria Fenícia (ou apenas Fenícia) no sul[1] . Tiro tornou-se a capital da nova província, mas Heliogábalo (r. 218-22) elevou sua cidade-natal, Emesa, ao status de co-capital e as duas disputaram a posição de mais importante da província até a nova divisão no século IV[1] .

Diocleciano[editar | editar código-fonte]

Provincia Phoenice Palaria
Provincia Phoenice Libanensis
Fenícia Palaria
Fenícia Libanense
Província do(a) Império Bizantino

Depois de 400–630s
Location of Fenícia
Fenícia Libanense e a Fenícia Palaria (aparece somente como "Fenícia") neste mapa Diocese do Oriente ca. 400.
Capital: Tiro (Palaria)
Emesa (Libanense)
Governador: Consularis (Palaria)
Praeses (Libanense)
Período : Antiguidade Tardia
 -  Divisão da Síria Fenícia Depois de 400
 -  Conquista muçulmana da Síria 630s

Diocleciano (r. 284-305) separou o distrito de Batanaea e fundiu-a na Arábia, ao passo que, em algum momento antes de 328, quando aparece uma menção no Laterculus Veronensis, Constantino (r. 306-337) criou uma nova província chamada Augusta Libanense a partir do território da antiga Síria, abrangendo a região do monte Líbano. Esta província teve vida curta, mas serviu de base para uma nova redivisão da Fenícia por volta de 400, em Fenícia I (Phoenice Paralia; Φοινίκη Παραλία - "Fenícia costeira") e Fenícia II (Phoenice Libanensis; Φοινίκη Λιβανησία), com Tiro e Emesa como capitais respectivamente[2] . Na Notitia Dignitatum, escrita pouco depois da divisão, a Fenícia I aparece governada por um consularis enquanto a Libanense tinha apenas um praeses, ambos subordinados à Diocese do Oriente da Prefeitura pretoriana do Oriente[3] .

Esta divisão permaneceu intacta até a conquista muçulmana do Levante na década de 630[4] . Sob o comando do Califado Rashidun, a maior parte da região foi administradada pela província de Damasco (Jund Dimashq), com partes no sul e no norte sob a jurisdição das províncias de Jordânia (Jund al-Urdunn) e Emesa (Jund Hims) respectivamente[5] .

Administração eclesiástica[editar | editar código-fonte]

A administração eclesiástica andava em paralelo com a política, mas com algumas diferenças. O bispo de Tiro emergiu como o principal prelado na região no século III e, quando a província foi dividida em 400, Damasco, e não Emesa, tornou-se a sé metropolitana da Fenícia II. Ambas pertenciam ao Patriarcado de Antioquia, com Damasco inicialmente em posição superior a Tiro, cuja posição também foi, por um breve período, contestada pela sé episcopal de Berito (moderna Beirute) por volta de 450; depois de 480-481, porém, o metropolita de Tiro se estabeleceu como o primeiro (protothronos) de todos os metropolitas subordinados a Antioquia[4] .

Referências

  1. a b c Eißfeldt 1941, p. 368.
  2. Eißfeldt 1941, pp. 368–369.
  3. Notitia Dignitatum, in partibus Orientis, I
  4. a b Eißfeldt 1941, p. 369.
  5. Blankinship 1994, pp. 47–48, 240.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]